terça-feira, 31 de outubro de 2017

A LUA CHEIA




















No meio das loiríssimas searas
Cai a noite taciturna e fria.
Das infinitas perspetivas claras
Cessou no 'spaço límpid' harmonia.

As estrelas, no céu, puras e raras,
Como um cristal límpido radia
Cofre ideal de pedrarias caras,
Abrem a noite, na nudez sombria.

Mas uma luz, aos poucos, vai subindo
Do largo mar ao firmament' abrindo
Largo clarão em flocos d' escomilha.

Vai subindo ágil no firmamento
Branca e doce, belo momento,
 A lua cheia, pelos campos brilha!

Modesto

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

SONETO A PORTUGAL















Nosso maravilhoso Portugal,
A paisagem perfeita qu' o compõe,
Tud' o qu' ele tem é especial,
Muita felicidade nos propõe!

Portugal, País cheio de riqueza,
Em cada Distrito é diferente
E cada um tem a sua beleza,
Óptimos corações da nossa gente!

Várias aves mostram seu encanto,
Pra nos alegrar espalham seu canto...
Há variedade de animais!

Belas paisagens para admirar
Qu' enfeitam este deslumbrante lar...
Jardim tão belo não se viu jamais!

Modesto


domingo, 29 de outubro de 2017

VIVER EM LIBERDADE















Manhã colorida, etéreo manto
Que do sol brota, lúcidos folgores!
Vou cantando pla estrada, enquanto
Riem crianças, desabrocham flores!

Quero viver! Há quanto tempo, quanto!
Não venho ouvir, na selva trovadores!
Quero ouvir este consolo santo
De quem, na vida, esqueceu as dores!

Ouve, minh' alma, que prazer os ninhos!
Com' é suave a voz dos passarinhos,
Neste tranquilo, sereno deserto!

As vozes da Natureza em festa
Cantam hinos d' alegria honesta...
E canta o meu coração liberto!

Modesto

sábado, 28 de outubro de 2017

O AMOR QUE MUDOU O MUNDO



















Jesus morreu, ó tristes criaturas!
Matéria com' a vossa, morreu.
Gelou o oceano das ternuras,
Quando a noite sepulcral desceu!

Nenhum sol de irradiações puras
Subiu tão alto, tanto resplendeu!
D' humanidade todas as torturas
Ninguém, como Ele, as recebeu!

Morreu, sim, mas Deus O Ressuscitou!
Limpo de sangu' e lágrimas ficou
Dos Seus olhos tranquilos, virginais!

Dons inefáveis, corações piedosos!
Tinham d' abrir-se muito dolorosos,
Pois também chora, quando vós chorais!

Modesto

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

POETA E FILÓSOFO




















A poesia ama o feio, o belo,
Filosofia gosta de sabedoria.
Poesia é um verdadeiro castelo,
Filosofia é Verdade deduzida.

No poeta e filósofo há um elo
Aberto prá entrada de filosofia.
Poesia é amor do saber singelo,
Filosofia é Verdade que nos guia.

Poeta e filósofo são como irmãos
Que morrem na caverna por inamiçãos,
Tão unidos que não vive um sem o outro.

Esfer' análoga e distinta - irmãs:
Filosofia "poesia" as manhãs,
Transcendem-se no pensamento um do outro.

Modesto

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

AMOR COM CARINHO





















Hoje, apenas te quero dizer
Aquilo que sent' o meu coração.
Mas, meu amor, não tentes entender
A minha louca e grande paixão...

Assim com' é o sol e seu clarão,
E com' é a lua e seu luzir,
Tu és o meu amor e devoção,
Tu és o meu amor, no existir.

Levo-te ao colo, na caminhada,
Rosa aberta pela madrugada,
Tu és, pra mim, plena felicidade!

Nas noites escuras, tu és meu ninho
Porque me enches com o teu carinho,
Pra vivermos num céu de claridade!

Modesto

terça-feira, 24 de outubro de 2017

DELÍRIO AO PIANO



















A tecla, mais doce que um carinho
Do meu piano ebúrnio, soluçava.
Era como ouvir um sol mansinho,
Em cada nota que nele vibrava.

Parecia música do arminho,
Perfume do lírio que cantava
Uma canção dulcíssima baixinho,
Estrela d' alva nos céu entoava.

Diferente meu piano, ouvia
Os belos fluídos de harmonia
Linda, serena, amorosa, nua...

Como visões olímpicas do Reno,
Cantando um delicioso treno
Vago, dolente... Como tons de lua!

Modesto

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

O CORAÇÃO DO SER HUMANO

























O coração de todo o ser humano
Foi concebido para ter piedade,
Pra ser doce no eterno desengano,
Para olhar e sentir com caridade!

