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sexta-feira, 11 de agosto de 2017

RESTO DE UM FOGO - UMA FOLHA!



















Era uma folha num galho dum arbusto,
Paisagem verdejante, paraíso vivo!
Mas, de relance, em poucos dias... um susto:
Seu esplendor ficou solo improdutivo!

Uma folha solitária voa, dança...
Quer paisagens novas que tenta encontrar:
Um lago, um rio... Ond' a vista alcança,
Um fio d' água onde a sede saciar...

Não resta um tronco, uma árvore só,
Uma molécula de tez esverdeada,
Uma gota de orvalho, nem uma só!

Com terreno ao léu, deixa-s' ir pla estrada:
Sem sombra, o vazio, extensão de nada...
A folha seca esfarela-se em pó!

Modesto

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

VEM COMIGO PARA A ALDEIA !

















São belas as aldeias, sossegadas
Com aspeto calmo e pastoril,
'stendidas plas colinas azuladas,
Mais frescas que as manhãs de Abril!

Alegram as paisagens as crianças
Cheias de murmúrio, como ninhos:
Elevam-nos às coisas simples, mansas,
Como as velas brancas dum moinho.

As tardes amenas, como eu gosto,
Têm um vida activa, sã!
Vê-las à luz brilhante do sol posto,
São belas, como a doce manhã!

Chega a noite, ouvem-se os ralos
Zumbirem suas notas sibilantes,
Misturam-se aos cânticos dos galos,
Ao gri-gri dos grilos, ao cães distantes...

Tudo canta alegre, docemente
Reza-s' as orações do fim do dia
Pra agradecer a Deus o que sente:
Cansaços, dores... Mas doc' alegria!

Modesto

PERDOA-ME, SENHOR














Jesus, eu devia amar-Te tanto
Até me perder na Tua Paixão...
Perdoa meu desvio pelo quanto
mereceu padecer meu coração.

Perdoa-me, ao menos por enquanto,
Meus pecados pareçam ilusão
de morrer, amando-Te, pelo encanto
De viver conhecendo Teu perdão!

Perdoa-me se não Te amei tanto
Em amor perdido no Teu encanto
E esquece todo o mal que fiz.

Perdoa-me pela esternidade
O sonho desta vida sem verdade...
Faz com que viva Contigo feliz.

Modesto

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

AS ESTRELAS
















Lá, nas celestes regiões distantes,
No fundo melancólico da ' sfera,
Amor, eis as estrelas palpitantes,
Nos caminhos d´eterna Primavera!

Quantos mistérios andam errantes,
Quantas almas em busca de quimera...
Soluçam nos altos céus radiantes
Com as estrelas, numa paz austera!

Finas flores de pétalas de prata
Das estrelas serenas se desata
Tod' o caudal das ilusões insanas...

Quem sabe, se nos tempos esquecidos,
As estrelas não eram ais perdidos
Das primitivas legiões humanas?!

domingo, 6 de agosto de 2017

PORQUÊ A IMPERFEIÇÃO?













Dessas nebulosas em que te emaranhas,
Levanta-te, alma, e diz-me, afinal,
A significação dessas nobres montanhas
Qual é, na Natureza Espiritual?

Quem é que não vê, nas graníticas entranhas,
A subjectividade ascensional
Em que se ergue em cumíadas tamanhas,
Paralisado e estrangulado o mal?

Ah! Nesse anelo trágico de altura,
Porque estão as montanhas por ventura,
Estacionadas e íngremes assim?!

Por um grande abortamento da mecânica,
A representar, ainda, a inorgânica
Do bem que não se aperfeiçoou em mim!

Modesto

sábado, 5 de agosto de 2017

ILUSÃO E SONHO


















S' a vida é ilusão, também a alvura
Do amanhecer que aponta com luz mansa
A rasgar as sombras duma noite escura,
É uma ilusão vestida d' esperança!

A aurora rosada no astral perdura
Por tempo breve de ilusória dança,
A alternar os roxos véus de seda pura,
Enquanto o cálido sol no céu avança!

Gosto d' ilusão, d' amor, do sonho, do belo...
Que se tornam o meu viver - eu me revelo -
Já qu' o mundo se empenha em ser tristonho!

Do oceano das quimeras, não me esquivo!
Mas, porque sonho é que eu ainda vivo.
Sei que me iludo porque ainda sonho!

