sexta-feira, 28 de novembro de 2014

NUM ENTARDECER NAS COLINAS




















Numa tarde de céu azul na cordilheira,
Junta-se ao rubro do meu natal torrão
Aquilo que eu notei pela vez primeira:
A Natureza pintar a imensidão!

Há gotas de anil a voar pela mata,
O sol dourado foge, lá no horizonte
E ouço lindo murmúrio duma cascata
De um ribeiro que, lesto, desce do monte.

E o arrebol espreita já ao portão!
A lua já espera mostrar seu clarão!
O pessoal do campo volta para casa.

É um quadro singelo da Natureza
Que nos quer mostrar toda a sua beleza,
Trazendo-nos a saudade que nos arrasa!

Modesto

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

PORQUE ACREDITO...















Hoje sou paz, alegria... me perco
Em pensamentos, e sei o que posso.
A Tua presença fez-me um cerco,
Chamaste-me àquilo que é bem, nosso.

Hoje sou eu e conTigo mergulho
Na felicidade, de Ti partilho.
O doce motivo de que me orgulho
É Tua presença, eu ser Teu filho.

Assim sou feliz, disso estou certo.
Não quero fugir... Tu estás tão perto
De mim... Dia, noite... me dás maná!

Quando durmo, sei que estás perto
E ao meus sonhos lhes fazes cerco,
Pra qu' assim seja também amanhã!

Modesto

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

CRISTO QUER-TE AMAR






















Eu amo muito Jesus
Que por mim muito sofreu
E por mim morreu na Cruz
E a salvação me deu.

Só Te quero contemplar,
Por Ti, ver o meu irmão,
Do Teu amor lhe falar
Tendo-Te no coração.

Se ainda não tens Cristo,
Começa a procurar.
Tenho a certeza disto:
Cristo só te quer amar!

Modesto

terça-feira, 25 de novembro de 2014

MUDAR DE VIDA
















Sabes que o mundo não é maior
Que o vivo amor de Cristo Jesus
Que na Cruz morreu por nosso amor,
Foi elevado ao alto na Cruz?

É do alto do trono da cruz
Que convida a deixar a riqueza:
Disse-o com fort' e brilhante luz
Que não ofusca - é luz da certeza!

Disse qu' a nossa "arma" é o amor,
Pôs-nos no coração chama. clamor,
Para podermos os outros amar.

Muda por dentro! Semp' a combater...
Deus, para isso, te dá poder
Para te converteres e mudar.

Modesto

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

NOVO DIA PRA VIVER






















Brilha o sol: É manhã,
Transparência do ser!
Tudo corre com afã,
Nasceu nov' amanhecer.

Voam aves barulhentas,
Em casa tud' almoçou...
Até corujas agoirentas
A floresta as tapou.

Todos vão às suas vidas,
Calcando raios de sol.
Trepam as altas subidas
E voltam ao pôr do sol.

Fios sedosos, brilhantes,
Qu' o universo envia,
Preciosos diamantes
Que a senhora urdia.

Punha fio entrançado...
Tanto! cobri' a montanha!
E será sempre lembrado,
Por Deus dar graça tamanha!

É a mensagem de paz:
Desce e sobe a serra,
A eterna luz que traz
Ao fim do dia qu' encerra.

Modesto

domingo, 23 de novembro de 2014

CAMINHOS DE ENCONTRO



















Caminho, errante, no meio das trevas,
Procuro a verdade pra ter visão.
Encontro caminhos de luz que me levas
A Jesus que  'star no meu coração.

P'lo caminho, encontrei gente em desânimo:
Sem paz, sem sustento, sem luz, sem remédio...
Trouxe-lh' alegria, a paz de Deus, ânimo,
Dei-lhe a paz do Pai, por Seu intermédio.

Humilde, falei-lhe da fé, do amor
Como pão da vida que a fortaleça,
Disse-lhe que havia um Bom Pastor
Que ama e não deixa que desfaleça.

Na fome e sede o Senhor nos serve,
E, se nós quisermos, livra-nos do mal,
Desde qu' o noss' amor n' Ele se conserve
E transformemos em bom o qu' 'stá mal.

