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domingo, 30 de dezembro de 2012

ANO NOVO


O coração é um sino
A badalar no meu peito,
Cada batida é destino
Que parece ser perfeito.

O tempo qu'é tod'o tempo
Dura pouco, cada dia
E leva o sentimento
Prá avidez da poesia.

O tempo que não havia
É tempo que nunca houve,
Mas é tempo, todavia...
Foi o tempo que nos coube.

E... que venha o "réveillon"!
O tempo já o anuncia...
Dessa noite d'ilusão,
Vai nascer um outro dia...

E... já chora tod'a gente!
Tud'é mais caro, ó povo!
Andamos pra trás, prá frente...
São presentes d'Ano Novo!

Os Impostos, boa gente,
Fazem bradar todo o povo.
Há quem ria de contente
Dos presentes d'Ano Novo...

O Governo, meus amigos,
Não tem outra solução. (?)
Vamos procurar abrigos,
Pedir a quem nos dê pão!

Modesto

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

NÓS DOIS E O AMOR
















Que a lágrima seja a coisa mais rara,
Que ao meu lado nada te cause o pranto,
Que a felicidade - miragem tão cara !
Cubra de amor o nosso qu'rido recanto

Que nas tuas mãos suaves eu encontre apoio
E nos teus olhos verdes veja confiança.
Que eu seja sempre o trigo e nunca o joio,
Tanto nos dias tristes, como na bonança.

Nos traços tristes, circunspectos, do meu rosto,
Nunca vejas indiferença nem desgosto,
Mas sim um oásis que inspira ternura.

Dar alegria sempre à mulher amada,
Mulher adorada e sempre desejada
É meu atractivo, Esposa sempre pura!

Modesto

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

A MINHA MAIOR RIQUEZA















Mesmo que para ti talvez eu seja
Homem sem mistério nem encanto...
Ainda sou aquele que deseja
Ver-te feliz e evitar-te o pranto.

S'a vida a meu lado, hoje, é rotina,
Parece sem um horizonte qualquer...
Pra mim , és um amor de menina,
Amor que sinto por minha Mulher.

Nossa vida não foi toda venturosa!
Foi vida de luta, por vezes rude...
Às vezes não te trazia uma rosa,
Mas no amor fiz o melhor que pude...


Murcharam os sonhos da mocidade...
O tempo modificou-nos, eu vejo!
Porém, sinto que apesar da idade,
Ainda há tempo, amor e desejo.

Não trouxe mais amor a nossa vida,
Mais romantismo nem mais ventura...
Mas a caminhada foi divertida
E levamos a vida com ternura.

Não foi só opulência, beleza,
Nem só um canto terno de alegria!
Mas, sabes? A minha maior riqueza
Foi haver-te encontrado um dia!

 Modesto

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

CAMINHANDO PELOS PRADOS
















Caminhando p'los prados verdejantes
Pensando nesta aberração da cura,
Soluço que pelo sangue murmura,
Pra escapar às chamas flamejantes

Envolvo-me em prensas esmagantes,
Sinto que me amam nesta tortura...
Não é p'la aberração da formosura:
São coisas para mim não importantes.

Mas há quem viva energicamente,
Com os olhos enxutos de sal
Que espera um dia embelezar.

Vaidade eu tinha antigamente
De tanta beleza - dose letal!
Como sobreviver sem não chorar?

Modesto

sábado, 1 de dezembro de 2012

ESPERANÇA, JUSTIÇA





Às vezes também se espera. Isto cansa!
Com a espera também se perde a crença...
E vão-se os sonhos nas asas da descrença,
Voltam os sonhos nas asas da esperança!

Há gente infeliz! Nisso pouco se pensa.
Diz-se qu'este mundo é ilusão completa:
É este pensar qu'ao mundo os manieta,
Pena não ter a esperança por sentença...

Ó Mocidade, ergue alto o teu grito!
Luta para o mundo não andar aflito,
Serve com glória os teus irmãos - Avança!

Há tanta gente que vive em desalento!
Vai também tu ajudar nesse tratamento!
Brada pela justiça e, depois, descansa.

Modesto

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

ALMA DESNUDADA





















Sou uma alma desnudada nestes versos,
Alma fria, angustiada e só,
Que vai deixando seus poemas dispersos...
Alma, qu'ao que parece, ninguém tem dó.

