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terça-feira, 31 de março de 2015

PAISAGENS















A paisagem é verde e comovente,
Na forma colorida de cada imagem.
A terra é a mesma mas diferente,
Só muda o murmúrio da paisagem.

Há colinas e azul de circunstância,
Há o rumor de asas, folhas ao vento...
O horizonte é apenas distância,
Depende do nosso olhar e do tempo,

Entre som e cor, o mundo nos penetra
Com sua voz profunda que interpreta
O sentimento e lugar em qu' habites.

Surgem palavras densas de subtileza
Qu' inventam em si mesmas a Natureza
Composta por descobertas sem limites!

Modesto

domingo, 29 de março de 2015

TERRAS DE BENVIVER















Ó Terra minha que ao Marco deste
A ventura de ver tanta beleza!
Ded' o xisto que fez solo agreste,
Ao granito que expele riqueza!

O Douro abraça castos vinhedos
Que crescem nas margens em seus choupais,
E leva sonhos, mas deixa segredos
Da vida daqueles pobres rurais!

Fragas cobertas de musgo flor d' ouro,
Águas mansas do belo rio Douro
Respiram perfume dos laranjais!

Montes protectores e altaneiros,
Casas de granito nos teus outeiros...
Mais parecem uns arranjos florais!

Modesto

sábado, 28 de março de 2015

MARCO, TERRA IDEAL

























Com' um pássaro a abrir horizontes,
Asas quisera, pra na serra voar,
Observar, além dos píncaros dos montes
Da minha terra que sempre quis amar.

Terra bela ond' a aurora s' estende,
Com seus crepúsculos cheios de fulgor,
Sobre colinas em flor em que esplende
Na água pura entre margens em flor.

Lá, no limiar da minh' adolescência,
Entre sombras, o futuro entrevi
A Primavera em plena florescência...
Um horizonte qu' ainda me sorri!

E é para lá qu' estendo os meus braços,
Pra lá, se lança, atraído, meu ser.
Vejo as serras como belos espaços
Sempr' a fugir e minh'alma a correr!

Modesto

sexta-feira, 27 de março de 2015

O AMOR É A PORTA




















Um dia saí de dentro de mim:
Cria ter vivido até ao fim.
Então gritei pela vida passada,
Então chorei pela outra estrada...
E, quando olhei, já não vi mais nada.

Era no deserto que eu estava!
Aí, descobri o que se passava.
O fim, agora, estava aqui,,
Sem demora o epílogo li
E vi que Deus não 'stá longe daqui.

Agora voltei e hei-de querer
Renovar, já, todo o meu viver.
E vou viver bem o dia que passa,
Procurarei não viver na desgraça...
E darei amor a quem por mim passa.

O amor é o fim da caminhada,
Ele é mesmo a única estrada.
O amor vive-se na paciência,
Ele está na minha consciência.
O amor é a porta de entrada.

Modesto

quinta-feira, 26 de março de 2015

POBRE HOMEM CONTEMPORÂNEO


















Pobre homem num mundo sem Deus,
Perplexo ante a fatalidade,
Caminha agarrado aos bens seus,
Quer ser eterno, sem eternidade.

Habita terra bela que não vê,
Toma seus frutos, destrói, delapida...
Na vaidade, arrogância, crê:
Único bem que desfruta na vida.
.
É cruel, julga que só tem direito,
Põe a Natureza ao seu dispor,
Sem afecto, atenção ou respeito,
Sem nunca tomar posse do Amor.

Crê na sua superioridade,
Vê tudo com total indiferença,
Usa à vontade a sua maldade
E traz ao pobre mundo a doença.

Se visse o Ansião que abre a janela,
Para deixar entrar a luz do dia...
Seguiria na terra a Estrela
Que rege o mundo, dá alegria...

Veria a subtil realidade,
O Verdadeiro Ser que dá luz,
Ele qu' é Caminho, Vida Verdade,
Ressuscitou, após morte na Cruz!

Modesto



quarta-feira, 25 de março de 2015

ANUNCIAÇÃO

























Maria, Mulher humilde de Nazaré,
Aceitaste ser Mãe do Messias de Deus,
No silêncio e amor que vem da fé
E une Teu coração aos Anjos dos céus.

