domingo, 28 de dezembro de 2014

TUDO JUNTO NO INVERNO



















É Inverno: Vento e frio não trazem
O sol que abdicou de lutar, parece.
Sobem os lagos, alargam-se rios... fazem
Gelos tímidos da névoa que cresce...

O horizonte está triste, sombrio.
Vento frio vindo de todos os lados.
Encolhidos os animais, pelo frio,
Juntam-se, estão quase enregelados.

E somente sobrevivem abraçados,
Como se num só corpo se tornassem.
Pra sobreviver, tonam-se engraçados.

Lei da vida... Até a pessoas 'stão
Unidas. E, se Naquele Amor pensassem,
Repartiam tudo: agasalhos, pão!...

Modesto

sábado, 27 de dezembro de 2014

CHEGOU O INVERNO

















Já cai o Inverno na minha mão.
A neve refresca meu coração
E a rosa que trago na mão,
Com pétalas que nunca o serão
Espinhos disfarçados d' emoção.

Vento assobia na Natureza
E nuvens desenham grande beleza!
Se o sol tarda a aparecer,
Chora a chuva ao amanhecer...
Espero a Primavera que,,, vai nascer:
Haverá amor ao alvorecer,
Amando, continuo a viver!

Modesto

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

DEIXAS-ME DORIDO, FLOR DA SERRA!

















Linda flor, naquela serra agreste!
Como outras, te foi cruel a sorte:
A bela cor romântica te veste,
Mas só tiveste consolo na morte!

Foi uma bela lição que nos deste:
Abnegado heroísmo bem forte,
Ingratidão de quem a fé puseste,
Mantiveste tua alma, teu porte!

Tu és a flor de símbolo sublime:
Dada à paz e amor, nunca erra
E, connosco, o passado redime.

Foi terrível o teu longo suplício!
Fragrância qu' envolve a serra
E aroma da paixão - meu sacrifício!

Modesto

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

HOMENS, É NATAL!


É natal! Noite em Belém, noite bela!
O céu 'stá estrelado, deslumbrante!
E... poucos percebem a Luz daquela
Estrela singular e fascinante!

Quanta beleza tem aquela tela!
O Menino nasceu, povo errante!
Encontrai o Amor que Se revela
N' História: Amor edificante!

Grande exemplo, naquela estrebaria
Deu Jesus, Filho de Deus e Maria,
Ao pecador que Seu perdão implora!

Hoje é Natal! A Humanidade
Já não tem fé, amor, fraternidade,
Na ganância, tudo quer , explora!

Modesto

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

GOTAS ORVALHADAS DE AMOR

















Cintilam no chão gotas de amor.
A Natureza doce de jasmim,
Em cada flor há um beijo de mim,
Num sol brilhante a dar-lhe calor.

Eu não quero guardar nuvem sombrias.
Quero qu' o céu azul-anil sorria
E acorde os sonhos d' alegria,
 No encanto das manhãs brancas, frias.

Abro as janelas imaginárias
Que não estão assim tão solitárias...
Vou receber aromas de amor

A Natureza doce de jasmim
Guarda as flores belas no jardim...
Estou perfumado da tua flor.

Modesto

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

O CRIADOR DO MUNDO NO PRESÉPIO!

















Tudo o que vejo, sinto, ouço, me fala
De Ti. No Teu Ser condensas o infinito!
Tu estás no esplendor do Natal em gala:
Nasces no meu coração e no meu espírito!

Todos os seres, na vastíssima escala,
Todo e em tudo está Teu Nome escrito:
Na tímida flor que seu perfume exala,
Até às colossais montanhas de granito!

E, por mim, quisestes agora vir ao mundo!
No pobre Presépio, Teu olhar profundo...
Só com estrela de luz, José e Maria!

Vem a Ti tudo o que no mundo existe!
Tu qu' és o Sol, viestes como sombra triste
Pra dar perdão e amor e muit' alegria!

Modesto

domingo, 21 de dezembro de 2014

VIVEMOS OU SONHAMOS?




















Esta fera condição,
Esta fúria, esta ambição...
Será que a conhecemos?
Neste mundo tão singular:
Sonhamos ou vivemos?
Viver é sonhar
Que a vida nos imponha
O homem que vive e sonha
Mas se alegra ao despertar!
Há os que querem reinar:
Vendo que há despertar,
Só sonha com a riqueza!
O trabalho oferece
O bem que se agradece...
Mas sonha e padece
A miséria e a pobreza!
O rico o triunfo preza:
Sonha e pretende,
Maltrata e ofende...
Só se importa com a avareza!
No mundo, em conclusão,
Todos sonham o que são.
Parece ninguém entender
Que é o amor que faz viver.
Se sonho o que vivo aqui
E de lisonjas vivi,
Vou vivendo carregado
Com o meu próprio estado.
A vida não é ilusão:
Há uma salvação,
Embora haja viver tristonho,
A vida não é só sonho:
Há o amor dos irmãos,
Há vida que dá as mãos
E há a vida com perdão
Que ajuda a repartir o pão...
E os sonhos... sonhos são!

