domingo, 31 de agosto de 2014

GRAÇAS A DEUS!




















Dou-Te graças, Senhor, com amor sincero!
Fizeste Céus e Terra pra Tua glória.
Proteges-me e guardas-me com esmero,
Com' à humanidade e sua história!

Eu sei, Meu Pai, que não é o qu'eu espero:
Degradação da Natureza, inglória,
Por Te louvar! Mas é tud' o que eu quero,
Por tod' o bem que puseste na memória!

São duras as dores que vou sorvendo,
Crescendo, mesmo sabendo que há troça,
Para me desanimar... Fico absorto!

Mas, tomo a minha cruz e vou vivendo,
Vencendo o mundo, com a Tua força...
Sofrendo bem menos, do que Tu no Horto!

Modesto

sábado, 30 de agosto de 2014

SONHO DE DIAMANTE


























Era um sonho deslumbrante,
Numa noite de luar:
Senti amor latejante
Que me qu'ria dominar.

Era amor vivificante:
Andava a jardinar!
Seu jardim era pujante
E fazia admirar.

Exemplo edificante
Qu' até me pôs a sonhar:
Era sonho viajante
E fui logo passear.

Então, vi-me vacilante,
No espaço a voar:
Um trovão beligerante,
Pôs-m' a equacionar...

Vi um bosque verdejante,
Um Anjo a comandar!
Ah! Sonho de diamante,
Deixas-me a suspirar!

Então, senti-m' importante,
Por um Anjo me guiar!
Mas ouvi, mais adiante:
Simplicidade! Amar!

Ouvi uma voz cantante
Duma menin' a olhar...
Foi o amor latejante
Que pra lá me quis levar!

Modesto

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

MEU TORRÃO NATAL




















Vai, meu pensamento, voa prá terra dourada e quente,
Pousa nas colinas cobertas de pinho,
Aquele verde-musgo ondulante,
Agitado pela brisa suave do poente
sobre a encosta deslizante,
Onde as aves de rapina fazem ninho.

Vai respirar ares mais leves e doces,
Impregnados de mil fragrâncias
Que exalam os campos floridos...
Oh! Recordações da infância,
Sons da terra, adormecidos!

Vai saudar, em Sande, o Ribeiro,
Lugar de folguedos de infância
E meu fiel companheiro.

Saúda também os majestosos
Rios Tâmega e Douro
Que se espraiam a teus pés, orgulhosos,
Neles se espelham os penedos, teu tesouro.

Vai visitar a boa gente de coração perfeito
De quem aprendi a amar o tempo e a liberdade!
Reacendo a tua memória no meu peito
Que é a que me dá força pra suportar tanta saudade!

Modesto


quinta-feira, 28 de agosto de 2014

POEMA PARA DEPOIS






















Estes versos repletos de ternura
São versos meus. Mas, oh! São teus também...
Sozinha, hás-de lê-los, sem ninguém,
Para não perturbar nossa ventura.

Quando branquearem os teus cabelos,
Hás-de lembrar-te, então, quem os fez.
Recordações qu' o tempo não desfez,
Sentirás saudade e dor ao lê-los.

E se, então, eu já tiver partido,
Procura mais algum verso perdido
Que, nalguma pasta, deixar eu vou.

Quando lá, novamente, então fores,
Podes colher todas aquelas flores
Pois são versos d' amor qu' inda te dou!

Modesto


quarta-feira, 27 de agosto de 2014

SONHO NO JARDIM

















Passei o jardim sem lua,
Correndo caminho fora,
Pra unir minh' alma à tua,
Antes do surgir d' aurora.

Eram canteiros de buxo!
Sorri... tremendo de medo!
O jardim tinha repuxo,
Com objectos de bruxedo!

Tinha narcisos floridos
E belos como outrora...
Senti meus sonhos perdidos:
Não sabia vir embora!

Mas o jardim com o buxo,
Para mim, já existia,
Sai a água do repuxo:
Agora, era magia!

Vivi uma noite 'scura,
Senti-te cair desfeita...
Era prá noite ser pura,
Em harmonia perfeita...

E fui à tua procura,
Carreguei-te nos meus ombros,
Passei uma sombra 'scura...
E sentei-te nos escombros.

E passou um vento quente!
Alguém no jardim cantou,
Em círculos, longamente,
Dançou e... maravilhou!

Agastado a sonhar,
Er' um sonho impossível...
Aflição fez-m' acordar:
Vi que era intangível!

Modesto

terça-feira, 26 de agosto de 2014

FLOR SELVAGEM

















Eu vi uma flor selvagem
Num jardim abandonado;
'Stava triste na paisagem:
Jardim negligenciado!