E vem a Nazaré o Anjo Gabriel
Que Te saúda: «Avé, ó cheia de graça»!
Tornaste-Te a Mãe de Deus - o Emanuel -
Pelo Espírito Santo que por Ti passa.

És, Virgem, Senhora da Anunciação!
Todo o Português Te quer ter devoção
E Tu nos alumias com a Tua Luz!

Cantamos hinos que nos enchem d' alegria,
Por nos dares a Tua luz em cada dia...
De Belém P'lo caminho que salva na Cruz!  

Modesto                                                                                                                                                                                                          

terça-feira, 24 de março de 2015

DE MÃOS DADAS

























Dá-me a tua mão e cantaremos,
Dá-me a tua mão e amarás
E, como a bela flor, seremos
Pétalas da flor qu' ao mundo darás.

Vem! Os mesmos versos declamaremos
Ao ritmo dos poemas bailarás,
Como a seara ondularemos,
A espiga com grãos repartirás.

Dá-me a tua mão e esquecerás
As maleitas que o mundo nos traz...
E na colina faremos a dança!

Como a flor em botão abrirás,
Como a espiga teu pão darás...
De mãos dadas, seremos esperança!

Modesto

segunda-feira, 23 de março de 2015

AMOR EM FLOR


















Vem o amor num rápido momento,
Como canção tranquila que se faz.
Som de flauta trazida pelo vento
Ressoa na alma... parece jazz!

Cai a brisa da tarde sobr' as flores,
Num cântico de beijos ao relento
Que aconselha a juntar os amores...
Como feitiço que vem com o vento.

É uma canção que vem docemente
Tão percebida que nem se pressente...
O amor não dá para perceber.

Basta o amor ser sinal de vida,
Prá alma eterna ser resumida,
Numa bela flor ao amanhecer.

Modesto

sábado, 21 de março de 2015

RIO DOS SONHOS DOURADOS















Rio, levas, no fundo, areia ou lama,
A água corre em turbilhões... se retrata,
Dourando o céu ao crepúsculo em chama,
Como o pássaro que o voo arrebata.

Também te transformas em luzente prata,
Se do bosque em flor, a brisa embalsama,
Pelas sombras da noite a luz se desata
Em luar, com áurea finíssima trama.

Às vezes, em lago adormecido, mudo,
Vais vagaroso sem frémito de vida...
Ilusório e passageiro é tudo!

Levas, lá no fundo, ou lama ou areia.
Gente como eu, vê apenas reflectida
A alma que seus sonhos de ouro semeia!

Modesto

sexta-feira, 20 de março de 2015

AO ENTARDECER
















Faz-se silêncio na folhagem!
As árvores tecem amor antigo...
Num sobressalto, paro a viagem
E fico a falar a sós comigo.

Meu coração s' assombra da paisagem
E chama o vento noutro sentido.
Um murmúrio ouve-se n' aragem,
O entardecer recolh' ao abrigo.

Com a aragem aparece a luz!
Meu coração estremece, reduz
A saudade de quem sent' ausente.

Acolhe o silêncio devagar...
Um dia de fulgor lhe pode dar
O amor que se vai no sol poente!

Modesto

quinta-feira, 19 de março de 2015

PAI


















Eras presença constante
Que me fazi' admirar.
Tinhas um olhar distante,
Mas forte pra me amar.

O teu abraço apertado
me fazia caminhar...
Firme, sempre ao meu lado,
Não deixavas vacilar.    

Teu sorriso m' acalmava,
Nas horas de maior dor.
Tua voz me fascinava,
P'lo amor, muito amor.

Meu amigo, companheiro,
Meu exemplo p'lo amor,
Bom, leal, verdadeiro...
Eras coração em flor!

Hoje quero agradecer
Por m' ensinar a lutar.
Tua força fez crescer
A vontade de amar.

Fost' exemplo de bondade
E o meu sono velavas.
Hoje sinto saudade
Das orações qu' ensinavas.

Pelos caminhos do bem,
Mostrest' a realidade...
Olha por mim do Além,
Pra qu' eu viva na verdade.

Modesto                        

quarta-feira, 18 de março de 2015

A BELEZA DO INÍCIO



















Cada dia traz-me um recomeço,
O sol dá-me energia de vida...
Contemplo a beleza com apreço,
Para assim, curar minha ferida.

