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sábado, 31 de janeiro de 2015

A NOITE

























A noite vem de mansinho.
Horas passam devagar.
Pássaro recolh' ao ninho.
A lua 'stá a chegar.

A noite cai, vem o frio,
Acende-se a lareira,
Com música, assobio...
No céu há uma clareira.

Vejo a televisão...
Todas elas em novelas!
Saio prá escuridão
Pra poder ver as estrelas.

A noit' embala segredo
Das horas da madrugada.
Dos sonhos já tenho medo,
Pois não irão dar em nada!

Adormeço na 'sperança
De ver a manhã chegar.
Deixo as 'strelas em dança,
Para a lua passar.

Já está amanhecer,
Saúdo o novo dia,
Começo a escrever
Uma nova poesia.

Modesto


sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

GRATIDÃO

























Céu com estrelas, mesmo que nublado,
Vem a aurora o sol despertar!
Presente de beleza nos é dado,
Deus traz-nos dons pra nos animar.

Abençoado quem nos dá a luz
E bendita quem nos orientou.
Seguimos seus passos que nos conduz
Aos tratamentos que nos ministrou.

Caminho abençoado se abre,
Deus do céu, na terra, nos dá amor...
Esperança, agora, 'stá a vir!

Contemplamos este quase milagre
Sem aflição, desespero ou dor...
É bênção o que está a surgir!

Modesto


quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

ENCONTRAR DEUS


















Com verdade e com certeza,
Corpo e alma pode ter
De Deus boa clareza
Dum lindo entardecer.

E Deus virá brandamente
Ter com Sua criatura,
Qu' anda num mundo dolente,
E falar-lhe com doçura.

Com sua voz e seus actos,
Homens vivem livremente,
Têm pensamentos exactos,
Num encontro excelente.

Falai a Deus com amor
Pró mundo conhecer Deus.
Ele é bom, encantador,
Sup'rior aos reinos Seus!

Modesto

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

A LUTA DA VIDA























Genuína a vida, vida coisa séria!
O fim último: o túmulo, não é?
«Sois pó da terra, ao pó voltais»: Miséria!
Não condizente com a alma, não é?

Longa é a tarefa, fugaz o tempo!
Nosso coração, posto forte, valente,
É um campo de batalhas, sofrimento...
Mas a alma é que transforma a gente!

Se é um sonho vazio nossa vida...
Não o será s' a alma for conduzida
Com heroísmo conjugado, submisso.

Cada um conduz seu próprio destino:
Começa nas alegrias de menino!
Cada manhã se propõe um compromisso.

Modesto

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

PÁGINAS DA VIDA

























As páginas da vida são surpresas.
Nelas há momentos de alegria,
Mas há-os também de muitas tristezas
E há mistérios de fantasia.

E há sofrimentos e decepções,
Porque nós não sabemos descobrir,
No livro 'scrito, recomendações
Que mostram o caminho a seguir.

Não percamos nunca a esperança.
A vida deve ser a de criança
Que vive sempre em felicidade.

Viver d' acordo com a fantasia,
Compreendemos melhor a alegria
E vivemos melhor a verdade.

Modesto

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

EXISTÊNCIA SEDENTA

























A vida é confusão e o pensamento
É uma teia confusa e complicada.
Há nuvens, há crepúsculos e há vento...
A minha vida é subtil, mas não tem nada!

E há silêncios... Arco-íris cinzentos!
Estou cada vez mais vago e alheado,
Sem força no olhar, sem grandes movimentos
Que façam observar o céu iluminado!

A vida tem momentos de pouco querer...
Qu'ria tê-la na minha mão. Não pode ser!
E eu vivo acarinhado por mil laços!

Gosto de estar ao sol, admirar a lua,
Ver as estrelas sentado na minha rua...
É vida sofrível,,, Preciso de abraços!

