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quarta-feira, 27 de março de 2013

PÁSCOA NA ALDEIA






















Páscoa, tempo de giestas floridas,
Do rosmaninho calcado nas ruelas,
Das ricas colchas penduradas nas janelas,
Dos bem-me-queres, amores, margaridas.

Os campos cheios de belíssimas flores,
Há as canções, o riso , e alegria.
Os sinos vão repicando "aleluia"
Quando o Compasso sai p'los redores.

Páscoa na aldeia, tempo de lembranças:
Afilhados, os folares das crianças
E nossas almas a receber a Luz.

A Primavera visita nossas casas,
Entram a Fé e o Bem que ganha asas...
E o Compasso vem-nos trazer Jesus.

Modesto

segunda-feira, 25 de março de 2013

DA MONTANHA ATÉ AO RIO






















No sopé das colinas espero a tarde chegar.
Mergulho na saudade do amor que faz viver,
Um amor qu'em grandeza é maior que o mar,
Amor que parece dor e o corpo faz arder.

Queria ter asas para as colinas sobrevoar
E em cada uma pousar e na neblina te ver,
Teu vulto 'scondido qu'à distância parece brilhar,
Faz de ti mais bela, se ainda o possas ser.

No espelho das águas do rio reflectida,
A imagem da montanha paralisa, silencia!..
E no silêncio faço-te uma poesia.

Soa um grito de tristeza na hora da partida!
Atrás da montanha aparece a lua cheia,
Teu vulto espelhado no rio faz de ti uma sereia!

Modesto

sábado, 23 de março de 2013

SEMEAR O AMOR






















Vou escrevendo neste mundo
O que procuro semear,
No solo das almas, profundo,
Ideais d'ouro a germinar.

É sempre feliz quem semeia
Ideias de paz e perdão
E quem ensina e planeia
Sentimentos de amor cristão.

Amor, essência sublime,
Desde os tempos ancestrais
Qu'a alma humana se redime,
Fruto de dores abissais.

Se queres viver uma vida
Bem embrenhada na missão,
Momentos de paz não olvida
Nem de servir o teu irmão

Modesto

quinta-feira, 21 de março de 2013

SER POETA






















Ao nascer das estrelas, um sorriso cristalino
Traz-me a inspiração vestida de sentimento
Que ao escrever me faz ser rei ou ser menino,
Cavaleiro destemido na vida em movimento.

Se numa folha branca um arco-íris nascer
Com palavras coloridas por um bom asceta,
É o amor ou o sonho que faz renascer
Esta loucura tão bonita de ser poeta.

As coisas acontecem assim na vida.
Já sou árvore desgalhada e esquecida!
Brindo à tristeza, sublinho a esperança...

Entre os versos ilusórios sai coisa cara:
Uma rima perfeita que faz a jóia rara,
Dentro do poema, sou poeta, sou criança.

Modesto

quarta-feira, 20 de março de 2013

JUVENTUDE PASSAGEIRA


















Colham botões de rosas enquanto podem,
O velho tempo continua voando:
Essas belas flores hoje vos sorrir podem,
Sabei que amanhã estarão expirando.

O sol glorioso qu'ilumina o céu,
Quanto mais se eleva, mais faz brilhar,
Mas, bem cedo procurareis o chapéu
E rápido se estará a apagar.

A melhor idade é nos vossos tempos,
Quando coração e sangue pulsam quentes.
Mas esses impulsos são como os ventos:
Sucedem-se e arrastam inclementes.

Por isso, com recato, usai o tempo,
Enquanto podeis viver e festejar.
Idos os áureos anos, há lamento...
Tereis o tempo todo pra repousar!

Modesto




terça-feira, 19 de março de 2013

SONHO E DESTINO






















Tenho pés que pisam nuvens mais que chão,
Um olhar que vê além do que enxerga,
Um corpo que aos estorvos não se verga
E mente obediente ao coração.

Sigo o sonho qu'o destino reservou
Entre pedras, árvores, plumas e flores.
S'ando no chão, há ódios e amores...
Nem sei ao certo quando e pr'onde vou.

Vou seguindo a estrada do destino,
Acompanhado do dom amor divino,
Desde sempre em minha alma escrito.

Não desisto se o sonho é sofrido,
Sigo o caminho árduo e dorido...
Sonhando, ganho o galardão bendito.