Outras práticas eu não desconheço:
A madrugada acorda-me cedo,
Se há dúvidas, eu as esclareço...
Faço do nascer do sol um brinquedo.

'Strela da manhã como adereço,
Relva orvalhado pra refrescar...
Acreditem-me: Não tem preço
Ouvir a cotovia a cantar!

Sonho acordado... nele tropeço...
A vida não deve ser apagada,
Pois cada dia traz um recomeço,
Depois de um sonho na madrugada!

Modesto

terça-feira, 17 de março de 2015

AO ROMPER DA AURORA















Repousam os meus anseios agora
Que pulsa em mim o meu coração.
'Stá a romper serena a aurora,
A claridade da minha paixão.

Vou sair à procura de mudanças
Para me afogar neste sentimento.
Corro sedento nas minhas lembranças
De quando tudo era movimento.

Sinto a brisa tocar na essência:
Saudades que ferem o coração...
É enigma perdido na ausência
Da mocidade com su' ilusão.

Agora, aprecio a beleza
Desta manhã que está a chegar
E gozo a graça da Natureza,
Com os passarinhos já a cantar.

E transformou-se tudo num instante!
Já se abre a romântica flor.
O sonho de glória fica distante...
Só me resta cultivar o amor...

Modesto

segunda-feira, 16 de março de 2015

SILÊNCIO DA ESPERANÇA


















Se o silêncio se alastrasse
E as palavras ficassem guardadas...
Se o som em música se tornasse
Com canções lindas e bem preparadas...

Se as nossas bocas, por absurdo,
Não dissessem nada nem falassem,
O mundo ficasse mudo e surdo
E os amantes da verdade amassem...

Então, não ouviríamos os clamores,
Nem veríamos mais estes horrores,
Nem lamentos e choros das crianças!

E os ais vividos nas despedidas
Seriam curas prás nossas feridas...
Voltaríamos a ter esperanças!

Modesto

domingo, 15 de março de 2015

DOURO AMIGO



















Ó Douro onde descanso,
Tens para mim um sentido:
Pelas águas navegando,
'Stás sempre a falar comigo,
Murmuras quente e brando,
Como no tempo antigo!

És hino à Natureza,
Encantas com a beleza,
Fazes vibrar e sentir,
Nos socalcos vinhateiros,
Rabelos e seus herdeiros,
Às margens a confluir!

Cruzam-se indo e vindo,
Vão saudando de longe...
Um peixinho vem à tona,
Enquant' a água retorna
À calma que faz sentir
Saudades ao partir!

O tempo, aqui,,. parou,
Não sei porque condição!
O Douro continuou
À 'spera do seu amigo
Qu' o afaga com a mão...
Quer ficar sempre contigo!

Modesto

sábado, 14 de março de 2015

MEU JARDIM SUSPENSO
















Nas colunas da imaginação,
Com mármore e com cristal de sonho,
Fui plantar, para além da amplidão,
O meu jardim dos versos que componho.

Jardim suspenso - colunas de luz -
Longe do mundo, das coisas da terra,
Entre os versos todos que compus,
Minha alma encanta-se... e erra!...

Jardim oculto, extraordinário,
Tem poemas como vozes das fontes:
É mundo feliz, estranho, lendário,
Sem terras, fronteiras... Só horizontes!

E entre flores coloridas ando...
Sonho com a Criação do Bom Deus!
Acompanham-me em alegre bando
Passarinhos iguais aos sonhos meus...

Feliz por criar esta ascensão,
Bato asas no espaço imenso.
Fiz colunas de imaginação
E sonho com meu jardim suspenso!

Modesto

sexta-feira, 13 de março de 2015

CAMINHAR ENTRE AS FLORES



















Por gostar tanto de flores,
Abri as minhas janelas.
Misturei dor e amor
E caminhei entre elas.

Enquant' o sol despontava,
Em manhã de luz nascente,
Fui pró jardim e olhava
A flor com sua semente.

Luz intensa sem ter fim
Dava à flor energia,
Pegava a cor a mim,
Em tons de bela magia.

Suave brisa soprava
E as pétalas s' abriam.
Quanto mais eu as olhava,
Mais felizes se sentiam.

Muitas flores eu já vi
Pintar quadros de beleza!
A melhor cor que senti?
Cultivar a Natureza!

É aguarela diária
De cores que dão encanto,
Com uma tinta primária,
Formam um jardim d' espanto!