Modesto

sábado, 24 de janeiro de 2015

COISAS DA VIDA

























As coisas não conhecem instinto da flor
Que sabe as sombras do instinto de mim.
As coisas não guardam memórias d' amor,
Mas sabem qu' há belas flores no meu jardim!

Quem conhece os parâmetros d' aventura
Se não a brisa que passa no meu jardim?
Sabem da minha alma a doce ternura,
Se as flores me dão aventuras assim!

Já nem sei qual foi a melhor aventura
Dos tempos vividos em amor no jardim!
Estendem-se os dias da minha secura...
Só a aurora me traz um belo festim!

Passam as nuvens que não sabem su' altura,
Mas eu sei a cor do arco-íris carmim!
Esse sab' o pranto da minha vida dura
E desce das alturas pra dentro de mim!

Estamos num tempo que nem sequer sentimos
Que houve um tempo em que fomos meninos.
Esse tempo foi o tempo em que sorrimos...
Agora é tempo que tempo não medimos!

Modesto

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

QUARTO ANIVERSÁRIO DA MARIANA

























Em tudo, à minha Neta 'stou atento!
Antes, e com tal zelo, sempre... e tanto!
De ti, se encanta mais meu pensamento.
Olho para ti: Beleza e espanto!

Vou viver este dia cada momento
E, por ti, espalharei este meu canto.
Alegria é ver teu contentamento...
Fazes-me feliz com teu doce encanto!

Deus permita que tu sempre me procures,
M' alivies o sofrimento em vida
E gostaria que sempre me amasses.

Qu' eu possa dizer: "Amor da minha vida"!
Não sou imortal... Que sempre me lembrasses...
Durant' a tua vida, que Deus procures.

Modesto

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

FLOR REDENTORA



















Linda flor da serra agreste,
Foi bem cruel a tua sorte:
A do jardim de luz se veste,
Tu, sedenta, 'speras a morte.

Uma bela lição nos deste:
Teu heroísmo rijo, forte!
Amas a quem Tua fé deste
E a beleza do Teu porte!

És flor de símbolos sublimes:
Dás paz e amor a quem erra
E seu passado redimes!

Mas foi grande o Teu suplício!
Teu odor embalsam' a terra
Com aroma do sacrifício!

Modesto

domingo, 18 de janeiro de 2015

CASAS DO CAMPO


















As casas do campo ensolaradas
Lá vivem o seu longuíssimo tempo,
Ornadas de luar nas alvoradas
E claras nuvens levadas p'lo vento.

Perto correm regatos perdidos,
Verdes líquenes e musgos nas margens...
Luz e sombra são sonho esquecido,
Tudo certo como belas paisagens.

Jardins d' orquídeas a açucenas...
Ao alvorecer, vêm passarinhos:
Comem bicharada, limpam as penas,
Levam palhinhas pra fazer seus ninhos.

São aves que Deus fez cantar pra mim!
Casas do campo, suas cercanias...
Quem me dera poder viver assim:
Ver a alvorada nas serranias!...

Modesto

sábado, 17 de janeiro de 2015

CANTA, MEU CORAÇÃO!


















Eu preciso de música que flua
Nas minhas mãos frágeis e nos meus dedos
Com melodia líquida e nua
Que deite fora amargos segredos.

Ah! A antiga vida sã e crua
Me dê canção viva, me dê guarida,
Um sonho febril, um brilho de lua...
Para viver de cabeça erguida!

A melodia pode enfeitiçar
Um coração que vive ao abandono,
Magia calma,respiração pura...

Mansa, azul imensidão do mar
Ampare-me ao ritmo do meu sono
E flutue pra sempre com frescura!

Modesto


sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

OUTRAS FLORES, OUTROS CLIMAS



















Na frágil tranquilidade
Dos gestos, tu me recordas
Uma lírica saudade
De teclados e cordas.

'Stá gravada no ouvido
A canção qu' ainda cantas.
Eu 'stou com canto 'squecido...
E já não temos gargantas!

