sábado, 30 de setembro de 2017

AO CORRER DA CANETA



















A caneta não m' assusta,
Nem mesmo a folha branca.
Fiz-m' homem à minha custa...
Por isso, nada m' espanta.

No decorrer da palavra,
Marco encontro comigo.
São coisas da minha lavra
Tudo aquilo que digo.

Não tenho hesitações:
Sei esperar o momento!
As boas composições
Saem do meu pensamento!

Bem ligadas as ideias,
'screv' a caneta veloz:
As palavras em cadeia,
Nunca me deixam a sós!

As palavras e seus mundos,
Combinados a preceito,
Dão sentimentos profundos
E alegram o meu peito!

Modesto

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

O MEU ETERNO SONHO

















Há sol, lá fora: seca a poeira
Daquela estrada que não tem fim.
Seria bom, que pla vida inteira,
Este bom sol brilhasse sobre mim!

Mas, aquela estrada não tem beira!
Deserta e bem comprida assim...
Implora-me, à alma, com canseira,
Que mude esta estrada sem fim.

E eu marcho resoluto prá frente...
Cai-me chuva nos ombros, de repente!
E eu apresso mais a caminhada.

Prossigo, assim, o sonho eterno,
Com minha vida quase no inverno,
Sem promessa de vida melhorada!

Modesto

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

CHEGOU O OUTONO


















Sai o Verão e entra o Outono:
Sopram os ventos, dançam as cortinas,
Noites amenas convidam ao sono,
Os dias amanhecem em neblinas.

Despedem-s´as folhas pelo Outono:
Pelo chão deslizam, dobram esquinas,
Umas aos montes e ao abandono,
E outras dançam como bailarinas.

No ar impera certa nostalgia,
A Natureza fic' em letargia...
As flores não vicejam no jardim!

O Outono traz a melancolia
E uma languidez me contagia...
Sentimentos que s' apossam de mim!

Modesto

terça-feira, 26 de setembro de 2017

O VERÃO JÁ FOI EMBORA




















Pr'ondo foste, ó Verão?
Tenho saudades do mar!
És a minha Estação,
Meu barco pra velejar.

Lá te foste ausentar!
Quero o teu sol brilhante,
Quero, no mar, mergulhar,
Na profundeza distante.

Deixaste recordações...
Outono é frio, 'scuro!
Ficam tristes corações
Sem esp'rança de futuro.

Vê se vens rapidamente,
Quero teu nascer do dia
Que m' inspire para sempre
A escrever poesia.

Modesto

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

UM AMANHECER NO PRADO

















Estendo meus olhos pelo prado fora:
Verdura, flores... tud' o qu' a vista alcança.
Quando a saudade do passado chora,
Há um oásis ond' o olhar descansa!

Ouço, ao longe, uma canção sonora:
É voz de mulher, ou será de criança?
Hino das aves ao nascer da aurora?
É como hino branco de esperança!

Por toda a parte, risos e folgores,
A Natureza está cheia de flores,
Bem iluminada por um sol risonho!

Record' à minh' alma, diluíd' em prece,
Qu' um coração feliz 'inda estremece,
Vend' a luz sagrada do primeiro sonho!

Modesto

domingo, 24 de setembro de 2017

E VEM A SAUDADE...

















Vou, com luar no rosto, descontente:
Meus olhos choram lágrimas de sal!
Adeus, ó coração da minha gente,
Adeus terras e flores do Casal!

Hora da saudad' é uma serpente:
Ela rasteja antes que eu fale!
As coisas mais me lembram fielmente,
El' enlaça-m' a voz tão cordial!

Olho a aurora, ave levanta
Pra consolar a alma, quando canta,
E a gente já anda no quintal!

Graça, beleza...  verso sem medida,
A saudade desterrou-me a vida!
Sou um eco perdido noutro vale!

Modesto

sábado, 23 de setembro de 2017

ESCUTA A PALAVRA SEMEADA


















Ouve com alma e máxima cautela
O que te sopra n' aragem, levemente.
Ainda que seja mínima, sem vela,
Percebe a chama e vive silente!

A tua resposta voa como o vento
Ou como ave, displicentemente,
Pousa na terra boa do pensamento
E cresce forte naquele que a sente.

Subtil consolo, parece vir do nada,
É doce porque de Deus foi emanada,
Nasce no silêncio, mas acontece!

É uma palavra audaz, criadora
Que te faz luzir, já que é redentora
Das tramas da vida que a vida tece!

Modesto

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

OCULTANDO A DOR






















Quando me vêem passar, calmo e risonho,
Sem um pesar que me anuvie a fronte,
Pensam que vivo num paraíso de sonho,
Ando perdido na curva do horizonte!...