E... a flor com que sonhei
Pra perfumar meus sentidos,
No tom da vida encontrei
Que fez meus tons coloridos.

Modesto

quinta-feira, 12 de março de 2015

AMOR E SINCERIDADE



















Amor sincero dá união sincera.
Nada impede o amor qu' é amor:
Se, encontrando obstáculos, s' altera,
Vacila o amor, fica o rancor.

Amor é marco eterno dominante
Que encara tempestades com bravura.
É estrela que norteia o errante
Que ignora seu valor, não mede altura.

Amor não se perde no tempo, embora
Se saiba que não fica na mocidade...
Amor não se transforma a toda a hora,

Antes, afirma-se prá eternidade!
Se isto é falso, alguém o provou?
Então não era amor: nunca amou!

Modesto

quarta-feira, 11 de março de 2015

QUANDO ESTOU SÓ

















Quando estou só diante do Trono,
Minha alma treme em contrição.
Estendo as mãos ao meu Deus Supremo,
Pois preciso de ter Seu perdão.

Preciso de ouvir que Tu me amas,
Quero sentir a Tua compaixão.
Habitas em mim, minh' alma inflamas,
Tu és a paz para meu coração.

Quando estou só com a Natureza,
Vejo um universo de beleza...
Quero louvar o Deus da Criação.

Quero encontrar a Ti, meu Senhor,
Renova-me no Teu doce amor,
Remove de mim minh' ingratidão.

Modesto

terça-feira, 10 de março de 2015

RECOMEÇA SEMPRE



















Se recomeçares sempre,
Fazes com' a Natureza:
Deixa sempre a semente,
Pra recriar a beleza.

Pra isso tens de podar
Para voltar a ser nova.
A planta vai ficar
A renascer, se renova.

Aferida cicatriza,
A doença é vencida,
A saúde suaviza...
Renasce a nova vida.

Anima-te! Recomeça!
Renova-te novamente,
Faz que' o novo apareça
E darás boa semente!

Toda a vida te diz:
Agora podes ter calma,
Começas a ser feliz:
Renovaste tua alma!

Modesto

segunda-feira, 9 de março de 2015

Canalhíadas

                      I
As sarnas de barões todos inchados
Eleitos pela plebe lusitana
Que agora se encontram instalados
Fazendo o que lhes dá na real gana
Nos seus poleiros bem engalanados,
Mais do que permite a decência humana,
Olvidam-se do quanto proclamaram
Em campanhas com que nos enganaram!

                     II
E também as jogadas habilidosas
Daqueles tais que foram dilatando
Contas bancárias ignominiosas,
Do Minho ao Algarve tudo devastando,
Guardam para si as coisas valiosas
Desprezam quem de fome vai chorando!
Gritando levarei, se tiver arte,
Esta falta de vergonha a toda a parte!

                    III
Falem da crise grega todo o ano!
E das aflições que à Europa deram;
Calem-se aqueles que por engano
Votaram no refugo que elegeram!
Que a mim mete-me nojo o peito ufano
De crápulas que só enriqueceram
Com a prática de trafulhice tanta
Que andarem à solta só me espanta..

                     IV
E vós, ninfas do Coura onde eu nado
Por quem sempre senti carinho ardente
Não me deixeis agora abandonado
E concedei engenho à minha mente,
De modo a que possa, convosco ao lado,
Desmascarar de forma eloquente
Aqueles que já têm no seu gene
A besta horrível do poder perene!

      Luís Vais Sem Tostões


É DE VOAR E FUGIR




















Voo p'las montanhas em vendaval,
Por nuvens que foram glória e paz!
Terra Pátria mergulhou num vale...
O meu Portugal ficou para trás!

Vou pra onde meu fado me leva...
Voo sem saber o que fica pra trás!
Não sei. Mas o mal quando se eleva...
O meu coração em ânsia jaz!

Ó meu Portugal que te vais à vela!
Eu partirei! Mas vou rezar primeiro...
Vou num voo em turbilhões só meus!

De asas abertas voo ligeiro,
Como as velas de um marinheiro...
E grito: Adeus, Portugal, adeus!

Modesto

domingo, 8 de março de 2015

MULHER E MÃE

























Mulher, flor do meu jardim de carícias,
Vem cantar com o meu piano ardente,
Com tua voz de lânguidas delícias
Canções d' amor, com tua voz quente.