Teremos, então, direito que não fira
A nós e ao nosso próximos respeite,
Haja honra, concórdia, não mentira...
Qu' o Amor-Deus nos abrace, nos estreite!

Modesto


sexta-feira, 21 de novembro de 2014

NÃO TRATEI DO MEU JARDIM



















Encontrei minhas rosas andarilhas
No meu jardim que já não tem encanto.
Deserto infinito de gravilhas
E quase a morrer de desencanto.

Lá, nasceram muitas flores do campo,
Subiram às roseiras como filhas.
Meu jardim qu' era um terno encanto,
Passou a ser canto em redondilha!

Eu tinha a faina obrigatória,
Onde fazia a minha história,
Destino pra seguir sempre em frente...

Ma ai! Aquel' espírito da rosa,
Atrai uma paixão misteriosa:
Amor à erva que me provoca sempre!

Modesto

PRIMEIRO NEVÃO

























O sol morno sobe entre os outeiros,
A tarde fria, com céu toldado e escuro,
O vento agita os ramos altaneiros
Que se debruçam sobre o velhinho muro.

Nesta hora crepuscular com nevoeiros,
Irradiam aromas que, em vão, procuro.
Amarelou-se o verde dos canteiros,
O perfume do jardim é mais leve e puro.

Por cima dos outeiros, agora sombrios,
Desc' o luar de Novembro qu' envolv' a terra,
Que se branqueia com floquinhos fugidios.

E a nuvem, além, o branco véu descerra,
Como que a cingir em longos arrepios
O flancos virginais da alt' e linda serra.

Modesto

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

PORTA DA VIDA
























Ter vida é ter o impulso da certeza
De que, pra ser bom, tem de passar p'lo deserto,
Orientar-se somente pela beleza,
Seguir a luz p'la estrada do universo.

Nem pensem que minha alma é susceptível
De um breve pouso n'algum porto adverso,
Onde ancora por não ter força possível
Par' a loucura intangível que professo...

Nenhum barulho se levanta de noite,
Nenhum vento será pior que a brisa
Para que o corpo durma e a alma afoite,
Numa bonita canção sempre indivisa.

Não serei nunca a luz da sombra fugidia:
Minha alma acredita num Deus afim...
Estará comigo até à agonia,
Na exaltação do amor, dentro de mim!

Modesto


quarta-feira, 19 de novembro de 2014

O CARRO DE BOIS


















Brilha no céu escuro o primeiro lampejo
Da aurora. Começa o trabalho com arte!
Ao cimo da serra, o sol já dá o seu beijo
E o horizonte pinta-se de escarlate.

No doce amanhecer, vibra suave arpejo.
O meigo clarão, no oriente, de ouro mate,
Tinge no cariz do céu leve rubor com pejo,
Qual tinta que na tela húmida se dilate.

Animam-se nas árvores cantos matutinos,
Cantam os galos, mestres dos ermos campesinos,
Os campos e os montes luzem no seu fulgor.

Encangados os bois com canga em couro segura,
Segue o chiar do carro na sua faina dura,
Vai pelo carreiro entre os campos em flor!

Modesto

terça-feira, 18 de novembro de 2014

UM SUSTO AO LUAR

























Noite, céu estrelado, murmúrio brando.
De trás da serra, quase insensivelmente,
A lua estende o seu manto, clareando
A colina e a solidão ambiente...

No alto, está a neve branca luzindo,
A lua plana no grande céu dormente,
A Via-láctea acende, refulgindo,
Estrelas, ao milhões, brilham docemente...

Tudo dorme! Há, p'lo espaço, aroma
Forte a bodum. Duma baixada assoma
Um vulto sombrio, à luz da lua cheia.

Ao vê-lo, o meu instinto é fugir!
Mas ele, com um urro, foge, por sentir
Que nesta clareira, o luar o prateia...

