segunda-feira, 31 de outubro de 2016

AS ASAS DOS TEUS CORTINADOS

















Há algo tão belo nas bela plumas
Ou asas que puseste nas janelas,
Abanam as cortinas que perfumas:
Libelinhas que se deitam sobr' elas.

E quando a luz as põe luminosas,
Com asas de seda de libélulas,
Então eu sonho a falar com rosas
E há pedaços da ternura delas.

Asas tão leves mas inamovíveis,
Com cheiros a brisas imperecíveis
Que de tão leves, ao imortal junta.

Algumas delas são asas anãs
Que reflectem o brilho das manhãs...
Tão iluminadas, não fogem nunca.

Modesto

domingo, 30 de outubro de 2016

NA NOITE DO HALLOWEEN

















A lua com a estrela
Falou tudo engraçado:
Estória duma 'strela
Que não tinha namorado.

Era mínima, não tinha
Outra estrela pequena.
Embrulhou-se na farinha
E ninguém disse -"que pena!"

Era estrela sozinha,
Ninguém olhava pra ela,
Tod´a luz que ela tinha
Cabia numa janela!

E a lua ficou triste
Com a 'stória d' amor
Que 'inda hoje insiste:
- Amanheça, por favor!

Modesto

sábado, 29 de outubro de 2016

UM RAIO DE SOL
















Veio um raio de sol,
Uma fonte de calor.
Era tarde d' arrebol,
Eu continha minha dor.

Par'cia dia d' inverno,
Um dia muito molesto
E tudo era inferno...
O vento corria lesto.

Mas amanhã vai mudar!
Ver o sol eu vou gostar,
Vai aquecer o jardim!

Mas continua a doer...
E é difícil viver
Com o sol longe de mim!

Modesto

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

CREPÚSCULOS COM MÚSICA













Com som do órgão vi chegar a noite.
A brisa fria batia-me no rosto.
Olho pla janela, vejo o sol posto,
Mas o vento batia com’ um açoite.

Vem o dia, vê-s’ o sol no horizonte:
Tudo aqueceu… coração s’ alegrou
 E no jardim, mais uma rosa brotou
Ao amanhecer com a água da fonte.

Desço ao jardim e colho uma flor
Para meu maravilhoso tocador
Que da madrugada toca seu clarim.

Os ventos aplaudem, ficam a ouvir:
A música nasceu para nos servir…
Vou tocar órgão, a música sem fim.


Modesto

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

AMOR QUE VEM COM O VENTO

















Amor que vem com o vento
Sem rumo nem direcção,
Toma o meu sentimento,
Invade meu coração.

Vem como ondas do mar,
Em dias de atenção.
E vem-me fazer sonhar
Com amor e com paixão.

Mostra-me tanta ternura...
Cativa-me por inteiro.
Faz qu' entenda a candura
De sentir-me verdadeiro.

Vem cheio de protecção
Qu' ando feliz na rua,
Carregado d' emoção,
enamorado da lua!

Modesto

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

SONATA HARMONIOSA

























Toca-me uma sonata
Qu' os Anjos fiqu' encantados,
Doce tilintar de prata,
Que vibrem cristais quebrados.

É com cantata que s' ata
O amor dos namorados.
Toca em trina volata,
Lembra sonhos já passados.

Naqueles dias risonhos
Que se desperta dos sonhos,
Há o anelos e desejos.

Toca harmonia louca
Qu' o coração 'stá na boca
À espera dos teus beijos.

Modesto

terça-feira, 25 de outubro de 2016

ATÉ MORRER DE AMOR



















Logo que te vejo fico abrasado,
Sinto no coração um fogo ardente,
Exalto e depois fico magoado,
Mas suspiro e sorrio de repente.

Enquanto souber que não fui enganado,
Nem quererás enganar minha mente...
Sou feliz. Se não, ai de mim desgraçado,
Minh' alma vai sofrer continuamente!

