sábado, 31 de agosto de 2013

ALEGRIA

















Há alegria no sol que num rompante,
Como uma luz que rompe as entranhas
Da terra - e surge a sombra distante -
Incendeia as belíssimas montanhas!

Alegria no rio que peix'apanhas,
Na noite mansa, com lua e brilhante,
As nuvens no ar tomam formas estranhas,
Com vento irrequieto, inconstante!

Há alegria nas flores e nas aves,
Nos ramos cantam melodias suaves,
E meus olhos vivos reflectem os teus!

E... não há, não, alegria mais completa
Que quando cant'um coração de poeta,
Ao findar um poema, se julga um deus!

Modesto

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

CORAÇÕES ENAMORADOS



















Não sei de que o meu coração é feito,
Só sei qu'ele é intensamente amado,
Como guitarras que vibram no meu peito...
Pois meu coração está enamorado!

Não sei quanto beijo pode ser refeito,
Beijo que ficou presente no passado,
Ou quantos abraços restauram o jeito
Pró meu coração ficar enamorado!

Eu deixei-te um poema na janela
A dizer que a rosa junta é bela,
Que acredites no amor que te diz:

Põe os lençóis com estrelas nos telhados,
Ilumina bem o chão dos namorados,
Que a razão do meu amor te faz feliz.

Modesto

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

VIVA O AZUL



















Uso a palavra azul como quem ousa
Pintar um retângulo que reduzo
Ao símbolo da cor que nele pousa,
Tornado conivente pelo uso.

Azul é o pássaro que se pousa.
À águia que voa, me recuso
A escrever a palavra na lousa...
Ou enterro-a como parafuso?

Pois o azul incide nos meus actos,
O vôo da águia me oprime,
Até me arrefecem os sapatos!

Torno azuis as flores do meu horto.
Pôr-lh' outras cores acharia crime...
Falar em azul, é falar do Porto!

Modesto

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

TARDE DE AGOSTO
























Cai a tarde. É um poente de Agosto!
A sombra cobre as colinas...Que saudade!
O vento parado, tanta suavidade...
E quase me faz chorar, aquele sol-posto!

O ar das montanhas acaricia o rosto
E a paisagem forma uma unidade.
Percorro os vales com olhar de saudade...
O escuro vai fazer-me sentir desgosto!

De repente, o arrebol lembra a infância!
Tudo repousa na montanha à distância
Sob um céu azul-escuro, dir-se-ia...

Numa paisagem espiritualizada,
A Musa desce do alto bem adornada...
Minh'alma sente a mais bela poesia!

Modesto

terça-feira, 27 de agosto de 2013

A INCONSTÂNCIA DESTA VIDA




















Nasce o sol, mas não dura mais que um dia.
Depois da luz, segue-se a noite escura.
E, em tristes sombras, morre a formosura.
Contínua tristeza, pouca alegria!

Porém, se acaba o sol, para que nascera?
Se a luz é formosa, porque não perdura?
Mesmo a beleza: porque se transfigura?
Se não é para durar, porque se fizera?

Mas se ao sol e à luz falta a firmeza,
Se à formosura, não se lhe dá constância...
Não é n'alegria que se sente a tristeza!

Andamos no mundo cheios de ignorância
E gostamos demais dos bens da Natureza...
Não temos firmeza, somente inconstância!

Modesto

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

ENTRELINHAS

















Passeio frases, alegre, ao acaso,
Nos teu olhos doces que me iluminam.
Uso as palavras já fora de prazo,
Só para ver o que elas me ensinam.

Descobri verdades nas entrelinhas,
Palavras certas com sílabas perfeitas,
Pra poder descrever ideias, as minhas,
Com emoções e alegrias bem feitas.

O sol, na janela, me interrompeu,
Num quente sorriso, sua luz me deu
E deixou saudades d'auroras antigas.

O silêncio e solidão sentidos
São como melodias nos meus ouvidos...
Como a voz suave das raparigas.

Modesto

domingo, 25 de agosto de 2013

NADA ME IMPEDIRÁ

















Nem tristeza, nem a desilusão,
Nem incerteza, nem a solidão,
Nada me impedirá de subir.
Nem o medo, mesmo a depressão,
Por mais que sofra o meu coração,
Nada m'impedirá de o abrir.

