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terça-feira, 30 de abril de 2013

O VALE ALPINO




Que saudades tenho de ser menino
Há muita dor e muita ansiedade...
Linda a terra do Vale Alpino!
Sair de lá, é perder a liberdade!

Laranjais, trigais, flores de mil cores
Consolavam minh'alma, claridade!
Aqueles pássaros mui bons cantores...
Ó tempo de minha tenra idade!

E as minhas ovelhas!...Onde estais?
Eram tantas e nenhuma perdi!...
Ainda vos encontraria ali?

Voltai, tempos antigos que vivi!
Vinde rever... Mas já não contemplais
O Vale Alpino com os seus trigais!

Modesto



segunda-feira, 29 de abril de 2013

A FLOR DOURADA DO PINHO



















Tenho, na minha terra, um pinhal
Que muita gente gosta, com certeza.
Tem pinheiros grandes, uma beleza!
Eu sei que vai cumprir seu ideal.

O pólen deste pinho não é mal
Pois vai fertilizar a Natureza,
Ao encontro das flores com nobreza,
Cuja esperança é o verde natural.

O ouro vem do Douro não da flor.
Põe-se a demolhar o verde linho
Nas águas paradas e muda de cor.

Dourada é e flor do verde pinho!
O pinhal é, em suma, muito amor:
Meu berço, meu brinquedo, meu cantinho!

Modesto

sábado, 27 de abril de 2013

ORVALHO DE ABRIL
























O orvalho vai caindo
E traz recados do céu,
Deixa as flores luzindo
Na noite com brilho seu.

Damas da noite cheirosas
Perfumam tudo em redor
Numa sensação gostosa,
A brisa agita a flor.

A lua vê lá do alto,
Pastoreando estrelas,
Brilhando, lá dá o salto,
Procurando as mais belas.

Tanta emoção despertada
Pelo orvalho da noite,
Faz brilhar a madrugada,
Mesmo qu'o frio o açoite.

Orvalho ensina a amar,
Faz-nos ver, compreender
Qu'é preciso contemplar
Pró belo nos dar prazer.

Modesto

quarta-feira, 24 de abril de 2013

TEMPOS QUE NÃO ESQUECEREI

























Há encanto neste doce sentimento.
Nele encontro anseio do meu viver.
Um amor que resiste tanto tempo...
Porque só tu me consegues entender.

Sobrevivo pela tua atenção,
Desespero procurando teu olhar.
Tu estás presente no meu coração
Que vai batendo só para te amar.

Eu amo-te com a minha saudade
Que vive de manhã ao anoitecer.
A toda a hora há esta ansiedade
Que te busca a cada amanhecer.

Tu ensinaste-me o que é amar
E eu deixei que fosses o meu abrigo.
Há sempre momentos para guardar,
Momentos lindos quando estou contigo.

Reacende na minh'alma a emoção
Dos tempos belos que contigo vivi,
Lembra-me o bater do meu coração,
Naqueles tempos que nunca esqueci.

Modesto

terça-feira, 23 de abril de 2013

POEMA É FOGO





















Meu poema é um fogo que arde!
É como corda de uma viola
Que se gastara sem alarde...
É canto de pássaro na gaiola.

É fogo que queima. Não é d'agora!
E junto ao teu coração é quente.
Poema quente que ferve e devora
Espaço que s'opõe entre a gente.

É canção de agora e vibrante
Outrora serenata, já  aflora
Às rosáceas faces bem brilhantes.

É fogo em que dançamos o vira:
Começa, alastra, queima, devora...
É corda de viola, harpa, lira!

Modesto

domingo, 21 de abril de 2013

ÚLTIMA FLOR

























Era a última flor, casa vazia,
Pés molhados no escuro do chão...
Só havia uma flor, não sabia,
Fiquei sozinho com a solidão.

Meu último amor! Quem adivinha?
Só a vi breve na escuridão!
Ofereceram-m'aquela florzinha
Que agora jaz calcada no chão!

Era do último amor-perfeito,
A última flor e... Tudo desfeito...
Ouvi palavras que não percebia.

Entre fulgores e vozes passadas,
Na ternura de faces afagadas,
Minha flor à terra nua of'recia!

Modesto

sábado, 20 de abril de 2013

A MINHA VIDA ANOITECE

























Sinto da noite a nudez
Qu'arrefece a minh' alma,
Sinto na noite a surdez
Entre sonhos e a calma.

Sinto a noite esquecida
E que já foi muito bela,
Outra noite pervertida,
Causa da cadente estrela.

Sinto noites de paixão,
De encantos, de amores...
O cansado coração
Lá vai causando as dores.

À tarde, quando anoitece,
Fico cheio de alegria,
Mas conforme a noite cresce
Desaparece a magia.

Sinto noites qu'arrefecem
E não sei se amanhece,
Há noites que entristecem...
A minha vida anoitece.