Ainda sou um lírio ou violeta,
Num penhasco, numa selva, numa onda...
Alma que como o vento se inquieta
E levanta voo como uma pomba...

Alma que ainda está na Primavera!
E, no Outono, cultiva suas rosas...
Vive em campo aberto e, por vezes, dança.

Se vêm as tristezas, chama a criança qu'era.
Vai para o jardim ver as mariposas
E, no seu jardim, retoma a esperança.

Modesto

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

BELEZA, BEM, VERDADE.














Não chames ao meu amor de idolatria,
Nem de Ídolo realces a quem eu amo,
Pois todo o meu orar a Um só se alia
E de uma só maneira eu O proclamo.

Hoje e sempre é o meu Amor Galante,
Inalterável, em grande excelência:
Por isso, minha oração é tão constante
A um só SER Divino e inclui a diferença.

Beleza, Bem, Verdade, eis o que exprimo,
Às três Verdades ponho grande acento!
E não há mudança: É tudo o que rimo.

Beleza, Bem, Verdade, eis a Trindade:
Um em três Seres de amplo movimento
Num mesmo Ser vive a eternidade.

Modesto

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

PARA PIOR NÃO PODE SER



















Corre por esses vales, Primavera!
No Outono, plantas amarelecem,
As flores do campo desaparecem...
Só ficam verdes o louro e a hera!

Embravece o mar: maior tributo espera
Dos rios, que mais transbordantes descem;
Os dias mais trémulos amanhecem;
E... para mim, que sou quem dantes era:

'Spanta-me o porvir, pior qu'o passado;
Mágoa e choro de um, de outro a lembrança,
Sem ter já o qu'esperar nem perder!

Mal se pode mudar tão triste estado:
Façam melhor para haver mudança,
Mas para pior já não pode ser.

Modesto

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

FLORES OU ESPINHOS



















Vê: São tantos os caminhos!...
Não há tempo a perder.
Ou as flores ou espinhos,
És tu que tens qu' escolher.

As trevas ou luz brilhante!...
A 'scolha a ti caberá.
Nossa vida é mutante...
Só o Amor se manterá.

Só o amor te fará
Encontrar o teu caminho...
Amor prevalecerá
Mesmo com muito espinho.

Deixa que o teu amor
Brote, viva, brilhe e vibre,
Transforme tudo em redor
E transborde de ti livre!

Só no amor encontrarás
A chave da liberdade:
Pela vida acharás
O amor-felicidade.

Modesto

domingo, 28 de outubro de 2012

SEREI, PARA TI, NESTE OUTONO...


 

Serei, para ti, um verso de canção
No horizonte ao sol a brilhar.
Ou, então, a terna emoção
Que te fez um dia sonhar.
Serei, para ti, o amor calmo e tranquilo,
A chuva que cai serenamente,
Ou, então, serei tudo aquilo
que teu coração quer docemente.
Serei, para ti, o entardecer com promessas mil,
O luar a pratear o teu rosto
E serei aquele amor doce e gentil
Que a ti, por Deus, foi proposto.
Serei, para ti, a sensual madrugada,
Que entontece os desejos do coração.
E tu serás aquela amada,
Que quase se mata de paixão.
Serei, para ti, o ar que respiras,
O alimento que precisas pra viver.
E tu que me admiras,
Repleta de encantos, amor e prazer.
Serei, para ti, o calor do Outono,
Vendo o colorido das folhas a cair.
E nosso amor será o abono
Da paixão que continua a fluir.
 
Modesto
 
 


sexta-feira, 26 de outubro de 2012

FUGIU A ESTRELA DA TARDE



















Noite tépida e tranquila,
Como uma noite de Estio;
Um raio de lua expelia
Luz entre o choupal esguio.

Na alameda se desenhava
Ornatos irregulares, belos,
Um ligeiro tremor agitava,
Vindo encontrar meu anelos.

Últimos clarões do crepúsculo
Rendilhava o horizonte,
Formando um belo arbúsculo,
Beleza de ver junt´à fonte.

Fugiu a Estrela da Tarde,
Fazendo efeitos de luz
No terreno... Parece que arde!
Clarão nos alamos reluz.

Eu fico esperando à lua
Que mostra inquietação:
Traz-me à lembrança a tua
Fisionómica paixão.