Desejo-te tanto quanto mais se vive,
Quero ter o que o coração active,
Acalmar o ardor que nas veias corre.

E tudo isto em todos nós revive,
Isto é amor, deste amor se vive,
Isto é amor, deste amor se morre.

Modesto


segunda-feira, 24 de outubro de 2016

O VERDADEIRO AMOR























Nas almas sinceras com união sincera,
Nada há que impeça o amor com amor.
Se encontra obstáculos, não se altera
E nem se vacila ao mínimo tremor.

Amor é um marco eterno, dominante,
Qu' encara a tempestade com bravura.
É astro que norteia a vela errante,
Cujo valor se avalia na altura.

Amor não teme o tempo, muito embora
Ele se possa transformar d' hora a hora...
Seu punhal, às vezes, não poup' a mocidade.

S' o amor é falso - mas ninguém o provou -
"Não é verdadeiro, nunca alguém amou"...
Pois ele afirma-se prá eternidade!

Modesto

domingo, 23 de outubro de 2016

ROSA, A BELA FLOR





















Prá rosa exaltar e definir, não basta
Ser poeta e cantar a sua beleza.
É ter a alma eternamente acesa,
Numa emoção mais límpida e mais vasta.

Não conheço noutra flor tal delicadeza:
Terna, pura, humilde, alegre e casta.
Seu perfume envolve a mão qu' a afasta
Do ramo donde ornava a Natureza.

Invejo os insetos e sua audácia
Que acariciam e beijam a rosácea,
As essências subtis de quando em quando.

Amo esta flor além de outra qualquer
Com o seu aroma qu' é perfume de mulher...
Pressinto-a  ardente e s' insinuando.

Modesto


sábado, 22 de outubro de 2016

DIA DE CHUVA

























Cai chuva moderada e sonolenta,
Daquela que custa, custa a passar
E nesta manhã baça e bem cinzenta,
Até chega a dar preguiça de pensar!

Até a minh' alma parece cinzenta
E assim cinzenta, como versejar?
Nesta apatia, o que mais me tenta
É minha cama, ali, a me chamar!

Entre os meus cobertores, vou tentar
Aquecer-me, dormir e talvez sonhar...
É melhor deixar pra lá a poesia...

E entre luzes e cores, pelos ares,
Vão revoar versos, rimas e cantares,
Sonhando com um céu azul, lindo dia!

Modesto

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

FOLHAS DE OUTONO

















Perdoa-me, folha seca,
Não posso cuidar de ti.
Vim pra amar - Mas que seca!
Do amor eu me perdi...
Que serviu tecer flores
Pelos canteiros do chão,
Se havia tantas cores
Dentro do meu coração?

É o tempo, Natureza!
Choro pelo que não fiz
E pela minha fraqueza,
Estou triste, infeliz.
Perdoai-me, folhas secas
Meus olhos sem força 'stão,
Velando as folhas secas
Que não se levantarão...

Tu, ó folha de Outono,
Voando pelo jardim,
Contigo vem mais um sonho:
A melhor parte de mim!
E vou por esse caminho,
Certo que tudo é vão.
Tudo, menos o carinho
Por estas folhas no chão.

Modesto

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

FOLHAS CAÍDAS

















Vou entre folhas caídas,
Pelo Outono vencidas
Qu' acolhe meu pensamento.
Juntam-se todas agora
Sem delícias d' outrora...
Vou seguind' a passo lento.

Vejo muitas folhas mortas,
Juntam-se às minhas portas,
Ainda com esperança...
É tudo agonizante,
Apodrecem num instante...
E é o fim que avança.

Ao caír dão ilusões,
Despedaçam corações
Dos amores que as vêem.
Deixam a melancolia
Qu' invad' e nos inebria
Ao caír em vai-e-vem.

Ó belas folhas caídas,
Inválidas e perdidas,
Inda tendes validade:
Ides estrumar os campos
Que irão dar pão a tantos...
Compreende, mocidade!