Modesto

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

TENHO UM TESOURO IMENSO

























Tenho um tesouro imenso
Que queria proclamar a toda a Criação:
Amo o Meu Senhor que tem amor imenso
E quer ver cada homem Seu irmão!
Mas, o mundo está cego
E deste amor não tem necessidade!
Há ainda quem O ame, não nego,
Mas são uma raridade!
Deus quer precisar de amor:
Eu, pobre de mim, não Lhe dou o que Ele pede:
É grande o suplício, Senhor...
Eu vivo ao de leve
E não consigo,
Com a minha força, encontrar amigo
Que me siga e a Ti o leve,
Para viver no Teu amor.
Sou demasiado pequeno
Para chamar o meu irmão
E os meus amigos levar a Ti pela mão...
O mundo não Te quer amar!
Mas eu vejo
Jesus passar
Em cortejo
E um cego curar,,,
Vou seguí-Lo:
Ele vai-me curar!
Quero que tudo veja
Que O vou seguir em comunidade de Igreja!
Irei a trás dos que Te seguirão,
Serei o último e peço perdão,
Sou pequeno, mas chamarei a atenção
De que todo o homem é meu irmão.

Modesto

domingo, 16 de novembro de 2014

PELA TARDE, O ECOAR DOS SINOS



















Vai caindo o sol para o poente,
Vem a sombra em véu, a noite cai!
Soa pelo espaço tristemente
Um sino qu' em lágrimas se esvai,
Com seu tom soturno e padecente,
Num ar choroso, ecoando vai.

E aquele tom triste e plangente
Que ressoa no meu coração,
É como se fosse um sol poente
Roxo que se esconde no chão...
E a solidão afunda e sente
Qu' a vida não passa de ilusão!

E, ao lusco-fusco, suavemente,
Outro sino toca mais devagar:
Já é um som doce e abrangente
Que parece que nos vem convidar
Para ir contemplar o sol poente
E ver o nascimento do luar!

Modesto


sábado, 15 de novembro de 2014

UM DIA À BEIRA DOURO


















Nunca m' esquec' a beleza, a poesia
Da beira rio, verde, ao sol radiante!
Dias que passei repletos de alegria,
Na minh' adolescência em flor... distante!

O bonito rouxinol cantava, corria,
Como ia a cheia atroz, p'la vazante.
A safra da abelha lesta embebia
O ar a cheirar a mel puro e fragrante.

A encosta verde seu vulto delineia,
Praia fúlvida, ao sol, água ondeia,
O canavial, além, num belo pendor...

Contemplo d' alma inerte, lânguidos músculos,
Acender-s' o poente de rubros crepúsculos
E a baixar o luar todo esplendor!

Modesto

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

LIBERTA O ESPÍRITO DA ILUSÃO



















Inútil procurar a salvação no gozo,
Na glória e ou na riqueza dourada.
Da vida de fruição - fumo vaporoso -
Tudo se foi! E da vaidade, ficou nada.

O viver mais feliz é o mais desditoso,
Pois, termina sempre numa falaz jornada...
E, cedo ou tarde, o dia temeroso
Faz adormecer sob a argila gelada!

Que resta à flor da santa sepultura?
E o que foi feito da famosa riqueza?
Só a lápide solitária, obscura!

A lição da vida é a Cruz invencida,
Símbolo do sofrer... amar a Natureza
E amar a Deus que da morte nos dá vida.

Modesto

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

TARDE CINZENTA

























Estou sozinho, no meu quarto, na penumbra,
Um claustro onde a tristeza é o monge...
Olho pela janela, meu olhar vislumbra
Um céu cinzento...aves voando ao longe.

Tarde viúva de sol,sem azul celeste,
Razão para ver a paisagem que magoa.
Parece que o dia de luto se veste...
Não admira que a chuva pareça boa!

E, vens tu, tristonha e toda embuçada...
Ai, quem te viu de azul e ouro toucada,
'Inda circulas como esplendor de gala!...

A sós, no quarto, em tristeza diluída,
Grita, no silêncio, ave foragida,
Entra p'la janela! É azul vivo d'opala!...

Modesto

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

GRAÇAS A DEUS!

















Graças, Meu Deus, pelos Vossos Dons e Amor
Com que incessantemente me cumulais!
Iluminais-me, como o sol em fulgor!
Por eles, o caminho certo m' indicais.

Eu Vos dou graças por me haverdes criado.
Deste-me a vida por Teu puro Amor!
Eu estou por Vossas marcas assinalado,
Chamastes-me à fé cristã, Meu Bom Senhor!

