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segunda-feira, 30 de novembro de 2015

HOJE QUERIA



















Hoje queria ser aquilo tudo
Que na vida não fui e podia ser.
Era aquele sonho que mesmo mudo,
Seria eterno, mas deixei morrer...

Hoje queria pedir, que sobretudo,
Aquela ilusão de eu merecer
Aquela esperança como escudo,
Essa que sonhei, um dia receber.

Hoje queria amor sem ser reclame,
Qu' o povo vivesse uma dor menor,
Sem o sofrimento e que tanto foi!...

Mas só queria amor que não desame.
Uma solidariedade maior
E sem pobreza que tanto lhe dói!

Modesto

sábado, 28 de novembro de 2015

O OLHAR DOS GIRASSÓIS



















Quero viver neste mar de encanto,
Não junto da flor que tenha passado,
Mas da flor que ainda faça pranto
P'la paixão dum poema acabado.

A vida cruza muito desencanto
Como um sonho que foi sepultado.
Mas desse luto faz-se um canto
Ao fim do dia qu' está terminado.

Não se esquecem certos pesadelos
Que fazem esbranquiçar os cabelos
Ficando entre dobras de lençóis.

Mas é aqui que sonho docemente
Admirando o belo sol poente:
Beleza do olhar dos girassóis.

Modesto

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

ENSINA-ME A VIVER, JESUS



















Ensina-m' a voar nas Tuas asas leves,
Fica perto de mim como flor bem tratada,
Sede suave como notas semibreves,
Conduz-me por jardins na minha caminhada.

Que eu viva com meus sentidos acordados,
Como cantos de aves dentro de mim.
Que meus calvários sejam por Ti guardados
Como cravos de luz no meio do jardim.

Não Te afastes de mim nem Te vás embora.
Perdoa-me, ajuda-m' a toda a hora:
De junto de mim não Te vás jamais.

Minha vida seja canção de bem-querer,
Protege minha vida até eu morrer...
Que meus passos vão p'los caminhos que Tu vais.

Modesto

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

LIBERDADE



















Liberdade é mar que beija areia,
O céu limpo num espaço triunfal,
Noite plena de estrelas, lua cheia,
Dia de luz com um toque divinal.

Liberdade é um sonho sem barreiras,
Um coração que pulsa de emoção
Dum amor intenso que rompe fronteiras
E vence os limites do coração.

Liberdade é amor que renuncia,
Pra bem do outro que ama igual.
É egoísmo que deixa alegria
Apagar ódios, perdoar o mal.

Liberdade vê para além dos olhos,
Vê os outros com fé e compreensão,
Vive a vida, arruma os escolhos,
Não faz os irmãos viver na ' scravidão.

Modesto

terça-feira, 24 de novembro de 2015

NÃO SOU O QUE QUERO SER



















Não sei o que n' alma tenho
Porque tanta vez mudei.
E acho isto estranho:
Em mim pecados achei!
Mas eu tenho uma alma
Que quer viver santa, calma...
O que vejo, bom não é:
Só é bom amor e fé.

Aquilo que sou e vejo
Neste pecador, sou eu!
É meu sonho, meu desejo
Nada disto seja meu.
Quero ser uma paisagem
Que me mostre a passagem
P'lo mundo de que não sou
E que para outro vou.

Assim certo, eu vou lendo
As páginas do meu ser.
E da vida vou prevendo
Qu' o mal devo esquecer.
Mas tud' o que de mim li,
O que julguei e senti,
Penso: Terei sido eu?...
Senhor, a vida doeu!

Modesto

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

PARA EDIFICAR A NOVA EUROPA

O IDEAL CRISTÃO

Para edificar a nova Europa sobre bases sólidas, não é decerto suficiente apelar apenas aos interesses económicos, que se em certas ocasiões unem, noutras, em contrapartida, dividem; antes, é necessário incidir sobre os valores autênticos, que têm o seu fundamento na lei moral universal, inscrita no coração de cada homem. Uma Europa que confundisse o valor da tolerância e do respeito universal com o indiferentismo ético e o cepticismo acerca dos valores irrenunciáveis abrir-se-ia às mais arriscadas aventuras e, mais cedo ou mais tarde, veria reaparecer sob novas formas os espectros mais tremendos da sua história.