Modesto

sexta-feira, 19 de abril de 2013

HUMILDADE






















As águas beijei
Na sua pureza.
Às árvores cantei
P'la sua beleza.

As nuvens olhei,
São uma beleza,
É força da Lei
Da linda Natureza.

Os bichos amei
Na Mãe-Natureza
E não me senti rei
P'la sua pobreza.

Humilde é virtude,
É sabedoria,
A melhor atitude
É a cortesia.

Modesto

quinta-feira, 18 de abril de 2013

DEIXO-TE






















Deixo-te o meu sorriso
Com cheirinho a amizade
E um beijinho com siso,
Votos de felicidade.

Deixo também minha mão,
Se acaso precisares
De afago no coração
E um ombro pra chorares.

Deixo também meu carinho...
Mas não t'esqueças de vir
Aquecer o meu cantinho:
Tem algo para sentir!

Deixo, pois, o meu segredo,
Para ti sem novidade:
O medo que tenhas medo
De chorares de saudade.

Na imensidão d'aurora
Que ilumina as emoções,
Tudo vai ser como agora:
Juntos alma e corações!

Modesto

quarta-feira, 17 de abril de 2013

TENTA!



Não digas ser incapaz
Sem antes haver tentado.
Sem tentar nada se faz,
Conseguir custa um bocado.

Realizar o grande sonho,
Sempre 'stá ao teu alcance.
Não te sintas enfadonho:
A força faz que se dance!

Se não podes, Deus ajuda!
Então porque desistir?
Mas pede a Deus, não a Buda:
Que esse só nos faz rir...

Existe felicidade
Mas tem muitos sacrifícios:
Ser feliz e ter bondade
E não fazer desperdícios.

Acredita sempre em ti,
Busca teu potencial,
Motiva o que tens em ti,
Auto-'stima é o aval.

Modesto

segunda-feira, 15 de abril de 2013

SORRI














Sorri quando a dor te torturar,
A saudade te atormentar
E os dias forem vazios de amor...

Sorri quando tudo terminar
E já nada mais restar
Do teu sonho encantador...

Sorri quando o sol perder a luz,
Sentires o peso da tua cruz
E os ombros cansados de dor...

Sorri! Vai mentindo à tua dor,
Porque ao notar que tu sorris,
Toda a gente vai supor
Que és um homem feliz!


domingo, 14 de abril de 2013

DEPOIS DA PÁSCOA

























A Comunidade Cristã tem por missão testemunhar
E concretizar
O projecto libertador que Jesus anunciou.
Jesus vivo e ressuscitado vai sempre acompanhar
A Igreja em missão que Ele criou,
Vai-a sempre vivificar
E com Sua presença orientar,
Com a Sua Palavra que pregou.
O mundo opõe-se ao Projecto Libertador.
Mas o Cristão deve pregar,
Anunciar e testemunhar
O Amor.
A Criação inteira manifesta a glória
Do Cordeiro Vitorioso,
A sua alegria e o seu louvor...
E Jesus, coroado de glória,
Dá-nos o êxito vitorioso.

Modesto

sábado, 13 de abril de 2013

MÁGICOS SONHOS





















Como ao luar da noite as flores dormem,
Vem dormir sob a luz dos olhos meus!
Hão-de as brisas beijar-te como homem
E desmaiar de amor nos seios teus.

Como estrela brilhante de amores,
Tanta luz sobre o campo, entorna,
Oh! deixa os raios do luar formar flores,
Ornar de "bouquets" a fonte morna.

Deixa que eu, como doido ou brioso
Me embeba nos teu olhos transparentes,
E embalado num sonho fervoroso,
Ouça-te no peito as pulsações ardentes.

É tão doce, tão lindo ver-te bela,
Pobre andorinha errante dos amores.
Achaste um coração na Primavera
Ficaste como as aves e as flores.

Anda teu coração ardente, campestre,
Como fénix das cinzas a erguer-se
E ungir-se com o bálsamo celeste
E no Jordão do amor vai embeber-se.

Mesmo os mágicos sonhos de aventura
Podem embebedar-te as Primaveras
E um culto platónico de alma pura
Querer-te o coração e amar-te deveras.

Vem! É tão bom amar nas noites belas!
Vem remir-te no amor, anjo de Deus!
Hão-de os meus beijos chegar às estrelas
E as brisas desmaiar nos seios teus!

Modesto

sexta-feira, 12 de abril de 2013

PASSAR A NOITE NO CAMPO
























Ao terno suspirar do arrolo brando,
Quanto é belo o repouso em campo ameno!
Em noite de verão com vento brando,
Em noite em que o luar brilha sereno!

Acordo, em silêncio, em alta noite,
Em volta jaz a terra adormecida;
Versejo um minuto à lua, à noite
E torno a dormir... Que bela vida!

Se ouço o piar duma ave nocturna
Solta-se a ela mesma um doce canto,
Lanço um olhar à lua taciturna
E torno a dormir sob o seu manto.