Modesto

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

E... VEIO O SONO!

















É um grande labirinto
Quando o sono chega e se propaga
Às coisas que já mal sinto
E confundo o sofá com a fraga.

É o cansaço que regressa
Ao som da minha fala
Submersa como essa
Pequena luz da rua que resvala.

É noite e quase sonho
A dormitar fora do quarto
E os degraus eu transponho
Sem consciência donde parto.

Agora, sem direito nem avesso,
Deito-me na cama sem calma.
No incerto momento que adormeço,
Nem sequer a Deus entrego a alma...

Modesto

terça-feira, 18 de outubro de 2016

NO DECORRER DO TEMPO
























No decorrer do tempo que se esquiva,
Chegado o Outono com sua glória,
Sempr' alguma saudade and' à deriva,
Salta do coração para a memória.

E ressurge tão nítida e tão viva
Uma emoção passada na história:
Perdido amor... olhada fugitiva...
Da infância à escola... Que memória!...

São recordações que passam de corrida,
São como um carrossel de romaria
Que a alma doutros tempos nos trouxera.

Mas dessa lembrança grata e sentida,
Já não há saudade nem melancolia...
É como se voltasse à Primavera!

Modesto

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

A CHUVA E A VIDA

















Chove dentro de mim em bátegas pesadas,
Desaba um temporal cá dentro do meu peito!
E as minhas asas velhas, rotas, cansadas...
Não encontram, pra voar, o antigo jeito.

Fora, nas límpidas vidraças já fechadas,
Como diamantes puros e sem defeito,
Lágrimas de chuva perseguem-s' apressadas
E sem alarde vão morrer no parapeito.

Não chores, chuva miudinha do céu pardo!
Por vezes , viver não é um sonho, é fardo,
Deserto sem oásis, um montão d' escombros!

Para quê chorar? A vida é a viagem,
O qu' importa é não perder a carruagem,
Mesmo com pesadas amarguras aos ombros!

Modesto

domingo, 16 de outubro de 2016

O BELO OUTONO
















Outono, meu Outono resplendente,
Oásis de paz, beleza e magia,
Encanto sereno e envolvente...
Nem a Primavera inventaria!

Nas translúcidas tintas do poente,
Há mensagens de cor e harmonia
De outros mundos, dum céu diferente,
Onde divaga minha fantasia.

Folhas soltas vagueiam pelo ar,
Encanto d' alma - meu imaginar -
Lindos tapetes dignos de rainha...

Tecidos pouc' a pouco nas valetas,
Com' almas peregrinas de poetas,
Brindando à Musa, sua madrinha!

Modesto



sábado, 15 de outubro de 2016

CAMINHO DE BEM VIVER



















Se rezo e Deus quer ouvir
S' a voz sai do coração.
Preceito da oração:
Dar-Lhe graças e pedir.

Rezo? Alcanço tudo,
Com meu filial dever.
Sou um desprezível ser,
Mas adoro como mudo.

O Pai ouve minha voz...
Pedir, falo-Lhe a sós,
Sou pobre só de amor!

Adoro-O em oração:
Pai do céu, dá-me lição,
Alivia minha dor!

Modesto

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

SAUDADE














Verdes e baixos vales, alta serra,
Duras e solitárias penedias,
Correntes águas, frescas fontes frias,
Testemunhas velhas qu' em mim s' encerra.

Com suspiros o ar, prantos a terra
Encho. Vós o sabeis, selvas sombrias,
Onde chorando vou, noites e dias,
Saudades d' amor, d' ausência guerra.

S' o vosso natural só de si move
A triste sentimentos mais contentes,
Que sentirão os tristes de verdade?

Ah! não vos espanteis qu' em vós renove
Saudades passadas e as presentes,
Pois tudo o qu' em vós há é saudade!

