sábado, 30 de dezembro de 2017

QUE 2018 SEJA SEMPRE NATAL





















Já chegou o fim do ano,
O que prometi, cumpri.
Há falhas no ser humano,
Mas estas já esqueci!

Pró ano que vem, prometo
Lembrar de quem nada tem.
Eu sou um ser imperfeito...
Vou tentar fazer o bem!

Mas eu não faço promessa
Pró ano que s' atravessa...
A ninguém vou fazer mal!...

Um bom ano de verdade,
Qu' haja oportunidade
Tod' o ano ser Natal!

Modesto

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

FIM DO ANO PARA REFLECTIR

















Mais um ano se passou, é verdade!
No seu decorrer, a Deus ofendi.
Não usei bem a minha liberdade...
Com delinquência eu vivi!

É maldade que leva à vaidade
E esta, muitas vezes, não venci.
Arrependido da enormidade
De vencido, sei que muito perdi.

Arrependido 'stou de coração.
Pla Luz que me mostra a salvação,
Procuro-Te e caio nos Teus braços.

Amor, misericórdia, Jesus!
Reencaminha-me prá Tua Luz,
Reconcilia-me com Teus abraços!

Modesto


quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

LIBERTO-ME

















Quero livrar-me desta vã matéria,
Ir pra longe... prós astros peregrinos,
Procurar a paz - uma paz sidérea -
E encontrar-me com os dons divinos.

Quero deixar a trágica miséria,
Nestes surdos abismos assassinos,
Terra apodrecida,deletéria,
E acolher os sonhos, meus destinos.

Deixar o mundo que troveja, brama...
Só mostra poeira, com chuva, lama,
Sim, só lama e movimentos baços.

Vou procurar outras rotas perfeitas,
Vou, por elas, prás regiões eleitas...
Encontrarei, por lá, imortais laços!

Modesto

domingo, 24 de dezembro de 2017

NASCEU JESUS !

















Exulto com alegria,
Canto com todo fervor:
Da Virgem Pura Maria
Nasceu Jesus Salvador!

Vinde, vinde, Meu Jesus!
Vinde, não Vos detenhais,
Porque Sois a minha Luz,
Já não posso 'sperar mais!

Alegrai-vos criaturas,
Cantai hinos de louvor!
Glória a Deus nas alturas,
Na terra, paz e amor!

Aquele qu' então criou
Do nada tud' o qu' existe,
Desde sempr' em mim pensou...
Eu não O deixarei triste!

sábado, 23 de dezembro de 2017

A ESTRELA DO NATAL

























Era uma estrela fulgurante
Qu' iluminou o céu da Palestina!
Pastores foram dos reis adiante...
Viram Jesus na gruta pequenina!

E naquele soberano instante,
Todos unidos pela Luz Divina,
Esperança, com brilho tremulante,
Fez a noite azul e cristalina!

Ó Jesus, que lição deu a estrela:
Mostrou àqueles que puderam vê-la
Qu´em Belém seriam adoradores,

Que os humildes serão os primeiros
A Teus pés, de joelhos com cordeiros...
Que antes dos reis, chamou os pastores!

Modesto

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

QUE HAJA NATAL DE PAZ E AMOR

























Oh! Que bom qu' a paz pairasse no ar,
Qu' inspirasse todo o ser humano,
Pelos cantos da terra e do mar
Inspirasse ternura tod' o ano!

Plantasse na terra sempre Natal
E acolhesse a paz de Jesus,
Criasse no mundo Amor real,
Iluminado pela Sua Luz!

Era o espírito natalino,
Fazendo-se irmãos no Deus Menino,
Sendo amáveis neste seu labor...

Plo nascimento de Jesus Menino,
Viessem as Bênçãos do Criador,
Dando Seu imensurável Amor!

Modesto

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

NATAL PARA ALGUNS

























Natal! Uma claridade intensa
Paira por cima duma noite mansa!
Num momento s' alegra a minha crença,
Por momentos volto a ser criança!