Modesto





sábado, 20 de dezembro de 2014

FLOR SERRANA


















Há uma flor, na serra, pobre e singela
Que nasce no mato ao abrir do sol nado.
É uma flor sem nome, humilde aquela
Que sorri, meiga e bela, junt' ao coutado.

Um raio de luz a criou e tornou bela
E nela pousa um pintassilgo dourado
Ou a borboleta branca e amarela
E que vivem lá pelo mato orvalhado.

Jamais alguém ousou chamá-la pelo nome,
Nem em vaso de bronze ou fina porcelana:
Nasce, encanta, alegra e não consome.

Vive à luz do sol, resiste às noites frias,
Acarici' a lua e fauna serrana,
Dá à paisagem suas pétalas macias!

Modesto



quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

SANDE - TERRA MATER

















Meu carinho filial, sonho de poeta,
Ó doce, ideal... Sande dos meus amores!
Tens um lindo vale, entre colinas... quieta
Como o Éden, de encantos sedutores!

Os teus campos gentis, estrelados de flores,
Sagram-te como uma princesa dilecta!
O sol elege-te em íris multicores,
Na esmeralda dos pomares, se projecta!

Nenhuma outra aldeia assim nos fala!
E das tuas velhas tradições exala
Nossa História que em teu brasão reluz.

A tua honra, ó minha terra querida,
Paira, em mim, na História 'stremecida:
Nobre Bem Viver, Terra de pão e luz!

Modesto

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

SÊ SOLIDÁRIO

















Faz a tua dor estranha e goza
Do destino dos outros irmãmente.
Tua alma s' incline piedosa
De todo o que sofr' injustamente.

Faz a tua vida mais amistosa,
Se souberes fazer dela somente
A paciência harmoniosa
Do amor constante, perdão clemente.

Se sofres, procura o teu conforto
Como Jesus, n' agonia do Horto,
Receb' a taça d' amargura cheia...

Amável te será a vida dura,
Se jamais aspirares à ventura
Comprad' à custa da desgraç' alheia.

Modesto

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

FIM DO OUTONO


















Fim do Outono... Só folhas mortas.
A lareira substitui o sol ardente,
Porque tudo fecha as suas portas
E a neve faz as árvores tortas...
Fim do Outono faz o sol doente!

Fim do Outono... Não há flor nos montes.
Os rios dão-nos inquietação.
Aumenta forte o cantar das fontes
E é preciso cuidar das pontes...
Para não verter lágrimas no chão!

Fim do Outono e as folhas mortas,
Sol doente, neblina, nostalgia...
Frio! E tudo se perde nas hortas!
As tristes fontes abrem suas portas...
O sol, agora, 'stá em agonia!

Modesto

domingo, 14 de dezembro de 2014

ACOLHER AQUELE QUE VEM




















Deus tem pra nós um projecto de salvação,
Propõe-nos a vida plena, vida de luz,
Apresent' a Boa Nova como missão:
Anunciar o Nascimento de Jesus.

Deus quer dar-nos a vida com felicidade,
Num Novo Mundo anunciou: Salvação!
Pede-nos prá 'colher a Luz da claridade,
Ouvir o que nos diz o Baptista João.

Deus 'stá interessado em nos acolher,
Oferece-nos Seu Filho pra conhecer
E propõe-nos uma vida de liberdade.

Enquanto esperamos o Senhor que vem,
Em atitude de adoração também,
Demos aos irmãos projectos d' eternidade.

Modesto

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

HUMILDADE





















Cultiva simplicidade,
Flor que a alma ostenta.
Foge sempre da vaidade
Que ao néscios alimenta.

Sê sincero na verdade,
Valor que te acrescenta.
Mesmo na adversidade,
A verdade t' alimenta.

Ensina-t' a Natureza
Qu' humildad' é como água:
Não lh' interess' a grandeza
- Tudo acaba na frágua...

Cultiva a dignidade.
Sê modesto e sê justo.
A altivez da vaidade,
Nunca te fará robusto.

Modesto

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

VIVER COM ALEGRIA


















No saber esperar 'stá a ciência,
Arte suprema que não é só gozo.
Apura-s' a límpida consciência,
Sem ganância nem mod' orgulhoso.

Alegria empresta à expressão
O sentido, beleza... o repouso.
A alma é alta quinta essência,
Fusão do bem, êxtase que eu ouso.

E quem ama a Deus, amor respira,
Pois tem em si harmoniosa lira
D' acordes celestiais... Sinfonia!

Esse compr'ende e crê na bondade,
Sublima a 'spiritualidade,
Em doc' emoção, perfeita alegria!

Modesto

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

A PAISAGEM E O SONHO


























Minh' alma reflect' aspectos do ambiente.
A Natureza tem comig' afinidade,
Pois a paisagem cerca-me benevolente
No interior - única realidade.

E eu aprecio-a sempre com saudade:
Panorama encantado e envolvente!
O ar tem sedução macia da bondade:
A luz, a serra... deixam-me elanguescente.