Modesto

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

NOS ELOS DO TEMPO















Ilusão a buscar na passarela,
A magia e o pranto, no silêncio
É indecisa coisa paralela
Em que o tempo s' embrulha no lenço.

O dia esvai-se e esmorece,
A noite vem plena de lua cheia,
No céu 'strelado o sol adormece...
É batalha sem glória n' ameia.

Nós somos livres, porém limitados,
Resta-nos, enfim, nosso pensamento,
Com os olhos da alma apurados,
Chamamos o ontem, vem o tormento.

Estamos presos aos elos do tempo,
Soltos à procura de espaço,
O homem emigra como o vento
E deixa a lembrança no terraço.

Modesto


quarta-feira, 12 de outubro de 2016

AO AMOR DA MINHA VIDA

















Não chames o meu amor de idolatria
Nem de ídolo. Realça a quem eu amo.
Pois todo o meu amor a um só s' alia
E de uma só maneira eu o proclamo.

És hoje e sempre o meu amor galante,
Inalterável e em grande excelência.
Por isso, a minha rima é tão constante
Numa só coisa e exclui a diferença.

Beleza, Bem, Verdade - Eis o que exprimo.
Beleza, Bem, Verdade - é onde me sento.
Em tal verdade está tudo o que primo.

Em um, são três temas de amplo movimento:
Beleza, Bem, Verdade, sós como outrora,
E num mesmo ser vivemos juntos agora.

Modesto

terça-feira, 11 de outubro de 2016

QUERO
















Quero a doce luz dos vespertinos pálidos,
Lançar-me com paixão entr' as sombras das matas
- Berços feitos de flores e carvalhos cálidos
Ond' a poesia dorm' ao som das cascatas.

Quero aí morar - o meu viver etéreo,
Quero aí chorar os tristes pranto meus...
E com o coração nas sombras do mistério,
Sentir minh' alma entre a floresta de Deus.

E na floresta erguida nos galhos húmidos,
Ouvir os cantos alegres da cotovia...
Da Natureza, quero dela os bens túmidos,
Beber a calma, a crença ardent' altiva.

Quero, eu quero ouvir o cantar das águas
Nas asp'ras ribeiras que irrompem plo chão...
A minh' alma cansada plo peso das mágoas,
Que só quer dormir no colo da solidão.

Modesto

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

TEMPOS DE SONHO E POESIA

























Vejo como e quando escrevi meus versos,
Quando procuro o caminho dos meus sonhos.
Observo os pequenos segredos submersos
Na alma, encostada aos tempos risonhos.

E já encontrei vários sonhos dispersos
E alguns deles até eram bem tristonhos,
Mas alguns perderam-se em tempos adversos...
Foram anos encantados, dias de sonhos.

Havia estrelas nos céus dos devaneios,
Veredas da poesia eram os meios
Entre encantos de amor, também de penas.

E hoje relembro os versos desses dias,
Flores d' amor que me deram e poesias:
Tudo coisas que compõem os meus poemas.

Modesto

sábado, 8 de outubro de 2016

MEU AMIGO SECRETO

























Meu Amigo secreto, eu t' agradeço
O carinho, consolante abrigo
Que dás à dor imensa de que padeço
E deste aos sonhos qu' eu cantei contigo.

Gosto mais de ti quanto mais te conheço,
Jovem Cantor que vens do tempo antigo,
Sei que a tua estima não tem preço,
Meu Companheiro e meu maior Amigo.

E, graças e essa duradoira 'stima,
Tu me fizeste um grão-senhor da rima,
Tu me acolhes agora como dantes.

Abriste-me índa desde a mocidade
Caminhos que vão à jovialidade
Com os Teus muitos caminhos fulgurantes.

Modesto

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

ORAR SEMPRE

















Ensina-nos a orar,
A dar sem olhar a quem,
A servir sem reclamar,
A sofrer sem magoar.

A progredir sem perder,
A semear bem o bem,
desculpar sem ofender,
Sem malícia também.

