quinta-feira, 31 de agosto de 2017

A CAMINHO DO OUTONO

























A caminho do ocaso, sem temer
Trocar o rumo entre folhagens mortas,
Busc' o infinito pra m' abrir a porta,
Entrar num renovado alvorecer.

Tremulina a luz a resplandecer
Numa tarde calma que me reconforta,
Ouço a voz do silêncio que m' exorta
A ir em frente: - Nunca desfalecer!

E eu sigo, sigo sempre sem paragem,
Com cabelos brancos a voar ao vento,
Na alma um secreto contentamento.

Tanto que andei! Que longo o caminho!
E eu expectante, sempre com carinho
No que vier, até ao fim da viagem.

Modesto

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

COMO SÃO OS SONETOS...

















Os sonetos são poemas
Comprimidos, apertados.
Sejam quais forem os temas
Em versos já pré contados.

São catorze, nem mais um!
Duas quadras, dois tercetos.
Se sobra ou falta um,
Nunca podem ser sonetos.

Na métrica e na rima,
No conceito qu' os anima,
Devem ser claros, correctos.

No final, a chave d' ouro
Que será como tesouro
A rematar os sonetos!

Modesto

terça-feira, 29 de agosto de 2017

O BOM AMIGO

























A força da verdadeira amizade
Que vem daqueles amigos legais
E, além das fronteiras da cidade,
Vão vencendo distâncias, são leais!

E a fonte da amizade sincera,
Poderá estar nos amigos reais...
A esperança enche a atmosfera,
Torna presente amigos virtuais.

A amizade, vencendo o espaço,
Une-nos com um grande e forte laço
D' alegria a cada sinal amigo.

Quando a tristeza te quer apanhar,
No bom amigo poderás confiar...
Se é verdadeiro, 'stá sempre contigo!

Modesto

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

UMA BELA PAISAGEM



















Vejo nas margens do lago
A diferença que existe
Entre suas águas serenas
E o meu olhar que não resiste.
As flores dançam com o vento
Ao som de cantos maviosos
De pássaros em movimento,
Após dias calorosos.
Que paisagem tão bonita!
Não me canso de a olhar:
O meu coração palpita
Sempre que venho a este lugar!

Modesto

domingo, 27 de agosto de 2017

MUSAS E POESIA




















Todas as manhãs, caio em fantasias:
Que meu coração, sonhando, desenhava...
De cada sonho, fazia poesias,
Paisagens que eu em verso transformava!

Em cada verso, na estrofe havia
Uma musa a provocar meus momentos:
Er' a musa presente, em cada dia,
Sempre a promover novos sentimentos.

Pareciam fantasmas ou feiticeiras,
Flor entre flores, rosas entre roseiras,
Nas brumas das manhãs que trazem o sol!

E, com o romper sereno das auroras,
Douravam o dia e todas as horas,
Logo que brilhavam raios d' arrebol!

Modesto

sábado, 26 de agosto de 2017

VINDE VER A MINHA TERRA



















Vinde à terra da beleza, povos novos!
Vinde, porque nela há sempre um bom mosto,
Sorriso do Deus que faz alegrar os povos,
Quando a doçura lhes deslumbra o rosto.

Belas serras, vales e verdejantes montes
Ond' a flor de belas paisagens deu perfume,
Onde a força das mãos, de lá tirou fontes
Pra refrescar os campos... De Verão são lume!

Vinde, amigos senhores da juventude!
Encontrareis, aqui, o louro da virtude,
A oliveira da paz, o lírio agreste...

As verdes ramadas, os velhos castanheiros...
Debaixo deles há os sonhos verdadeiros,
A cuja sombra tereis um dormir celeste!

Modesto

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

RESTO DE UM FOGO - UMA FOLHA!



















Era uma folha num galho dum arbusto,
Paisagem verdejante, paraíso vivo!
Mas, de relance, em poucos dias... um susto:
Seu esplendor ficou solo improdutivo!

Uma folha solitária voa, dança...
Quer paisagens novas que tenta encontrar:
Um lago, um rio... Ond' a vista alcança,
Um fio d' água onde a sede saciar...

Não resta um tronco, uma árvore só,
Uma molécula de tez esverdeada,
Uma gota de orvalho, nem uma só!

Com terreno ao léu, deixa-s' ir pla estrada:
Sem sombra, o vazio, extensão de nada...
A folha seca esfarela-se em pó!

Modesto

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

VEM COMIGO PARA A ALDEIA !

















São belas as aldeias, sossegadas
Com aspeto calmo e pastoril,
'stendidas plas colinas azuladas,
Mais frescas que as manhãs de Abril!

Alegram as paisagens as crianças
Cheias de murmúrio, como ninhos:
Elevam-nos às coisas simples, mansas,
Como as velas brancas dum moinho.

As tardes amenas, como eu gosto,
Têm um vida activa, sã!
Vê-las à luz brilhante do sol posto,
São belas, como a doce manhã!

Chega a noite, ouvem-se os ralos
Zumbirem suas notas sibilantes,
Misturam-se aos cânticos dos galos,
Ao gri-gri dos grilos, ao cães distantes...

Tudo canta alegre, docemente
Reza-s' as orações do fim do dia
Pra agradecer a Deus o que sente:
Cansaços, dores... Mas doc' alegria!