Natal é a árvore enfeitada:
Bolas coloridas, flocos, fitinhas,
Guloseimas... É noite encantada,
Presentes prás crianças boazinhas!

Tristeza será pra algumas delas:
Acreditam qu' o pai natal existe...
Nada recebem nesta noite linda!

Descrença é amargura singela,
Prá criança, no seu cantinho triste:
'Spera Presente que não veio 'inda!

Modesto

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

TENDO CRISTO, TENHO TUDO


















Pensava num futuro tão incerto
E andava em grande inquietude...
Não percebi de mim Jesus tão perto
Que cumpre o que promete, não ilude!

Sim, pelo Deus fiel eu fui chamado
À comunhão do Filho Jesus Cristo.
Não há porque ficar amedrontado:
Do Seu amor e graça me revisto.

Armado com solene pensamento,
Nada me perturba, nem o meu tempo...
Só quero 'star a Cristo sempr' unido.

A Lei de Deus só tem um conteúdo:
Jesus! Tendo Cristo eu tenho tudo
E Deus sempre cumpre o prometido!

Modesto

domingo, 17 de dezembro de 2017

À ESPERA DE JESUS

























Céu estrelado,
Vento gelado,
Sorriso estampado,
Esperando Jesus.

Ansiedade visível,
Nervoso imbatível,
Esperança incrível
De ver Sua Luz.

Sua vinda demora,
O coração s' apavora....
Mas, Jesus já vem!

Alegria chega agora,
O meu ser Te adora...
Vem, Jesus, meu Bem!

Modesto

sábado, 16 de dezembro de 2017

UM PAR DE ASAS





















Se eu fosse águia ou cotovia
Com liberdade plena à minha mão,
De voar segundo a minha fantasia,
De abrir as asas e soltar-me do chão...

Sem temor nem cansaços, eu voaria
Pelas alturas, ledo o coração,
Pra onde tudo é paz e harmonia
Em rotas de esplendor e perfeição!

Tão belo é o mundo visto do alto!
Sem guerras, sem miséria... sobressalto
Pla subsistência, pão de cada dia...

Asas tivesse eu!... Nada fosse meu
Mais do qu' a vastidão do imenso céu...
Por um par de asas, quanto eu daria!

Modesto

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

ORIENTA-ME, ESTRELA DA MANHÃ !



















Eu te procuro, doce estrela da manhã
Que no lusco-fusco d' aurora 'stá desperta,
Por vezes, no meio de nuvens como a lã...
É um passeio triste em via deserta!

- Tem atenção ao tempo que tudo concerta!
Vês a lua? Não te parece anciã?
- Mas ela a sua luz a todos oferta,
Mesmo pálida, já com rugas e cãs!

És encanto dos poetas ao ver teus passos
E querem dormir um momento nos teus braços...
Fazes que vivam agonias de amor.

Não lhes cries, por tu' alma, tanto embaraço,
Sê irmã da sorte, não alimentes dor!
- Vais ver que a vida ganha outro sabor!

Modesto

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

SAUDADES, MÃE !























Vejo-te num anónimo jazigo
Humilde, ond' a paz se nos revela.
Erguida, junto dum ciprest' antigo,
Contemplo a Cruz, tua sentinela!

Recordo-te e vejo-te comigo!
Estás no parapeito da janela...
És luz brilhante nest' teu abrigo,
Com sorriso, em túnica singela!

Recordo o bem, Mãe, que tu fizeste!
Subiste, nas nuvens, pró lar celeste
Pra m' ensinar os trilhos d' ascensão.

Falo-te, em prece entenrecida,
Do amor que me deste nesta vida,
Das saudades sem fim do coração!

Modesto

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

DESCANSO DUM SONHADOR

















A cabeça pendida docemente
Em sonhos do sonhador inquieto:
É o sonho o seu bordão clemente
E repousa num descanso discreto.

Cego, nesta prisão impenitente
Da terra, no seu profundo afecto
- o seu guia divino refulgente -
O sonho é o seu bordão secreto.

Repousa sem ter a paz que espera
Pra lh' adormecer toda a quimera,
Esses ciclos fatais do seu inverno.