E vi uma rosa pura
Num esquecido rosal:
Até a toupeira fura
Este jardim que 'stá mal!

E, num canto  do jardim,
Estava a flor selvagem!
Um jardineiro assim
Só pod' andar em viagem...

Cuidar do jardim é tempo
Prá beleza existir.
Mas... também há monumento
Desprezado... a cair...

Modesto

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

FLOR DAS COLINAS


















Vives no meio da bruma,
Cheia de melancolia!
Tens corpo feito d' espuma
Da nuvem branca e fria.

Na doce tranquilidade,
Ao ver-te, tu me recordas
Uma lírica saudade
De teclados e acordes.

Mal chego, logo me olhas,
Dás carícias de sedas,
Sai-t' o perfume das folhas
Das pétalas amarelas.

Podes ser flor delicada,
Aberta, pareces ouro...
Tua cor amarelada
Vai reflectir-se no Douro.

Num silêncio vivido
Na colina solitária...
Apenas sentes ruído
Da cotovia diária.

É nesta linda paisagem
Que venho chorar a mágoa:
Ver-te sofrer na aragem
Fria... Olhos cheios d'água...

Ver-t' assim, todos soluçam
E tu 'stás sempre contente...
Pois sobre ti se debruçam
Os poetas e mais gente!

Modesto

domingo, 24 de agosto de 2014

UM VÔO DE QUIMERA


















Já tirei todas as nuvens do céu
Pra sentir a sensação de voar.
Quero flutuar contigo sem breu,
Como anjo, a teu lado... sonhar.

O sol nos indicará o caminho:
Enquanto voamos p'lo horizonte,
Vais vendo no mapa em pergaminho
Se, p'lo amor, encontramos a fonte.

Iremos neste vôo de quimera,
Vendo tudo como na Primavera
Onde começou o nosso amor.

Serei pra ti um anjo sonhador,
Tu, alegre, me abres a janela,
Onde depositarei uma 'strela.

Modesto

sábado, 23 de agosto de 2014

O INFINITO AO MEU ALCANCE


















Gostaria de poder voar bem lesto,
Cruzar os céus, desertos de terra e mar
E fazer apenas um pequeno gesto,
Pra que nos teus braços pudesse pousar.

Tivesse o horizonte como alento,
Sua linha fosse a consolação...
Inexistente seria meu tormento,
Se junt' ao teu pusesses meu coração.

Esta é ânsia que em mim percorre
Longa distância de devastação,
Na linha do tempo que rápido corre.

Tudo passa, mas fic' a consolação,
Não como desejo só de fantasia,
Mas d' alcançar o infinito um dia!

Modesto

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

SENTADOS À BEIRA-MAR


















Sentados à beira-mar,
O sol batia no rosto,
Vento de arrepiar...
Estamos no mês d'Agosto!

Vi-me reflectido em ti,
Tocaste a minha mão,
'Stremeci, corei, sorri...
Difícil situação!

Ond' isto vai acabar?
Há suspiros de prazer!
Trocamos nosso olhar...
Sem saber o que dizer!

Dei por mim na tua boca,
Mais que toque, foi um beijo!
A areia fez-nos a toca...
Aceitaste meu desejo!

Olhamos o horizonte,
Abraçados com carinho!
Os teus olhos eram fonte...
O coração, o caminho!

Modesto

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

FICOU APENAS A SAUDADE

















Voou junto às nuvens do Ocidente
O melhor qu' eu tinha: Minhas ilusões!
Vi uma 'strela trémula e dormente
Dourá-las como últimos clarões!

Lá longe, fugiam afoitadamente,
Da minha juventude, aspirações
Que iam entre nuvens tristemente...
Olhando-as, partiam-s' os corações!

Foram-se as musas, duendes risonhos,
Todos... até a Vénus foi lacrimosa...
Voaram na deserta imensidade!

No Ocaso, o sol levou os meus sonhos!
Comigo, apenas ficou a vaidosa,
Muito tristonha e chorosa saudade!

Modesto

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

ESPERANÇA NO FUTURO



















Encantam-se meus olhos no teu olhar,
Está sempre junto a ti a minha dor.
Mas, pra onde for o teu lindo olhar,
Levará consigo sempre o meu amor!

Sempre foste minha, por isso te amo,
Foste terreno fértil que eu semeei.
Esta é a rota do amor a que chamo
A Quinta Bela onde te encontrei!

Quando eu for embora, não fiques triste,
Pensa no meu amor qu' a tudo resiste...
No teu coração ficará a lembrança:

Os caminhos que juntos percorremos,
Os ricos filhinhos que ambos tivemos...
Serão pra sempre a nossa esperança!