Não há vida melhor nem mais sublime!
Não a troco por outra, ainda que bela.
Não há nada no mundo mais firme
Que o homem a contemplar a sua estrela.

É belo o despertar e, por agora,
Suavemente as pálpebras se erguendo
Dir-se-ia a serena e branda aurora,
Que vai rubra madeixa desprendendo..

Sento-me abrindo os olhos com toda a calma,
Lançando a mão direita, agarro a lira,
Preludio um canto, um canto d'alma
E meu doce coração terno suspira.

Erguendo-me sacudo as vestes e a lira
Componho o vestuário com asseio,
E, cuidadosamente, segurando a lira,
Vou dar pelo campo almo passeio.

Procuro, depois, uma serrana
E teço uma endecha, após um beijo,
Que é com beijos qu'o vale se aplana,
Embora à face ardente assome o pejo.

Não há vida melhor, por certo, tão firme!
Não a troco por outra, ainda que bela;
Não há nada no mundo mais sublime
Que amar-se uma rústica donzela.

Modesto

quinta-feira, 11 de abril de 2013

AMANHECER


















Quando amanhecer o dia no meu coração
Teu olhar vir nascer no horizonte
O sol iluminando a minha vida
Colorindo a nossa Natureza
Acentuando a beleza
Com luz, calor e amor,
Nossos carinhos, nossas carícias afagadas
Nossos caminhos, nossas vidas,
Compartilhadas, unidas
Cada vez mais cultivadas,
Vão florescer os nossos dias
Que se abrem à paixão
No nosso jardim de amor.

Modesto

quarta-feira, 10 de abril de 2013

REALIZAÇÃO
























É utopia ou discernimento?
Sabes que discernir é compreensão...
Vê bem o verdadeiro sentimento,
Concluis qu' utopia é ilusão.

Para! Concentra-te por um momento.
Pergunta ao teu nobre coração,
Expulsa de ti todo o lamento,
Fica apenas tu em oração.

A inteligência a contento
É e sempre será a solução
Na conquista de um novo intento.

Sem medo! É vida em evolução!
Transformar e querer estar atento,
Se conquista a realização.

Modesto

terça-feira, 9 de abril de 2013

ESTRAGOS NO MEU JARDIM

























Fugiram as cores das flores
Do meu jardim.
A violeta que era, para mim,
Junto com os amores,
O tom da Primavera,
Vestem uma cor desmaiada
E não alegre como era.
A tempestade dos meus gestos,
Contrapõe-se à brisa suave,
Na tentativa de preservar
O meu jardim.
Acabei por não ver a qualidade
Do tempo que fez fracasso
E eu tenho, assim,
Com animosidade,
Tomar o tempo escasso,
Para as flores desabrocharem.
Por mais que tente
Endireitar as linhas do meu papel,
Ficam sempre as rasuras.
E se rasgar o papel,
Ficam as memórias inseguras
A embebedar-se do mel
Das abelhas nas flores e suas travessuras.
Então condeno-me sem piedade,
Oculto as minhas diabruras
E reivindico sobriedade.
Vendo assim o meu jardim,
Não vou ter mais pena de mim,
Deixo de me recriminar
 E ao tempo perdoar
Os estragos que me fez
E procurar lembrar
Que já houve outra vez
Em que o fez melhorar.

Modesto

segunda-feira, 8 de abril de 2013

MÃOS DA MÃE





Mãos qu' a rosa acaricia,
Alivia o sofrimento,
A minha mão amacia
 A tod'e qualquer momento.
 
Mãos dos sonhos de criança
A guiar os passos lentos,
Teu amor dá esperança
E ouve os nossos lamentos.
 
Dirigem meu caminhar,
Tecem o meu vestuário,
Consola o meu errar...
Depois reza o rosário.
 
Mãos ternas d'amor, carinho...
O coração sab'end'reitar.
Orientam meu caminho
No meu primeiro amar.
 
Mãe que m'ensinou o bem
P'ronde minh'alma caminha,
É tua mão, minha mãe,
Que me guia, tão velhinha!
 
Modesto
 

segunda-feira, 1 de abril de 2013

RESSURREIÇÃO






















Primavera gentil que nos traz o amor,
Arca cerúlea das ilusões etéreas...
A terra chora os teus feitos de amor
E o céu imite cintilações sidéreas.

Esplende e vem o Senhor com fulgor
Com auréola azul e olhos risinhos.
Tu que sorveste o fel de toda a dor,
Ressuscitaste, trazendo o néctar dos sonhos.

Faz com que não volte mais o triste Outono
Dias que nos trazem os pecados tristonhos,
Pra podermos dormir o etéreo sono.

No Sepulcro há cheiro a rosa e flor,
Na Arca Sagrada há cerúleos sonhos,
Alegria de quem encontra o Senhor.

Modesto