segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

DIRECÇÃO DO TEU OLHAR

Ai quem me dera ser eu a mira
Da atenção do teu olhar!
Tocaria para ti a lira,
Veria teus olhos a brilhar.

Queria ser o teu toucador
Ou, apenas, ser eu a neblina,
Ou o horizonte ao sol-pôr
Que tu vês, com olhos de menina!

S'eu fosse o brilho do teu olhar,
Refúgio da tua solidão...
Podia tocar teu coração.

Pudera ser eu o tudo-nada
Do teu desejo de ser amada...
Ser a direcção do teu olhar!

Comentários

16-01-2011, Raiana Transmontana

Olá, Modesto!?
Não interessa como cheguei ao seu blogue, mas sim como apreciei aquilo que nele li.
Gostei. Gostei do conteúdo e da forma determinada com que se aventura num campo tão sedutor, mas um pouco intolerante, como o da poesia e, ainda, da humildade com que pede a opinião dos amigos!!! A partir de agora, considere-me um deles, e exorto-o a prosseguir, com entusiasmo,  sem euforia, mas com empenho e dedicação. A poesia é como uma criança maravilhosa, mas muito frágil e carente... Dê-lhe o melhor da sua alma, para desfrute da minha e da de todos os que tiverem o privilégio de o lerem.
Uma vulgar prosaica,
                          Raiana

Resposta - 18-01-2011

RAIANA?!

Agora ando perdido!
O que vales, Alma Humana?
Quem estará escondido,
Por trás do nome: "Raiana"?

Ela está por todo o lado:
De manhã, ao acordar,
Raiana é nome alado...
À noite faz-me sonhar!

Voltei a ser adolescente!
E... não paro de sonhar!
É preciso ser valente,
Pra "Raiana" ignorar!

Ó Raiana Transmontana,
Não seja intolerante!
Diga seu nome, "Raiana",
Pr'eu deixar d'andar errante!

Modesto

18-01-2011 - Raiana Transmonana

Olá, Modesto?!
Só não digo que adorei o poema de que me sinto musa... porque só adoro o meu Senhor e meu Deus, que, por sorte, sei que também é o seu!!!
Qual a importância do nome numa pessoa? Eu sei que nos insere num enxerto social único, mesmo sendo socialmente múltiplo, mas, nome de santo, de querubim, de rei ou rainha...de flor... mitológico, ou em voga no tempo presente...pouco revela, o nome encarnado, da Alma que o ilustra, lhe dá cor e vida!!! E esta, sim, define a PESSOA que se manifesta no amor, na sinceridade, na alegria, na dor, na generosidade, na partilha, na presença, na verdade e no compromisso... consigo mesmo e com os outros... sem nome, sem terra, sem raça ou cor!!! Quase parece utopia... mas é, pensando assim, que eu me «encontro»... e gosto de me analisar.
Uma... entre todas!!!
Desculpe a dissertação tão primária e pouco prosaica, mas... fiquei inebriada com o seu poema, que demonstra engenho e arte, e não podia deixar de responder, já...!!!
Obrigado, Modesto, pelo deleite que me proporcionou, e perdoe o tempo roubado... aos arroubos de um grande poeta, e já amigo.
                                        Raiana

Resposta - 19-01-2011

TENHO ORGULHO NO MEU NOME

O nome m'identifica,
Não quero nome trocado,
Um outro? Não justifica
Andar com nome embuçado!

O meu nome é o mais belo
Qu'existe à face da terra!
Por nada quero cedê-lo,
Por ele faria guerra!

Pseudónimo é mentira:
É trocar identidade,
Alguém s'esconde, na mira,
De não dizer a verdade.

O meu nome é modesto,
Humilde, pobre, singelo...
Podem dizer que não presto,
Mas é meu e acho belo!

Modesto

19-01-2011 - Raiana Transmontana

Lindo, lindo de morrer!!!
Valeu a provocação!!! A sua poesia é emotiva, sincera, genuína... e reactiva também!!! Quando souber o meu nome... desvenda-se o mistério... e provavelmente... apaga-se a musa!!! Mas merece que eu corra esse risco...
O meu nome é invulgar, e o meu apelido burguês... mas a pessoa que o usa, é simples por fora, irrequieta e turbulenta por dentro, interventiva e com um coração sem exclusões!!!
Um abraço,
            Raiana

Resposta - 19-01-2011

Como, então: Raiana = Guiomar?