Funde-se no meu ser estranha harmonia
Ao crepúsculo outonal de poesia
Da paisagem serrana, em doce tristonho...

E sinto em mim um desenvolver-se mudo,
Porque o pôr do sol me faz esquecer tudo...
Entro no meu céu, como infinito sonho!

Modesto

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

À ESPERA DO NATAL




















Eu espero seguir devagarinho
P'la estrada da vida. Quem me dera
Ter, como Maria, Olhar qu' espera
E um coração que não 'stá sozinho.

Cada dia despertar no meu ninho,
Ao som da voz do Anjo, como era
Em criança, na linda primavera...
Sabia o destino do caminho.

Agora, estou admirado... e tudo
Se foi tornando cada vez mais triste
E eu ficando cada vez mais mudo...

Mas sinto que sou feliz, porque eu
Já sei que a esperança existe:
Verdade! Jesus vai descer do céu!

Modesto

domingo, 7 de dezembro de 2014

AMOR E BEM






















O amor é lei da vida.
Quem não ama tem tristeza.
O amor ao bem convida
O 'spírito à beleza.

O bem ensina e clama
P'la luz, na terra acesa.
O sol, secando a lama,
Anima a Natureza.

Amor é ensinamento
A perdoar, compr'ender...
Ensina desprendimento!
O bem dá sentid' ao ser.

Ama, viv' integralmente.
O bem diz-t' o que fazer.
Amor ensina à gente
O sentido do viver.

Modesto

sábado, 6 de dezembro de 2014

PREPARAR O NATAL

















Procurei o amor, lá por esses céus,
Luz que me dá vida e que me guia.
Busquei... Encontrei a Virgem Maria,
Pareceu-me piscar os olhos Seus!

Ergui alto a voz, orei a Deus,
Pedi-Lhe, repleto de alegria,
Que a doçura que junto sentia
Fosse para sempre os sonhos meus.

S' o amor me diz que a busca é finda,
Meu coração desperta pró Natal,
Com o sol a brilhar em cor tão linda!

Que o meu desejo seja igual
Ao que Maria disse... mais ainda,
Juro que prepararei o Natal!

Modesto

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

FLOR DA SERRA























No Alto do Facho, vejo, com surpresa
Estranha flor, num velho tronco adusto,
Meiga e rústica a sua beleza...
Baixo-m' e colho-a quase a custo.

Tem um azul de céu, a bela turquesa,
Como borboleta, rostinho vestuto,
Ilusão poética da natureza...
Ia guardá-la, mas apanhei um susto!

Com o vento, um ramo deixa-a morta!
Flor azul, flor linda e desconhecida,
Efémera visão, como seda se corta.

E ficou em mim esta grande lembrança:
Tudo o que se vê uma vez na vida,
O que se perde, nunca mais se alcança!

Modesto

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

SERRAS DA MINHA TERRA



















Da serra onde estou
Vejo as montanhas belas
Que o sol acarinhou
E a casa que fiz delas.

É uma casa antiga,
Mas sempre acolhedora.
Recebo gente amiga,
Muita coisa se recorda.

Vejo pássaros no ninho
E ribeiros a correr.
Vejo tudo com carinho:
Ajudaram-m' a crescer.

E vejo que surge delas
A mais bonita pintura,
Formando telas tão belas
Que a saudade procura.

De manhã, dou-lhes bons dias:
Sorriem ao meu olhar,
Digo-lhes com alegria:
É tão bom aqui morar...

Modesto

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

ADVENTO: VIGIAI!




















Vigiar não é estar à espera.
É estar atento com o coração,
É ter a força de quem persevera,
É 'star aberto para a missão.

Mesmo que apareça um dilúvio,
Tu tens que estar sempre vigilante,
Ultrapassar um perigo telúrio...
Mas saber o que é mais importante.

'Sperar assim a vinda do Senhor,
Ser útil, mesmo no inesperado,
Fazer em tudo um acto d' amor,
Prá Sua vinda, estar preparado.

Assim começa o nosso Advento:
É esperar o Nosso Deus que vem.
Sem desanimar, estar atento
Ao Menino que nasce em Belém.

Modesto

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

LINDO RIO DOURO!


















Magoado ao crepúsculo dormente,
Ora nas descidas galopantes, ora
Com desmaios de espera e demora...
Meu Douro, choras amarguradamente!

Gostavas de ficar... Mas, p'lo leito fora,
Corres e misturas outros na corrente...
Amores e desgostos desd' a nascente,
Tudo levas par' a foz que te devora!

Sofres: de pressa, de tempo, de lembrança,
No teu clamor e sombra que te invade,
O teu pranto... tudo no mar se lança!

Rio triste, sofres de ansiedade,
Por todos os que vivem na esperança
De te rever, vão morrendo de saudade!

Modesto

VENDO-NOS AO ESPELHO

O espelho não me diz que envelheço, Enquanto andar junto da mocidade. Mas as rugas vêem meu rosto impresso... J...