Esta noite é pra sonhar
Voluptuosas sensações:
Imaginar e sublimar
Em límpidas conjugações.

Modesto

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

EM DIA DE ANIVERSÁRIO

 
 
 
 
 
Em ti encontrei carinho, ternura.
Contigo aprendi a sorrir e a amar.
Pensando em ti minh'alma murmura,
Deseja nos teus braços descansar.
 
É em ti que vou buscar fortaleza.
És tu meu doce e querido alimento.
Se me abate o temor e a fraqueza,
É do teu amor que então me sustento.
 
Longe de teus olhos sinto-me vazio.
Com teus carinhos feliz eu vivo.
Sem teu calor o mundo é sombrio,
Sem o teu amor, não há atractivo.
 
Modesto
 
 
 

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

E SERÁ SEMPRE COMO DA PRIMEIRA VEZ

Sempre que nos encontramos
É como da primeira vez
com nossos olhares ainda sufocamos
E nosso coração começa a bater,
A tua voz me faz estremecer.
Cantas baixinho ao meu ouvido
Para me comover...
Ainda sinto o sabor dos teus beijos,
Ainda são especiais, hoje, pra receber...
Como o teu sorriso ao me receber
Que me tira todo o mau humor...
Mesmo hoje, falando do nosso amor,
Procuramos um abraço sedutor de cada vez:
Sempre que nos encontramos, é como da primeira vez.
 
Modesto
 


sábado, 6 de outubro de 2012

CRESCER E MUDAR

















Fui eu, esse menino que te espia,
Melancólico olhar, sereno rosto,
Postura fixa e todo bem composto...
No retrato que o tempo desafia.

Fui eu, na minha infância fugidia,
De prazeres ingénuos e com gosto,
Pena de sentir tão efémer' alegria...
Depressa foi trocado no seu oposto!                                  
                                                                                              
Fui eu, sim! Mas o tempo que me ultrapassa
E que tud' altera: Nem sequer deixou
Um cheiro a infância como 'smola escassa!

Fui eu, sim: E na figura só ficou
Um olhar desenganado na fumaça
Em qu'a criança inteira se mudou!

Modesto

terça-feira, 2 de outubro de 2012

MELANCOLIA AO CREPÚSCULO




















Desce o crepúsculo! A tarde finda!...
Um drama entre os meus olhos se descerra!
O sol cansado da caminhada linda,
Seus olhos luzentes, no ocaso, cerra!

Calma a tarde a imensidade brinda!
Infinita saudade da minha Terra!...
Perante quadra misteriosa e linda,
Lembra-me os belos céus da minha Serra!

Vejo o poente que se avermelha!
Nesta contemplação, a alma s'ajoelha,
Admiro o arrebol da minha ânsia

Que sequiosa do sol doutra paragem,
Se entrega à beleza da paisagem
E vai mergulhar na bruma da distância!

Modesto

terça-feira, 25 de setembro de 2012

AQUI NADA HÁ DE NOVO












Se nada há de novo, é tudo o que há...
Já antes era como agora é,
Só ilusão! A Criação será:
Criar o já criado que já é?!

Mostrai-me sobre um livro antigo
Como quinhentas translações astrais,
A tua imagem, na inscrição, no abrigo
do espírito em seus signos iniciais...

Se eu soubesse o que diria o velho mundo
Deste milagre que é a tua forma:
Ou te viram melhor, ou me confundo,

Se as translações seguem a mesma norma.
Mas disto estou seguro: Antigos textos
Louvaram mais com bem menos pretextos.

Modesto

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

A VERDADE DO ESPELHO

















O tempo passou tão depressa!
Hoje, olhando-me ao espelho,
Vejo alguma rugas
E muito cabelo branco.
Até agora, culpava o  gene
Por estes estragos no meu corpo
E pelos estragos maiores na minha alma.
Mas, hoje o espelho me revela a verdade:
Minhas dores não são culpa de ninguém,
Apenas dores que trago no peito
Pela ausência de alguém perfeito
Que perdi com uma parte de mim.
E... andei perdido!
Culpava as minhas dores...
Hoje vi no espelho que é hora de parar:
Amanhã não vou acordar com os mesmos pesadelos,
Amanhã eu quero sonhar,
E as minhas dores, para sempre as matar,
Porque são somente minhas
E a vida doutros andam a estragar.
O espelho ensinou-me a dura realidade,
Devo aprender a andar com a minha verdade.
Hoje vou deixar a minha alma em paz,
Não volto mais a fazer como se faz...
E, em liberdade,
Vou ser feliz!