Modesto

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

MEU EU CHORA NA MADRUGADA





















Tenho sonhos cruéis, alma doente,
Sinto vago receio prematuro.
'Stou cheio de saudades no presente,
Vou, com medo, sonhando o futuro!

Saudades do meu eu que eu procuro
No peito conhecer. E, rudemente,
Cubro meu coração c' um véu escuro,
E vou encontrá-lo, lá no poente!

Meu ser tem ânsia de harmonia,
Como luz raiada que m' alumia...
Sou dos que querem ter o céu agora!

Sem harmonia, meu ser é um nada,
Um sol que aspira à madrugada...
E é na madrugada qu' o eu chora!

Modesto

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

CANSADO DE POETAR


















Farto dos meus versos, tenho andado!
Faço poemas para que me entendam.
Eu sei que meu verso é extremado:
É feito para que o compreendam!

Sei que o lirismo tem que ser julgado:
Lendo meus poemas, não s' arrependam!
O amor  com desamor é condenado...
Oh! Quantos mistérios se desvendam!

Grito mágoas, só o luar m' escuta!
Minha alma é por amor que luta,
Meus versos enfermam de tanta lida...

Cada verso é fado sem destino,
É pólen de amor que vai sem tino...
Meus poemas dão sentido à vida!

Modesto

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

NOITE DO MEU CANTO

















Quem foi que fez a noite do meu canto?
Foi o pastor que toca ocarina
Com muitos sons vibrantes como pranto,
Partitura agônica ferina!

A que hora exacta principia?
No labirinto negro? Raio d' hora!
Será na noite quando já é dia?
Já aparec' o raio da aurora!

Há-de sangrar inversa tessitura
A reflectir a dor de tant' agrura
Do rubro poente que traz ferida,

Nesses perdidos traços da ternura
Forjados em forma de escritura
Na amplidão da noite desmedida!

Modesto

terça-feira, 1 de agosto de 2017

HÁ VIDAS...

























A vida é doce, de leves plumas
Das aves que passam pelas janelas,
Como algo que flutua nas 'spumas
Do mar, quando alguém se deita nelas.

Tem raios de luz, ondas luminosas,
Mostra-se como seda das libélulas...
Também tem espinhos como as rosas,
Suavizada pela ternura delas.

A vida é leve quand' é sensível,
Com aroma de amor imperecível
Tão livre que ao imortal se junta.

Gostoso como polpa das maçãs,
Nos húmidos orvalhos das manhãs
Tão luminosas que não morrem nunca!

Modesto

segunda-feira, 31 de julho de 2017

VIDA COM CARÁCTER












No fecundo jardim da existência,
Encontrei belos campos, belas flores,
Cada qual com a íntima essência:
Ou d' alegrias, ou de dissabores.

São coisas da vida - da caminhada -
É preciso não perder a esperança,
Deixar escrita para ser lembrada
História que nos dê confiança.

Confiança de um bom cavalheiro,
Qu' em su' alma tem alma de guerreiro
E de fé...  viveu a vida real.

Uniu força à determinação
Venceu toda a triste emoção...
Viveu duma forma especial!

Modesto

domingo, 30 de julho de 2017

VIVER NO MUNDO
















Já consigo, depois de tanta luta,
Dar descanso e paz ao coração.
O bem do mundo a sorte disputa,
Cai na conta de tudo o qu' é vão.

Limpando minha fronte, não enxuta
Desses pensamentos de ilusão,
Treva, pó... tudo matéria bruta,
Só encontrei a dor e confusão.

Não é no grande mundo, por imenso.
Qu' a alma sacia amor intenso,
Como era na nossa mocidade!

Na alma invisível, intangível,
Paira o Espírito impassível...
Sou um deserto, vácuo... saudade!

Modesto

sábado, 29 de julho de 2017

UM MUNDO DE AMOR

























Estendo as minhas mãos,
Até aos meus inimigos:
Faço um mundo d' irmãos
Sem guerras e sem perigos.

Todos vivem com' amigos:
Seria um mundo em flor,
Sem maldades, sem castigos,
Só amor, muito amor.

Um mundo só de amor,
Mas daquel' amor profundo.
S' eu pudesse, sonhador,
Só queria esse mundo.

