quarta-feira, 31 de agosto de 2011

AVES ENCANTADORAS

Que lindo é o rouxinol,
Quando na primavera canta
E seu cantar é melhor
Se o canto lhe sai da garganta.

O milhafre é predador,
Mas a cobra é bem astuta.
O melro é grande senhor,
Quando a cotovia escuta.

O cuco é mais ponderado:
Põe os ovos noutro ninho
E assim fica sossegado...
Outros o tratam com carinho.

O tordo é destruidor,
Esconde-se no nevoeiro
E voa como o condor,
Nidifica no salgueiro.

É tão bela a codorniz
que se esconde nos sargaços.
Voa a águia feliz:
Conhece todos os espaços.

A andorinha é tão linda
Qu'o lavrador deix' encantado
E ela é sempre bem vinda
Ao beiral do ano passado.

A boieira é colorida
A correr pelo lavradio,
De preto e branco vestida,
Apanha o morcão vadio.

As aves são encantadoras
Dão alegria ao lavrador
E todas elas são cantoras
De belas canções de amor.

Modesto

sábado, 27 de agosto de 2011

SÊ CLEMENTE

Vem cá, minha beleza deliciosa,
Deixa-me perturbado o teu andar.
Sinto o coração suspirar, minha rosa,
Extasiados suspiros por t'amar.

Vê-me, soberana voluntariosa,
Atrai-me a luz do teu belo olhar.
Quero descobrir, lindo botão de rosa,
As fantasias que me fazes sonhar.

Mostra-me, professora afectuosa,
A cor da realidade imperiosa,
Para eu conhecer a minha essência!

Meus sonhos e visões são orlas dos céus,
'Stão alucinados os sentidos meus...
Agarra minhas ilusões, por clemência!

Modesto

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

ENAMORADOS

Enquanto me falavas, eu te olhava,
Deteve-se o tempo por um instante!
Tu já só sussurravas... Eu já t'amava,
O amor me chamava: Era constante!

A tua voz despertou meu sentimento:
O céu tornou-se visível no teu olhar!
Quando te calaste, num doce momento,
Nossos lábios só se queriam beijar!

Foi um momento de frenesí de beijos:
Pálpebras, nariz, faces e até queixos,
Instante sem fim... Ficamos a sonhar!

Quando despertamos do contentamento,
Na luxúria do nosso sentimento,
Seguimos o sonho: Fomos namorar!

Modesto

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

CAROS OS TEUS OLHARES

Olhos serenos, claros,
Vosso doce olhar me deixa abalado,
Quando me olhais fico airado
Com esses lindos olhos tão caros!
Podíeis ser mais piedosos,
Como quando tocais a lira,
Porque quando me olhais com ira,
Pareceis menos formosos!
Olhos serenos, claros,
Olhai os meus de mansinho!
Já que vossos olhares são tão caros,
Que sejam, ao menos, olhares de carinho!

Modesto

terça-feira, 23 de agosto de 2011

SENTE A VIDA

Abre a porta ao dia que t' acorda,
Abr' a janela ao sol qu' irradia,
Vai para o jardim, salta a sua borda,
Enche-te da luz do sol deste dia!

Abre o peito ao que vais viver,
Olha pró céu e vê como é belo,
Grita tud' o que pretendes dizer,
Sente a brisa afagar teu cabelo!

Vais encontrar razões para viver,
Vais seguir o que queres escolher:
Discernimento pró teu caminhar!

Vê a 'strela que por ti irradia,
Aprecia o Sol que t' alumia:
Sente o fulgor de Quem te quer amar!

Modesto

PRENCHE OS TEUS VAZIOS

Olha para além da neblina da vida,
Deixa tristeza, saudade, solidão...
Verás harmonia natural corrida
E tudo o que nela há é muito bom!

Rasga o nevoeiro denso d'amargura
Com os faróis da fé e da esperança...
Então, verás qu'a vida não é tão 'scura:
Por isso, pula, salta, ama e dança!