Modesto

sábado, 16 de março de 2013

EU QUISERA






















Eu quisera salvar a distância
Deste abismo fatal que nos agride.
Embriaguei-me de amor com fragrância,
Mística pura que do teu ser derive.

Eu quisera ficar c'um dos teus laços
Com que decoras teus belos cabelos
E queria, no colo dos teus braços,
Ter a dita d'em volta de mim tê-los.

Eu quisera ser a água e as ondas
Onde teu corpo viesse banhar-se,
Para poder, num dos sonhos que sondas,
E nesse sonho poder abraçar-te.

Eu quisera ser porta e tu fecho,
Para nas sombras do ardor cobrir-te,
Brincar com os lacitos do teu peito,
E morrer de prazer ao comprimir-te.

Oh! Eu quisera muito mais! Quisera
Levar-te em mim nas nuvens de fogo
E nelas voar por toda a esfera,
Agarrados, ficar unidos logo.

Quisera unir a nossa essência,
Agarrar-nos de braços estendidos,
Unir a tua à minha existência
E consagrar a ti os meus sentidos.

Modesto



quinta-feira, 14 de março de 2013

DESABROCHAR DA PRIMAVERA

















Quando meu pensamento chega até ti, se perfuma.
O teu olhar é tão doce que se torna profundo.
Sob teus pés descalços há nuvens brancas de ´spuma
E teus lábios são colinas que alegram o mundo.

O amor passageiro tem um encanto breve
E oferece igual término pró gozo e pena.
Pode estar o nome gravado uma hora na neve
Mas apenas um minuto o amor numa arena.

As folhas amarelas caem sobra a alameda,
Onde vagueiam tantos pares amorosos.
No fim do Inverno há folhas em queda!
Está a desabrochar  Primavera e tuas rosas.

Modesto

quarta-feira, 13 de março de 2013

OUVIR COM OS OLHOS

















Como o actor no palco é perfeito,
Faz o seu papel e sabe o teor,
Eu tendo cheio de amor o peito
E o coração se quebra por temor.

Em mim, por timidez, fica escondido
O rito mais solene da paixão.
O meu amor vejo enfraquecido,
Vergado pela própria dimensão.

É como livro minh'eloquência,
Arauto mudo do que diz meu peito
Que quer amor e não tem recompensa.

Mais que falar, qu'é o que tenho feito,
Aprendo a ler o qu'escrevo calado:
Ouvir com os olhos, é o meu fado!

Modesto

segunda-feira, 11 de março de 2013

QUERES SER FELIZ?


A felicidade é como uma pluma
Que o vento leva pelo ar.
Voa tão leve,
Tem vida tão breve...
Precisa de vento sem parar.

A felicidade é uma gota
De orvalho na pétala duma flor.
Brilha tranquila,
Na pétala oscila...
E cai como lágrima de amor.

A felicidade é coisa delicada
E é muito boa também.
Tem flores,
Tem amores,
Tem todas as cores...
Tudo de bom ela tem.

A felicidade é um sonho
E sempre bem guardado.
O tempo vai passando,
Nós vamos colaborando...
A ele bem agarrado.

Mas deixem-me sonhar, por favor
Para que alegre vá acordando,
Já que tudo vai debandando...
Só fica o verdadeiro amor.

Modesto

domingo, 10 de março de 2013

CHUVA MANSA

















Chuva miúda a cair
De mansinho e com calma,
Vai molhando o florir
E lavando a minha alma.

Chuva a cair tão mansa,
Paisagem, daqui de dentro,
traz-me aquela lembrança
De profundo isolamento!

Chuva que cai em silêncio,
Na tarde sem claridade...
Ao meu sonho d'hoje, vence-o,
Qu'é d'infinita saudade!

Chuva caindo tão mansa,
Com suave intensidade,
Hoje a minh'alma descansa
Em branda serenidade.

Modesto

sexta-feira, 8 de março de 2013

CONDUZIDO PELAS ESTRELAS



















Cada verso é um acorde dos ventos,
Que ascende o céu conduzido p'las estrelas,
Rastos de letras de velhos outros tempos,
Escritos e revistos à luz das velas.

São do sol matutino os riscos lentos
Que passam as frestas da minha janela,
Ajudam à leitora de versos aos ventos...
À arte nova qu'até custa a lê-la.

Eu bem sei que nenhuma arte se cala
Em silêncio, com ruído se declara
Em cadência de dor ou euforia.