Na vida, em cada rude oceano
Ser arrojado, ant' a imensidade
Ser consolo com afecto soberano,
Tábua de salvação, de suavidade.

Assim, quem não tem um coração profundo,
É como não querer ver a dor do mundo,
É ser um inútil nos amargos trilhos...

O meu SER deve ser compadecido,
Saber ouvir um soluço comovido...
É como sentir o amor aos meus filhos!

Modesto                                 

domingo, 22 de outubro de 2017

O CÉPTICO TAMBÉM PENSA...


















Deus há muito desceu no Ocidente,
Lá, por trás dos montes de rosa tingidos...
O céptico vê o qu' ante si se 'stende
E, sofrendo, fecha seus olhos doridos!

Pela noite, o rio silente desce,
Oculto no escuro voa o morcego.
É na escuridão que seu medo cresce,
De noite, sua alma não tem sossego!

Odeia a noite qu' a si s' assemelha,
Só que em si não há astro nem centelha,
Dispersa, nas nuvens, a alma e mente...

Como a noite, no seu manto sombrio,
Calado, escondido... Tudo é frio,
Cheio de dúvidas e delas temente!

Modesto

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

TRAZER O "SER" LIBERTO


















Da gota d' água dum carinho agreste
Geram-se os oceanos da bondade.
O coração qu' é livre e bom reveste
Todo o encanto, simples majestade!

Ascender para a Luz e ser celeste,
Sente novos astros na imensidade
Da alma, fica nessa única veste
Da Divina e serena claridade!

O qu' é consolador e o qu' é supremo
Cad' alma encontra caminho extremo,
Quando ating' as estrelas da pureza:

Só precisa de trazer o SER liberto
De tudo e transformar cada deserto
Nesse sonho virginal da Natureza!

Modesto

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

INCÊNDIO VELOZ



















Corre mais que um atleta, mais depressa
E corre tão depressa como o vento...
Atrás de si, fica a treva espessa:
O tenebroso véu do esquecimento!

Eu não conheço corrida como essa
Que destrói tudo o que vê no momento,
Corre e não pára de correr, não cessa,
Corre mais do que a luz do pensamento!

E são corridas loucas essas corridas
Que, furiosas, levam consigo vidas...
Mais veloz qu' as notícias infernais!

Corre mais fatalmente que a sorte,
Deixa a desgraça e leva a morte...
Eu não quero qu' haja incêndios mais!

Modesto

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

VENDO-NOS AO ESPELHO

























O espelho não me diz que envelheço,
Enquanto andar junto da mocidade.
Mas as rugas vêem meu rosto impresso...
Já sei qu' o fim da minha vida m' invade!

Mas toda esta beleza que te veste
Vem do meu coração, qu' é o teu espelho.
O meu vive em ti, o teu mo deste...
Por isso. como posso eu ser tão velho?

Portanto, meu amor, tem de ti cuidado,
Pois eu levo teu coração devotado,
Não por mim, mas foi por ti que o tirei.

Nem penses que ao morrer eu to devolvo:
Deste-mo para sempre, eu o envolvo...
Tu ficas de guarda ao que te dei!

Modesto

terça-feira, 17 de outubro de 2017

SONETO BEM CRIADO



















Nestas linhas mal traçadas,
Há um soneto partido
E mágoas anunciadas:
Ouve-se long' o gemido.

Nas linhas, há alarido
E dores acumuladas.
Fica assim diluído
Pelas ilusões criadas.

São perdidos e achados,
Das saudades derivados,
Num poema tão sofrido.

Perdido na rima, f'rido
De amor ao bem unido
Com sonetos bem criados.

Modesto

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

PARTI PELA MADRUGADA

















Saí muito cedo, pla madrugada
Clara,serena,orvalhada, fresca.
Encontrei menina, cara rosada,
Com aspecto de mulher cegonhesca.

Seguimos adiante pla estrada
Poeirenta, alegre, pitoresca.
A Natureza, pouco acordada,
Era fresca com luz madrigalesca.

Depois, ao fim de algum tempo, quando
Começamos a rir cantarolando,
Lá chegamos ao termo da viagem!

Mas, oh! Sem saber estarmos a onde,
O sol radioso como um conde,
Vem mostrar-nos uma bela paisagem!

Modesto

domingo, 15 de outubro de 2017

COMO ESTRELA DA MANHÃ



















Eu vi a minh' alma naquele sol
Da minha vida aberta em flor.
Mais que Aurora no eu-arrebol,
Não coube nos meus olhos o 'splendor!