O teu gracioso tom tão sonoro,
Volúpia singular sem igual...
Deleitas-me como nunca! - Adoro! -
Tu és a minha taça de cristal!

Obra d' eleição que exige amor,
Alma amiga que me dá calor,
Bela aurora das minhas manhãs!...

Mulher que me faz amar com fervor,
Mãe que me lev' a viver com amor:
Belo rejuvenescer  que me traz!

Modesto

sábado, 7 de março de 2015

CONFIANÇA

















A vida esvazia-se da esperança,
As coisas perdem um pouco da alegria,
Perde-s' o sentimento e a confiança
Que se parte como um vidro quebraria.

A nossa vida não existe sem a troca,
Nem sem os laços, sem uma pessoa guia.
O mundo vive sem verdade... numa fossa...
Temos de a construir boa cada dia.

Confiar nos outros é o nosso caminho,
É navegar naqueles mares mais distantes.
É enfrentar as dúvidas com mais carinho,
Com a certeza dos antigos navegantes.
.
No caminho, encontramos dificuldades
Que desaparecem se damos nossas mãos.
É tempo de romper com as banalidades,
Construir um mundo onde só há irmãos.

Modesto

quarta-feira, 4 de março de 2015

SOU TEMPO PERDIDO


















Sou rio abandonado,
No seu leito esquecido,
Sou um lago espelhado,
Águas ao céu reflectido.

Sou o tempo desfolhado,
Aquele que foi perdido
No sonho esfarrapado,
Num horizonte sofrido.

Sou como ar destinado
A um pássaro ferido:
Rouxinol enamorado!

Coração crepuscular
Com vontade de voar...
Mas p'lo vento arrastado!

Modesto

terça-feira, 3 de março de 2015

VOAR NO ALTO DOS MONTES

















Abrir asas na amplidão do horizonte,
Asas queria, pra numa terra voar.
Essa terra vai pra lá do alto do monte,
Donde se vê bem a imensidão do mar.

Terra preta onde as auroras se estendem
P'las nuvens coloridas de grandes fulgores...
O solo é viçoso e as flores esplendem,
Com as fontes a cantar, regando as flores.

Ali, os nimbos fustigados p'lo açoite
Dos ventos que, p'los céus, rolam em turbilhões,
Ventos que arrastam a tenebrosa noite,
Num céu estrelado de constelações.

E, no liminar da minha adolescência,
Entre sombras e distâncias entrevi
Belas Primaveras em plena florescência,
Para lá do horizonte que me sorri.

Lá, onde avidamente abro os meus braços
E atiro pró horizonte o meu ser,
Voo, através de infinitos espaços,
Com corpo a sorrir e alma a correr.

Modesto

segunda-feira, 2 de março de 2015

SÓ O TEMPO DARÁ RESPOSTAS



Parado. De pé. Sentado. Genuflexo,
Encontro a vida, rezando o rosário!
Vejo, no chão, o meu pobre reflexo,
Perdido na vida, com' um solitário!

Eu, como filho pródigo, desespero
Ao pensar naquele passado lascivo!
Vejo, no chão, um jovem triste, perverso
A pensar naquele grande sonho 'squivo!

Oh! Dúvidas! Ai, quantas inseguranças!
Vida vazia enquanto se espera...
Oh! Dúvidas! Ai, quantas desesperanças!

Do qu' eu queria ser, o que aconteceu?
Reviver aquela triste primavera?
O tempo! Só o tempo me respondeu!

Modesto


domingo, 1 de março de 2015

SONHO E REALIDADE

























Alvorecer grandioso
Vem dourar a minha vida,
Traz-me um sol precioso,
Num odor de margarida.

É alvorecer de sonhos
Com belez' apetecida:
Traz-me lírios risonhos
E a estrada florida.

A este sonho m' apego
Com amor e alegria:
A beleza não a nego,
Dá-me cor e poesia.

Mas... a vida é quimera,
É preciso reflectir!
Vem depress' a Primavera...
O Outono 'stá pra vir!

Nesta vida passageira:
Alvorece... dá trindades...
Ela corre bem ligeira,
Dela ficam as saudades!

Aprendamos a viver,
Pra não haver tanta dor:
Querer o SER, não o TER,
A vida será melhor!

Modesto