Devia eu ser esta beleza que 'screvo,
Que encantasse, mas que não me atrevo,
Falta-me a estrela do meu dia a dia.

Modesto

quarta-feira, 6 de março de 2013

NOITE DE PRIMAVERA
















Sob a fresca sombra de uma figueira,
Repouso meu corpo cansado, dorido.
Olhando as aves na sua canseira...
Eu sonho antes de ter adormecido!

Encarnado o horizonte, desvanece.
A tarde cai e o vento é fresquinho
E diz-nos que o dia adormece...
A vida nocturna acorda cedinho.

A coruja 'spreita o rato distraído,
Nas árvores perto anda um passarinho
Procurando o filho que tinha caído...
Aconchega os filhotes no seu ninho.

A lua nasce bela e majestosa,
Iluminando os prados e as colinas,
Tornando a noite linda, maravilhosa,
Alumiando as flores das campinas.

Contemplo o brilho das estrelas no céu
Sob o olhar da lua que me vigia.
A aurora despe o seu negro véu,
Tud'acorda pra um radioso dia!

Modesto

terça-feira, 5 de março de 2013

AMOR AMENIZANTE DA MÃE


















Vejo-me tão só em amargo pranto,
Agonizante na vida, sofrido...
Ecoa na minha alma um canto
Que me cantavas com amor vivido!

Abafo os soluços, consumido,
E lembro o amor que davas tanto!
Quero que nunca seja esquecido
O gesto de me cobrir com teu manto.

No meio das flores vejo o teu vulto!
És a personificação das flores,
Suavidade e beleza são os teus frutos.

Encantas-me na beleza das cores!
Na minha mente, tua alma é culto,
Lembranças que amenizam minhas dores.

Modesto

segunda-feira, 4 de março de 2013

MOMENTOS RELACIONAIS DA ALMA
















Os instantes superiores da alma
Só nos acontecem na solidão.
S'o amigo, terrena ocasião,
Se retirar para longe com calma.

Ou quando a própria alma subir
A um plano elevado tão alto
P'ra reconhecer a aura do salto
A qu'a Omnipotência s'abrir.

E não é abolição da moral,
Esta que é tão rara, mas tão bela,
Como aparição de nova 'strela,
Mas sujeita a um corpo mortal.

A revelação da eternidade
Aos Seus favoritos - que são bem poucos
E alguns pensam qu'esses são loucos -
São substância d'imortalidade.

Modesto

domingo, 3 de março de 2013

LIVRO DAS MEMÓRIAS






















Ainda me lembro e com respeito,
Do dia em que olhaste para mim!
Idas suadas, aperto no peito,
Já sabia que eras para mim.

E hoje, já passados tantos anos,
A mesma realidade a dois.
Já falham memórias, não os planos
Como vontade, paixão... o depois!...

A vontade não chega mas perdoa
E a saudade no peito aperta,
Vidas vividas e com bom viver.

A memória já nos atraiçoa...
É sempre o coração que desperta
Prás coisas que devíamos ir ver.

Modesto

sábado, 2 de março de 2013

O CADERNO DOS MEUS SONHOS






















Nestas folhas velhas, já amareladas
Deste caderno onde escrevo meus versos,
Nas margens são tantas notas registadas,
Como são os sonhos do meu universo.

E quantas dores nestes contos de fadas!
São linhas simples, mas poemas complexos:
Nas entrelinhas, histórias contadas,
No fundo da alma, há os meus reflexos.

Da janela, agora, entreaberta
Entra vento fresco... as folhas revolve,
Folheia-as todas de forma incerta.

Enquanto da alma a poeira remove,
São tantas as lembranças que em mim desperta
Que nos meus sonhos de novo me envolve.


Modesto

sexta-feira, 1 de março de 2013

Jubilosos momentos da infância

















Saudade... tempos idos da minha infância.
Tudo felicidade... não havia dor.
Corria pelos campos, cortava distância...
Era o meu mundo, recanto abstractor.

A brisa quente que tocava meu peito
Fazia das ervas ternas canções de amor.
Jubilosos momentos, tud'era perfeito,
Eu, criança, bailava como sonhador.

Minha vida, sumptuosidade pueril,
Era alegria, não sentia solidão,
Liberdade de uma vida pastoril.

Deleites para meu pequeno coração,
Toda a infância, existência serril...
A lembrança dá-me saudade, emoção!

Modesto