Calma aparente, (estranha calma!)
Seu repouso é sempre febre d' alma...
Descansar, não seja sonho eterno!

Modesto

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

DIA PARA VIVER

















Hoje o amanhecer me sorri:
Eu sinto toda a força do mundo,
Recordo coisas boas que vivi,
Sinto-me leve - bem estar profundo!

A esperança respira alegria!
Não importa s' há sol ou vai chover,
Sinto uma doce melancolia,
Porqu' hoje nada me fará sofrer!

Belo dia! Sinto-me renascer!
É por isso que hoje vou viver
A minha vida com felicidade.

Sonho acordado, a flutuar,
É dia em que consigo voar...
Sinto-me leve, plena liberdade!

Modesto

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

AQUI MOROU MEU REI

















Aqui morou um rei quando, menino,
Vestia um castanho algodão.
A pedra da sorte do meu destino
Pulsava junto ao meu coração.

Pra mim, o seu cantar era divino,
Ao som da viola e violão,
Cantava, com voz clara, meu destino:
Tristezas, risos e consolação!

Mas meu pai morreu! Desde esse dia
Eu vi, como cego sem o seu guia,
Que foi para o céu transfigurado!

Sua foto queima - sou sua presa,
Ele m' impele, qual vela acesa,
A cantar a vida em tom sagrado.

Modesto












domingo, 10 de dezembro de 2017

AOS RAIOS DO LUAR















Nos belos raios do luar, floria
Rosa ideal, resplendor d' Halade!
Erravam fluídos de harmonia
Pela etérea, branca claridade.

As fadas imortais da fantasia
Tinham as asas, a serenidade
Para voar na montanha sadia
E galgar, subir à Imensidade!

No espaço, límpidos e velinos,
Os astros eram claros, cristalinos,
Com chamas, vibrações... alto voando!

Nos belos raios do luar, envolto,
Andav' um astro na esfera solto
Com outros sois e estrelas passando!

Modesto

sábado, 9 de dezembro de 2017

SOLITÁRIO, PASSA SEMPRE À MINHA PORTA

















Monólogos sem fim, como rio revolto,
Mas em voz alta e com os lábios duros,
Ruminando as palavras e sempre solto,
Sem consciência, lógica... absurdos!

Memória, à vista, alcançou-o solto
E perpassam episódios pró futuro,
Com mais algum passado vago e revolto,
Num já implacável estribilho de surdo.

E, tudo isto, num refrão atormentado,
Vai à janela ver se vê o esperado...
Dessa janela, apenas vê amplidão.

A sua memória é um descalabro!
- Vai ao postigo: É um portão que te abro
Para encontrares a completa razão.

Modesto

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

IMACULADA RAINHA DE PORTUGAL

























Se eu pudesse compreender
O que há na Vossa imensidão,
Lá no céu se faria acender
A Luz Imaculada Conceição!

Grande dignidade da Virgem Mãe
Da pobreza do género humano,
Condescendência de Deus também...
Traz contos de júbilo neste ano:

Centenário da Aparição,
Quatro séculos da Coroação
Como Padroeira de Portugal!

Minh' alma Te glorifica, Senhor,
Por nos dar a Mãe cheia de Amor...
Mulher alguma Lhe é igual!

Modesto

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

ESPERA OU ADVENTO


















Espera-se por Jesus, no Advento,
Com o coração cheio de fervor.
Escutam-se, trazidos pelo vento,
Cânticos de pedidos ao Senhor.

Esperamos Jesus, neste momento,
Pra não sentir nem tristeza nem dor,
Pois tudo é beleza, sacramento
Da espera do Deus que é Amor.

Aproveitemos o tempo de Luz,
À espera do Menino Jesus:
Ele é das trevas o Vencedor!

Com orações, jejuns e penitência,
Peçamos que nos traga providência...
No Natal, receber o Salvador!

Modesto

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

DE NOITE NA COLINA
















A lua, com seu brilhar,
Cobre as rãs na lagoa,
Passarinhos a sonhar,
Coruja longe ecoa.