Viveria nesse mundo
A espalhar alegria,
Sendo fraterno profundo,
Com amor todo o dia.

Modesto

sexta-feira, 28 de julho de 2017

A CAMPONESA

























De manhã tu vais ao gado
A cantar entre as giestas.
A correr, saltas no prado
Com tuas graças modestas.

Veiga, rio, o cercado...
Todos dormem suas sestas.
Canções do teu peit' amado
Acordam as mais honestas.

As aves nos ares gozam,
Com abraços se desposam
Num amoroso enlace.

As abelhas matinais
Voam pelos roseirais,
Acarinham-te a face.

Modesto





quinta-feira, 27 de julho de 2017

SONHO ORIGINAL


















Como gota d' água da nascent' agreste
Se formam oceanos d' imensidade,
Teu coração, que é livre e bom, reveste
Grande encanto, singular majestade.

Sobes até à Luz como Ser celeste,
Vês novos astros de grandiosidade,
Teu Ser fica como uma branca veste
De divina e serena claridade.

Vem, ó Consolador, Tu que és supremo,
Lava minh' alma com carinho extremo,
Pra atingir as estrelas da pureza.

Eu preciso de tornar meu ser liberto
De tudo e transformar o meu deserto
Num sonho original da Natureza.

Modesto

quarta-feira, 26 de julho de 2017

VAMOS PELOS CAMPOS FORA

























Vamos, Querida, pelos campos fora,
Braços abertos à doce luz da vida,
Entoando canções à bela aurora,
Sentindo-a terna, meiga... absorvida!

Vamos! É tempo: A Naturez' inflora
Nos montes, vales, campos... embevecida!
A ave canta, brisa que se adora
No amor por uma rosa: Vem Querida!

Vês? Alegre manhã e o arvoredo
Tão fresco e bom, alegre e sem medo,
Enche a terra de mágico rumor!

Pois cantemos também e vamos risonhos
Sorver a vida em turbilhões de sonhos,
Abramos os braços ao sol do amor!

Modesto

terça-feira, 25 de julho de 2017

O NINHO E O SONHO

















Foi um passarinho da montanha que fez
O seu ninho num ramo, ao sol matinal.
A árvore danç' à música qu' ele fez,
Como se tivesse coração musical.

O belo pássaro entre ramos assoma
À árvore da serra - a minha paixão -
Para beber o orvalho, sentir o aroma
E de lá voa, cantando ao coração.

Assim prossegue sempre audaz e errante,
Vendo o que mais procura, mais adiante...
E, sem ter nada, tem tudo o qu' eu já tive!

E eu lanço as vistas lá pró meu passado
E julgo a vida um sonho bem sonhado...
O pássaro sonha! E a sonhar se vive!

Modesto

segunda-feira, 24 de julho de 2017

ROSAS UNIDAS























Há duas flores unidas
Nascidas no mesmo galho,
São duas rosas nascidas
Ao absorver o orvalho.

Unidas como as penas
Dos passarinhos do céu,
Com suas asas pequenas
Juntinhas no mesmo véu.

Unidas também no pranto,
No suspiro e desgosto.
Em parelha crescem tanto,
De suas pétalas gosto.

Unidas! Ai quem me dera
Viver como uma flor,
Num' eterna primavera,
Num ramo de verd' amor!

Modesto

sexta-feira, 21 de julho de 2017

NÃO ME SEPARAREI DE TI





















Se me separar de Ti, Deus de Bondade,
Cairei numa solidão impossível!
Seria infeliz em humanidade,
Cairia num abismo bem temível!

Livra-me, Senhor, desta iniquidade
Que despedaça meu coração sensível!
Viveria sem ter visibilidade
E, por Tua Cruz, seria desprezível!

À suave esperança m' entregaste,
Agora sei que não me abandonaste,
Com o preço do Teu Sangue Precioso!

Se, para eu Te amar, Tu me criaste,
Sei que dos meus males Tu me perdoaste,
Faz que vá habitar no Teu Céu Lustroso!

Modesto

quinta-feira, 20 de julho de 2017

HÁ QUEM ESPERA SEM ESPERANÇA

























Há muita gente que sofre mal sem cura,
Com infinita e má desesperança,
Sem direito a esperar a ventura,
Vivendo só e apenas da lembrança!