Para evitar esta ameaça, torna-se mais uma vez vital o papel do cristianismo, que está a indicar de forma infatigável o horizonte ideal. À luz dos inúmeros pontos de encontro com as outras religiões, que o Concílio Vaticano II prospectou (cf. Decreto «Nostra aetate»), é necessário ressaltar com vigor que a abertura ao Transcendente é uma dimensão vital para a existência. É essencial, portanto, um renovado compromisso de testemunho por parte de todos os cristãos, presentes nas várias nações do continente. A eles cabe alimentar a esperança da plena salvação com o anúncio do Evangelho que lhes compete isto é, da «Boa Nova» com a qual Deus Se encontrou connosco, e em seu Filho Jesus Cristo nos ofereceu a redenção e a plenitude da vida divina. Graças ao Espírito que nos foi dado, podemos elevar a Deus o nosso olhar e invocá-lo com o doce nome de «Abba», Pai (cf Rom 8,15; Gal 4,6). 


S. João Paulo II

sábado, 21 de novembro de 2015

CONFIEMOS NA NOSSA RESSURREIÇÃO



Nascer para a nova criação


«Baptizados em Jesus Cristo, foi na sua morte que todos fomos baptizados: fomos sepultados com Ele no baptismo da morte a fim de que, tal como Cristo ressuscitou dos mortos para glória do Pai, assim também nós vivamos numa vida nova. Se, por uma morte semelhante à dele, nos tornámos um só com Ele, sê-lo-emos também por uma ressurreição semelhante à sua» (Rom 6,3-5). S. Paulo mostra-nos assim claramente que o nosso novo nascimento pelo baptismo é o símbolo da nossa ressurreição após a morte. Esta realizar-se-á para nós pelo poder do Espírito, segundo esta palavra: «O que é semeado na terra morre, o que ressuscita é imortal; o que é semeado já não tem valor, o que ressuscita está cheio de glória; o que é semeado é fraco, o que ressuscita é poderoso; o que é semeado é um corpo humano, o que ressuscita é um corpo espiritual» (1Cor 15,42s). O que significa: da mesma forma que, aqui na terra, o nosso corpo goza de uma vida visível enquanto a alma está presente, de igual forma receberá a vida eterna e incorruptível pelo poder do Espírito.
 
Também assim é no que se refere ao nascimento que nos é dado pelo baptismo e que é o símbolo da nossa ressurreição: recebemos nele a graça pelo mesmo Espírito, mas com limites e à maneira de um penhor. Recebê-la-emos em plenitude quando ressuscitarmos realmente e quando a incorruptibilidade nos for efectivamente comunicada. Por isso, quando fala da vida futura, o apóstolo Paulo confirma os seus leitores com estas palavras: «Não só a criação, mas também nós, que temos as primícias do Espírito, gememos esperando a redenção do nosso corpo» (Rom 8,23). Porque, se recebemos desde já as primícias da graça, esperamos acolhê-la em plenitude quando nos for dada a felicidade da ressurreição.
(Teodoro de Mopsuesto)

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

AQUELA BRISA SERRANA



















Senti a brisa no campo
Que se transformou em vento
Fazendo meu desencanto,
Aumentando meu tormento.

Era a brisa soprada
Que fez árvore partida.
A serra er' encantada,
Mas d' ilusão abatida.

Já o sol se escondia,
N' horizonte de desvelo.
No meu desejo havia
A admiração ao vê-lo.

A sombra no horizonte
Era a nuvem sombria.
Quase como numa fonte,
Veio água bem fria.

Fui ao alto ver o mundo,
Ver os vales asseados,
Mas a chuva calou fundo,
Deixou montes alagados.