Modesto

domingo, 16 de setembro de 2012

AURORA DE FANTASIA


















Voa, meu amor,
Com a força do meu coração
Que esta força te conduz
Ao brilho do rubor,
Vai furar a escuridão
E a noite esconder a luz...
O sol do amor vai brilhar
Clarear o teu caminho,
Acender o teu olhar.
Vai! Não te percas no caminho,               
Vai onde mora a aurora
Que esconde um lindo dia
E antes de vires embora,
Traz-me esse grande amor,
Colhe a mais bela flor
Que alguém já viu nascer
E não t'esqueças de trazer
A força e a magia,
O sonho, a fantasia
 E a alegria de viver.

Modesto

sábado, 15 de setembro de 2012

VERGONHOSO BURLÃO


















 À beira do caos por razões do mercado,
Estás longe da Terra que te deu o berço...
Sugaste até à alma, ficou um trocado.
Deixaste-a a valer menos dum terço!

Nua como o devedor de Pelourinho,
Sofre a Terra com que devias falar,
À pobreza condenada, pobrezinho
Povo que te deveria enforcar!

Os que tiveram força pra te derrubar
O Grande País lhe chama abençoado!
Foste tolerado para governar...
Ao contrário: ficaste governado!

Os Sósias 'inda  fazem Procissão   
                                                             
A entesourar Fundações com o ouro.
E havia tanto ao cair da Nação!...
Esta Corja diz lhes ser dado p'lo Tesouro!?

Os deuses amaldiçoaram em coro,
O que tens e qu'a tua vaidade sente...
Não queres ir, agora, pra  Nino de coro?
Metamorfose que te fica lindamente!

Modesto

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

CABELO AO VENTO

 
Tudo o que pertence ao vento
Vai passar!
Só não passará quem o vir passar!
 - Não te pertenço,
Rapaz a desabrochar:
Não tenho corpo que sente
Nem uma mente que invente...
 - És a viagem que me vai levar
E que tento controlar.
 - Eu viajo sem saber
Os caminhos que vou percorrer...
Vejo-me a viver e a passar
No tempo que me fará chegar,
Onde? Onde vou morrer!
 - Não tens assento
Nem pra descansar?
Partirei contigo,
Se a tua força me deixar:
Falarei contigo
Conhecerei os teus segredos
E... posso-te ajudar!
Mas tens que me carregar
Nos teus braços de vento,
Com o meu cabelo ao vento!

Modesto

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

NASCESTE PARA MIM




















Tenho uma confissão a fazer
Às fadas e a ti:
Que o mundo quis-me receber,
Ficando com o melhor de mim!
Criança que nasceu ao luar,
Num sítio perdido em mim,
Sempre com sonhos, sempre com luzes,
De que queria ser diferente,
Diferente dos diferentes...
E, ao crescer comecei a sonhar                                                 
A sonhar contigo...
Sem imagem, sem vida, sem pintura:
Lá estavas tu!...
E a criança cresceu,
Romântica, apaixonada,
Por uma saga de Romeu e Julieta,
Desenhadas para mim,
Num lustro de marfim
E amor sem fim!...
Mas a vida quis mudar o meu caminho,
Destruir o trovador,
Colocar uma pedra no poeta
E perdê-lo pela vida.
E... um dia morri e voltei a morrer
Para renascer e ser diferente...
Perdi-me para me eternizar.
E o coração começou a pensar
Na verdade de um amor
E sonhou...                                                                  
Que se pode ser trovador,
Numa vida de dor
de sagas escritas,
de sagas vividas,
Numa vida de procuras...
Andar pelos cantos do mundo,
Andar pelos sonhos do mundo
A declamar o meu sonho,
A declamar o sonho de Romeu
E fazê-lo teu e meu,
Meu e teu,
Nosso e vosso,
Vosso e nosso,
Até que as escritas perdidas,
Que vou colocando nas entrelinhas,
Possam escrever sagas sem fim,
No coração daquela que nasceu para mim!

