terça-feira, 25 de setembro de 2012

AQUI NADA HÁ DE NOVO












Se nada há de novo, é tudo o que há...
Já antes era como agora é,
Só ilusão! A Criação será:
Criar o já criado que já é?!

Mostrai-me sobre um livro antigo
Como quinhentas translações astrais,
A tua imagem, na inscrição, no abrigo
do espírito em seus signos iniciais...

Se eu soubesse o que diria o velho mundo
Deste milagre que é a tua forma:
Ou te viram melhor, ou me confundo,

Se as translações seguem a mesma norma.
Mas disto estou seguro: Antigos textos
Louvaram mais com bem menos pretextos.

Modesto

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

A VERDADE DO ESPELHO

















O tempo passou tão depressa!
Hoje, olhando-me ao espelho,
Vejo alguma rugas
E muito cabelo branco.
Até agora, culpava o  gene
Por estes estragos no meu corpo
E pelos estragos maiores na minha alma.
Mas, hoje o espelho me revela a verdade:
Minhas dores não são culpa de ninguém,
Apenas dores que trago no peito
Pela ausência de alguém perfeito
Que perdi com uma parte de mim.
E... andei perdido!
Culpava as minhas dores...
Hoje vi no espelho que é hora de parar:
Amanhã não vou acordar com os mesmos pesadelos,
Amanhã eu quero sonhar,
E as minhas dores, para sempre as matar,
Porque são somente minhas
E a vida doutros andam a estragar.
O espelho ensinou-me a dura realidade,
Devo aprender a andar com a minha verdade.
Hoje vou deixar a minha alma em paz,
Não volto mais a fazer como se faz...
E, em liberdade,
Vou ser feliz!

Modesto

domingo, 16 de setembro de 2012

AURORA DE FANTASIA


















Voa, meu amor,
Com a força do meu coração
Que esta força te conduz
Ao brilho do rubor,
Vai furar a escuridão
E a noite esconder a luz...
O sol do amor vai brilhar
Clarear o teu caminho,
Acender o teu olhar.
Vai! Não te percas no caminho,               
Vai onde mora a aurora
Que esconde um lindo dia
E antes de vires embora,
Traz-me esse grande amor,
Colhe a mais bela flor
Que alguém já viu nascer
E não t'esqueças de trazer
A força e a magia,
O sonho, a fantasia
 E a alegria de viver.

Modesto

sábado, 15 de setembro de 2012

VERGONHOSO BURLÃO


















 À beira do caos por razões do mercado,
Estás longe da Terra que te deu o berço...
Sugaste até à alma, ficou um trocado.
Deixaste-a a valer menos dum terço!

Nua como o devedor de Pelourinho,
Sofre a Terra com que devias falar,
À pobreza condenada, pobrezinho
Povo que te deveria enforcar!

Os que tiveram força pra te derrubar
O Grande País lhe chama abençoado!
Foste tolerado para governar...
Ao contrário: ficaste governado!

Os Sósias 'inda  fazem Procissão   
                                                             
A entesourar Fundações com o ouro.
E havia tanto ao cair da Nação!...
Esta Corja diz lhes ser dado p'lo Tesouro!?

Os deuses amaldiçoaram em coro,
O que tens e qu'a tua vaidade sente...
Não queres ir, agora, pra  Nino de coro?
Metamorfose que te fica lindamente!

Modesto

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

CABELO AO VENTO

 
Tudo o que pertence ao vento
Vai passar!
Só não passará quem o vir passar!
 - Não te pertenço,
Rapaz a desabrochar:
Não tenho corpo que sente
Nem uma mente que invente...
 - És a viagem que me vai levar
E que tento controlar.
 - Eu viajo sem saber
Os caminhos que vou percorrer...
Vejo-me a viver e a passar
No tempo que me fará chegar,
Onde? Onde vou morrer!
 - Não tens assento
Nem pra descansar?
Partirei contigo,
Se a tua força me deixar:
Falarei contigo
Conhecerei os teus segredos
E... posso-te ajudar!
Mas tens que me carregar
Nos teus braços de vento,
Com o meu cabelo ao vento!