Transpondo a curva da tua tristeza,
Caminhando alegre na Natureza,
Encontrarás tud'o que te satisfaz!

Acorda o que em ti adormeceu
E voa pelas nuvens até ao Céu:
Viverás com a tua alma em paz!

Modesto

domingo, 21 de agosto de 2011

RECORDANDO

Sinto a brisa fresca da manhã,
Já que se foi de vez a madrugada.
Pressinto a tua candura sã,
Com sussurros, carícias... amada!

Nestes momentos com tempo e 'spaço,
Escrevo versos na folha em branco
Sint'em teu corpo desejo, abraço,
Como quando sentados no teu banco.

Gostava da tua pele macia,
Perdido, ficava em agonia,
Tu m'olhavas com desejo profundo.

Momentos sem se poder respirar!
Forte nosso desejo de amar...
Eras a minha vida, o meu mundo!

Modesto

AMOR PERSISTENTE

Teu olhar doce, tranquilo, profundo,
Cativante como o raiar d'aurora...
Tu és a mais bela mulher do mundo,
Dona de ti, por dentro e por fora.

Seguro na garganta o meu canto,
Cativo na tua doce presença,
Junto de ti também surge o pranto,
Quando quero dar a minha sentença.

Gestos lindos em minh' alma ecoam,
Como borboletas qu'em redor voam,
À beira dum regato cristalino.

Tela que testemunha persistência,
Faina de me moldar na inocência,
Pra t'amar com coração de menino.

Modesto

terça-feira, 16 de agosto de 2011

DOURO POÉTICO

Meu rio Douro azul,
Bordejado de verdura,
Belo a norte e a sul,
Com frondosa flora pura.

Sabes de rochas ocultas
Incrustadas na areia,
Com ninfas lindas e cultas
A perturbar minh'ideia.

Águas qu'o sol tempera
Estão sempre à minh'espera...
Musa que m'acaricias!

És magia incessante,
Na corrente dominante...
Meu estro influencias!

Modesto

FUI PELOS CAMPOS FORA

Fui passear campos fora,
À procura de cultivo:
Encontrei terra que chora,
Por não produzir seu trigo!

Andei mais um bom bocado,
Não vi beleza nem brilho:
Só vi campos com silvado,
Ond'antes havia milho!

Fiquei muito desgostoso
E vim embora tristonho:
Vi um jardim majestoso
Abandonad'em seu sonho!

Nele havia muitas rosas
A exalar seu perfume,
coloridas e briosas
Lembram antigo costume!

Havia botões a abrir,
Oh! beleza perfumada!
Cortar um, queria ir,
Pra trazer à minh'amada.

Mas logo senti a dor
Da mãe rosa destroçada...
Deixei-a! Troux' o odor,
Depois dela ser beijada.

Ficou a rosa a abrir,
A expandir sua beleza!
Não podia destruir
O curso da Natureza.

Modesto

FÉRIAS NA ALDEIA

Passei férias n´aldeia,
Ouvi bem o que vos digo:
Nem sequer fazeis ideia
Como mudou o antigo!

Mudou a mentalidade
De tudo aquilo que era
Diferente da cidade,
Singeleza d'outra era.

Já não se dão os bons-dias
Aos que uns por outros passam!
Sorrisos e alegrias?
São caros! E já não grassam!

A pacatez d'outros tempos?
Descanso à fresca sombra?
Parar, falar uns momentos?
Não s'encontram! Nem por sombra!

Tudo corre e rodopia...
O stress'invadiu a aldeia!
Já nada se aprecia...
Nem noites de lua cheia!

Acabou-se o romantismo
Da minha terra natal:
Desfolhadas, o bairrismo,
Os bailes e coisa e tal!

D'aldeia trouxe tristeza
E pena da Mocidade:
Não tem tempo prá beleza
Que em mim deixou saudade!

Modesto

ORIENTA-ME, ESTRELA DA MANHÃ !

Eu te procuro, doce estrela a manhã Que no lusco-fusco d' aurora 'stá desperta, Por vezes, no meio de nuvens c...