domingo, 22 de abril de 2018

JARDIM SEM FLOR













Na véspera da maturidade,
Um grande amor
Aparece como fruta verde
Não colhida.
É um presente
Em fantasia resplandecente...
Ele bem a via!
O menino do mundo,
Julgando ser senhor,
Com múltiplos erros,
A vida o servia...
Do alvorecer, vem o dia!
Como das antigas manhãs
Nunca amanhecidas
E não vividas
Nem exprimidas...
Sempre escondido
Por detrás do sol,
Em nuvens escuras,
Sem orientação
Nem dores da expiação...
E pergunta, então:
Porquê agora,
Quando vem a aurora,
Ferir-me o coração?
Sua saliva não tem sabor...
O tempo chegou
E ele não notou
Que estava num jardim secreto
Ainda sem flor!

Modesto

sexta-feira, 20 de abril de 2018

O RIBEIRO DE SANDE


















Frescas são as águas do meu ribeiro,
Por entre terras férteis s' alimentam,
Correm suavemente ao soalheiro,
Sem saberem o quanto nos sustentam!

Mansas águas vindas de Montedeiras,
Minha linda Serra, Mãe muit' amada!
És riqueza que a todos prendeias,
Sempre , nos meus versos, serás cantada!

Boas águas - são como um tesouro -
Vosso destino, sabemos qu' é o Douro,
Na bela Foz, onde desaguarão!

Oh! Água do ribeiro de Sande!
Quando vos vejo, m´aquece o sangue,
Pra dar alento ao meu coração!

Modesto

quinta-feira, 19 de abril de 2018

CORRUPÇÃO





















Passa um corrupto por mim. Como sorrir?
Como saudá-lo ao sol, num dia assim,
Como hei-de saber se vais haver provir
E poderei parar para pensar em mim?

Sabemos que há corrupção: Se se fingir
Que ninguém viu nada - mas viu-se sim e sim!
Alguns dirão sim porque não sabem mentir...
Mas nossa vida corre perigo, assim!

Na minha grande ou imensa pequenez,
Assaltam-me tantas perguntas que talvez
Também os outros fazem no dia a dia.

Vejo o meu País num denso nevoeiro!
E, se nada vir, vejo o mundo inteiro
Mergulhar em pobreza e na agonia!

Modesto

quarta-feira, 18 de abril de 2018

POEMA MODERNO II
















A lua quer-me falar
Vou lá para fora escutar...
Passos silenciosos sussurram sobre a neve,
Numa penumbra esbranquiçada...
É a alvura da noite
Enquanto a lua iluminar
O céu pejado de estrelas
Que lançam raios solares,
Como confeitos sobre as cabeças tristes.
São páginas brancas
Que poderão ser escritas com tinta de lágrimas douradas,
Que só o céu consegue ler
E derramar neste mundo incerto.
A incerteza caminha neste ribeiro da vida,
Peregrinando sobre o deserto sem fim
E tatua a sua areia na pele do transeunte
Humilde que se aceita como é.
Mas o olhar fulminante do humilde
É nascente de água fresca
Que brota para dessedentar
Os manso de coração :
Diamantes que o Oleiro salpica com seu barro
E aparece a obra de arte mais bela que o sol
Sobre a lua, num eclipse sem fim.
Mas há uma estrela infindável
Que ilumina as partículas da noite.
E será um dia de santa poesia de paz e amor.

Modesto

terça-feira, 17 de abril de 2018

PRIMAVERA COLORIDA



















É tão doce e colorida a Primavera,
Com suas flores suaves e delicadas
Que deixam boa frescura na atmosfera
E que exalam essências perfumadas!

Que magia é esta qu' agora impera?
Há pássaros mais alegres nas alvoradas!
E, num belo quadro que a gente venera,
Temos caminhos com florinhas encantadas!

Nós sabemos que é de Deus a concepção
De, não só no ar mas também no coração,
O exalar do amor na primeira flor.

Vai fazendo da vida a renovação,
Deixando vida leve par' haver paixão,
Semeando beleza e dando amor.

Modesto

segunda-feira, 16 de abril de 2018

NUVENS NEGRAS SEM LUZ














Que aperto no meu peito!
Agonia - versos presos...
É um sonho imperfeito,
Lacuna entre desejos.

Saudades envelhecidas,
Neste verso rabiscado.
Primaver' entristecida,
Hoje outono - mal-grado!

Lembro incensos d' agrados,
Até me fizeram fados
Dum soneto perdição...

D' alma triste, abatida,
Como pétala ferida,
Com 'spinho no coração...

Modesto

domingo, 15 de abril de 2018

TEMPOS DE DIAS NÃO




















Hoje acordei triste: É dia não!
Sem ânimo ou desejo de lutar...
D' alma parada, imers' em solidão...
Passam as horas, sem nada desejar!

Há um 'spinho qualquer no coração:
Sinto-o e não o sei localizar.
Sem saber se ainda vivo ou não,
Deixo-me andar, enquanto respirar.

Um tempo nulo, tão cinzento e baço
Que nem quero saber quem sou, o que faço,
Se tenho 'inda algo a produzir...

Sou como sombra vaga, indefinida,
Qu' arrasta as horas vivas duma vida,
Sentindo o grande peso d' existir...

Modesto

JARDIM SEM FLOR

Na véspera da maturidade, Um grande amor Aparece como fruta verde Não colhida. É um presente Em fantasia resplandecente.....