Até encontrei quem me dissesse um dia:
«Invejo tua vida tão descuidadosa»!
Como s' a vida foss' isenta d' agonia,
Não tivesse espinhos e fosse só rosa!...

Porém, enquanto, desdenhoso e altivo,
Eu vou passando, alegre ou pensativo,
Ou a rir, a rir, como um feliz demente...

O meu pobre coração bate no meu peito
Tão triste, como a agonizar num leito
E cá vou soluçando dolorosamente

Modesto

terça-feira, 19 de setembro de 2017

A VIDA TEM OUTRO SABOR

















Olho para o Céu... O meu amanhecer!
Deito-me, rebolo, até à exaustão,
Esfrego os meus pés na relva com prazer,
Sento-me, atiro o cansaço pró chão!

Não há razão para estar preocupado,
mesmo qu' o Sol me ofusque o pensamento,
Deixo-me ficar, meio anestesiado,
Porque aqui não há dor nem qualquer tormento!

A brisa passa por mim muito devagar,
O cheiro desta terra faz-me suspirar,
O Sol reconforta-me com o Seu calor!

Adormeço com os pássaros a cantar
Melodias celestiais fazem girar
A vida! Assim, ela tem outro sabor!

Modesto

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

ACARINHA TUA MÃE























Ama tua mãe, enquanto a tens, enquanto
O teu sorriso é o seu deslumbramento!
Sabes? Nunca acharás quem te ame tanto
Assim e quem sinta tanto o teu tormento!

Que tu nunca a deixes no esquecimento!
Lembra-te sempre, na tua vida, o quanto
Ela sofre junto com o teu sofrimento,
Ela chora contigo todo o teu pranto!

Ama-a! Que um dia sentirás, por certo,
O seu sofrer em aflição, neste deserto,
A tua ausência... saudades de tudo!

Chamá-la-ás, em vão, na estrada agreste,
Sentirás, então, os trabalhos que lhe deste...
Ela deu-te o teu sangue, a vida... tudo!

Modesto

domingo, 17 de setembro de 2017

SEM TI, NÃO CHEGAVA AO FIM


















Com a solidão, caminho fora do trilho
E com as trevas, eu sigo quase sem rumo.
Mas, de repente, tu vieste com teu brilho
E a minha vida mudou, voltou ao prumo!

Mas a depressão apodera-se de mim,
A tristeza domina - eu ia sozinho!
Eu não tinha consciência do meu fim...
Até que viest' iluminar meu caminho!

Agora partamos unidos pró futuro.
Por certo na 'strada não haverá escuro,
O sol iluminará a nossa viagem!

Vamos esquecer tudo do nosso passado?
As pedras serão  arrumadas par' o lado...
Assim, juntos, vamos fazer esta passagem!

Modesto

sábado, 16 de setembro de 2017

PAIXÃO NÃO CORRESPONDIDA

























A paixão é um absurdo desenfreado:
Viver fora de si, sem se aperceber,
Amar assim loucamente, sem ser amado,
Tomar algumas decisões, sem se dar conta...

É entregar-se, mas sem reciprocidade,
De forma nociva e avassaladora
E viver, fingindo grande felicidade,
Despojar-se do futuro pelo agora!

Não pensar em si mesmo, nem na sua vida,
Ou descambando pra caminhos sem saída,
Morrendo cada dia, sem se dar conta.

Ou, então, viver duma forma tão vendida
Que faz sofrer tanto, até deixar ferida...
São as estradas que a paixão nos aponta!

Modesto

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

A IDADE NÃO CONTA



















Que não tenha ninguém a ousadia
De, por velho m' achar, me chame zero!
Meus anos são diplomas d' energia
Que conquistei. - Uso-os como quero!

Cada manhã que chega, principia
Nova etapa pra vencer! - Supero
Com coragem, denodo, teimosia...
Muito a vida me deu, mais espero!

Defendo meu 'statuto de ser gente,
Enquanto pego a vida pla frente
Dos meus direitos todos m´apodero!

Eu sou um ror de anos atrevido
Que hão-de ser aquilo que tem sido
E que nunca por nunca serei zero!

Modesto

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

QUERIA SER...

















Queria ser mar poderoso e forte
Que nada teme, na vastidão imensa.
Queria ser vento - o que vem do Norte!
Queria ser pedra que nem ri nem pensa.

Ou, então, trovão com seu poderio.
Ser a luz do sol qu' ilumina a alma.
Ser a montanha... Ou um comprido rio,
Pra poder ter margens de sombra e calma!

