terça-feira, 31 de maio de 2016

SENHORA RAÍNHA

























Abençoado seja Teu nome,
Maria, és Senhora sem igual,
Tuas graças nos saciam a fome,
Senhora, Rainha de Portugal.

És a terna Mãe do Filho de Deus,
Protectora, fomos-Te confiados.
Maria, nossos louvores são Teus,
É missão dos que foram baptizados.

Maria, és a belíssima flor!
Pra nós, és Senhora Imaculada
E nós somos fruto do Teu amor,
Rainha da Nação qu' és coroada!

Modesto

segunda-feira, 30 de maio de 2016

PELA VIDA FORA













Vivi a vida de braços abertos,
Ajudei-te a viver na primavera,
Entre as flores dos jardins abertos,
Deixando-t' entre lírios e heras.

Agora apascento teus afectos,
Sou pastor ao sol no vale das esperas,
Conduzo flores em jardins abertos,
Em vales verdejantes de quimeras.

Tenho páginas 'scritas de carinhos,
Afagos de pétalas sem espinhos,
Segredos nos amores da paixão.

Vivo pra te ter na eternidade
Com flores no finito da saudade...
Hoje aconchegas meu coração.

domingo, 29 de maio de 2016

UNIDADE NA NATUREZA

















A Natureza é um templo com pilares
Que deixa fluir as palavras p'las frestas,
Os homens passam através das florestas
Vendo símbolos d' olhar familiares.

Como ecos qu' além juntam seus rumores
Em nobreza e profunda unidade
Tão ampla como noite ou claridade,
A que correspondem sons, perfumes, cores...

Há perfumes que nos trazem esperança,
Meigos como oboés à distância,
Outros como odores correspondidos.

E expandem-se como coisas sem fim
Como incenso, almíscar, benjoim...
Homens cantam com a alma e os sentidos.

Modesto

sábado, 28 de maio de 2016

ANÚNCIO DE PRIMAVERA












Um aroma subtil na veiga espalha
A leve brisa. Surge a loira abelha,
O puro néctar matutino orvalha,
Do lindo cálice d' uma flor vermelha.

Vento sul, no bosque, acima, espalha
E o frio lago azul a sombra espelha.
Soa a campainha finos sons chocalha
A triste e saudosa branca ovelha.

Loira menina vai procurar a trilha,
Trazendo nos curvos ombros grande bilha:
Vai à fonte, fio d' água que marulha,

Em viço a mata escura abrolha,
Treme um pingo de luz em cada folha,
S' o vento ali passa em doce bulha.~

Modesto


sexta-feira, 27 de maio de 2016

ENTARDECER COM POESIA

















Breves momentos! Depois dum comprido dia
De penas, de incómodos e de cansaço...
Posso-m' a ti entregar, doce poesia,
Mesmo qu' o corpo se sinta partido, lasso.

Com a janela aberta à luz tardia
Da lua cheia a clarear espaço
Na transparência 'strelada, noite fria...
Inspiras-me, bela musa, a cada passo.

Ao chegar, teu breve beijo me vivifica.
Na mesa onde escrevo rápido fica
Um verso, um pensamento, uma saudade.

Mas, como já é tarde, depressa flutuas.
Em cima do papel, restam penas tuas
Que tornam estéril a sensibilidade.

Modesto

quinta-feira, 26 de maio de 2016

O DOURO E A LUA

















Ó Douro e lua,
Vós quereis cantar,
Nesta terra nua
Que guia pró mar?

Pelo meu ouvido,
Nesta terra nua,
É canto perdido,
Ó Douro e lua!

Ó Douro e lua,
Cantais para mim?
Canção continua
Pela costa assim...

Ao ritmo eu gemo
Doçuras e mágoas,
P'lo dourado remo,
P'las douradas águas.

Quando por vós passo,
Um dos dois suspira...
Será o compasso
Da canção qu' admira?

É da margem verde
Ou da lua branca
Qu' o Douro tem sede
De deixar herança?