Pirilampos a ´scutar
A cantiga que entoa
A brisa que faz voar
Folhas que Deus abençoa.

Paz profunda na colina,
Onde Há água de mina...
O céu pousa no meu chão!

Paraíso de verdade,
Não fosse pura maldade:
Saudades no coração!

Modesto

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

CASA DE BOA FAMÍLIA



















Com bom amor e com bom calor raro,
Uma casa feliz se aprecia.
Pra ela não ficar ao abandono,
Basta-lhe a luz e a harmonia.

S´o sentimento é nobre e claro,
Veste-se de cândida poesia.
É um doce bem o não ser avaro,
Bem celestial que del' irradia.

Um doce bem se derrama em tudo,
Segredo imortal, risonho, mudo,
Que vive debaixo da sua asa,

E nossos olhos ficam rasos d' água
Quando, Sentindo com sadia mágoa,
Vemos seus filhos que são céu da casa

Modesto

domingo, 3 de dezembro de 2017

A ETERNA POBREZA DO INTERIOR




















Com uma cabeça inteiramente nua
De sonhos, de pensar, de vontade, de luz,
O sol, tão surpreso, esconde-se, recua
Na órbita traçada, pra não ver abuso...

Enérgica batalha estóica, do peito!
Desaba a pobreza, pla lei cujos fossos
Resvala e cai,  cai no branco preconceito...
Ergue-s´a consciência em mil destroços!

Lá pró interior, largo e grand' esforço
De gerações de heróis, carregam no dorso
A rubra luz da glória que voa, zumbe!...

A propaganda da elite amortalha
E os governantes - os bravos da canalha -
Vão deixando a pobreza... Que lá fecunde!...

Modesto


sábado, 2 de dezembro de 2017

A NUVEM DE PEDRÓGÃO GRANDE















Prateada nuvem plo ar ondeia
Que grande carro triunfal parece...
Mil outras formas nos vêm à ideia,
E, aos poucos, escurece e cresce.

E vem com trovões e de vento cheia,
Abafa o dia e s´enfurece...
Queima bosque, arruína aldeia,
Bruto fogo! A gente desfalece!

Não foram trovões nem a tempestade
Que roubaram vidas e actividade,
Pois que não vinha armada nem prenha...

Foi nas altas esferas da vaidade,
Onde favores a nuvem desempenha...
Agora, a reflexão se desenha!

Modesto

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

AGRADEÇO O DOM DA VIDA




















A vida que vivi eu agradeço,
A inspiração que Deus pôs em mim...
São mais os Dons do que os que mereço,
Eles fizeram florir meu jardim!

A vida que Deus me deu não tem preço:
Eu sempre procurei viver assim:
Aos Dons que Deus me deu eu obedeço,
Peregrinando num mundo sem fim!

Viajo nos astros quando escrevo,
Com inspiração d'Ele, me atrevo
A viver com o Amor e na paz!

Nos meus versos encontro lenitivo,
Mas não é da poesia que vivo...
Faço versos pra dar amor e paz!

Modesto

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

AMAR




















Amar é ter um tesouro na vida,
É ter esperança, muito sonhar!
É ter paixão como alma perdida
E sentir com coração... É amar!

É ter cada dia a alma erguida
E ajudar quem não sabe amar.
Ver árvore seca e a florida
E é servir sem nada esperar!

É ter luz para ver na escuridão,
É ser verdade sem ter ilusão,
Enxergar sem medo do que vai ver.

Pra isso nos foi dada a razão
Para que possamos compreender
Que amamos para poder viver.

Modesto

terça-feira, 28 de novembro de 2017

SONETO DESEJADO
















Eu voltei, mas sem o ver
Esperado, desejado
Soneto pra escrever...
E eu estava cansado!

Assim, ó soneto meu,
Tão traquina - não se perca!
Pra t' escrever rog' ao céu...
Tu és levado da breca!

Antes de aqui chegar,
Pensava me inspirar...
Devia falar d' amor!

Mas eu vinha obcecado
Por um soneto amado
Que tivesse uma flor!...