Vi meu futuro nascer noutro sol.
Era a lua num mundo sem cor...
Ia plo 'spaço à luz dum farol,
Aos olhos de Deus - o meu Criador.

Vi os meus dias, andando nos astros,
A claridade seguia meus rastos...
E prendeu-se na poeira do nada!

No céu azul, som de clarins e banjos,
Conheço quem sou no meio dos Anjos:
- Uma 'strela no céu da madrugada!

Modesto

sábado, 14 de outubro de 2017

RETROSPECTIVAS















Eu recordo-me de já ter vivido,
Mudo e só, por límpidas esferas,
Com vago aroma indefinido
E no meio de velhas primaveras!

Eram regiões de brando gemido,
Aonde viviam almas austeras,
Num 'stranho sentimento comovido...
Viviam como trémulas quimeras!

As estrelas longínquas e veladas
Recordavam-me belas madrugadas
Num clarão muito leve de saudade!

Recordo-me dos imaginativos
Luares liriais contemplativos...
E já vivia na eternidade!

Modesto

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

SONHOS JUVENIS



















Sai a primeira pomba despertada,
Sai outra, mais outra... enfim, dezenas!
Quando raia a fresca madrugada,
Vão-se as pombas dos pombais, apenas.

À tarde, já na rígida nortada,
Aos pombais, de novo , voltam serenas.
Voltam em bandos e em revoada,
Afiam as asas frias, a penas.

Também os corações ond' abotoam
Os sonhos, um por um. céleres voam,
Como voam os pombos dos pombais.

No azul da juventud' asas  soltam,
Mas , aos pombais, as pombinhas não voltam...
Aos corações deles não voltam mais!

Modesto

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

NÃO TENS AMOR MAIOR





















Tu não és uma Sereia,
Mas perdi-me no teu mar!
Serás, talvez, uma fada...
Soubeste-me encantar!

Tu és a minha rainha,
Governas meu coração!
E, não sendo fantasia,
Deixas-me na ilusão.

Tu, não sendo nenhum filme,
Até hoje me comoveste!
Desd' o primeiro olhar,
Minha alma submeteste!

Serás sempre a Princesa
Do meu devoto amor!
E, enquanto eu viver,
Não terás amor maior!

Modesto

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

COM BRILHO E COM ALMA



















Um soneto nunca sai de afogadilho
Da mente 'sperta ou do bico da caneta,
Quer o inspire o terno olhar dum filho             
Quer o agitar d´asas duma borboleta.

Um soneto perfeito, com alma e com brilho,
Como a luz qu' o sol reflecte num planeta,
É com' uma imposição. com um rastilho
Qu' incendeia, queim' o coração do poeta.

Arrumar em 'spaço exíguo, diminuto,
Um punhado de conceitos e emoções...
É poema dif'rente, nunca feit' ao calha!

Contra muros esquinados dum reduto,
É, por vezes, como andar aos tropeções...
E, no fim, ser o vencedor duma batalha!

Modesto

terça-feira, 10 de outubro de 2017

MATÉRIA E ESSÊNCIA





















Cá estou, mais a vida que me resta,
Carne e ossos são a estrutura
Feita de matéria que não presta,
Pois que, depois de morta, não tem cura.

Tud' o que tenho, a vida m' empresta,
Sorvo a luz e o pão d' amargura.
Viver só no corpo, a vida é festa...
Amanhã, espera-m' a sepultura!

No amor ficam os traços da vida
E espero tê-lo na despedida...
Só no amor 'stá minha existência!

Eis, então, o que resta do meu ser:
A alma que deu luz ao meu viver
Com felicidade - Sublim' essência!

Modesto

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

LINDA FLOR























Indo pla estrada da vida, encontrei
Uma semente no chão já meia pisada.
Levei-a no bolso, no meu jardim plantei,
Fiquei à espera pra ver quando brotava.

Reguei-a, cuidei dela... e por fim brotou:
Folhas verdes que começaram a crescer.
Mais uma espera, a flor desabrochou
Desse botão que começou a florescer.

Era tão grande a flor que dali surgiu,
Diferente, duma beleza sem igual...
Fiquei a olhar pra ela que me sorriu!

Encantadora, verdadeira raridadade!
Disse seu nome que era especial:
- Com prazer te digo, Chamo-me AMIZADE!

Modesto

sábado, 7 de outubro de 2017

QUE EU SAIBA REPARTIR

















Qu' eu faça o bem, de tal modo o faça,
Que ninguém saiba o quanto me custou
Meu Deus, espero de Ti mais esta graça:
Qu' eu seja bom sem parecer que o sou.

Que o pouco que me dás me satisfaça!
E, se do pouco mesmo, algum sobrou,
Qu' eu lev' esta migalha ond' a desgraça,
Inesperadamente, ali chegou.