Modesto

quarta-feira, 25 de maio de 2016

FESTA DO CORPO DE DEUS


A Igreja coloca a festa da Eucaristia na semana seguinte ao domingo da Trindade. Tem tudo a ver. A coerência da liturgia corresponde à coerência da fé.
Se Deus é amor, se Ele assim se revelou no seu mistério da Trindade, que é a comunhão divina no seu amor, este amor foi manifestado para nós pela maneira como Cristo nos amou. E diz o Evangelho que ele nos amou até o fim! Deu por inteiro a sua vida por amor.
“Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida por seus amigos”, disse Jesus. Disse e fez. Deu por inteiro sua vida. E tornou perene este seu gesto de amor, colocando-o como sua memória para ser celebrada para sempre.
Isto é a Eucaristia. Ela recolhe o amor de Cristo, que continua dando a sua vida por nós e para nós. Também nisto se mostra a coerência do mistério de Deus. Deus é amor. Tendo assumido um corpo humano, o Filho de Deus fez do seu corpo uma expressão de amor. E, para mostrar que queria partilhar conosco o seu amor, fez do seu corpo alimento para nossas vidas, à semelhança de pão para comer e de vinho para beber. Sob estas aparências, a fé diz-nos que é o próprio Cristo que continua dando o seu corpo e o seu sangue por amor a nós, como garantia de salvação para todos.
A coerência de amor divino convida-nos à coerência de nossa fé. No pão consagrado e no cálice abençoado reconhecemos a presença viva do próprio Senhor, que nos envolve em seu amor e nos fortalece em sua comunhão.
A Eucaristia é o grande sinal do amor de Deus, que Cristo nos testemunhou e nos comunica por seu Santíssimo Sacramento.

HISTÓRIAS DE CRIANÇA



















Era criança, lembro-me das tardinhas
E da cor vermelha dos belos ocasos,
Lá bem no centro das recordações minhas,
Penso nisso e fico de olhos rasos.

Lembro o subtil vôo das andorinhas
E do frenesim do seu bater de asas,
Cruzavam o céu em sinuosas linhas,
Faziam os seus ninhos nos vãos das casas.

Recordo-me do que minha mãe dizia:
Deus fê-las só para alegrar Maria,
As andorinhas são aves benfazejas.

E quando brincavam com Jesus Menino
Iam às altas torres tocar o sino
Para chamar o povo par' as igrejas.

Modesto

terça-feira, 24 de maio de 2016

DURO FADO




















Foi prá 'qui que me trouxe o triste fado
A passar o melhor da minha idade...
Não foi um pastor que tange o gado.
Foi trabalho da bruta sociedade,

Aqui tudo é movimento 'stragado,
Impacientes ruídos de saudade...
Melhor fosse deserto desesperado
Que só pode of'recer incomodidade.

Sentado, sobre um muro, esmorecido
E que, pra mim mesmo, nada faz sentido...
Passo os meus dias como um segredo.

Aqui sofro de males e aturdido,
Junto desta gente que não dá sentido...
Estou a viver enfadado e quedo.

Modesto

segunda-feira, 23 de maio de 2016

REPARAR O AMOR



















Ai quem me dera poder profetizar
A grandeza da 'spiritualidade!
Iria pelo mundo a caminhar
Do amanhecer à hora da trindade.

Veria a beleza do horizonte,
Entre rosas do jardim da minha vida
E faria das palavras uma ponte
Pra ajudar alguém em qualquer subida.

E, com a luz do sol ao alvorecer,
O meu povo iria esclarecer
Que o nosso Deus é suave bondade,

Cura todas as feridas e a dor,
Ajuda-nos a viver bem o amor,
Pra com ele chegar à eternidade.

Modesto


domingo, 22 de maio de 2016

DOMINGO DA SANTÍSSIMA TRINDADE



A festa que hoje celebrámos não é um convite a decifrar o mistério que se esconde por detrás de "um Deus em três pessoas"; mas é um convite a contemplar o Deus que é amor, que é família, que é comunidade e que criou os homens para os fazer comungar nesse mistério de amor.
A primeira leitura sugere-nos a contemplação do Deus criador. A sua bondade e o seu amor estão inscritos e manifestam-se aos homens na beleza e na harmonia das obras criadas (Jesus Cristo é "sabedoria" de Deus e o grande revelador do amor do Pai).
A segunda leitura, convida-nos a contemplar o Deus que nos ama e que, por isso, nos "justifica", de forma gratuita e incondicional. É através do Filho que os dons de Deus/Pai se derramam sobre nós e nos oferecem a vida em plenitude.
O Evangelho convoca-nos, outra vez, para contemplar o amor do Pai, que se manifesta na doação e na entrega do Filho e que continua a acompanhar a nossa caminhada histórica através do Espírito. A meta final desta "história de amor" é a nossa inserção plena na comunhão com o Deus/amor, com o Deus/família, com o Deus/comunidade.