Modesto

terça-feira, 19 de agosto de 2014

CREPÚSCULO


















É a luz do dia que empalidece,
Quando o sol mergulha no ocidente:
Momento triste para quem padece,
Ou alívio pra quem é doente!

E as penas d' amor são um tormento:
Mágoa somente! Amor encerra...
Grande amor é grande sofrimento,
Melhor lhe seria cair por terra!

Está-se de mãos dadas à janela
A ver que a mais bonita estrela
E, das mãos, todo o corpo abrasa!

E, aos poucos, esse amor aterra,
Sem esconder o brilho que encerra
E... começa-se a procurar casa!

Modesto

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

POEMA MODERNO


















O verão estala por todos os poros
Da casca das árvores
Da língua dos cães
Das asas das cigarras

Rasga o céu de calor
Com raios de lanceta

O verão é limpo
Cheio de alegria
Tem um cheiro harmónico
Que fica todo o dia
Espero que fique feliz
Para isso peço bis

O que eu queria
Um cântico de lua
Num canto da rua
Com areia batida

Verão quente e suado
Amolece-me os sentidos
Traz-me o teu retrato
Devolve-me a certeza da tua ausência
Queima-me os poros embaraçados

À beira mar o vento abranda
O calor do sol assa
O silêncio que impera me diz tudo
Pelo suor sou movido

Campos tontos de luz
Árvores a dourar o dia
O dia está lindo com belas flores
As aves voam num céu ensolarado
Lotes de nuvens no latifúndio do céu

Na urgência da fantasia que me apressa
Enxugo o suor
Amasso-o nos dedos
A tua foto junto
A vida quente
O calor subindo
Rendido
Que as lembranças ainda se refresquem

Modesto

domingo, 17 de agosto de 2014

ODORES DA NATUREZA
















A Natureza, templo de vivos pilares,
Deixa-se fruir pelas incógnitas frestas
E o homem vê símbolos familiares,
Com seu ´spanto a apreciar as florestas.

Com os ecos a que junta os rumores,
Como briosa e profunda unidade,
Faz corresponder os sons, perfumes e cores
Às belas noites de tão alba claridade.

Perfumes com inocência da criança,
Meigo como oboés a meia distância,
Esquece triunfais odores corrompidos!

Mas expande os bons como coisas com fim:
Âmbar, incenso, almíscar e benjoim...
Que embriagam a alma e os sentidos!

Modesto

sábado, 16 de agosto de 2014

INFLAMADA DESILUSÃO

















Era uma tarde de melancolia,
Trazendo lágrimas incompreensíveis...
Existe voluptuosa alegria
Qu' estremece em sensações indefiníveis.

Sem nuvens, está limpo o firmamento.
Domina a languidez da natureza.
Reina a calmaria, cessa o vento,
Sorri a tranquilidade da beleza...

Há algo no cintilar do arrebol,
Imagens de prazer mostrava o sol:
Traiçoeiro, infundia confiança...

Intimidade transformava limpidez,
Nuvens ruivas convidavam à cupidez...
Fica tristeza, surge desesperança.

Modesto




sábado, 2 de agosto de 2014

FÉRIAS!




















Vou deixar a praia e seu momento...
Vou pró campo! Esqueço a cidade...
Meus ideais são montes, firmamento
E horizontes belos de verdade!

O meu querer anónimo, meu alento,
É recordar antiga mocidade...
Sonhos que m' abriram descobrimento
Dos bons odores da manhã e tarde!

Não vou dormir, nem olhar pró deserto...
Quão belas são as paisagens da vida!
tristes são abismos e seus desvãos!

Recompor jardins sob o céu desperto,
Ou pisar relva humedecida:
São as férias das cansadas mãos!

Modesto

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

MEDITANDO AO ENTARDECER























Eu estremeço entre a dor passada
E a dor que chega, quando a noite desce!
'Inda posso semear de novo a messe
Com a alma ao vento abandonada!

Vivo à espera doutra estocada!
Mas não desanimo, faço minha prece:
Então, meu ânimo reaparece
E a noite fica toda iluminada!

Sou, na 'splanada aberta desta vida,
Ao fim de cada dia, alma despida
Que ventanias doidas esfarraparam.

Mas sonho! Ah! em convulsão violenta...
Que Celestial Fonte me alimenta
E que insondáveis dons me ampararam!

Modesto

ORIENTA-ME, ESTRELA DA MANHÃ !

Eu te procuro, doce estrela a manhã Que no lusco-fusco d' aurora 'stá desperta, Por vezes, no meio de nuvens c...