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sexta-feira, 31 de outubro de 2014

ANSEIOS DA MADRUGADA




















De manhã, vejo a vida a despertar
Num sonho encantado de criança:
Vida a recolher o descansar,
E eu aguardo na esperança.

É como o nascer da Primavera
A florir no provir de cad' aurora,
Uma brisa leve traz a quimera,
Pró cantinho que quero tod' a hora.

Vejo o mundo como infinito,
Nasce o sol brilhante pra me dizer:
Amor é sentimento mui bonito!

Tinha visto surgir a madrugada:
Vinha com anseio de me ver
E s' eu convidava minha amada!

Modesto

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

LINDO SONHO



















Lindo sonho que se foi,
Esperança qu' esqueci...
Juventude... Já não dói!
Por medo, tudo perdi.

Tanto tinha pra dizer
E tanta coisa calei!
Foi por medo de sofrer,
Sofrendo, aguardei,,,

Eu queria te querer,
Mas fui pensando em mim.
Quando te quis esquecer,
T' aproximaste de mim!

'Inda tentei afastar
E negar o meu amor.
Mas vieste-m' abraçar...
E devo-te' esse favor!

Modesto


quarta-feira, 29 de outubro de 2014

O FIM DA TARDE


























Vermelho,no ocidente em agonia,
O sol... As aves em bandos arrumados
Fogem, ao fechar das pálpebras do dia,
Num céu de ouro e púrpura raiados.

Já escurecem, além, as serranias,
Com vértices de chama aureoladas...
Vejo tons suaves em melancolia
E, em torno, os cumes param cansados.

Um mundo de odores, no ar, flutua,
Vem sombra, na proporção qu' a luz recua,
Com uma informe névoa que cresce.

Aos poucos, dentre as árvores, a lua
Surge trémula a brilhar... e anoitece!
A Natureza apátic' adormece.

Modesto

terça-feira, 28 de outubro de 2014

TARDE DE NEVOEIRO















Veio nevoeiro cobrir a terra inteira.
Parece que pousa na terra o próprio céu!
Senti uma andorinha prisioneira
Por um milhafre que sobre ela desceu.

A tarde é moldada p'las negras imagens.
Ficam os olhos a piscar par'cendo um rio...
Cada vez mais dens' a noite faz da paisagem,
Montes com perfil ascético e sombrio.

Vou pensando em tudo o que me envolve:
Os jardins, árvores, montes e os rochedos...
É só um sonho: A névoa não se dissolve
E quebra a luz... Só há sombras e há medos.

Eu sinto-me tão ausente e tão distante,
Qu' um sonho me parece a real vida!
O nevoeiro aumenta a cad' instante,
A minha própria sombra é indefinida...

Modesto


domingo, 26 de outubro de 2014

SENHOR, PERDÃO


























Mais uma vez, Senhor, em confissão.
Não fiz grandes pecados... Não roubei...
Mas, também não fui bom com o irmão
E nem cumpri, à risca, Tua Lei.

Nem sempre dei aos outros do meu pão,
Amor d' irmãos, também recusei...
Fui egoísta, dá-me Teu perdão,
Pelo mal que fiz e p'lo que não dei.

Perdão p'los meus pecados conscientes,
P'lo mal que fiz e... qu' 'inda vou fazer
E pelas omissões inconscientes.

Bom Pastor, é culpa original...
Mas outros, porque sou um mau qualquer,
Perdoa pelas dores oferentes!

Modesto

sábado, 25 de outubro de 2014

É COMO RENASCER



















O chicote da alma é o pecado.
Arrependimento - Dom que me faz santo.
Pelo Espírito, sou arrebatado,
Transformado em esperança... Sou santo!

Pequei, Senhor. Não é só o meu pecado...
É a confissão humilde da fraqueza,
A vergonha de ter sido maculado...
Na penitência, dás-me a pureza!

Era ovelha perdida, já curada,
Glória tal e prazer tão repentino
Me dais, como está na Sacra História!

Era, Senhor, a ovelha desgarrada:
Tem misericórdia, Pastor Divino,
Dá-me a beatitude da Tua glória!

Modesto

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

CRISTO CRUCIFICADO


























Vou a correr prós Teus braços sagrados,
Nessa cruz sacrossanta, descobertos:
Pra não me castigar,estão cravados,
E, pra me receber, estão abertos!