Modesto

sábado, 25 de novembro de 2017

A FORÇA INTERIOR

























O ser que é ser e que nunca vacila
E, nas lutas imortais, entra sem susto,
Leva consigo a nobre fé tranquila
E o grande amor do seu Deus Augusto.

Apetites carnais da triste argila?
Ele vence-os sem ânsia, sem susto,
Enquanto tudo à sua volta oscila,
Fica sereno, com um sorriso justo!

As forças interiores de grandeza
Levam-no a enfrentar a Natureza
Com esplendor e com um largo eflúvio!

O ser que é ser transforma tud' em flores!
E, pra ironizar as próprias dores,
Verseja, entre as água dum dilúvio!

Modesto

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

ERA UM MUNDO DE DELÍCIAS

























Era o brilho nostálgico duma tarde
Cor de rosa que havia no infinito,
Num mar bravio que causava alarde,
Ao fim do dia que foi tão bonito!

E o mundo era uma formosura:
O céu parecia pintado de cores
Com plantas silvestres - famosa pintura,
Parecia o maior ser todo flores!

Era mundo todo feito de delícias,
Nas altas esferas, viam-se permícias
Exaladas das essências agrestes!

Eflúvios de perfumes eu sentia,
Fragrâncias da Natureza havia,
Quando, mesclados de flores, vós viestes!

Modesto

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

ESPERANDO NOVO DIA





















Deixa noite cair por si,
Com seu silêncio profundo!
Deixa o bréu vir a ti:
Tudo faz parte do mundo!

Madrugada vem aí,
Tu, no teu sono profundo,
Vê amanhecer em ti...
Renasce pró novo mundo!

O Sol ilumin' o dia,
Sua luz em ti radia...
Tu acordarás bem firme!

Deixa qu' a vida te leve,
Mas, segura bem teu leme...
Pede, que Deus te redime!

Modesto

terça-feira, 21 de novembro de 2017

PROCURAI-ME AO PÔR DO SOL

















Tendes tão ferrenha mágoa
De querer-me procurar...
Meus olhos se enchem d' água
Salgada com' a do mar!

Mas, se não me encontrardes,
O qu' é natural, enfim...
Interrogai estas tardes
Que irão falar de mim!

Até este arvoredo
Vos irá dizer: « Eu vi,
Passeava em segredo
Todas as tardes aqui!»

Ia alegre mas mudo
Sem saber dizer porquê...
Tão distraído de tudo,
Via como quem não vê!

Andav' a ver a paisagem,
Com ela me distraia...
O pôr do sol é imagem
Que me prolonga o dia!

Modesto

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

UM ARREBOL DE OUTONO


















És a luz d' entardecer que fech' o dia,
O afago, a ternura que dão vida!
És o meu sol e também minh' alegria,
Meu céu colorido, na paisagem lida!

És pôr do sol que me faz recolher
Prá noite amena que me acalenta!
Um bonito arrebol que me faz crer,
Impulso qu' arrebata, amor qu' aumenta!

Um sonho alegre numa ambição:
Bálsamo eterno no meu coração
E anseio maior da minha ventura!

Paisagem multicor que traz a saudade,
Leva-me a pensar na eternidade
E os meus males atenua e cura!

Modesto

domingo, 19 de novembro de 2017

AO SOL DO OUTONO

















É tarde d' Outubro. À luz, o orvalho
Doura as pétalas das flores tão belas!
Sobre o solo, recobrindo o atalho,
Há grandes montes de folhas amarelas!

Violetas ao pé do alto carvalho!
Lá, s' ouvem as narrações das pastorelas
E dum rapaz ingénuo, sem trabalho,
Junto das mais belas e virgens donzelas.

Narra-se o cair das folhas nos prados,
Contam, as mais velhas, aos seus namorados
'Stórias dos doces velhos barbilongos...

E ouviu-s' um beijo com pios ditongos
Duma amável pastora, qu' é lá dos Longus,
Com silábicos sons bem musicados!