Modesto

PERDOA-ME, SENHOR














Jesus, eu devia amar-Te tanto
Até me perder na Tua Paixão...
Perdoa meu desvio pelo quanto
mereceu padecer meu coração.

Perdoa-me, ao menos por enquanto,
Meus pecados pareçam ilusão
de morrer, amando-Te, pelo encanto
De viver conhecendo Teu perdão!

Perdoa-me se não Te amei tanto
Em amor perdido no Teu encanto
E esquece todo o mal que fiz.

Perdoa-me pela eternidade
O sonho desta vida sem verdade...
Faz com que viva Contigo feliz.

Modesto

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

AS ESTRELAS
















Lá, nas celestes regiões distantes,
No fundo melancólico da ' sfera,
Amor, eis as estrelas palpitantes,
Nos caminhos d´eterna Primavera!

Quantos mistérios andam errantes,
Quantas almas em busca de quimera...
Soluçam nos altos céus radiantes
Com as estrelas, numa paz austera!

Finas flores de pétalas de prata
Das estrelas serenas se desata
Tod' o caudal das ilusões insanas...

Quem sabe, se nos tempos esquecidos,
As estrelas não eram ais perdidos
Das primitivas legiões humanas?!

domingo, 6 de agosto de 2017

PORQUÊ A IMPERFEIÇÃO?













Dessas nebulosas em que te emaranhas,
Levanta-te, alma, e diz-me, afinal,
A significação dessas nobres montanhas
Qual é, na Natureza Espiritual?

Quem é que não vê, nas graníticas entranhas,
A subjectividade ascensional
Em que se ergue em cumíadas tamanhas,
Paralisado e estrangulado o mal?

Ah! Nesse anelo trágico de altura,
Porque estão as montanhas por ventura,
Estacionadas e íngremes assim?!

Por um grande abortamento da mecânica,
A representar, ainda, a inorgânica
Do bem que não se aperfeiçoou em mim!

Modesto

sábado, 5 de agosto de 2017

ILUSÃO E SONHO


















S' a vida é ilusão, também a alvura
Do amanhecer que aponta com luz mansa
A rasgar as sombras duma noite escura,
É uma ilusão vestida d' esperança!

A aurora rosada no astral perdura
Por tempo breve de ilusória dança,
A alternar os roxos véus de seda pura,
Enquanto o cálido sol no céu avança!

Gosto d' ilusão, d' amor, do sonho, do belo...
Que se tornam o meu viver - eu me revelo -
Já qu' o mundo se empenha em ser tristonho!

Do oceano das quimeras, não me esquivo!
Mas, porque sonho é que eu ainda vivo.
Sei que me iludo porque ainda sonho!

Modesto

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

MEU EU CHORA NA MADRUGADA





















Tenho sonhos cruéis, alma doente,
Sinto vago receio prematuro.
'Stou cheio de saudades no presente,
Vou, com medo, sonhando o futuro!

Saudades do meu eu que eu procuro
No peito conhecer. E, rudemente,
Cubro meu coração c' um véu escuro,
E vou encontrá-lo, lá no poente!

Meu ser tem ânsia de harmonia,
Como luz raiada que m' alumia...
Sou dos que querem ter o céu agora!

Sem harmonia, meu ser é um nada,
Um sol que aspira à madrugada...
E é na madrugada qu' o eu chora!

Modesto

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

CANSADO DE POETAR


















Farto dos meus versos, tenho andado!
Faço poemas para que me entendam.
Eu sei que meu verso é extremado:
É feito para que o compreendam!

Sei que o lirismo tem que ser julgado:
Lendo meus poemas, não s' arrependam!
O amor  com desamor é condenado...
Oh! Quantos mistérios se desvendam!

Grito mágoas, só o luar m' escuta!
Minha alma é por amor que luta,
Meus versos enfermam de tanta lida...

Cada verso é fado sem destino,
É pólen de amor que vai sem tino...
Meus poemas dão sentido à vida!

Modesto

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

NOITE DO MEU CANTO

















Quem foi que fez a noite do meu canto?
Foi o pastor que toca ocarina
Com muitos sons vibrantes como pranto,
Partitura agônica ferina!

A que hora exacta principia?
No labirinto negro? Raio d' hora!
Será na noite quando já é dia?
Já aparec' o raio da aurora!

Há-de sangrar inversa tessitura
A reflectir a dor de tant' agrura
Do rubro poente que traz ferida,

Nesses perdidos traços da ternura
Forjados em forma de escritura
Na amplidão da noite desmedida!

Modesto

terça-feira, 1 de agosto de 2017

HÁ VIDAS...

























A vida é doce, de leves plumas
Das aves que passam pelas janelas,
Como algo que flutua nas 'spumas
Do mar, quando alguém se deita nelas.

Tem raios de luz, ondas luminosas,
Mostra-se como seda das libélulas...
Também tem espinhos como as rosas,
Suavizada pela ternura delas.

A vida é leve quand' é sensível,
Com aroma de amor imperecível
Tão livre que ao imortal se junta.

Gostoso como polpa das maçãs,
Nos húmidos orvalhos das manhãs
Tão luminosas que não morrem nunca!

Modesto

ORIENTA-ME, ESTRELA DA MANHÃ !

Eu te procuro, doce estrela a manhã Que no lusco-fusco d' aurora 'stá desperta, Por vezes, no meio de nuvens c...