E eu chamo angústia, amargura
Minha saudade ingénua e mansa,
Só porque espero com grande ternura
Que me faz sentir como uma criança!

E digo que a minha vida é má,
Sou infeliz s' a esp'rança não está...
Como quem 'spera um bem que não alcança!

Mas há gente a esperar comovida,
Sem a doce esperança nesta vida...
Que tenho que fazer pra dar esperança?

Modesto

quarta-feira, 19 de julho de 2017

MONTE QUE FOI MEU BERÇO


















Já lá vão sete lustres que daquele monte
- Que foi o meu berço - de lá, já não sei nada,
Porque fui viver para outro horizonte,
Onde mais de meia carreira 'stá passada.

A mão já treme, já se enruga a fronte,
Já branqueia a cabeça... Vida passada!
A juventude... vai-se secando na fonte...
Considero a vida já muito gastada!

Pouco mais me resta que ir passar agora,
Depois de tantos anos, só vê-l' uma hora...
Oh! trar-me-ia verdadeiras sinfonias!

Vãs paixões e desejos, ide-vos embora!
Não há esperanças de ver-te, por agora...
Seria favor dar-me essas alegrias!

Modesto

terça-feira, 18 de julho de 2017

MANHÃ EM SINTONIA


















Foi-se a madrugada, o sol nasce,
Aos poucos, ilumina os caminhos!
É uma luz bem-vinda que renasce
Terna, cálida... cheia de carinhos!

A claridade bate-me na face,
Abrem-se as flores do meu jardim,
Feitas grinaldas em doce enlace...
Dá-me os bons dias o alecrim!

Há uma grande ternura e calma,
Vou, em silêncio, toc' uma palma,
Sinto o verde, esqueço as mágoas!

É a Natureza em sintonia...
Eu faço parte desta harmonia...
Sento-me no lago, mexo as águas!

Modesto

segunda-feira, 17 de julho de 2017

ÀS HORAS DAS TRINDADES

















Horas de sombra, silêncio amigo,
Há todo um encanto de humildade.
Abre-s' a porta do abrigo antigo
Pró anjo branco e belo da saudade.

Horas em qu' o coração não vê perigo
De gozar, de sentir com liberdade.
Abre-s' a porta a todo o amigo
Com asas imortais de eternidade.

São horas de compaixão e de clemência,
Dos segredos sagrados da existência,
De ânsias de perdão sempre benditas.

Horas fecundas de mistério casto
E que do céu desce fecundo e vasto
Nesse repouso das luzes infinitas.

Modesto

quinta-feira, 13 de julho de 2017

À MINHA FLOR DE AÇUCENA

























És o melhor que tenho nesta vida,
Minha pequena flor de açucena
Com corpo de menina distraída,
És minh' amada, doce flor morena!

Minha porção melhor, a mais querida,
Melhor parte de mim, mesmo pequena,
Um sonho d' ilusão que me convida
A ver que a vida vale a pena!

A força que me vem do teu sorriso
É tudo e mais do que eu preciso,
Quando m' encontro só na multidão!

S' a dor da solidão me bat' à porta,
Tua presença é que me conforta,
Já que te plantei no meu coração!

Modesto

quarta-feira, 12 de julho de 2017

HIPOCRISIA E VERDADE















É melhor hipocrisia que consola
Que a vã sinceridade que magoa.
Importa-nos a vida "aqui, agora"!
Hipocrisia, mentira... tudo voa!

É melhor fazer sorrir alguém que chora,
Pois é razão duma alma que perdoa;
É sol que expande luz, é nova aurora:
Vai além dum sorriso dado à toa!

O hipócrita mente, mas é humano,
Embora perdido num grande engano...
Pod' alegrar corações, enxugar pranto!

O verdadeiro fugiu dos desenganos,
Passa dias de sol a fazer seus planos...
E percebe que a vida tem encanto!

Modesto

terça-feira, 11 de julho de 2017

PRECISAMOS DE PAZ



















Meu Deus, se a crença é que nos une,
Também temos algo que nos separa.
Se angústia e febre nos pune,
Um monte altaneiro nos separa.

Não pode haver um acto impune
Das brigas que travamos, em qu' a rara
Pureza duma vida se resume
Às sombras com qu' o corpo se depara.

Não devia haver indiferença,
Em nome da razão da nossa crença,
Criando nossos filhos entre guerra!