Que minha mesa, a mais, tenh' um talher,
Para o pobre faminto que vier...
Que seja assim, ó Mãe, Senhora Nossa.

Qu' eu transponha tropeços e embaraços,
Saiba repartir por mim em dois pedaços,
Qu' eu não coma sozinho o pão que possa.

Modesto

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

EM BUSCA DO MEU EU
























Em busca do meu eu, tempos andei,
Noite dentro, adormeci em prece.
E, por muito querer, muito errei,
Porque sabe-se qu' a vid' acontece!

Dilema dum silêncio solitário,
Em deserto d' areia pus meus pés.
E, nostálgico no itinerário,
Procurava prazer, tinha revés!

Voltei-me pró amor e... poetei.
Vários consolos eu encontrei...
A poesia tornou-s' alicerce!

Falei de saudade no meu diário
E trabalhei no meu "EU" arbitrário...
A cada pôr do sol, fiz minha prece!

Modesto

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

NASCESTE, FILIPA !





















Nasceste como sol na minha vida,
Como Anjo da Guarda, meu luar!
Surgiste de Aurora revestida
De brilho raro, de fulgor sem par!

Nasceste dos teus pais, nos bons caminhos,
E só agora posso avistar
Seu roseiral - que mesmo com espinhos,
Os meus olhos se podem deleitar!

E, quase no fim da minha jornada,
Minh' alma vivia na incerteza...
Alegraste a minha caminhada!

Mas tu surgiste na realidade!
E na minha vida há mais beleza,
Mais uma a quem amo de verdade!


Modesto



















quarta-feira, 4 de outubro de 2017

SONHEI UMA VIDA DIFERENTE















Sonhei qu' a vida era diferente,
Cheia de coisas boas, alegria.
A gente andava sempre contente
Havia bondade, sabedoria!

A vida era uma fantasia
Que se via, olhando o momento,
Comungava com todos harmonia:
Os prados, flores e o firmamento.

E, também sonhei com a dignidade:
Aí, só vi mendigos abrigados...
No exercício duma bondade,
Vi-os vestidos e alimentados!

Não era só um mundo de magia:
Lá, havia dor, fome e horror...
A essência da sabedoria
Fez tudo viver na paz e amor!.

Modesto

terça-feira, 3 de outubro de 2017

PROGRESSO AGRESSIVO



















Tão esperto este homem,
Quão malvado ele 'stá,
A golpear nossa fome,
A poluir o que há!

Esquecendo seu passado,
Prejudica descendente!
Viv' "o hoje" descansado,
Não pensa no ambiente!

Não s' importa com a vida,
Tão ilustre habitante!...
Não preserva, faz ferida...
Este sábio pensante!

Sab' usar a sapiência
Pra aumentar a riqueza:
Esquece a consciência,
Não proteg' a Natureza!

Modesto

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

SALVEMOS O PLANETA

























O Sistema que é materialista
Incentiva alcançar prosperidade.
Com a sua ganância consumista,
Qual o preço que pag' a sociedade?

O progresso, no mundo capitalista,
Dá cabo d' equilíbrio existente.
S' ao seu fruto juntarmos um vigarista,
O pulmão do Planeta fica doente!

E o homem explora qualquer parte
Do Planeta! Seja qual for o seu plano.
Até prá lua levou seu estandarte...
E já chegou ao fundo do Oceano!

Mas, vamos juntos salvar a Natureza,
Entender que nem tudo é tão durável,
Proteger a ecologia ilesa
Que é o que hoje não é aceitável!...

Basta uma atitude consciente,
Porque ganância é sua freguesa...
O nosso Planeta já está doente,
Temos que - JUNTOS - salvar a Natureza!

Modesto

domingo, 1 de outubro de 2017

CUIDA DA NATUREZA

















Sim, a Natureza é mãe de todos,
A todos ela trata com cuidado.
Como a mãe ama seus filhos todos
Não gosta de ver nenhum mal tratado.

O homem, filho desobediente
E quantas vezes mal educado,
Não dá primazia ao ambiente...
- O carinho que devia ser dado!

Poluir o ar, contaminar água...
Traz destruição por todo o lado!
Cortar as árvores dá grande mágoa,
Até matam o animal... Coitado!

Começa a Naturez' a amar!
Faz qu' o ambiente seja curado!
Aprend' a preservar e reciclar...
Vais ver que vives melhor, sossegado!

Modesto

ERA UM MUNDO SE DELÍCIAS

Era o brilho nostálgico duma tarde Cor de rosa que havia no infinito, Num mar bravio que causava alarde, Ao fim...