Nem o desespero, nem a descrença,
Nem o ódio ou alguma ofensa,
Nada me impedirá de viver.
No meio das trevas, entre os espinhos,
Nas tempestades ou nos descaminhos,
Nada me impedirá de eu crer.

Quero ir!... Na certeza de chegar.
Buscar!... Na certeza de alcançar.
Nada me impedirá de vencer.
Se, com o meu errar, for aprendendo
E o meu equilíbrio mantendo...
Realizo os ideais do meu ser.

Modesto

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

FOI SÓ UM SONHO
























Sonhando, eu dizia: Quem me dera
Voltar aos velhos tempos outra vez,
Pra mudar minha vida tão austera,
Concertar o que d'errado se fez.

Alterar meu passado eu quisera,
Neste sonho permanecer de vez:
Quero sorver amor sem mais espera,
Espalhar sorrisos em cada tez.

A minha pretensão vai ficar só
A pensar nesta vida qu'é um nó,
A ver estrelas na imensidão.

Um dia ela vem de madrugada,
A galope em linda cavalgada,
Para me tirar desta solidão.

Modesto

AMAR O PRÓXIMO
























Olhar o outro no olho,
Sentir-lhe a dor, a saudade,
A tristeza, a necessidade,
Dar apoio e incentivo...
É no olhar de cada um que eu recolho
O sentimento do cultivo.

No profundo do meu ser,
Amar o próximo é viver!
A plenitude do amor
É oferecer ao outro o calor
De que sou credor.

Amar é fazer bater
Em uníssono o coração
E, juntos, aprender
A apreciar a imensidão
De Deus e Sua grandeza,
Dar-Lhe graças pela beleza
Que se infiltra no nosso peito.
E se houver depressão,
Levá-lo, arranjar-lhe um leito...

Dar atenção ao próximo, meu irmão,
É dar-lhe do meu tempo um pouco.
E, se aos outros parecer louco,
Analisar a situação:
Pois todos têm coração
E amar é a nossa missão!

Modesto

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

NOITE



















A noite sequestra a claridade,
Vem e impõe-nos a escuridão,
Traz-nos sonhos num manto de saudade,
Abafa soluços... traz mansidão.

A noite aproxima os amantes,
Dá-lhes o fascínio do olhar
Numa poesia de diamantes
Que os faz brincar à luz do luar.

A noite tem fases bem ofuscadas:
Traz seu véu negro nas ruas vazias,
Vem com as tristezas adocicadas...
Ou traz-nos dolorosas alegrias.

Quando vem a noite de solidão,
Misturada de prantos e de canções,
Gozo nos olhos em sofreguidão...
Vida noturna cheia d'ilusão!

Já qu'és tão minha, noite aluarada,
Assombro de beleza e atração,
Guarda meus segredos, lua amada
Porqu'em ti eu busco inspiração!

Modesto

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

LUAR DE AGOSTO
























Reflecte-se bela a Lua no Douro,
Como espelho de água prateada,
Espalha-se no rio em bolinhas d'ouro
Tornando a forte corrente parada!

Ilumina a noite com luz tão alva,
Alheada dos ruídos da cidade...
Vai passando sem mácula nem ressalva
O belo Luar de Agosto de verdade!

E... Deixo entrar a luz pela janela,
Vou ouvindo minha música baixinho,
Invadindo-me da Lua com carinho!

Tão carinhosa não há como é ela:
É a minha Musa presente, tão bela
Com camisa de noite de branco linho!

Modesto

terça-feira, 20 de agosto de 2013

UMA VIDA DE ILUSÃO

















Um dia que na vida passa
Como ave preta... dourada(!)
Vai cantando ou 'stá calada...
Traz felicidade ou desgraça.

O amor qu'é tudo ou nada,
Se cobre sempre d'ameaça:
Lá vai reinar... Depois fracassa
Numa alma apaixonada.

É alegria ou quimera
Que nos leva a longa 'spera
P'la vida de noites e dias!