Meu Deus, põe-nos acima da vaidade,
Longe do rancor da humanidade
E faz Tua Paz reinar sobr' a terra!

Modesto

segunda-feira, 10 de julho de 2017

ALMA PALPITANTE

























Ó alma tão doce e palpitante!
Que cítaras soluçam solitárias,
Em sonho secreto e fascinante,
Por terras longínquas, visionárias?!

Quantas zonas de luz purificante,
Quantos silêncios e sombras várias
Falam contigo, alma cativante,
D' esferas celestes imaginárias?!

Que cham' acende teus faróis nocturnos
E veste mistérios taciturnos
Ao esplendor do Arco d' Aliança?

Por qu' és assim, melancolicamente,
Como um Arcanjo adolescente,
Caminhante pla vida d' esperança?

Modesto

sábado, 8 de julho de 2017

NAVEGAMOS NO ALTO MAR




















Vivemos como navegando no mar.
A vida, aqui,  não é de brincadeira!
Às vezes, não temos cais pra atracar,
Atrás de nós, só temos a nossa esteira!

O rumo é incerto. Mas temos bússolas!
Olhando o céu, guiam-nos as estrelas.
Muitas vezes, nosso corpo abre pústulas,
Só conseguimos ver o céu pelas janelas...

Quem, na terra, pensa ter assent' os pés,
Ou está a ver as coisas de viés,
Ou é ingénuo, sem ligar à mente.

Quando, apanhados pela tempestade,
Vemos Deus como Caminho e Verdade:
A fé e esperança não nos desmente!

Modesto

sexta-feira, 7 de julho de 2017

O VELEIRO QUE QUER PARTIR



















Num porto estranho, num mar de mau aspeto
Há um grande veleiro de formas bizarras.
Há muito flutua nas ondas, inquieto,
À espera que lhe afrouxem as amarras.

Com paciência, vai fazendo esforço,
Sem o vento a passar, ele s' embalsama,
E sonha que vai partir... Empina o dorso...
Bamboleia-se, gentil, como uma dama!

Dentro, a maruja acorda, ao ruído:
deita amarras ao mar, sonda seu ouvido,
Alerta, seu coração bate... Olhar aceso!

Mas o veleiro continua oscilando:
Mas, oh! Quando poderei eu partir, oh! Quando?
Eu que não sou da terra, à terra 'stou preso!

Modesto

quarta-feira, 5 de julho de 2017

CADA DIA MUDAMOS
















Como vivemos os dias?
- Com pequenos desejos
Junto com mágoa sombrias,
Momentâneos lampejos...

Com vagarosas saudades,
Silenciosas lembranças.
Com vagas felicidades
E naturais esperanças.

Com coisas que se anseia,
Com pecados e glórias,
Com medo que incendeia
Todas as nossas vitórias.

E dentro deles vivemos,
E fazemos alianças...
Muitas vezes concedemos
Fazer algumas mudanças.

Modesto

SONHO DE PAZ



















A gaivota paira no azul do mar,
Transporta nas asas o meu pensamento
E leva, lá longe, este meu pensar
Alado, a voar ao sabor do vento.

É muito bom sentir a brisa no rosto
E com este sonho que eu bem entendo:
Sei que vai longe, até onde eu gosto,
Ao infinito, qu' é o  que eu pretendo!

Pla 'strada prateada daquela onda
Foi-se a gaivota, voltou a pomba
Branca, luminosa, a espalhar paz!

Pena! Foi-s' o sonho, com ele a noite!
Recordo a vida de crianç' afoite...
Acordo infeliz dum sono fugaz!

Modesto

terça-feira, 4 de julho de 2017

ALVORECER NO GERÚNDIO















A fresca manhã vai alvorecendo,
As aves no bosque vão acordando
E o mundo vê o sol renascendo
E, mansamente, se vai levantando.

A noite de breu  vai-se desfazendo
E as sombras lá se vão afastando,
Ausência de luz esmorecendo,
Eu desperto e vou-me levantando.

A Natureza vai-se clareando,
Tudo espera e vai vigiando
E o orvalho vai-se desfazendo.

As mágoas da noite lá vão fugindo,
Alegre, firme...tudo vai sorrindo,
Pois o sol já está resplandecendo!