Modesto

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

NASCESTE PARA MIM




















Tenho uma confissão a fazer
Às fadas e a ti:
Que o mundo quis-me receber,
Ficando com o melhor de mim!
Criança que nasceu ao luar,
Num sítio perdido em mim,
Sempre com sonhos, sempre com luzes,
De que queria ser diferente,
Diferente dos diferentes...
E, ao crescer comecei a sonhar                                                 
A sonhar contigo...
Sem imagem, sem vida, sem pintura:
Lá estavas tu!...
E a criança cresceu,
Romântica, apaixonada,
Por uma saga de Romeu e Julieta,
Desenhadas para mim,
Num lustro de marfim
E amor sem fim!...
Mas a vida quis mudar o meu caminho,
Destruir o trovador,
Colocar uma pedra no poeta
E perdê-lo pela vida.
E... um dia morri e voltei a morrer
Para renascer e ser diferente...
Perdi-me para me eternizar.
E o coração começou a pensar
Na verdade de um amor
E sonhou...                                                                  
Que se pode ser trovador,
Numa vida de dor
de sagas escritas,
de sagas vividas,
Numa vida de procuras...
Andar pelos cantos do mundo,
Andar pelos sonhos do mundo
A declamar o meu sonho,
A declamar o sonho de Romeu
E fazê-lo teu e meu,
Meu e teu,
Nosso e vosso,
Vosso e nosso,
Até que as escritas perdidas,
Que vou colocando nas entrelinhas,
Possam escrever sagas sem fim,
No coração daquela que nasceu para mim!

Modesto

                                                                                           
                                                                                                   

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

PRECE POÉTICA























Senhor, dai-me a poesia...
Sem ela as cores afastam-se,
A vida na terra é tão fria...
E o coração já duvida,
O tempo tornou-se em nada,
A alma cala-se, sombria,
E o fio perde-se na espada!

Senhor, concede-me a calma
Por trás do vibrar da matéria.
Ensina-me como a alma
Destoa ao pulsar da artéria,
Mas toma, no ar, vosso pulso,
Vê Vossas pegadas, no espaço,
Estáveis, mesmo que etéreas!

Senhor, ofertai-me a confiança
Que alenta os que marcham sem medo,
Que os sonhos nos soprem segredos
E as dores despertem lembranças.
Que as ânsias por perdas ou ganhos,
Estranhos a quem nada espera,
Não expulsem as reais esperanças!

Senhor, qu'abunde em mim a graça
De mais não pedir, só entrega:
Do Sonho, que à terra se nega,
Do Amor, que a terra ultrapassa,
Da Alma, que da Vossa, é parte,
Da Voz, que espera ser ponte,
À voz que se expressa na Arte!

Modesto

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

BENDITA AURORA


















Aurora, hora cinzenta, áurea hora,
Momento de encontro com Deus.
Transborda sobra a Natureza
Um plasma Divino, cinzento,
Que preenche a cada momento,
Os seres, quais recipientes p'los céus.
Neste contraste entre escuridão e luz,
Em que se sente estar vivendo um sonho,
Posso saber aonde este sonho conduz.
Os homens erram ao pensar
Que o Sangue de Jesus se derramou
Um só dia sobre a Terra,
Pois ele se derrama em todas as auroras,
Sem alcançar, por hora,
Os homens despertar.
Que são os homens , senão somente nomes,
Que se dá a gotas de aurora
Isoladas e esquecidas, agora,
Da fonte comum que lhes deu vida?
Gotas são partes do Deus que se derrama,
Aprisionadas no tempo e no espaço.
Episódios deste Deus a quem se ama
E a quem se busca rastrear, pelo Seu passo.
Querer ser gota faz que inevitavelmente
despedacemos Deus.
Podemos vê-Lo, aos pedaços, pelas ruas,
Perplexo, perdido, a esmo,
Com saudades de Si mesmo,
Da Totalidade!
Senhor, esse plasma misterioso,
Prisioneiro da gota que sou,
Vem ao Teu encontro sempre, a cada aurora.
Sonha ser célula de um Ser Inteiro e Vivo, onde estou,
E não uma lágrima, entre mil, de um ser que chora!?