A marchar para a frente,
E a falar sem ferir,
A escutar tod' a gente
Entender sem exigir.

Respeitar o semelhante
Sem reclamar condição,
A dar de nós o semblante
E amar de coração.

Modesto

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

OS TEUS OLHOS VERDES




















Uns olhos verdes ferem-me o coração,
Mostrando graça, frescura da juventude.
Mas, agora, rondando já a senectude...
Verdade ou fingimento? Um' ilusão!

Os teus olhos de paixão e de forte luz,
Tal como um raio que perfura o chão
Sob o qual eu sucumbi por tentação
Teu doce e fundo olhar... assim me expus.

Os teus olhos de verde lindo sem dar tréguas
Que vão e que voltam, andando tantas léguas
Vão em busca da grandeza duma oferta.

E como tu te afastaste de repente,
Deixando comigo o teu olhar vivente
Que não s' apagará da minh' alma aberta.

Modesto

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

MANHÃS DE OUTONO
















Sopra o vento mansinho,
Brisa fresca e suave,
Mexe cortinas de linho,
Entra na casa sem chave.

Sopra o vento lá fora,
As folhas 'stão a cair.
O Verão já foi embora,
O Outono faz-se sentir.

Sopra o vento do norte,
 Levanta folhas no ar,
Quebra silêncio com forte
Sussurrar, assobiar.

Sopra o vento gelado
Da montanha, vem o frio.
Só se sai agasalhado...
Dos pássaros, nem um pio.

Modesto

terça-feira, 4 de outubro de 2016

BOM DIA

















Quando disseste bom dia,
Eu gostei de te ouvir.
Trouxeste-me alegria,
Um bom dia 'stá pra vir!

Amigos dizem baixinho...
Não custa, eu direi sim.
Gostei desse teu jeitinho
Com que disseste par mim.

Amor, leal amizade,
Sentimento d' alto preço
E eu fico com vontade
De dizer que o mereço.

Quando te lembras de mim,
Sabes que nunca t' esqueço.
Já disse: Amor, pra mim,
É algo de alto preço.

E um bom dia bem dado
É com' o nascer do sol:
Fico sempre admirado
Com as manhãs d' arrebol.

A vida é um presente:
Bom dia com harmonia!
Viv' este dia contente,
Alegr' e com energia.

Modesto




segunda-feira, 3 de outubro de 2016

OS MEUS AMANHÃS



















Porque me invades, ó incerteza,
Dizes não ser o que és na verdade?
O tempo é que nos lev' a beleza
Na certeza que nos traz a idade!

Mas há uma ilusão na tristeza,
Um jogo de trevas na claridade.
Brilha, ao longe, esperança acesa,
O seu nome me diz: Felicidade!

O abstracto poder vem da razão
Qu' é a matéria na proporção,
Tudo o que me pode dar, quero ter.

Antes, dá-me o dobro da coragem,
Que eu já sou de mim uma miragem...
Deus, Quantos amanhãs irei viver?

Modesto

sábado, 1 de outubro de 2016

INGRATIDÃO















Eu trabalhei sem revoltas nem cansaços
No campo do amargor e solitude.
Senti dores? - Embalai-as nos meus braços,
Como alguém que embala a juventude.

Ascendi luzes, desbravei espaços
Aos olhos sem bondade e sem virtude.
Consolei mágoas, tédios e fracassos
E fiz a todos, todo o bem que pude.

Que o sonho deite bênçãos de ramagens
Pra me esconder das tácitas voragens,
Já que minh' alma nem sempre foi feliz.

Que nuvens soltas de distante ausência
Dos males que me deram sem consciência...
Apesar dos bons trabalhos que eu fiz.

Modesto


VENDO-NOS AO ESPELHO

O espelho não me diz que envelheço, Enquanto andar junto da mocidade. Mas as rugas vêem meu rosto impresso... J...