Modesto

segunda-feira, 3 de julho de 2017

COMO SOL DE VERÃO















És igual a um dia de Verão,
Mais afável e belo teu semblante:
Vento lev' a flor 'inda  em botão,
Que dura apenas breve instante.

Pois, por vezes, a luz do céu calcina
E teu tom também perde a clareza,
No teu rosto, a beleza declina...
É a vida e as leis da Natureza!

Teu Verão é eterno, não acaba,
Se pões uma sombra que não se rasga
E ficas na posse das formosuras.

Enquanto houver gente nesta lida,
Hei-de versejar-te toda avida,
Com bom poema no tempo que duras!

Modesto

domingo, 2 de julho de 2017

DESEJO

























Ah! Se o meu livro fosse esplendor,
Se o seu brilho fosse entendido...
Meu coração tão cheio de amor,
Minh' alma era desej' incontido!

Ah! Se tudo em mim fosse primor
E o meu tempo não fosse perdido...
Seria tão nobre o meu labor,
Ah! Seria o poema mais lido!

Mas, tudo isto é louca paixão!
Riso tão displicente e tão vão...
Como quem quer saciar-se num beijo!

Seria a loucura dependente,
D' olhos fechados, beijar tod' a gente,
Se fosse tudo como meu desejo!

Modesto

sábado, 1 de julho de 2017

CHOVE DENTRO DE MIM

























Ouço chuva na minh' alma, cá dentro!
Pingos de solidão, de nostalgia
Inundam meu coração de tormento...
É uma chuva turbulenta, fria!

Tenho saudades da paz-alegria,
Da ilusão que traz aquecimento
Nos tempos de Verão com melhoria,
Com aventuras, mas sem sofrimento.

Aumenta a dor, não há alegria!
Há pranto com chuva de cortesia...
Há chuva que cai em compasso lento!

Para mim, nada há mais neste mundo,
Além deste sentir, já tão profundo...
Esperei por ti, à chuva, ao vento!

Modesto

sexta-feira, 30 de junho de 2017

NÃO CULPES OS OUTROS



















Não culpes ninguém pelo teu fracasso:
Tens sangue burguês, vives na penúria?
No mundo imenso, não dás um passo...
Ficas preso nos grilhões da lamuria!

Vai! Recolhe em ti cada pedaço
Que quebraste num momento de fúria,
Ganha a vida com força do braço,
Se não tens comida, vai e procura-a!

E tira a máscara da derrota
Que te estampa a marca no rosto,
Não vivas de desgosto em desgosto.

Reúne forças, ergue-te do lodo,
Vive! Põe os olhos no mundo todo,
Trabalha, mas com vontade e gosto!

Modesto

quinta-feira, 29 de junho de 2017

A FORÇA DO SOL NA TERRA















De manhã, o sol tudo ilumina,
A terra vai ficando aquecida,
O orvalho transforma-s' em neblina,
Mostrando a terra agradecida!

Cada manhã é, para mim, rotina.
Agradeço tê-la bem percebida,
Já que o sol me livra da ruína:
A semente nasce embevecida!

Sabedoria ancestral, divina,
Que do campo tira a vitamina
Que é alimento da minha vida.

Esta foi, em pequeno, a doutrina
Da força da terra que me ensina:
Foi a bênção da Terra Prometida!

Modesto

quarta-feira, 28 de junho de 2017

RENOVAR A MENTE




















Nunca tenhas coração de amargura,
Nem andes, jamais, de coração manchado;
Nunca teus olhos contemplem cois' impura,
E nunca vás p'ronde Deus é profanado.

Ouvido pró que é justo tem aberto:
Na presença do Senhor, sê consciente.
A língua é livre só pró que é certo,
Cada instante procura 'star contente.

Este mundo, de Cristo, 'stá separado:
Não queiras estar no mundo conformado,
Pois sabes que Cristo é o Rei da Glória!

Desceu ao mundo para o ver remido:
Precisas de ser com Cristo parecido,
Dominar sobre tudo, sobr' a história!

Modesto

terça-feira, 27 de junho de 2017

COHERDEIROS COM CRISTO



De tudo o que existe Jesus é herdeiro,
É Verbo Eterno, no homem incarnado.
A Ele pertenc' o universo inteiro,
Para tudo, com Deus, ser reconciliado.