Lindo nome: GUIOMAR!
Lembra o tempo de criança:
Tinha uma prima a morar
Perto. Boa vizinhança!

Era linda! E, na face,
Tinha olhos de falcão!
Fez que meu irmão andasse
A sofrer do coração...

É de origem Teutónico,
Significa gloriosa,
Comportamento harmónico
E, na Saúde, é famosa!

Profissional honesto
E busca a perfeição,
Reflecte em tud'o resto
pra tomar a decisão.

Talento, habilidade
Para enfrentar obstáculos,
Tem positiva a verdade,
Esperança, nos pináculos.

Traçado o seu perfil,
Continuo sem saber:
Guiomar, seja gentil
E dê-se a conhecer!

Modesto
Publicada por Modesto Nogueira em 23:36

sábado, 29 de janeiro de 2011

Comentários

24/01/2011 Raiana Transmontana

Olá, Modesto?!
Muito obrigado pela sua amizade que sei ser pura e sincera! Gostei muito do poema de agora e do anterior também!!! Fui ao seu blogue... fiquei maravilhada com a sensibilidade do poema "PEDIDO DE UMA FLOR" e do AUTOR que merece letra grande!!! Tenho pena de não ter conseguido fixar o comentário que escrevi. Mas lá chegarei em breve, prometo.
Gosto tanto dos seus poemas que tenho lido, quase devorado!!! O Modesto é assertivo oportuno... e tem muita sabedoria e um bom coração!!!
Raiana

Resposta 24/01/2011
Agradeço as sua palavras de incentivo. Mas, se quiser continuar, terá que desvendar o mistério. Dá-se o caso de eu não saber se estou a lidar com uma mulher ou com um homem e isso é muito desinteressante!
Cumprimentos,
Modesto

25/01/2011 Raiana transmontana
Olá Modesto?!
Pensar que a alma Raiana poderia pertencer a um homem!!! Não é notória a minha feminilidade? Sou bem mulher...e bem XXX. Escolher  um pseudónimo pode ser uma brincadeira provocatória ao imaginário que gosta de se enredar no mistério, agora...enganar os amigos com ambiguidade de género... eu nunca faria isso!!!
Então... estávamos no primeiro capítulo da novela e já queria saber o fim??? Um poema (ou um romance) começa e acaba com a mesma emoção... é uma sucessão de sentimentos e emoções que o tempo e a acção constroem!!!
Um abraço.
 Raiana

Resposta  25/01/2011

ESTE MISTERIO ASSUSTA-ME

Uma dúvida foi desfeita:
Raiana é uma mulher!
Fica ainda uma suspeita:
O que ocultar ele quer?

Pseudónimo é brincadeira,
Para enredar o mistério?!
Quer exibir a bandeira,
Alcanças qualquer desidério!

Eu sou uma alma poética,
O romance é um projecto.
Mas sempre vivi numa ética:
O ser verdadeiro e recto.

Um poema tem emoção!
É sucessão de sentimentos:
Pode chegar ao coração,
Mas isso traz alguns tormentos!

Assim, é melhor acabar,
Deixar tudo como está.
Eu não posso continuar
Um enredo "ao Deus dará".

Modesto

26/01/2011 Raiana transmontana

Bom dia, Modesto.
Já tive uma reacção muito parecida com a sua e quase tão injusta como ela!!! Estou triste pela expressão do seu sentir e por perder a oportunidade de inspirar e poder desfrutar da emoção de ler poemas tão belos e fascinantes como são os seus que já conheço!!!
A sua ética sempre foi aquela por que tenho guiado a minha vida e que nunca esquecerei. Em nada menti: sou raiana porque há 50 anos vivo na raia e sou tansmontana porque lá nasci. Disse-lhe que tinha um sobrenome burguês e, também aí, fui sincera: Sou XXX XX XXX.
Mistério desvendado, ilusão perdida, equívoco sanado!!!
Um abraço, agora com o coração batendo mais fraco mas, ainda assim, com muito prazer de o ter conhecido e inspirado,
Raiana.

Resposta 25/01/2011

 Boa noite caríssima amiga Raiana.
Peço desculpa por a ter provocado em demasia. Sei que fui injusto!  Mas, acredite: Tenho muito a agradecer-lhe, porque fez-me muito bem o sentir que a minha poesia é lida por alguém que a entende, que a aprecia, que a critica e que diz o que pensa. Para mim, nada mudou. Aumentou, em muito, a minha estima por si.
Para que não fique triste, envio-lhe este soneto:

ALMA SERRANA

Alma serrana, natureza pura,
Assim quero a vida que me resta.
Tenho saudades dessa vida dura...
Pois, ao anoitecer, há sempre festa.