Modesto

                                                                                           
                                                                                                   

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

PRECE POÉTICA























Senhor, dai-me a poesia...
Sem ela as cores afastam-se,
A vida na terra é tão fria...
E o coração já duvida,
O tempo tornou-se em nada,
A alma cala-se, sombria,
E o fio perde-se na espada!

Senhor, concede-me a calma
Por trás do vibrar da matéria.
Ensina-me como a alma
Destoa ao pulsar da artéria,
Mas toma, no ar, vosso pulso,
Vê Vossas pegadas, no espaço,
Estáveis, mesmo que etéreas!

Senhor, ofertai-me a confiança
Que alenta os que marcham sem medo,
Que os sonhos nos soprem segredos
E as dores despertem lembranças.
Que as ânsias por perdas ou ganhos,
Estranhos a quem nada espera,
Não expulsem as reais esperanças!

Senhor, qu'abunde em mim a graça
De mais não pedir, só entrega:
Do Sonho, que à terra se nega,
Do Amor, que a terra ultrapassa,
Da Alma, que da Vossa, é parte,
Da Voz, que espera ser ponte,
À voz que se expressa na Arte!

Modesto

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

BENDITA AURORA


















Aurora, hora cinzenta, áurea hora,
Momento de encontro com Deus.
Transborda sobra a Natureza
Um plasma Divino, cinzento,
Que preenche a cada momento,
Os seres, quais recipientes p'los céus.
Neste contraste entre escuridão e luz,
Em que se sente estar vivendo um sonho,
Posso saber aonde este sonho conduz.
Os homens erram ao pensar
Que o Sangue de Jesus se derramou
Um só dia sobre a Terra,
Pois ele se derrama em todas as auroras,
Sem alcançar, por hora,
Os homens despertar.
Que são os homens , senão somente nomes,
Que se dá a gotas de aurora
Isoladas e esquecidas, agora,
Da fonte comum que lhes deu vida?
Gotas são partes do Deus que se derrama,
Aprisionadas no tempo e no espaço.
Episódios deste Deus a quem se ama
E a quem se busca rastrear, pelo Seu passo.
Querer ser gota faz que inevitavelmente
despedacemos Deus.
Podemos vê-Lo, aos pedaços, pelas ruas,
Perplexo, perdido, a esmo,
Com saudades de Si mesmo,
Da Totalidade!
Senhor, esse plasma misterioso,
Prisioneiro da gota que sou,
Vem ao Teu encontro sempre, a cada aurora.
Sonha ser célula de um Ser Inteiro e Vivo, onde estou,
E não uma lágrima, entre mil, de um ser que chora!?

Modesto

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

HUMILDADE DE SERVO























Precisas ter alcançado,
Com o coração sem fingimento
O teu grau mais elevado
De viver humildemente.

Enquanto lá não chegares,
Mesmo sendo desprezado,
Pensa que não apanhaste
Dom humilde desejado.

Se fizeres tudo bem
Sem este grau d'humildade,
Ainda não 'starás bem
No caminho da verdade.

Jesus antes de ensinar,
Quis dar-nos esta lição:
Aprendei a imitar
Sou manso de coração.

Quis praticá-lo de verdade,
Humilde sem fingimento,
Desprezando a vaidade
Com tod'o descernimento.

Mergulhou na humildade,
Desprezo e abjecção,
Que pregava a verdade,
Sem mostrar Sua perfeição.

Aniquilou-se a Si
Como condição de servo.
Não fez milagres aqui,
Na Sua terra, 'stvam cegos.

Não apenas se fez servo
Pela Sua Encarnação:
Mas quis ser inútil servo,
Tomou essa condição.

Modesto
                                       

domingo, 2 de setembro de 2012

JESUS, EU CONFIO EM VÓS























Eu estou à tua porta e chamo.
Abre a porta e deixa-Me entrar.
Eu conheço o teu vazio
E quero-o sarar.
Põe a tua carga nos Meus ombros
Eu te aliviarei,
Os teus pesares e angústia,
Eu os tomarei.
Olha, confia em mim:
Meu coração aberto,
Espera por ti.
Mesmo que seja grande o teu pecado
Eu te perdoarei!
Volta a ter o coração puro
E Eu to renovarei:
Eu amo-te como tu és e sempre te amarei.
As Minhas Chagas te sararam
E com Meu Sangue te lavei.
Já foste Meu e Eu sempre te quererei.
Abre a porta
E Eu te derramarei
Toda a Minha Misericórdia
E te consolarei.
 - Entra, Senhor,
Que tudo em mim seja amor!
Que a fé seja amor que crê.
Que a esperança seja amor que espera.
Que a adoração seja amor que se prostra.
Que a oração seja amor que Te encontra.
Que o cansaço seja amor que trabalha.
Que a mortificação seja amor que se imola.
Que somente o Teu amor, ó Deus,
Dirija os meus pensamentos,
As minhas palavras
E as minhas obras:
Entra e fica comigo, Senhor!