Os Vossos divinos olhos chagados
De tanto sangu' e lágrimas cobertos:
Pra não me condenar, estão fechados,
E pra me perdoar, estão despertos!

Tendes pés pregados, pra não deixar-me.
Vertestes Vosso sangue, pra ungir-me.
Cabeça inclinada, pra chamar-me...

Ao Vosso lad' aberto, quer' unir-me
E aos cruéis cravos, quero atar-me,
Pra ficar conTigo, em Ti firmar-me!

Modesto

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

CONHECER JESUS CRISTO




















Só Vos conhece, Meu Deus, quem se conhece
E só Vos entende bem quem se entende.
Se só Vos pode amar quem se aborrece,
Então só Vos ofende quem se ofende.

Mortifica-s' aquele qu' em Vós reflecte
E só é dono de si quem se Vos rende.
Mas só sobe até Vós quem por Vós desce,
De Vós só aprende quem se arrepende.

Dizes: «Quem por Mim se perde, tudo ganha».
Pois tudo quanto há, tudo em Vós cabe!
Ditoso quem no Vosso amor se inflama!

Esse faz troca tão grande e estranha...
Mas... só Vos pode amar quem de Vós sabe,
Só Vos conhece aquele que Vos ama!

Modesto

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

EMOÇÃO E POESIA


























Important' em poesia
É que é eternidade.
É luz que traz alegria,
É o tema da saudade.

É a luz que nos é dada,
Desce do céu pró espírito.
É humana e fadada,
Ilumina o infinito.

Poesia é da alma
Músic' em sinfonia.
É abençoada calma,
Do sentimento, o guia.

Útil à humanidade,
Boa par' a existência.
É sol, luminosidade,
É amor por excelência.

Poesia emoção
Que faz bem ao pensamento.
Faz doer o coração
Ao poeta tod' o tempo!

Antes qu' a tard' amanheça,
Pretendo a juventude.
Antes qu' o dia 'scureça,
Preciso tua virtude!

Modesto

terça-feira, 21 de outubro de 2014

OS BONS RELACIONAMENTOS



















É a viver com os outros que mudamos.
Ninguém muda ninguém nem muda sozinho.
Relacionando-nos, nos transformamos,
Com simplicidade, seremos vizinho.

A partir do encontro, nos transformamos,
Ficamos livres e abertos aos outros.
Seremos nascentes d'água que jorramos,
Matamos a sede de amor, aos poucos.

As pedras do rio que são arrastadas,
Batendo umas nas outras, vão sofrendo.
As arestas são polidas, desbastadas
E nossos defeitos vão-se desfazendo.

Constatamos que os nossos sentimentos
Se relacionam, crescem, evoluem.
A nossa vida muda seus pensamentos...
Deixamos marcas que o mal atenuam.

Neste crescimento em experiência,
Deixamos de ser pedras e somos gente.
Aproximamo-nos da nossa essência
E damos valor à acção paciente.

S' às coisas pequenas dermos importância,
Compreendemos a nossa existência
Se nos valores de Deus formos constância,
O âmago da vida é excelência.

Aprendemos a amar, a superar
As diferenças, bem como sentimentos.
Descoberto o amor, é atirar-se
À vida com bons relacionamentos.

Modesto

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

MAIS UMA SAUDADE
















Cintilavam no chão gotas d' amor,
A Natureza criou o jasmim,
O sol fez crescer uma bela flor,
Cada flor tinha beijos para mim.

Tud' era encanto na Natureza!
Tinha paisagens d' alta poesia
Que acordava sonhos de beleza...
Guardei a poética alegria!

Abri as janelas imaginárias
E vi as borboletas solidárias
Com os amores qu'um dia amei...

Brotam as lembranças vivenciadas
Em experiências firmadas,
Na melodia que sempre cantei!

Modesto

domingo, 19 de outubro de 2014

BONANÇA AO CAIR DA FOLHA

























Sopra o vento nas telhas,
Parece uma cantiga,
Ao cair das folhas velhas...
Minh' alma de ti mendiga!

Sopra vento, sopra tempo
- O que medita a alma? -
Há em mim um pensamento
Que diz: Tem paz e tem calma!

Reparo: já é Outono!
E... à janela tu olhas...
Este tempo dá-me sono:
Só se vê cair as folhas...