Cantas árias conhecidas,
Não perturbes teu olhar:
Transfigura melodias,
Imagin' outro cantar!

Oh! Fontes que soluçais
Trovas n´´agua transparente,
Com graça vos transformais
Em calma de sol poente!

Um silêncio comovido
Passa por ti, mas sem ária.
Não ouves sons nos ouvidos:
Música? Antiquária...

Tens boca embevecida
Que chama o meu desejo:
Vida!... Dolente vida!
Um beijo!... Um grande beijo!

Modesto


quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

PASSARINHO TRISTE


















Eu conheço um triste passarinho
Que canta melodias de amor.
Pousa no telhado do meu vizinho
E ouço um esplêndido cantor.

Só tenho pena que o pobrezinho
Parece cantar magoada dor.
Canta alto e depois mais baixinho:
Serão sintomas de um sonhador?

Depois cala-se e fica a olhar
Pró céu pintado d' azul infinito...
Sente-se só e volta a cantar.

E, de noite, eu fico a sonhar.
Muito triste, eu acordo aflito:
Bater as asas sem saber voar!...

Modesto

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

INVERNOS FRIOS, CORAÇÃO QUENTE


















Dos meus Invernos, só tenho saudade,
Dos meus Invernos, só tenho lembranças.
Dos sons do fogo, crepitando, arde
A lenha que m' aqueceu em criança.

Dos Invernos, tenho boas lembranças!
'Inda recordo meu coração frio...
Frente à lareira, tinha esperanças
De ver meu amor próximo, com brio!

Desses Invernos, tenho a certeza
Do branco congelar ardentemente!
Tudo era branco na Natureza,
Vermelho amor puro e ardente!

Tinh' agasalhado o coração,
Mas via passar alguém solitário
Que deixava em mim quente paixão:
Poema Primaveril solidário!

Modesto

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

CRUELDADE





















Sê sábia, dor! Mantém-te quieta.
Reclamo e ei-la que vai descendo.
Ares, sombras... tudo se projecta,
Vai vindo paz... Angústias tecendo!

Eu sou mortal. Mas esta dor abjecta
É flagelo atroz e sem virtude.
Faz-me servil! Teimosa, repleta
De tormentos... Há 'inda juventude!

Deixas perdidos os anos passados,
Sabes usar vestidos antiquados,
Apareces sempre com ar doente.

Mas encontras o Sol e vida branda!
Ouve, manha dor: Há aqui quem manda...
Guard' o sudário no Oriente!

Modesto

domingo, 11 de janeiro de 2015

FLOCOS DE NEVE





















Nossas lembranças são flocos de neve,
Molhando-nos em tardes de verão.
É o tempo que nos castiga leve
E afaga o nosso coração.

É branca tod' a vida que passou,
Foi perdendo calor pelo caminho!
Tudo o que se viveu acabou...
A gente chegou aqui... 'stá sozinho!

Mas, há seiva viva pra muitos anos!
Enganamos todos os desenganos
E flocos de neve irão caindo.

Corpo e espírito de criança
Convidam a caminhar na esp'rança...
Cai neve na alma... Vai-se sentindo!

Modesto

sábado, 10 de janeiro de 2015

SILHUETAS DO ENTARDECER
















Inflama-se o poente,
Trazendo-nos bom perfume,
Deixa coração doente,
Com saudades do costume.

Vento de aquecimento,
Arrastado e dolente,
Leva-nos o pensamento
A lembrar amor ardente!

A tarde vai lentamente
Deixando-nos ansiosos:
Foge a estrela luzente,
Ficam escuros medrosos.

Vamos ficar na penumbra,
Lusco-fusco - consciência:
O seu exame retumba
No ser em reminiscência!

O entardecer no mundo
Deixa ver as silhuetas
Dum viver pouco profundo...
As saudades? São só tretas!