Modesto

sábado, 1 de setembro de 2012

HOJE NÃO FALEI DE ROSAS
















O poeta hoje em dia
Esquece-se
De fazer poesia,
Mas aquece-se
Com a melodia!
O que a vida lhe oferece, ele vê,
Enxerga o que o outro não vê...
 - Ah, poeta maluco
Eu o escuto:
Que tem a dizer
Do que é o ser?
 - É a vida,
Minha querida!
Quando parece escurecer,
Já está a chegar outro dia,
Pra tudo de novo ocorrer!
Já pensou como seria
Tão fria a ilusão
De tudo o que se quisesse
imediatamente viesse
Parar à nossa mão?
Desculpe se tenho pressa,
Nem tudo o que digo interessa.
Não pense que eu gosto disso,
Pior que um mago sem feitiço,
como um poeta sem prosa:
Eis um poema sem falar em rosa!

Modesto

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

QUATRO E MEIA DA MANHÃ

Acordo...
Olho para fora,
As estrelas falam comigo...
Visto o casaco e vou sonhar...
Sinto o vento frio na cara,
Sinto a vida na pele,
A magia do vento,
O sussurrar da porta...
Vens descalça... sentes o chão?
Sente comigo que estamos vivos!...
O luar conta-nos estórias...
Deixamo-nos levar pela nostalgia,
Quando a hora já vai tardia...
E o sonho?
Para esse é demasiado cedo
Para desistir:
De ser...
De chorar...
De rir...
De amar...
De sonhar
Acordados ou a dormir...
Mas a viver!

Modesto

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

A COR DAS ROSAS





















Rosa vermelha é o amor,
Que precioso calor!
Inunda-nos a paixão
De romantismo e candor,
Com suspiros no coração!

A rosa banca é a inocência,
A bela cor da pureza!
É a minha preferida,
Adorável beleza...
Que no mundo anda perdida!

Rosa amarela representa a amizade,
Tem um brilho especial
Pela sua sensibilidade,
Ela é sempre essencial
Prá vida em sociedade.

A rosa cor de rosa
Significa a harmonia.
É frágil como o cristal
E de suave alegria
Mas... com pouco fica mal!

Delas só quero ser a alma,
Ser crepúsculo, ser aurora, ser flor.
Posso ser bom, ser criança,
Ser amanhã, ser mel, ser amor...
Podia ser esperança!...

Modesto

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

VIDA PERFEITA
















Não é crescendo à toa
Qu'alguém se aperfeiçoa.
Árvore de trezentos anos
Teve que guiar seus ramos.

Este lírio d'um dia,                                                    
Em Maio tem mais valia:
S'à noite já não tem cor,
Foi a luz, o sol da flor!

E em justas proporções,
A beleza se ajeita
Ao ritmo dos corações
É qu'a vida é perfeita!

Modesto



terça-feira, 28 de agosto de 2012

PERCEBER A VIDA?

















Eu não sei na verdade quem sou,
Já tentei calcular meu valor!
É um paraíso onde estou,
Mas há outros conceitos com rumor...

Meninas são as bruxas e as fadas,
Céu azul tem por telhado mund'inteiro,
Palhaço, um pintado de piadas,
Sonho, fica dentro do travesseiro...

Perguntar de onde veio a vida,
Tudo fica sustentado pela fé.
Mas... se entrei deve haver saída!...
Na verdade, ninguém sabe quem é!

Jovens são crianças com muito tempo,
Na escola aprendem palavrão...
Colou sua foto no documento...
E sai da escola como sabichão!

Percebi a vida a cada minuto:
Há loucos que fazem sua doença.
Chorando d'alegria - nisso eu luto! -
Mas há gente com sentido de ausência!...