Do império das trevas fui libertado!
Outrora, fui estranho a Deus, inimigo...
Pró Reino da Luz, por Ele fui transportado
E, pela graça de Deus, tornei-me amigo!

Prossigo tranquilo e, com Ele, contente!
O meu desafio é viver diferente,
Procurando prazer na santificação.

Prossigo bem firme, cheio de esperança!
Assim, terei, com Cristo, parte na herança,
Pois trago Seu Espírito no coração!


Modesto





















segunda-feira, 26 de junho de 2017

PERDIDO EM MIM























Perdido em mim como num deserto,
Minh' alma 'stá metid' em labirinto!
Digo muita coisa, nada dá certo,
Digo e contradigo o que sinto!

Vejo o dano e o bem incerto,
À porfia, até a mim desminto!
Tudo me foge quando está certo,
Tudo m' atormenta: É o que sinto!

Eu bem levanto o meu pensamento
Pra me desviar deste movimento,
À procura da Vida escondida!

Bem procuro, no meu conhecimento
O que quer pesar o meu sofrimento...
E peço a Deus a bênção prá Vida!

Modesto

domingo, 25 de junho de 2017

OBRIGADO, MEUS AMIGOS















Agradeço a Deus tanta ventura
Que orna minha vida, meu caminho!
Não me deixou sofrer pela tortura,
Nem que meus pés pisassem um espinho!

Enfeitou os meus dias de ternura,
Recheou minhas horas de carinho!
Na triste solidão trop' amargura,
Nunca deixou que ficasse sozinho!

Obrigado, Meu Deus, pelos amigos
Que m' ajudam, me livram dos perigos
E, que por Ti, estão ao meu dispor!

A todos que me dão tant' amizade
Desejo a maior felicidade,
A graça de Deus e muito amor!

Modesto

sexta-feira, 23 de junho de 2017

PORQUE ESTÁS TRISTE, CORAÇÃO?






















Que tens, meu coração, sempre ansioso?
Sinto-te palpitar continuamente!
Umas vezes gelas triste, duvidoso,
Outras, abrasas-te em desejo ardente!

Umas vezes balanças-te valoroso,
Suportando ausência veemente.
Mas abandonas o passo perigoso
E vais ter com o Amado, mais contente!

Meu Terno Coração, também estás triste?
É o mal, no tempo, qu' ainda resiste?
Não desfaleças, espera mais um dia!..

Suporto o meu pecado que insiste
Em tirar felicidade, como viste...
Coração, traz-me de novo alegria!

Modesto

quinta-feira, 22 de junho de 2017

AVÉ, Ó MÃE !



















Por entre os atropelos desta vida,
No decorrer do sonho e dissabor,
Nossa verdadeira Mãe, despercebida,
Sabe sanar tão bem nosso amargor!...

Quantas vezes, por nós, vive esquecida,
Neste vale de lágrimas e de dor!
Ela está sempre pronta, desprendida,
Quando necessitamos do Seu amor!

E vai sempr' ao nosso lado procurando,
Com Suas mãos bondosas, segurando
A felicidade no nosso caminho.

Ela vai... Anda connosco sem se mostrar,
Não deixando nossos pés se magoar.
Arrumando, sorrindo, tod' o espinho!

Modesto

















quarta-feira, 21 de junho de 2017

DIA DA REFORMA



















No dia que for deixado
Partir, depois de ter ido,
Vou ser vento libertado
E como um desvalido,
Plantar flores no meu prado
Num solo fertilizado
E dá-las ao oprimido.

Vou soltar as estribeiras,
Cavalgar nuvens d' idade,
Vou boiar nas corrdeiras
Dos meus rios represados...
Vou montar a liberdade
Em passeios de beldade,
Com pena dos atrasados.

Meus sonhos, pajens de ninfas,
Luzes, sombras sobre lagos,
Prados em flor, claras, tintas...
Mistérios abafados!
Vou apascentar o gado,
Com segredo bem calado,
Na paz d' ovelhas famintas,
 Vou pra vales bem ervados!

Modesto

terça-feira, 20 de junho de 2017

AMAR É DAR TUDO E DAR-SE A SI MESMO

















Viver o amor é dar sem olhar,
Sem. no mundo, exigir salário,
É dar tudo e sempre sem contar
Pois quem muito ama é perdulário!