Modesto

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

FLORIDOS DESEJOS



















Vem por entre os floridos desejos
O raio das auras do sol poente,
Pousa sobre as flores os seus beijos,
Fecunda a flor para dar semente.

Amorosa melodia gemente
Dos passarinhos no seu pedestal...
É canção melódica que se sente,
Nesta paisagem bela de coral.

O sol abriga-se no horizonte
E as rãs coaxam junto à fonte
A sua melodia de saudade...

O sol ancora dourado no mar:
É a hora de pensar em amar,
Com apelos a gritar mais bondade.

Modesto

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

AMIGA FLOR




















Bela flor, minha amiga do peito,
Vem-me consolar na dor, bela flor!
Tem compaixão, embeleza com jeito,
S' o coração chora, dá-lhe amor!

Amizade terá sempre amor puro
E é de muito cedo que floresce.
Floresce num coração já maduro,
Se 'stá com Deus, no amor permanece.

Consola a dor, com tu' amizade,
No Celeiro Divino, bela flor,
Regada com orações de amor.

Semeia, em mim, a felicidade.
Protege-m' até à eternidade.
Of'rece teu ombro, amiga flor!

Modesto

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

MELANCOLIA

























À volta da era preta,
Cada movimento teu
O meu sentido desperta,
Vigilante com' o céu!

O ar é muito suave!
Há receio! O que é?
Voa, junto, uma ave
Que quer pousar no teu pé!

Eu vou falando sozinho,
Encostado ao pinheiro.
Os ramos do azevinho
Afagam-m' a dor 'spinheiro!

Modesto

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

TEMPO FRIO

























O sol é frio, amor!
Chão coberto de coral:
Geada branca é cor
Da nossa vida... igual!

À rosa adamascada
A tua face iguala,
Fragrância delicada
Que o ar, hoje, exala.

Teu sorriso se passeia
Na neve que vai caindo,
Com' encanto de sereia...
Pareces anjos sorrindo!

É lindo ver-te sorrir
Aos grâozinhos  prateados!
Vê-se no céu reflectir
Teu sorriso adorado.

Cai neve no meu olhar!
Meus olhos choram, por fim...
Há forte dor a rondar
Que me faz sofrer assim...

Modesto

domingo, 4 de janeiro de 2015

EPIFANIA



















Chegam ao portal dos maiores
Melchior, Gaspar, Baltazar,
Oferecem seus esplendores
Ao Menino: Pró adorar!

Mas... Não perece Deus nem Rei!
Não é sumptuoso nem rico!
Deus chama Su' Humana Grei,
Pastores fazem bailarico!

O céu estrelado gravita
Sobre Belém - o tal portal -
E, aos homens, Jesus incita:
Vivei união fraternal.

Deus veio de nova maneira:
Família do Carpinteiro,
Que sabe trabalhar madeira,
É humilde e verdadeiro!

Junto ao burro e ao boi,
A criatura desvalida...
No silêncio cresceu, foi
Caminho, Verdade e Vida!

Modesto


sábado, 3 de janeiro de 2015

SANTÍSSIMO NOME DE JESUS




















É inefável o Nome de Jesus,
Redentor da Humanidade!
Todavia, morreu, por mim, na Cruz...
Hoje celebro-O com solenidade.
Ele é a consolação da minha pobreza!
Minh' alma alegra-se com a Sua riqueza!
Invoco Seu Nome: Foge suplício e aspereza,
Tornando-se em doces delícias e beleza!
Às vezes, mergulho no negrume da tristeza,
Porque sou açoitado por violentas tempestades,
Ribombam terríveis ansiedades...
Mas, invoco Jesus e calam-se as calamidades!
N'Ele encontro a esperança e o perdão
E peço a Sua indulgência
Para não cair na indigência.
Fazei, Jesus, que aumente a devoção,
Consolai meu coração
E dai-me a graça da salvação.

Modesto