Modesto

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

AMO A TERRA MÃE

















Sentado à sombra de um cipreste,
No muro da rua, estou exposto
A que me tirem tudo o que me reste
Menos a lembrança d' antigo posto.

Se voltar à Terra me for proposto,
Ficarei bem mesm' em solo agreste,
Porque o Senhor me tem recomposto
Da saudade que ainda me reste.

É esperança, talvez, derradeira
De marcar agor' a minha fronteira
Onde minha Terra Mãe me estreita.

A tua paz calará meus protestos
De não ir só deixar meus restos...
Quero ver tua luz que me deleita.

Modesto

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

HISTÓRIA

















Pode ser comum o meu curso de História.
Corriqueiro e até mesmo banal.
Mas a vida faz a sua trajectória:
Deixou-me na alma um profundo sinal.

E não digo isto por nenhuma glória.
Sou humilde, mas não sou como cristal.
Reforcei com ela a minha vitória,
Refiz a vida, sou mais sentimental.

Já muitas vezes enfrentei o desdém.
Mas sei tudo o qu' a História risca:
Não é o mesmo do que dela se diz.

História é memória que vem
Ensinar-me a viver hoje - é isca
Que me ajuda também a ser feliz.

Modesto

terça-feira, 17 de novembro de 2015

ESPERA CONFIANTE

















Fica alma de criança,
Sonho do amanhecer,
Pra qu' eu tenha confiança
Na espera pra te ver.

Tens contigo tod' o tempo
Pró amor acontecer.
Chega-t´ao contentamento:
Sonho do amanhecer.

Deix' o coração à porta,
Porta que dá pró jardim.
A esp'rança se comporta
Como a flor do jasmim.

É suave minh' espera
Pra ver teu amanhecer.
Quando vens, é Primavera,
Estás sempr' a renascer.

Modesto




sábado, 14 de novembro de 2015

VAGUEANDO PELO JARDIM



















No jardim sinto perfumes
Qu' andam à volta de mim,
Aliviam meus queixumes
Num silêncio sem fim.

Meus pensamentos vagueiam
Pelos meus íntimos segredos
E as flores me nomeiam:
"Afagador com seus dedos".

No meu jardim sou amado
E sinto tranquilidade,
Calço-as com cuidado,
Trato-as com bondade.

Mas... vivem em cativeiro
Triste e descompensado!
Tenho-lh' amor verdadeiro,
Como no tempo passado.

É um sonhar acordado,
Beijo-as enternecido.
Sei que é sonho amado,
Ou sonho adormecido?

Modesto

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

LUGARES BUCÓLICOS




















Há muitos lugares bonitos, bucólicos
Que são bordados por finíssimas tramas,
Com'os pensamentos voando insólitos,
Opostos em dias, meses e semanas.

Têm textura de incerto valor
Aquele que meu pensamento alcança...
Hora de silêncio arrasador,
Mas que me anuncia a esperança.

Na saída, há sentimento de paz
E a verdura traz esperança crua,
Onde mergulho com minha alma nua.

Deixo para trás o anseio fugaz,
Trago comigo odor e perfume...
Vejo o crepúsculo com sol em lume.

Modesto

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

NO CAMPO, AO CAIR DA TARDE

























Sobre os montes e campos perfumado
Estendam-se véus de sombras e palores
E os verdejantes cerros escalvados
Cingem, no entanto, vividos fulgores.

Trabalhadores em cismas mergulhados
Voltam do campo os pobres lavradores,
Entoando os seus cantos magoados
E soam no ar bucólicos rumores.

E o sino, em doloroso acento,
Toca para prece, o povo suspira,
Ao ritmo do sino, canta seu lamento.

Tocand' à janela com gigante lira,
'Stá a menina entoando ao vento
E à luz do sol que no poente expira.

Modesto

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

LUA CHEIA














A tarde está tão serena que parece
Que vem do hálito que sobe do teu sono,
Enfeitiçada de calma, a tarde desce
E vejo-te ir nas nuvens abandonada.