Falso gozo do coração:
Curtas e fracas alegrias...
Vida que só traz ilusão!

Modesto

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

AMOR PERFEITO




















Toda feita de amor,
Cintila a linda flor
Na verde relva macia.

De tão frágil, é tão bela,
Tem uma força singela:
São as asas desse dia!

É a flor que eu aceito!
Só ela abre meu peito...
Esta flor?! Bela magia!

Modesto

PERDIDO NO NEVOEIRO
















Não fosse a vida imensurável desafio,
Viver só por viver não valeria a pena...
É preciso ouvir e ver o passar do rio,
Entoand'à luz da lua canção amena.

É preciso reinventar cada jardim
E ver o reflorir que tem a Primavera:
Tudo se redefine - princípio e fim -
E já o ciclo da manhã se tornou Era!

Cantando sob o arco-íris canção boa,
Liberto as mágoas em decantação!
Eis qu'é preciso retornar a Quem entoa
A canção melódica do meu coração.

Quantas vezes eu me perdi no nevoeiro,
Vi precipícios e vivi por defeito!
Mas, apesar desse cântico agoireiro,
Um coração ainda vive no meu peito!

Modesto

domingo, 18 de agosto de 2013

TURBULÊNCIA DAS MARÉS















A voz do mar é um clamor de fúria,
De paroxismo, no tombar da água
Com espasmos de amor e luxúria,
Talvez um mito divinal de frágua.

Líquidos tralhas rebentam nos rochedos,
Fazem tremer com ímpeto d'azoto
Os penhascos austeros ou penedos,
Que seu sopé vai ficando roto.

O sol é um áscua, glorioso...
Pastor que guarda os céus deslumbrantes,
Guia branco rebanho milagroso
De magníficas ondas espumantes.

Que queres, Mar? Acaso há rodada,
Contenda no remurmurar sonoro?
Vai, segue a branca e desnudada,
Entre as ondas, Afrodite de ouro!

Essas torturas ásperas supremas,
São novos prodígios e sinais?
Ou queres do azul fundir as gemas
Para os claros olhos imortais?

Modesto

sábado, 17 de agosto de 2013

ESCUTA!...




















Um som tão doce... Um alento tão vera...
Passa por todo o dia acinzentado!
Qual tímido aroma de primavera,
Qual adejar de pássaro assustado!

De hoje para ontem tudo me parece
Distante... próximo do já esquecido:
O teu conto de fadas já não aquece,
Mas o passado abre-se com sentido!

Talvez lá fora esteja um mensageiro,
Chegando cada vez mais junto a mim...
Talvez eu veja de novo o carreiro
Que, antes, me levava ao meu jardim!

E...nas horas matinais a vida sopra
Reminiscências a tremer passando,
Como aguaceiro que já não importa...
Mas busco calor prá vida!... Até quando?

Modesto

PALAVRAS MELÓDICAS

















Minha alma tem o peso da luz
E os quilos duma linda criança,
É a balança na vida de cruz
E a sua tara é a lembrança.

Tem o peso das palavras bonitas
E estão carregadas de saudade...
Tem o peso das palavras não ditas
Que trariam mais felicidade.

Belos sons da Lira que tens nos braços
Melodiados em doces abraços,
Trazem a flor de toda a beleza.

A alma faz da vida minha dança,
Junta-s'a ti, canta como criança,
Dança em transe com a Natureza.

Modesto

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

ESPERANÇA























Há coisas que não cabem neste mundo.
No mundo, há coisas que não pod'haver.
Há o enigma do meu ser profundo,
Nas coisas que m'invadem sem saber...

Há lágrimas d'amor em que m'inundo.
Há mágoas que m'invadem sem poder...
Cab'em minh'alma grito tão profundo:
O pranto de quem chora sem querer.

Não conheço ninguém que tenh'amado
Sem martírio, até transportado
Pela paixão no mundo numa cruz.

Mas se couber no mund'uma criança,
Pode no mundo caber a 'sperança
E no final do túnel uma luz.


Modesto

VENDO-NOS AO ESPELHO

O espelho não me diz que envelheço, Enquanto andar junto da mocidade. Mas as rugas vêem meu rosto impresso... J...