A tempestade passou:
Abre os olhos, reina a calma!
Até o vento mudou,
Já passou a dor de alma!

Desd' o tempo de menino,
Tive sorriso presente:
Horizonte no destino,
Vida nov' à nossa frente!

Modesto

sábado, 18 de outubro de 2014

VEM! FOGE DA CHUVA!


















A chuva chora em tristeza imensa
E as fontes do jardim cantam, lá fora.
Está frio e a água se condensa...
A chuva sempre que canta, também chora.

Olho p'la janela... Ai! S' ela viesse...
Como gostaria de chamar seu nome!
Pelos meus lábios perpassa a prece:
Vem! A tua ausência me consome!

Anda à chuva! Queria que voltasse.
A chuva cai-lhe p'lo rosto como pranto!
Parece que chora, faz rugas na face,
S'ela voltasse, eu cantaria tanto...

Até os pingos da chuva cessariam,
Para escutar aquele lindo canto,
E as fontes do jardim se calariam...
E as nuvens romperiam de espanto!

Modesto

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

AGORA, SINTO SAUDADES






















Não foram os meus olhos castanhos e claros,
Nem o verde dos teus, flor bela de marmelo,
Também não foram os teus bens pecuniários...
Foi apenas um pôr do sol brilhant' e belo.

Foi porque há muito te amava calado,
Nas noites frias balbuciava teu nome,
Era teu amado príncipe encantado
E, 'inda hoje, aquele fogo me consome.

Não fui ter contigo em cavalo montado,
Porque me tornei sensível e educado
E meu vaso de amor se tornou repleto.

Como Adão, passei a viver no Paraíso,
Quando me deste o teu sim e um sorriso...
O meu coração s' entregou a ti completo.

Modesto

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

TEMPOS DE VAZIO



















Nos campos embebecidos,
Ond' há paz entr' os humanos,
Já longe dias vividos...
Ecos do passar dos anos,

Preenchi um tal vazio,
Como solitário monge,
Era como desafio:
Desejava estar longe.

Mistério infinito,
Emoções indefiníveis...
Fiz renascer, no espírito,
Momentos indistinguíveis.

Tempos incompreensíveis,
Nas rampas entorpecidas!
Foram sonhos impossíveis,
Esp'rancas desap'racidas!

Modesto


quarta-feira, 15 de outubro de 2014

A VIDA


























A vida é pobre e nos ilude:
A maior alegria é pequena!
Nunca atingimos a plenitude,
Por causa dum gérmen que envenena.

Quando a renúncia nos acena,
Dizemos que temos muita virtude.
Vale-nos a alma que nos serena
Porque a felicidade ilude.

A vida foge... Pouco tempo gasta,
Nela há dor cruel que nos devasta:
Uma tragédia de incerteza!

Vamos sonhando com a alegria
Bem ilusória e fugidia...
Porém, a vida também tem beleza!

Modesto

terça-feira, 14 de outubro de 2014

SER...


























O universo que seguras é matriz dos sonhos teus,
Flutua, toca a chama que no teu peito te chama.
Deixa-te tocar pelo calor que vem do sol dos céus,
Deixa-te guiar p'lo fulgor que do teu corpo emana.

Talvez concluas que só o ser pensado é real
E que o chão dos poetas não é um sonho lunar,
Que o real, a partir do ser, é construção total
Do chão qu' os poetas cantam à aurora a despertar.

No anel do tempo, abracei árvores no jardim,
Transformei as carícias que vinham de ti pra mim,
À ténue luz da lua que é foco de ternura.

Tu és o bom anjo, no silêncio do meu poema!
Aproxima-te! Deixa fluir palavras e sistema,
Porque onde habitarmos, nunc' haverá amargura!

Modesto

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

ORIENTA-TE PELAS FLORES




















Tenta viver como vivem as flores,
Esquece os dias e a semana,
Consegue ser livre, esquece dores,
Vê que do vento, teu sonho emana.

Caminha e ama como tu sabes,
Vive na caridade que opera,
Revê a consciência e hás-de
Permanecer na fé sã e sincera.

E nunca viverás na ilusão!
Caminharás pró norte de bondade
P'lo meridiano do coração.

Tu' alma, cenário de paixão,
Numa manhã brilhante de saudade,
Será como o sol em erupção!

Modesto

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

OH! MIRA... DOURO!



