Modesto

sábado, 18 de novembro de 2017

AMANHECER ALEGRE















Sol da manhã! Hoje nasceu no cantinho
Da alta montanha, com um vento frio,
Qu' abraça o dia, brinc' em remoinho,
Chiando nas frestas, com força e brio.

No cantinho de prata do céu, momento
De novo alvorecer em torvelinho,
Num ritmo trémulo, cheio d' elemento,
Prevend' o Inverno que vem a caminho.

O meu coração e minh' alma observam,
Suspendem os pensamentos e acenam
Adeus ao Outono, tinto de magia!

E é nest' amanhecer qu' o sol vem brando,
Nascendo no cantinho, dia formando,
Que minha alma sorri de alegria!

Modesto

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

FRESCA MANHÃ NO CAMPO

















Acordo de manhã cedo
Com luz de doces carinhos.
Há rumor no arvoredo,
Há rosas pelos caminhos!

Pró azul radioso, ledo...
Sobe, de dentro dos ninhos,
Cheio d´amor e segredo,
O canto dos passarinhos!

Voam as pombas nevadas,
Imaculadas d' alvura,
Sobr' os campos de verdura!

Pelas estreitas estradas,
Há femininas risadas
Perspicazes de frescura!

Modesto

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

CORPO E ALMA ACREDITAM

























Longe ou perto, unidos, separados...
Olhando sempre prós mesmos horizontes!
Gémeos, ardentes, novos, inspirados,
Presos, unidos como suas frontes.

Vêem cair as lágrimas prateadas,
Sentem o coro harmónico das fontes
E o renascer das frescas alvoradas,
Sempre fitando o desejo dos montes!

Sempre embebidos nos mesmos olhares
Prá claridade dos tão belos luares
E no louro Sol do crer se embebendo...

Vão, corpo e alma, brancos e floridos
Por horizontes azuis - tempos vividos -
Amando Deus sempre, no Seu Amor crendo!

Modesto

terça-feira, 14 de novembro de 2017

PORQUÊ O MEDO DE ACREDITAR?

























Perant' a eterna dor, do mal insano,
Não é tanta a ventura prometida...
Deus fez quase divino o ser humano,
Mas poucos crêem na vid' além da vida!

No rancor deste amargo oceano
De miséria contínua, repetida,
Cada alegria traz um desengano,
Cad' ilusão recorda uma ferida!

Porquê, meu Deus, esta tortura imensa
E esta noite profunda de descrença,
Onde as almas s' agitam com pavor?

Porquê, Senhor, tanta revolta obscura,
Nest' infeliz e humilde criatua
Que tem medo de crer no seu Criador?

Modesto

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

VIDA E FÉ
















Ainda que as sombras permaneçam,
Lembra-te dos teus sonhos mais bonitos.
Faz com que eles não desapareçam,
Pois são eles que unem os espíritos!

Mesmo velho, mantém a juventude,
'Inda que te levem prós amplos mares...
Desejas alcançar a plenitude?
Pois, procura Deus nos raios solares!

O cosmos - vácuo que nos separa
Ou vazio que nos une? Repara:
Mistério, dúvida... nesse lugar!...

Dentro do nada - a vida irradia!
Somos mensageiros da ousadia:
Herdeiros de Deus que nos quer salvar!

Modesto

domingo, 12 de novembro de 2017

FILOSOFIA E FÉ



















No homem, a fagulha projetiva
Não descansa no lume reluzente.
Na senda imortal, a alma vive
Firme na Potência que 'stá na mente.

Ânsia Ontológica 'stá no Ente.
Busca-o na aurora progressiva,
Põe o seu sentido no Ausente
Com força na Essência relativa.

Pela fé, é possível ver o Ser,
Lá longe, embebido no Seu Ser...
Descansa no Ente essencial!

Deus quis ao homem oferecer
A síntese d' Assombro essencial
Que nos guia na busca perenal!

Modesto

sábado, 11 de novembro de 2017

RAZÃO E FÉ

























A Mão de Deus, ao criar a Obra Divina,
Separa a luz das trevas em frontispício.
Uma exegese ao Génesis ensina:
É aí que esclarece o Seu Ofício.