Modesto

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

MISTURA DO AMANHECER





















Fogem as nuvens do céu estrelado,
Invade-me a vontade de gritar!
O sol ainda 'stá longe... calado,
A admirar o seu lindo luar!

A fada desperta do sono encantado,
Com a harpa de sonho a tocar.
O sol, dormindo, sonha deleitado,
Sentindo, ao longe, um novo acordar.

Surge um novo céu a despertar.
Foi-se a noite fica a madrugada,
O sol 'inda continua a sonhar
Com estrelas e a lua, sua amada!

Ouve-se ao longe um galo cantar,
Anuncia o nascer do novo dia.
A lua vai-se embora a chorar...
Mas desperta o sol com alegria.

A lua adormece, por fim,
Mas o sol nada leva a mal.
Pois ama a lua tanto assim
Qu'a encontra em sonhas de Natal!

Modesto

sábado, 25 de agosto de 2012

CONSAGRO O MEU DIA A DEUS























Senhor, Meu Amigo, Meu Pai, Meu Irmão,
Por mais esta jornada, a minha gratidão.
É mais um novo dia que ao meu encontro vem,
Protege aqueles que amo e aos que quero bem.
Que eu saiba acolher, a sorrir e com paciência
Aqueles que puseres sob a minha influência.
Senhor, ofereço-Te, no Altar de cada dia,
Trabalhos, canseiras, revezes e alegria,
Se a vida for Calvário ou for Tabor.
Senhor,
Fica a meu lado, com o Teu Eterno Amor!
Servir os irmãos, eu tracei como ideal.
Quero prosseguir na ajuda fraternal:
Abençoa-me e dá-me a Tua alegria,
Pois é Teu mais este dia!
Depois... Irei pela Natureza,
Apreciar a sua Beleza:
Encontrarei nas florestas
Mais coisas que os livros me darão:
As árvores, as pedras, a giesta...
Me ensinarão
Mais que os Mestres poderão!

Modesto

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

NÃO OUÇO O GALO CANTAR
















Amanheceu! Não ouço o galo cantar!
E esse canto traz-me tantas saudades!
Quem vive por aqui, só ouve falar
No cócóricó d'um canto de verdade!

Aqui, só agitação indiferente,
Cada um trata da sua vida e mal!
A confusão do querer de muita gente:
Um viver frio, insensívl, irreal!

Que saudades tenho do meu amanhecer,
De sentir o orvalho na relva molhada,
Do belo pôr-do-sol ao entardecer,
Com o cantar tristonho da passarada!

Ai! Se eu pudesse fazer voltar o tempo,
Ia já para o tempo de criança!
Teria tudo o que nas saudades contemplo:
Inocência, alegria, esperança!

Modesto




















quinta-feira, 23 de agosto de 2012

SONHO E BORBOLETAS


















Quando em meus sonhos deixar de acreditar
Como quem diz «os sonhos o ultrapassaram»...
Das formosas borboletas m'hei-de lembrar
Voando sobr'um belo jardim, me chamaram:

- Sabes que o sonho tem limites, disseram,
Como borboletas, pousando em cada flor...
- Pois!...Mas, voando, são belezas que me deram
E meu sonho realizou-se no amor!

- Um dia, teu sonho era de esperança
De algo melhor qu'entrasse na tua dança...
E a beleza da paisagem to mostrou:

Que a esperança ou sonho bem sonhado,
Pela beleza do cosmos és convidado...
Eis o teu sonho! Tudo se concretizou!

Modesto               

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

SE A MUSA SE AUSENTA!...














Quando não estás, não há imaginação.
Vai-se a poesia, ficam as revoltas.
Se te chamo, logo tocas meu coração,
Atendes sempre, quando te chamo e... voltas!

E surges do nada, ao romper do dia,
Vens de mansinho, contando os teus ais...
E, do meu piano, sai a melodia
Linda! - timbres de garridos madrigais.

Tu és sempre o mote dos meus poemas,
Como és o archote dos meus dilemas...
Mas no auge da solidão, és companhia!

A ânsia de t'envolver faz-te forte,
Mas é na luz dos olhos que busco o norte
E o amor que m'inspiras é a poesia!

