domingo, 22 de outubro de 2017

O CÉPTICO TAMBÉM PENSA...


















Deus há muito desceu no Ocidente,
Lá, por trás dos montes de rosa tingidos...
Vejo o mundo que ante mim s' estende
E, sofrendo, fecho meus olhos doridos!

Pela noite, o rio silente desce,
Oculto no escuro voa o morcego.
É na escuridão que meu medo cresce,
De noite, minha alma não tem sossego!

Odeio a noite qu' a mim s' assemelha,
Só que em mim não há astro nem centelha,
Disperso nas nuvens a alma e mente...

Como a noite, no seu manto sombrio,
Calado, escondido... Tudo é frio,
Cheio de dúvidas e delas temente!

Modesto

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

TRAZER O "SER" LIBERTO


















Da gota d' água dum carinho agreste
Geram-se os oceanos da bondade.
O coração qu' é livre e bom reveste
Todo o encanto, simples majestade!

Ascender para a Luz e ser celeste,
Sente novos astros na imensidade
Da alma, fica nessa única veste
Da Divina e serena claridade!

O qu' é consolador e o qu' é supremo
Cad' alma encontra caminho extremo,
Quando ating' as estrelas da pureza:

Só precisa de trazer o SER liberto
De tudo e transformar cada deserto
Nesse sonho virginal da Natureza!

Modesto

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

INCÊNDIO VELOZ



















Corre mais que um atleta, mais depressa
E corre tão depressa como o vento...
Atrás de si, fica a treva espessa:
O tenebroso véu do esquecimento!

Eu não conheço corrida como essa
Que destrói tudo o que vê no momento,
Corre e não pára de correr, não cessa,
Corre mais do que a luz do pensamento!

E são corridas loucas essas corridas
Que, furiosas, levam consigo vidas...
Mais veloz qu' as notícias infernais!

Corre mais fatalmente que a sorte,
Deixa a desgraça e leva a morte...
Eu não quero qu' haja incêndios mais!

Modesto

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

VENDO-NOS AO ESPELHO

























O espelho não me diz que envelheço,
Enquanto andar junto da mocidade.
Mas as rugas vêem meu rosto impresso...
Já sei qu' o fim da minha vida m' invade!

Mas toda esta beleza que te veste
Vem do meu coração, qu' é o teu espelho.
O meu vive em ti, o teu mo deste...
Por isso. como posso eu ser tão velho?

Portanto, meu amor, tem de ti cuidado,
Pois eu levo teu coração devotado,
Não por mim, mas foi por ti que o tirei.

Nem penses que ao morrer eu to devolvo:
Deste-mo para sempre, eu o envolvo...
Tu ficas de guarda ao que te dei!

Modesto

terça-feira, 17 de outubro de 2017

SONETO BEM CRIADO



















Nestas linhas mal traçadas,
Há um soneto partido
E mágoas anunciadas:
Ouve-se long' o gemido.

Nas linhas, há alarido
E dores acumuladas.
Fica assim diluído
Pelas ilusões criadas.

São perdidos e achados,
Das saudades derivados,
Num poema tão sofrido.

Perdido na rima, f'rido
De amor ao bem unido
Com sonetos bem criados.

Modesto

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

PARTI PELA MADRUGADA

















Saí muito cedo, pla madrugada
Clara,serena,orvalhada, fresca.
Encontrei menina, cara rosada,
Com aspecto de mulher cegonhesca.

Seguimos adiante pla estrada
Poeirenta, alegre, pitoresca.
A Natureza, pouco acordada,
Era fresca com luz madrigalesca.

Depois, ao fim de algum tempo, quando
Começamos a rir cantarolando,
Lá chegamos ao termo da viagem!

Mas, oh! Sem saber estarmos a onde,
O sol radioso como um conde,
Vem mostrar-nos uma bela paisagem!

Modesto

domingo, 15 de outubro de 2017

COMO ESTRELA DA MANHÃ



















Eu vi a minh' alma naquele sol
Da minha vida aberta em flor.
Mais que Aurora no eu-arrebol,
Não coube nos meus olhos o 'splendor!

Vi meu futuro nascer noutro sol.
Era a lua num mundo sem cor...
Ia plo 'spaço à luz dum farol,
Aos olhos de Deus - o meu Criador.

Vi os meus dias, andando nos astros,
A claridade seguia meus rastos...
E prendeu-se na poeira do nada!

No céu azul, som de clarins e banjos,
Conheço quem sou no meio dos Anjos:
- Uma 'strela no céu da madrugada!

Modesto

O CÉPTICO TAMBÉM PENSA...

Deus há muito desceu no Ocidente, Lá, por trás dos montes de rosa tingidos... Vejo o mundo que ante mim s' estende ...