SOLIDÃO BUCÓLICA


















Estou aqui só, entre vários lados
De verdes vales e com rosas cá nascidas.
As horas passam, os amores são passados,
Deixei-os ficar entre mágoas e feridas.

Ouço as aves entoar suas cantigas
Nos canaviais, sobre o rio debruçados,
Atirei-me à água com vestes antigas,
Neste crepúsculo de sonhos já sonhados.

Às vezes adormeço olhando a lua.
Mas hoje quero o luar na minha rua
Pra nela depositar a minha solidão.

Já vejo a lua ao abrir a janela:
'Stá a enfeitar o céu como caravela
E eu vou colocar lá o meu coração.

Modesto

sábado, 21 de maio de 2016

FOI HÁ DIAS!



















Há dias, ao passar nas alamedas
Da minha terra, davam as trindades,
Pisava folhas como velhas sedas,
Com os meus olhos cheios de saudades!

Fui andando e já não sei por onde,
Por entre lírios e açucenas.
Era tarde, o sol de nós s'esconde
E repicam os sinos prás novenas.

É hora da tarde ficar exangue,
Quando ouço a voz interior.
No horizonte há gotas de sangue
Dos derradeiros raios do sol pôr.

Bonita atarde harmoniosa,
Tarde de minha fé, de meu desejo,
Branda como pétalas duma rosa,
Como aroma dum antigo beijo!

Modesto

sexta-feira, 20 de maio de 2016

O MEU BALOIÇO

























Na minha terra em pequeno,
Tinha um inquieto baloiço,
Hoje vejo-o sereno...
'Inda meus gritinhos oiço!

Longas horas baloiçava
Meu frágil corpo menino,
E subia e baixava
Num constante desatino.

O baloiço, à distância
Chama p'la minha infância,
Eu choro p'lo que passou.

E, sem haver quem me oiça,
O baloiço me balança
No que fui e no que sou.

Modesto

quinta-feira, 19 de maio de 2016

CORAÇÃO QUE ESPERA




















Põe teus olhos numa rosa,
Sonho do amanhecer:
.É um poema. não prosa
Que te fará reviver.

Tu não precisas de tempo
Pró amor acontecer.
Tenho-te no pensamento
Desde o alvorecer!

Põe o teu coração à porta,
A do lado do jardim
E teu coração se porta
Como s' estivess' em mim.

Eu fico à tua 'spera
Até ao amanhecer,
A sonhar a primavera
Com as flores a nascer.

Modesto


quarta-feira, 18 de maio de 2016

AMOR FLORIDO

























Vive pelo calendário das flores,
Faz por esquecer todos os maus momentos.
Se conseguires ter suaves amores,
Aproveita os sonhos e os bons ventos.

Se acreditas no que é verdadeiro,
Vai pela vida com os bons pensamentos.
Procura a felicidade primeiro,
Deixa ilusões e vive bons momentos.

Vive os bons reflexos da esperança,
Se conseguires viver como criança,
Vês o raiar das estrelas com certeza.

E... canta uma canção melodiosa,
Voa pelas flores como mariposa
E encontrarás o amor na beleza.

Modesto

terça-feira, 17 de maio de 2016

DILEMA



















Considero-me gente aventureira
P'lo amor à terra que me deu o sonho.
Mas... encontro-me parado na fronteira,
Não sei se recuo ou se a transponho.

Estou preso pelo ideal do sonho,
Na solidão da idade derradeira...
Quando escrevo um poema, suponho
Que ficará vivo prá vida inteira.

Sempre lutei contra o imprevisto,
Fiz-me até vento, mas não resisto
Àquela vontade de ir mais além.