Modesto

terça-feira, 21 de agosto de 2012

CONFIANÇA























A confiança é a base de todo o relacionamento
De nós, uns com os outros.
Com Deus, a confiança é a base de tudo.
Confiar é rezar e esperar de Deus o atendimento,
Ele fará o melhor de tudo.
Confiar é entregar a vida nas mãos de Deus
Sabendo que Ele nos levará ao Sacramento.
Confiar é deixar Deus agir, nos negócios meus,
Sem temer o hoje e o amanhã,
Assim como os filhos se entregam à protecção da Mamã.

Quem não se sente tantas vezes fraco?
Fique nos braços de Jesus que é forte!
Quem pode suportar a dor e a aflição?
Chame por Jesus que é amigo e consolação!

A Mãe protege os filhos nos seus ninhos,
Maria passa à frente e abre caminhos,
Portas e portões...
Jesus vem a seguir abrir os corações,
Transformar o choro em sorrisos,
A fraqueza em fé,
O sonho em realidade
E a sabedoria e entendimento...
Para cumprir a Sua Vontade!

Dá-nos, Senhor, uma fé recta,
Uma esperança certa,
Uma perfeita caridade
E uma profunda humildade!

Modesto

domingo, 19 de agosto de 2012

DEUS DÁ-SE AO HOMEM POR JESUS CRITSO

















Deus ao Homem oferece,
Sempre em sua caminhada,
Pão-Vida que fortalece
E vid'aos irmãos doada.

Deus dá vid'em plenitude:
O Homem tem qu'escolher
Viver vida de virtude,
O Dom de Deus acolher.

Quem aderir a Jesus,
Aceita o Seu projecto:
Int'rioriza a Luz
E segu'o caminho recto.

Jesus vem com a Missão
De dar-Se em "Pão da Vida".
Cham'os homens àtenção
Que o Seu sangue é bebida.

Convida abertura ao Dom,
À disponibilidade
Par'acolher o Seu Pão,
Viver em simplicidade.

A Igreja lembr'ao Cristão
Que escolha o "Pão dos Céus",
Que faça sua opção
De compromisso com Deus.

Não vá p'la facilidade,
Que deixe o comodismo,
Viva em Comunidade,
Aceite o altruísmo.

Modesto

sábado, 18 de agosto de 2012

ÂNIMO E CONFIANÇA























No esforço do caminho,
Não percamos a 'sperança,
Respeito mútuo e carinho,
Com controle e confiança.

É! A verdade nos diz
Pra soltar a nossa voz!
Com coração d'aprendiz,
Deus nunca nos deixa sós!

Com Jesus na Direcção,
Saberemos ser melhores.
Mesmo na tribulação,
Optimizar os suores!

Dentro das dificuldades,
Procuremos dar as mãos:
Conciliar habilidades
 No Planeta dos Irmãos.

Modesto

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

OBRIGADO, SENHOR!













Hoje agradeço-Te, Senhor,
Por esta manhã brilhante e fresca
Que me inunda de alegria!
Pelas bastas belezas do mundo,
Mesmo as que não posso tocar...
E aquela cheia de harmonia
Que muitos não vêem,
Mas que sou capaz de adivinhar.
Agradeço-Te o sorriso da criança,
A flor que ao vento se balança
E os passarinhos a voar...
Também Te agradeço a canção que me cantam
Quando vem o sofrimento
E comigo às voltas andam,
Até esquecer a canção
E Te sinta no meu coração,
Pois És meu contentamento
Que me leva a, alegre, contar,
ConTigo poder participar,
Neste Mundo, da sua construção.
Obrigado por me ensinar,
A chorar,
Quando a humana fraqueza
Fica submissa e indefesa...
Agradeço-Te pelas lindas rosas de amor
Que puseste nos meus caminhos:
Obrigado, Senhor,
Por me dar rosas com espinhos!

Modesto

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

O VERÃO
















O Verão, imaginoso, apaixonado
E lascivo... com frémito de Musset,
Como episódios de D. João apaixonado,
Como Byron, mistura terror secreto...

É esplêndido com uma oriental
Qu'aparece como canto utilitário...
Searas maduras, frutos no seu final,
Traz-nos à mente poema imaginário.

Tudo é lirismo que traz harmonia.
Abundam flores, poesia. Natureza...
Formas variadas, concepções de fantasia.

Multiplicam-se imagens reflectidas nos céus,
As águas reflectem a luz da beleza...
O orvalho, como lágrimas, sorri do adeus!

Modesto