Queria ser forte, enorme, imenso...
Pra mudar o mundo com amor intenso,
Sem ódio, sem guerra e sem miséria...

Ser fogo: Aquecer alma, coração...
Ser a luz que traz o amor, o perdão.
Ser verdade pra haver justiça séria!

Modesto

terça-feira, 12 de setembro de 2017

EM CRIANÇA, EU ERA REI!



Jardins que foram meus reinos...
Palácios encantados,
Tinha pátios prós treinos...
Ia dormir bem cansado!

As casas onde morei,
Era tudo encantado.
Ali, eu era um rei...
Por sê-lo, fui bem tratado.

Cada lugar tem lembrança,
Cada dia tem história.
Amigos davam esp'rança...
Constam da minha memória.

Tempos que deixam saudades
Desse pedaço de chão...
Frases ditas ou mandadas,
Muitos apertos de mão.

As namoradas fictícias
Qu' eram só no pensamento,
Davam amor e carícias
Que se foram com o vento...

Sonhos que realizei,
Outros que foram só sonhos...
Eu mandava: Era rei!
Obedeciam risonhos!

Risos... qu' ainda darei,
Durant' a vida, suponho...
Bons projectos futurei...
Hoje vejo-os em sonhos!

Modesto



















segunda-feira, 11 de setembro de 2017

ESQUECER A MINHA TERRA?



















Como posso 'squecer a minha terra
Que povoa em mim tanto afago?
Meu pilar que tanta belez' encerra,
Meu torrão, meu lugar, meu aconchego!

Não posso esquecer a minha terra:
Provoca alegria quando chego,
A rústica paisagem desenterra
O mundo rural, a rega em rego!

Não posso esquecer-me deste chão,
Vigor do meu peito e coração...
Faz-me desencanta-lo como meta!

Se eu me esquecer um só momento
Da terra em que nasci, eu lamento...
Prefiro esquecer que sou poeta!

Modesto

domingo, 10 de setembro de 2017

E A AVE CAIU NA RATOEIRA

























Num ramo seco, pousa um lindo passarinho.
Prós filhinhos, vem trazer alimentação.
Um vagabundo que passa bem pertinho,
Mais que depressa vai buscar um alçapão.

Ave seduzida por notar mais comida,
Tão inocente entra naquela prisão!
O vagabundo com gargalhada fingida,
Para casa levou a ave sem perdão.

A ave lembra os filhos a soluçar,
Que na floresta não mais volta a cantar...
Perdeu a família e a liberdade!

- Adeus, amigos, qu' 'inda viveis na floresta
Que juntos na mata cantávamos em festa,
E agora 'stou presa, morro de saudade!

Modesto

sábado, 9 de setembro de 2017

MENTIRA DE ALGUMAS VIDAS.















Esse que é alegre, vai à festa da vida...
- Quantos já vi passar neste longo caminho,
Com olhos no alto e boca ressequida,
Desejosos da noite, d' amor e carinho...

Vão procurar o céu na estrada comprida
Que se perde, lá em baixo, no 'scondidinho.
É força dos que vão pró orgulho da lida
Atrás duma rosa, partindo o espinho...

Vêm rosas... depois outra rosa vem vindo
Pra ver os que lá vão, plo caminho infindo...
Outras rosas virão... E algumas de peso!

Depois, ao voltar, vêm em passo triste,
Pela mentira banal do que lá existe...
Lábios secos, mãos sujas, olhar aceso...

Modesto

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

FLORES TRISTES

















Oh! Estão tão tristes as minhas flores,
Aquelas que estão no meu jardim!
Vão murchando e perdendo as cores...
Há tempos que não as via assim!

Já sei: Sentem falta do meu olhar,
Das minhas mãos, da suave carícia,
Das falas que lhes costumava dar,
Dos meus gestos e da minha perícia!

Faz-lhes falta um pouco de carinho,
A minha ternura e a paixão,
Quando devagar, bem devagarinho,
Eu lhes tocava com a minha mão!

Tal como eu, elas sentem-se sós,
Abandonadas e até esquecidas.
Querem ouvir o som da minha voz
E das gargalhadas, antes sentidas.

Este vazio que sinto em mim
Igual ao delas, ao das minhas flores,
Habita, agora, no meu jardim,
Vindo do cansaço, das minhas dores.

Modesto

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

PROCURAR NAS ALTURAS?
















Entr' a serra e o céu
Só se vê com o olhar
E ninguém lhe chama seu,
Nem o consegue contar.

Entr' a serra e o céu
Só há imaginação!
De certeza, digo eu,
Há a nossa salvação!

Entr' a serra e o céu
Há mundos por descobrir:
Se já alguém lá viveu,
Diga, que quero ouvir.