Graças, Meu Deus, pelas Vossas inspirações,
Com que a Vossa Vontade me quer encher,
Pelas interiores iluminações
Que o coração sente, sem saber dizer.

Graças, Meu Senhor, pelos Vossos Dons sem conta,
Com que cumulastes a vida sem cessar.
Gratidão p'lo fulgor terreno que desponta,
Já, de manhã, a Vossa glória vou cantar.

Modesto

terça-feira, 11 de novembro de 2014

VERÃO DE S. MARTINHO












Não há verão de S. Martinho,
Neste clima intemperado!
Há dias com nevoeirinho
E castanheiro molhado!

Esperava um céu azul,
Pra ter uma tarde dourada...
Mas o sol fugiu par' o sul:
Não pod' haver castanh' assada!

Como ainda temos flores
Bem coloridas e formosas,
Pudemos encher de favores
S. Martinho of'recer rosas!

Mesmo não havendo castanhas,
Inspiro-me a versejar...
Par' o ano serão tamanhas,
Vamos assá-las a cantar!

Modesto

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

SUBIR À MONTANHA




















Arrojado, intrépido, ele procura
O alto do mont' abrupto. Já vai a meio!
Pára, contempla a desmedida altura,
Vê, à distância, aldeia donde veio.

E sobe, sobe mais a montanha, escura
P'lo nevoeiro que tornou o abismo feio!
E continua - entusiasta bravura!
Mas, não deixa de em seu peito, ter receio.

No alto, a glória, a conquista... Sonho
Efémero e fugaz, mas bom e risonho,
Vai prosseguir a escalada bem medida.

Pára, contempla o horizonte, olhando
A maravilhosa paisagem! Vai rezando...
Subir à montanha, alegra-se a vida!

Modesto


domingo, 9 de novembro de 2014

HOJE FAÇO ANOS




















Hoje faço anos. Oh! Quem me dera
Ser todo poderoso e mandar
O céu s' encher d' azul, de Primavera,
Paisagens floridas, o sol raiar...

Quem dera ter poder pra, neste dia,
Regressar àqueles anos em flor,
Cobrir de flores tod' a serrania
E voar sobr' elas com meu amor.

Pudera mesmo ir ao Oriente,
Trazer perfumes, calma e... sorrir!
Correr pelos campos ao sol ardente
E deixar tud' em jardim a florir.

Mas o que mais queria... Ai! Quem me dera!
Ter todos os meus, num ramo de flores,
Dar-lhes o esplendor da Primavera...
Estais no meu coração, meus amores!

Modesto

sábado, 8 de novembro de 2014

SAUDOSO IRMÃO ANTÓNIO


















Tu que vias tudo pelo coração,
Perdoavas, esquecias facilmente
E eras com todos sempre complacente...
Que estejas em paz, venturoso irmão.

Tinhas a graça como inspiração,
Amavas, dividias, davas ... contente,
Bondade qu' espalhavas, 'inda se sente,
Eras natural na tua compaixão.

Com' um pássaro, a maviosidade
Da tua voz cantava num belo tom
E consolava ouvir-te... Que saudade!

Deus, em Sua graça, concedeu-t' um dom:
De concentrares a vida na verdade...
Até creio que tu já nasceste bom!

Modesto

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

ÉS A MINHA FONTE




















Mergulho em ti, como numa nascente
Sequioso, vou a sede saciar.
Tens na tua alma ternura clemente,
Eu, no corpo, o desejo a jorrar.

Fonte do amor, dás-me suavemente
Água fresca que transforma o meu ser,
Água qu' é mistério surpreendente,
Torna-se num auspicioso prazer.

Minh' alma entranha-se em ti contente
E meu corpo... Sinto-o a transpirar.
É como se bebesse numa torrente,
Cada vez mais se molha no salpicar.

Não há melhor água, font' apetecida,
Nem néctar fresco e límpido assim!
Fonte do amor és tu, minha querida:
Deus, em Seu Amor, fez-te nascer pra mim!