O coração transborda de ternura,
Corre ligeiro sem dor nem fraqueza.
Nada melhor do que esta ventura,
Nada mais há do que esta riqueza!

Viver d' amor é banir o temor
Das lembranças dos seus erros passador.
Dos pecados, Deus nem lhes vê a cor
Por Sua Dor, já foram perdoados!

Viver o amor... Qu' estranha loucura!
Porqu' o mundo diz: «Deixai de cantar»!
Mas o perfume da vida futura
Traz utilidades pra saber doar...

Amor não pede: É ganho fecundo!
Aperfeiçoa-te com o Teu Senhor,
Cantas alegr' ao deixar este mundo
E dás-te todo, ao morrer d' amor!


segunda-feira, 19 de junho de 2017

HÁ CAMINHOS ERRADOS

















Quem sabe rir vai à festa da vida!
Quantos já vi passar neste caminho,
Olhos no céu, boca ressequida...
Com desejos de sol e de carinho!

Mas... procuram a estrada comprida...
Lá no fundo e com olhar sozinho!
Há quem vá com audácia da lida,
Transpor a luta,  vence o espinho!

Caíram flores... Outras rosa vão vindo!
Vejo que vão num caminho infindo...
Há rosas... Outras virão... E eu preso!

Ao voltar, todos trazem passo triste,
Pla mentira que lá baixo existe...
-Fossem plo amor com olhar aceso!...

Modesto

domingo, 18 de junho de 2017

PRA NÓS NÃO PASSA O TEMPO
























Passem os minutos, dias e anos,
Passem todas as estações do tempo...
Que eu viva, qual tolo, os meus planos,
Ilusões pueris de sentimento.

Eu amar-te-ei em todos os tempos,
Mesmo que durma debaixo das pontes,
Que sofra de saudade uns momentos...
Nos montes, nos vales... há nossas fontes!

Se como a primeira vez fosse única
E apesar de tantas aventuras,
Ainda que outro alguém fosse única...
Só podia vir do céu, lá das alturas!

Se noss' alma vive enamorada
Com o prazer de entrega total
E a nossa vida apaixonada:
- Orgulho de um amor tão brutal!

Qualquer lonjura, pra nós, é estranho...
Não foi esse o comprometimento.
Soubessem todos noss' amor tamanho,
Sabiam: - Pra nós, não passa o tempo!

Modesto

sábado, 17 de junho de 2017

PINTANDO MEUS PENSAMENTOS


















Perdoa por te ter amado tanto,
A ponto de perder-me na paixão.
Perdoa ter padecido o quanto
Mereceu padecer meu coração.

Perdoa-me, ao menos, por enquanto
Em mim pereça esta ilusão
De morrer docemente plo encanto
De viver amando no teu perdão.

Perdoa se te amo tão loucamente,
Com tanto amor, tão perdidamente,
Contente em desfazer o que não fiz.

Perdoa-me, então, eternamente
Pelo sonho qu' a vida te consente...
E deixa-me dizer que sou feliz!

Modesto

sexta-feira, 16 de junho de 2017

RECORDAÇÕES



















Recordo a lua cheia a elevar-se
Lá, pelo céu azul, numa noite mansa,
Prateando os espaços, a espalhar-se
Sobre a terra, em luz branca de bonança.

Recordo a estrada longa,procurando
Achar, no monte, o verde da esperança!
Só vi tocador com seu violão cantando
Seu mistério insondável ou lembrança.

Recordo o grito agudo dum lamento
Que se mistura com o sibilar do vento
E bate em cheio neste meu coração.

Recordo sublime visão de quem amei,
Que fugiu de mim e nunca a alcancei...
Está retida na minha recordação!

Modesto

quinta-feira, 15 de junho de 2017

A ALMA É A ESSÊNCIA


















Quando a morte chegar ao pé de mim
E, com voz soturna, me disser: É hora!
Sei que a vida não termina assim...
Não sentirei pena de me ir embora.

Como a rosa que murcha num jardim
E não verá jamais a luz da aurora,
Também o meu corpo vai chegar ao fim,
Como gota d' orvalho se evapora.

No caminho difícil da existência,
Sou eu também parcela dessa essência
E a alma é a força que m' habita.

Quem me criou e me habitou foi Deus,
Me sustentou e guiou os passos meus,
A alma Nele vive, é infinita!

Modesto