Neste desejo profundo,
Conhecer mundos dos outros...
Ignoramos nosso mundo
E queremos ver os outros!

Se olhássemos pró céu
E prás belezas da serra,
Já sabemos, digo eu,
O Céu já desceu à Terra!

Modesto

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

SOMOS A POESIA DA VIDA



















Somos estrofes na poesia da vida,
Numa métrica apurada e perfeita,
Escrita e declamada plo Deus da vida:
Ele é o Supremo Poeta Perfeito!

Fez tudo a rimar harmoniosamente,
Quando escreveu o poema mais complexo:
Fez Homem-natureza, sentimentos, mente...
- Poema intercalado no Universo!

Mas o Homem afastou-se da Sua rima
E vieram maus sentimentos, com certeza...
Estragou a rima e fez-lhe prosa por cima
E começou a maltratar a Natureza!

Mas Deus renovou a poesia da vida:
Novas rimas, métricas de consolação,
Deixou perfeita a poesia da vida,
Dando-nos Jesus - Poeta da Salvação!

Modesto

terça-feira, 5 de setembro de 2017

A CASA ABANDONADA



















A velha casa onde morei outrora
E que já há muito está desabitada,
Silenciosa envolve-m' ao ver-m' agora,
Num triste olhar de amante abandonada.

Com que amargura o seu íntimo chora
A casa, ao sentir-s' assim desabitada,
Sem ter voz para se queixar... muito embora
Me console, por ser de todos ignorada!

Casa deserta e fria que envelheces,
Eu bem sinto que tu me vês e me conheces,
Ficaste ao abandono, sem afeição!

Eu esqueci-te, amiga, e tu pereces!
Relembro esse dia que tu não esqueces,
Sentes-te magoada dessa ingratidão!

Modesto

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

ANOITECE



















Escurece o Ocidente em agonia,
O sol baixa... Aves, em bandos destacados,
Fogem. Vai fechar-se a pálpebra do dia,
Com céus de ouro e de púrpura raiados.

Avistam-se, para além da serrania,
Os raios do sol em chama aureolados:
Uns com os tons suaves de melancolia,
Outros, em volta, esbatem-se desmaiados.

Evaporação de cheiros no ar flutua,
A sombra cresce, enquanto a luz recua.
Forma-se um belo arrebol... Arrefece!

Aos poucos, por entre as árvores, a lua
Surge trémula, mas com a vontade sua,
Alumia a Natureza... Anoitece!

Modesto

domingo, 3 de setembro de 2017

O TEU OLHAR


















Foi por aqui, sob estes arvoredos,
Neste doce e belo horizonte,
Murmurava, lá baixo, os meus segredos,
Junto da clara e pequena fonte.

Recordo bem todos os cantos ledos
Da passarada. Lembro.me da ponte,
Do mar azul, batendo nos penedos
E, mais além,Via-se essa fonte...

Sinto impressa 'inda a paisagem
E o tremer ao vento da folhagem,
Das culturas, num sítio agreste...

A luz do dia já ia morrendo...
Foi por aqui que, pensando, fui crendo
No quanto pode o teu olhar celeste!

Modesto

sábado, 2 de setembro de 2017

OS MEUS BELOS TEMPOS IDOS

























Meus tempos estão perdidos,
Apagadas as imagens
Tão belas nos tempo idos...
Também perdi personagens!

Hoje, passados vividos
Que são já vagas miragens,
Os sentimentos sentidos
Não são as mesmas paisagens!

Sentimentos vão morrendo,
Ou, então, vão-se perdendo
Os belos dos verdes prados...

Neste passar, vou sofrendo,
Volto aos sonhos passados,
Recordo meus idos fados!

Modesto

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

QUANDO SOAR A ÚLTIMA HORA


















No dia em que soar a minha hora,
Dizer que não quero, é ineficaz!
Voando a minh' alma espaços fora,
Nunca mais eu poderei voltar atrás.

Talvez me angustie ao ir-m' embora...
Saber pra onde vou? Eu sei que vou em paz!
Eu não pedi para vir pra cá,  agora
Acato a voz que diz: - Não ficarás!

Para seguir sem estorvos na viagem,
Cá deixarei tudo à minha linhagem:
Vivi com amor onde nad' era meu.

E, como um viajante pobrezinho,
Os Anjos me levarão plo seu caminho:
Alma num corpo emprestado, sou EU.

Modesto

ERA UM MUNDO SE DELÍCIAS

Era o brilho nostálgico duma tarde Cor de rosa que havia no infinito, Num mar bravio que causava alarde, Ao fim...