Esta Obra que de Deus tudo origina
Ilustra-nos bem, com arte e artifício,
Num pergaminho a cores nos ilumina,
Mostra o Universo antes do início.

É um Códice cheio de alegorias
As imagens que nos dá das cosmogonias
E traz-nos as respostas d' Aquele que É.

E Deus elevou Seu Espírito aos longes,
Pelo medievo saber de tantos monges,
Pondo-nos a descoberto Razão e Fé.

Modesto

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

NO DIA DOS MEUS 75 ANOS



















Grande amor, grande graça, grande mistério
Que a minha alma, tão trémula, enlaça...
Neste dia de luz que m´ilumin' a sério,
O céu me beija, me seduz e me abraça.

Eterno êxtase dum desejo etéreo,
Bálsamo dos bálsamos me unge com graça
E deixa na minh' alma um clarão sidéreo:
A chama secreta dum Anjo que passa.

Eu canto com os Anjos e Arcanjos vagos,
Junto às águas sonâmbulas dos meus lagos,
Sob as estrelas que fazem de lampadário.

Dou graças a Deus por 'inda ser peregrino
Neste mundo tão belo que deu meu destino:
Louvar o Senhor por mais est' aniversário.

Modesto

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

PENSAMENTO

























É quem me deleita: o pensamento,
É quem me transporta ao fim do mundo!
Eu bebo o seu saber, meu sustento,
É nas suas memórias que m' afundo!

É ele o ideal mais profundo,
É, no meu sentir, o deslumbramento
Que me faz viajar cada segundo...
É ele que me dá conhecimento!

Realiza os meus próprios sonhos:
Uns alegres, outros medonhos...
Mas ele também é um sonhador!

Meus olhos prendem-se nos seus enredos
Feitos d' expectativas, de segredos,
Na criadora mente de factor.

Modesto

terça-feira, 7 de novembro de 2017

DA PRIMAVERA AO OUTONO

























Já sou como a folha que tombou
Ressequida, Voand' ao abandono
Pra longe do lugar que habitou,
Arrastada plos ventos do Outono!

Já sinto mais frio, durmo o sono
De quem já foi feliz, se alegrou
Na vida, entr' o mês três e o nono,
Na primavera que já me deixou!

Segui o meu caminho na rotina
Qu' a própria Natureza confina
Com uma variável duração.

No fundo, que importa se a vida
Pra uns é curta, pra outros comprida?
Importa é vivê-la com paixão!

Modesto

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

QUERIA TER ASAS













Asas! Como era bom tê-las!
Mais alto possível voar,
O próprio céu alcançar,
Voar no meio das estrelas
Como cortina azul celeste
E ver como uma se veste!

Num impulso deixar o chão,
Sentir o vento pelo rosto,
Olhar para cima por gosto.
Uma estrela dá-m' a mão,
Pra seguro permanecer,
Por cima das nuvens correr!

Do alto poder respirar
E poder ter liberdade
Par' amar a humanidade,
Com amor a cumprimentar!
Ser e viver na humildade,
Pra, depois, descer sem vaidade!

Modesto

domingo, 5 de novembro de 2017

TUDO COMEÇA POR AMOR















Tudo começa por um acto de amor:
Pequena semente vai ficar enraizada,
Pequeno embrião vai abrir-se em flor,
Nasce rosa ou cravo - que foi semeada.

Irá nascer num terreno fofo e lento:
Água, nutrientes...pra se alimentar.
Suavemente, lá se vai desenvolvendo
E certo dia vai, no mundo, despertar.

Prodígio natural s' operou - nasceu!
Chora por deixar o lugar qu' era seu céu,
Torna-se botãozinho, desfeito em lágrimas.

Geram-se tumultos - tudo tem um final!
A vida criada nunca vive igual...
É flor abençoada, mas com suas mágoas!

Modesto


sábado, 4 de novembro de 2017

SÓ FICOU DOR E SAUDADE













Quando a noite dec' e s' agiganta,
Fic' em silêncio tudo lá fora.
No coração a tristeza é tanta!
Sonho? Não há! A solidão aflora!