Inda vivo nas rotas d'aventura...
Mas sei que minha 'strada é esta:
subida difícil, áspera, dura...
Mas urze branca, d'ouro a giesta!

A vida aqui é fácil d'entender:
Como chuva a cair, planta a crescer,
Pássaro a voar... Gente contente!

Vida difícil, mas honra sagrada!
São almas puras, gente abençoada...
- Quero cantar, elevar esta Gente!

Modesto

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

ALMA

Nasce nas origens do Ser,
Límpida, de pura essência.
Quedas na pista do saber,
Deslizes na experiência.

Num corpo frio vai vivendo
Da graça que a alimenta.
Nesse corpo vai-se perdendo,
Na vida que a aturmenta.

Vive num pedestal de gelo,
Corre em total dissonância
Com sinais: Pedidos de zelo.

Dá-lhe vida a Providência,
Espera fundir-se, com ânsia,
Na etéria Existência.

LÍNGUA PORTUGUESA

És uma flor lusa, culta e bela.
Tanto és explendor como bravura.
És ouro que brota da fama pura,
Na brilhante lide da Caravela!

Amo-te, desconhecida, mas pura.
Canto-te com clamor, lira singela.
Tens o trom e o silvo da procela,
O arrolo da saudade, ternura!

Ten um viço agreste, tens aroma
De lindas serras, d'Oceano largo,
Belo e caloroso idioma!

Foi da voz da mãe que ouvi: «Meu Filho»
E que Camões cantou, com fel amargo,
Teu génio, teu amor, teu brilho!

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

POESIA E CIÊNCIA

«A essência do poema é o olhar bagabundo. Só este é que é possibilidade infinita» (Gabriela Rocha Martins)
A tradução da memória é a chave da poesia. O poeta procura recriar aquilo que o afecta e o mundo que o rodeia. Depois tranmite para o papel as mensagens que estão muito para além do que ele escreve.
Tanto a ciência como a poesia procuram explicações do cosmos. A grandeza da poesia revela-se no invisível que o poeta tenta demonstrar.
Na forma, a ciência é diferente da poesia. Mas, no abstracto, a ciência é igual à poesia. Esta dualidade é um diálogo entre ciência e poesia que lhes confere uma dinâmica entre alteridade e temporalidade.
«A ciência é um saber cumulativo. A poesia é um saber único».  Esta é a conclusão de um painel dedicado à poesia e ciência, na Univresidade do Porto.
A poesia é também uma arte: Está ligada à música, à ciência e à história. As vivências e emoções do poeta resultam de estímulos.E estes estão em consoância com as circunstâncias temporais, interligadas com as vivências científicas, porque ambas almeijam o sonho da conquista duma verdade.
Como não há realidade sem fundamento místico e ontológico, consegue-se uma dinâmica contrutiva entre o individual, o singular e o universal. Daí nascem as perguntas:
 - Como apareceu o mundo? (Criacionismo e ou evolucionismo).
 - O que é o homem?
 - Qual o sentido a dar à existência?
 - O que é a procura da verdade?
A individualidade é a causa do silêncio do mundo. Mas quando o individual procura a verdade, é a razão da consciência a traduzir-se na procura da felicidade.
São inúmeros e bastos os laços que unem o universo da ciência e da poesia! Todos eles nos revelam conhecimento e sentir, numa convergência harmónica. As impressões interiores revelam diferentes reflexos do mesmo espelho: As realidades próprias, a percepção individual do mundo, a complacência, a alteridade, a linguagem, a imagética, os saltos quânticos... Mas a particularidade e a voluptuosidade só podem ser percepcionadas e descritas na poesia.
Quem, como o poeta, sabe dar ao seu estro uma ênfase mais consentânea com a magestade indispensável do que sente e pensa e exaltar, com veemência e grandiloquência, o que expressa nos seus versos?
A poesia é um toque de lirismo que se entremeia com um toque de dramatismo. O poeta canta a Natureza, a Humanidade, o Amor... Numa palavra: A Vida! Só cantando, será possível sorver, pela via espiritual, a essência vivificante e a seiva pura do apreço pela Alteridade e Temporalidade.

ORIENTA-ME, ESTRELA DA MANHÃ !

Eu te procuro, doce estrela a manhã Que no lusco-fusco d' aurora 'stá desperta, Por vezes, no meio de nuvens c...