Vais já longe, no mar, mas lenta e leve
A exalar belos sonhos desse sono.
E é do teu brilhar que minha mão escreve
Tudo o que revejo do teu abandono.

Dormes como o voo duma ave leve
E vejo-te em pleno mar de luz e céu,
Linda e absorvida no teu sono leve.

Vais abandonada nesse pó de estrela.
Quem me dera poder voar assim p'lo céu!
Só te posso observar da minha janela...

Modesto


terça-feira, 10 de novembro de 2015

DESEJO DE AMAR
























Amo-te desde o primeiro momento,
Sem saber se estou certo ou errado.
Tenho apenas um grande sentimento:
Ver o teu corpo sempre mais desejado.

Amo-te ao ritmo do meu coração.
Gosto dos momentos passados contigo.
Eu vivo abraçado a esta paixão,
Cada segundo penso ser teu amigo.

Vivo um sonho quase concretizado.
E serei feliz nos dias que viver
Em plenitude, se por ti for amado.

E é a grande razão que me faz crer
Que não poderás deixar de me querer...
Só espero vir o tempo ajustado.

Modesto

sábado, 7 de novembro de 2015

Somos administradores dos bens doados

«Quem é fiel no pouco também é fiel no muito»


Tens de saber de onde te vem a existência, o sopro de vida, a inteligência e aquilo que há de mais precioso, o conhecimento de Deus, de onde te vem a esperança do Reino dos céus e a de contemplar a glória que hoje vês de maneira obscura, como num espelho, mas que verás amanhã em toda a sua pureza e brilho (1Cor 13, 12). De onde te vem o facto de seres filho de Deus, herdeiro com Cristo (Rom 8, 16-17) e, se ouso dizê-lo, o facto de seres tu próprio um deus? De onde te vem tudo isto e através de quem?
Ou ainda, falando de coisas menos importantes, as que se vêem: quem te deu a beleza do céu, o curso do sol, o ciclo da lua, as incontáveis estrelas e a harmonia e a ordem que as regem? [...] Quem te deu a chuva, a agricultura, os alimentos, as artes, as leis, a cidade, uma vida civilizada, relações familiares com os teus semelhantes?
Não foi Aquele que, antes de mais nada e em paga de todas as suas dádivas, te pede que ames os homens? [...] Se Ele, o nosso Deus e nosso Senhor, não tem vergonha de ser chamado nosso Pai, podemos nós renegar os nossos irmãos? Não, meus irmãos e meus amigos, não sejamos administradores infiéis dos bens que nos são confiados. 
(S. Gregório N.)

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

MÁGOAS RESTAURADAS


















Hoje quero escrever
Sobre páginas de mágoas,
Para que voltes a ler
A história das lágrimas.

'Stou no banco da memória
- Que nunca me falt' a tinta -
Pra 'screver tod' a história
Do amor-mágoa sucinta.

Entre folhas espalhadas
Qu' inundam meu coração,
Há mágoas derramadas
Com sabor d' expiação.

Dor em flor restauradas
Todas vieram verter
As lágrimas já passadas
Pr' em amor se converter.

Então, quero escrever
Em flores as minhas mágoas.
Vem ver, ao amanhecer,
Meus olhos secos de lágrimas!

Modesto

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

TRISTEZA COM ESPERANÇA



















Trago uma tristeza indefinida
Que prematuramente me envelhece,
Dando à vida a sombra de outra Vida,
Ajudando-m' a ser contrição e prece.

Este dia dos defuntos me intimida.
O meu corpo quente quase arrefece,
Bate sempre na mesma velha ferida,
Faz-me recolher com lágrimas e prece.

É condição da essência humana
Que sente a vida num curso incerto...
Existência falaz que nos engana.

Mas sinto que vibra em mim Alguém perto
Que me dá certeza desta caravana
Atingir a Vida que não é deserto.

Modesto