Recordações dão um nó na garganta,
Desconsolada a minh' alma chora.
Vem a lua mas a dor não espanta,
Pungente saudade, não é d' agora!...

Tudo findou! Já não faz mais sentido
Sem tuas conversas... cruel castigo!
Sem teus abraços... fic' empedernido!

Nada mais há, só lamento contido!
Sou barco sem rumo... a esmo sigo,
Encantos do ontem? Tudo perdido!

Modesto




sexta-feira, 3 de novembro de 2017

NOVEMBRO FAZ PENSAR !



















Olho dentro de mim, vejo escombros.
Olho em redor de mim... é um deserto!
Sinto um peso enorme sobr' os ombros
De um destino que já não tem concerto.

No meu caminho, negações e assombros...
Meu céu está sempre escuro, encoberto.
Porém, com persistência, desassombros,
Hei-d' encontrar, um dia, ´spaço aberto!

Mas não vou perder a fé, nem desistir.
Amanhã, um novo dia vai surgir,
Talvez perfeito com' um belo poema.

E... prossigo no espaço que me cabe
Entre as sombras e luzes... pois quem sabe
S' a vida vai entrar em novo esquema?...

Modesto

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

NO DIA DE FINADOS, PENSA!
















Sê homem e não vivas com vaidade.
Faz tudo o que deves, por dever.
Somente tua alma persuade,
Ajuda as almas déveis a viver.

Tua palavra ensine e brade
A todos que morrem sem viver.
Só assim tu terás autoridade
Pra falar d' amor e o descrever.

E não queiras ter glória combatendo
Aquele dia fúnebre, tremendo...
Ele virá quando tiver de vir.

Sê digno da vida, mesmo sofrendo,
Sem que da morte te vás desfazendo...
Ela cheg' oculta no teu provir.

Modesto

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

NOITE DAS BRUXAS

























É noite de Halloween, o medo impera!
Há muitas bruxas à solta em cada 'squina!
Seus rostos de menina escondem a fera
Nos seus modos ancestrais, ficam à bolina!

Tendo a fera na mão, tudo se altera:
Já deixou cair os seus ares de menina!
E, aos poucos, o nosso corpo dilacera...
Vai-se metamorfoseando de felina!

Minha bruxa, devagar, foi-me desmembrando,
E o meu coração foi aprisionando...
Feia esta feiticeira alucinada!

Mas, oh! De manhãzinha, eu fiquei surpreso:
Esta feiticeira má, à qual eu fui preso,
Era a mais deslumbrantes e linda fada!

Modesto

terça-feira, 31 de outubro de 2017

A LUA CHEIA




















No meio das loiríssimas searas
Cai a noite taciturna e fria.
Das infinitas perspetivas claras
Cessou no 'spaço límpid' harmonia.

As estrelas, no céu, puras e raras,
Como um cristal límpido radia
Cofre ideal de pedrarias caras,
Abrem a noite, na nudez sombria.

Mas uma luz, aos poucos, vai subindo
Do largo mar ao firmament' abrindo
Largo clarão em flocos d' escomilha.

Vai subindo ágil no firmamento
Branca e doce, belo momento,
 A lua cheia, pelos campos brilha!

Modesto

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

SONETO A PORTUGAL















Nosso maravilhoso Portugal,
A paisagem perfeita qu' o compõe,
Tud' o qu' ele tem é especial,
Muita felicidade nos propõe!

Portugal, País cheio de riqueza,
Em cada Distrito é diferente
E cada um tem a sua beleza,
Óptimos corações da nossa gente!

Várias aves mostram seu encanto,
Pra nos alegrar espalham seu canto...
Há variedade de animais!

Belas paisagens para admirar
Qu' enfeitam este deslumbrante lar...
Jardim tão belo não se viu jamais!

Modesto


POEMA DE AMOR

Se o amor não tem cor, Também não terá idade. Preza sempre o honor E só vê a qualidade O amor não tem tamanho, Não t...