Águas do rio Douro que passais,
Trazeis sempre um curso benfazejo:
Trazeis fortaleza aos campos... dais
Aquilo qu' é bom e eu desejo.

Eu quero ver-te com muitas barcaças!
Quando elas passam, eu as revejo.
Douro, peço-te: não tragas desgraças...
Tens belezas amorosas - eu vejo!

Quando te vejo, fico satisfeito!
Quando longe, vou à tua procura,
Corrigindo engano e defeito.

Ao recordar-te, só sint' amargura:
Porque mais nenhum esforço foi feito
Para te mirar da alta frescura!

Modesto



quinta-feira, 9 de outubro de 2014

O TEMPO NÃO PÁRA
















O tempo passou, pois, nunca parou.
Mas eu 'inda continuo aqui!
O tempo passou, coração chorou
Por amar assim com' amo a ti!

O tempo passou rápido, voou!
Muitas vezes, no tempo, me perdi...
Ele passou, voou e não parou,
Mesmo quando esperava por ti!

Tempo - bendito tempo - não parou
Quando vinhas para junto de mim.
Mas um dia, o momento chegou:
Contigo, o tempo não tinha fim!

As nuvens passaram, o sol passou,
O vento sussurrava nossa voz,
Ouviu, acariciou, e cessou...
Por fim, acelerou muito veloz...

Depois, nunca parou quando queríamos,
Acelerou tanto ou mais do qu' hoje!
Se ele parasse, nós agradecíamos...
Mas o tempo não pára, sempre foge!

Modesto

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

DESEJOS


















Guardei os meus desejos em trincheiras,
Pensei que estavam em segurança.
Eles tinham pretensões aventureiras...
P'la liberdade fizeram aliança!

E fugiram com os pássaros prementes,
Foram pelo mundo em interacção.
E eu, então, suspirei condescendente,
Deixei que eles fossem sem direcção!

Mas... Desejos à solta, não é viável
E até é uma acção condenável:
Querem tudo o que encontram no mundo!

A essência tem que se completar
E só depois os desejos afirmar,
Pra se poder viver em amor profundo!

Modesto

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

SANTOS ANJOS DA GUARDA

























Os Anjos são mediadores das Verdades Divinas,
Iluminam o espírito com luz interior,
São guardiões das almas e dão directivas divinas,
Invisíveis testemunhas dos pensamentos... Amor.

Os Anjos oferecem a Deus os nossos desejos,
Fazem valer, diante de Deus, os nossos pensamentos,
Velam pela nossa felicidade, nossos anseios,
Interpretam a nossas acções em todos os momentos.

Cada cristão, no Baptismo, ao Anjo é confiado.
O Anjo da Guarda protege o homem bem guardado.
Tem a incumbência de levá-lo pró bom caminho.

Inspira, na vida de cada homem, bons sentimentos,
Conduz-nos a Deus com  livre escolha e pensamentos...
Meu Guardador, rege, guarda, ilumina com carinho.

Modesto

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

JESUS, LEMBRA-TE DE MIM



















Recorda-Te da glória do Pai,
Recorda os divinos esplendores
Que deixaste e T' exilaste! Vai
E resgata os pobres pecadores...

Tu ocultaste a Tua grandeza,
Quiseste nascer da Virgem Maria,
Incarnaste na nossa natureza,
Pr´anunciar um reino d' alegria!

Foste ao deserto da solidão,
Para seres tentado pelo mundo..
Fizeste trabalhos por Tua mão,
Ocultaste o Teu saber profundo!

Recorda-Te de mim, Verbo Eterno:
Tenho a alma pront' a receber-Te.
Tira-me dest' exílio terreno,
Repousa no meu coração, pra ver-Te!

Modesto

OUTRAS ESTAÇÕES

























De repente, ficamos assim, velhos!
No teu olhar 'inda reluz a lua,
Porém, mais longe, lá no nova rua
Que fizeram onde havia quelhos...

Não temos o qu' a vida desobriga.
Aprendi a saber da alma tua
Que continua pura com' a lua...
Mas não há luas com'a lua antiga!

E no teu corpo o brilho da lua
Inundava o céu e minha vida,
Luzia e livrava dos perigos.

Hoje, não reluz: é luz esbatida...
Lembro os teus olhos verdes! Sabia
Que um dia seriam mais antigos!

Modesto