Modesto

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

HUMILDADE DE SERVO























Precisas ter alcançado,
Com o coração sem fingimento
O teu grau mais elevado
De viver humildemente.

Enquanto lá não chegares,
Mesmo sendo desprezado,
Pensa que não apanhaste
Dom humilde desejado.

Se fizeres tudo bem
Sem este grau d'humildade,
Ainda não 'starás bem
No caminho da verdade.

Jesus antes de ensinar,
Quis dar-nos esta lição:
Aprendei a imitar
Sou manso de coração.

Quis praticá-lo de verdade,
Humilde sem fingimento,
Desprezando a vaidade
Com tod'o descernimento.

Mergulhou na humildade,
Desprezo e abjecção,
Que pregava a verdade,
Sem mostrar Sua perfeição.

Aniquilou-se a Si
Como condição de servo.
Não fez milagres aqui,
Na Sua terra, 'stvam cegos.

Não apenas se fez servo
Pela Sua Encarnação:
Mas quis ser inútil servo,
Tomou essa condição.

Modesto
                                       

domingo, 2 de setembro de 2012

JESUS, EU CONFIO EM VÓS























Eu estou à tua porta e chamo.
Abre a porta e deixa-Me entrar.
Eu conheço o teu vazio
E quero-o sarar.
Põe a tua carga nos Meus ombros
Eu te aliviarei,
Os teus pesares e angústia,
Eu os tomarei.
Olha, confia em mim:
Meu coração aberto,
Espera por ti.
Mesmo que seja grande o teu pecado
Eu te perdoarei!
Volta a ter o coração puro
E Eu to renovarei:
Eu amo-te como tu és e sempre te amarei.
As Minhas Chagas te sararam
E com Meu Sangue te lavei.
Já foste Meu e Eu sempre te quererei.
Abre a porta
E Eu te derramarei
Toda a Minha Misericórdia
E te consolarei.
 - Entra, Senhor,
Que tudo em mim seja amor!
Que a fé seja amor que crê.
Que a esperança seja amor que espera.
Que a adoração seja amor que se prostra.
Que a oração seja amor que Te encontra.
Que o cansaço seja amor que trabalha.
Que a mortificação seja amor que se imola.
Que somente o Teu amor, ó Deus,
Dirija os meus pensamentos,
As minhas palavras
E as minhas obras:
Entra e fica comigo, Senhor!

Modesto

sábado, 1 de setembro de 2012

HOJE NÃO FALEI DE ROSAS
















O poeta hoje em dia
Esquece-se
De fazer poesia,
Mas aquece-se
Com a melodia!
O que a vida lhe oferece, ele vê,
Enxerga o que o outro não vê...
 - Ah, poeta maluco
Eu o escuto:
Que tem a dizer
Do que é o ser?
 - É a vida,
Minha querida!
Quando parece escurecer,
Já está a chegar outro dia,
Pra tudo de novo ocorrer!
Já pensou como seria
Tão fria a ilusão
De tudo o que se quisesse
imediatamente viesse
Parar à nossa mão?
Desculpe se tenho pressa,
Nem tudo o que digo interessa.
Não pense que eu gosto disso,
Pior que um mago sem feitiço,
como um poeta sem prosa:
Eis um poema sem falar em rosa!

Modesto

ORIENTA-ME, ESTRELA DA MANHÃ !

Eu te procuro, doce estrela a manhã Que no lusco-fusco d' aurora 'stá desperta, Por vezes, no meio de nuvens c...