Modesto

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

ALICERCES DE FORMAÇÃO











Na firmeza e confiança se apura
O valor da alma, superioridade...
É no esplendor da força ou da ventura
Qu' o homem mostra a sua qualidade.

Na árdua batalha, na refrega dura,
Na força do trabalho ou adversidade,
É que mostra se é ou não sombra obscura,
Longe do mundo vil, perto da Divindade.

Para vencer é preciso municiar-se
Da tenacidade humilde, silenciosa
Do alicerce: O tudo pra educar-se.

É ter confiança e seus fundamentos,
Ond' assenta a edificação formosa,
Para desafiar a fúria dos ventos.

Modesto

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

A PALAVRA AMOR


















A Palavra Amor, na Sagrada Escrita,
É superior ao tempo e à distância.
Ela sempre será a palavra bendita,
A única que sacia a nossa ânsia.

Fora dela, em vão o 'spírito s' agita
Em devaneios de glória ou arrogância.
E só ela tem a amplidão infinita,
Só ela nos torna firmeza e constância.

Longe do seu influxo, ódio somente!
Ela, no seu total ser, gera alegria,
Unidade, compreensão e harmonia.

Deus no-la ensinou pra, por ela, subirmos,
Com ternura e paz aos insondáveis cimos,
Onde a Luz-Amor não tem noite nem dia!

Modesto

terça-feira, 4 de novembro de 2014

DESLUMBRANTE PANORAMA


















Quem vai do Porto, procurando minhas terras,
Antes de lá chegar, galga mont' elevado,
Donde avista os campos, rios e serras,
Aldeias com vivacidad' em tod' o lado.

É ele, o Monte de Arados, que descerra
Lindo panoram' aos viajantes cansados.
Numa doce visão, o Monte encerra
Restos de história, trechos palmilhados...

Monte de Santiago, de ti 'inda vemos
A iminência em que, com claridade,
 Nos mostra o tempo, nos seus longos extremos...

Pureza d' infância, ardor da mocidade,
O suave fulgor dos momentos supremos...
Daqui se revive esp'rança e saudade!

Modesto




segunda-feira, 3 de novembro de 2014

MOMENTOS DE TERNURA



















Quando, em horas de ternura,
Recostas teu rosto em mim,
Fecho os olhos com doçura,
Num sonho lânguido, sem fim.

A tua voz torna-se linda,
Doce e carinhosa, assim...
Tua face rosada, ainda
Se tinge de leve carmim!

Sem palavras, sinto apenas,
Qu' esqueço este mundo ruim...
São horas tão doces, serenas,
Quando vens pró pé de mim!...


Modesto

domingo, 2 de novembro de 2014

DA TRIBULAÇÃO À GLÓRIA


























A morte passeia-se p'lo firmamento,
Chora como voz dolorida das fontes,
Fala enternecida como o vento,
Atravessa ribeirões, rios e pontes.

Vem envolvida num capuz cinzento
E saltita pelos píncaros dos montes,
Esconde-se na sombra, a passo lento,
Espreita a terra e os horizontes.

Abre lúgrebe sudário da treva,
Na solidão do manto que se eleva
E, com isto, faz um vestuto altar.

Vem fazer do dia um sombrio rito...
Mas a ' strela aparece no infinito!
Um dia triste? Não! Nós vamos mudar!

Modesto

sábado, 1 de novembro de 2014

A ALMA EM VOO














Hoje é dia da alma pegar voo,
Abrindo asas, p'lo infinito fora.
Pelos meus antepassados, eu revoo,
Rompendo espaço, ao nascer d' aurora.

Quando o passado, a sós, eu remoo,
Esse passado já distante, agora,
O meu coração recorda e ecoo
Os diálogos com que vibrei outrora.

Saudade é a viagem que fazemos
Ao céu, visitar companheiros de vida
Qu' há muito não vemos, um dia veremos...

Com'é bom esquecer a realidade,
Como águia de asa estendida,
Mergulhar no infinito da Verdade!

Modesto


ORIENTA-ME, ESTRELA DA MANHÃ !

Eu te procuro, doce estrela a manhã Que no lusco-fusco d' aurora 'stá desperta, Por vezes, no meio de nuvens c...