Levanto os olhos pró o céu e penso:
Tenho pés pesados, o mundo é imenso!
Só me resta sonhar como um refém...

Modesto

segunda-feira, 16 de maio de 2016

PORQUE TE PERTURBAS?

























Porque te perturbas e estás triste?
Perdeste pois em Deus a confiança?
Ele olha-te do céu e te assiste,
Agarra-t' à âncora da esp'rança!

Com amor, a tudo Ele ressiste
Nunca diz basta, nem sequer se cansa,
Traz sempre uma espada em riste,
Tão perto que teu coração alcança!

Por amor, a Natureza é vida
E o céu é belo e sem medida
Porque Ele fez tudo com Mestria.

Nada te perturbe, nada te canse.
Pois Ele pôs tudo ao teu alcance
Pra que possas viver na alegria!

Modesto

domingo, 15 de maio de 2016

PENTECOSTES





Domingo de Pentecostes
O Espírito Santo. Dom de Deus a todos os crentes, o Espírito que dá vida, renova, transforma, constrói comunidade e faz nascer o Homem Novo.
A comunidade cristã, reunida à volta de Jesus ressuscitado. Para João, esta comunidade passa a ser uma comunidade viva, recriada, nova, a partir do dom do Espírito. É o Espírito que permite aos crentes superar o medo e as limitações e dar testemunho no mundo desse amor que Jesus viveu até às últimas consequências.
Lucas sugere que o Espírito é a lei nova que orienta a caminhada dos crentes. É ele que cria a nova comunidade do Povo de Deus, que faz com que os homens sejam capazes de ultrapassar as suas diferenças e comunicar, que une numa mesma comunidade de amor, povos
http://media.evangelizo.org/images/santibeati/P/Pentecoste/Pentecoste_M.jpgde todas as raças e culturas.
Paulo avisa que o Espírito é a fonte de onde brota a vida da comunidade cristã. É ele que concede os dons que enriquecem a comunidade e que fomenta a unidade de todos os membros; por isso, esses dons não podem ser usados para benefício pessoal, mas devem ser postos ao serviço de todos.

A FORÇA DA PRIMAVERA



















Uma por uma, as folhas vão nascendo,
Cobrindo as árvores que darão flores,
Germinando frutos que s' irão comendo,
Darão sombra os ramos superiores.

É a Primavera! D' Inverno já chega
Que é patente prenúncio de nevadas.
Nos seus ramos o mocho se aconchega,
As andorinhas vêm em revoadas!

Reverdec' o tronco, mesmo solitário,
Só iluminado pelo sol diário,
Aument' a beleza que foi sempre sua!

Tão resplandecente como me parece.
Ao vê-lo, meu coração rejuvenesce...
É a vida que no seu cerne actua!

Modesto

sábado, 14 de maio de 2016

AS DUAS PARTES DE MIM



















Na primavera da vida,
Sonhos por realizar
Põem mente dividida,
A alma sem ter medida,
Só dá para se sonhar.

Com duas partes da dança,
Uma para cada lado...
Uma 'inda é criança,
Outra vive d' esperança
Com anseio acordado.

Naquela parte virada
Par' as rosas do jardim
É a vida enfeitada,
A outra é inventada...
E nada ficou de mim.

No sonho da primavera,
Só s' está bem no jardim.
É um tempo de espera
A conviver com quimera
As duas partes de mim.

Modesto

quinta-feira, 12 de maio de 2016

VIDA COM HISTÓRIA
















São as montanhas a minha história,
Corriqueira até, mesmo banal.
Mas a vida é uma trajetória
Que deixa na alma sempr' um sinal.

A minha vida nunca foi de glória,
Sou tão sensível como um cristal.
Mas reforcei a vida com vitória,
O que fez de mim um sentimental.

Sempr' enfrentei cidades com desdém,
Mas vivo nelas mais ou menos bem:
Foi na montanha que viver eu quis!

Todas as paisagens que eu recrio
Têm beleza que dá arrepio...
E tudo isso faz de mim feliz!

Modesto
















quarta-feira, 11 de maio de 2016

CANÇÃO ROMÂNTICA

















Dava-t' um ramo bonito
Se ouvisses no meu grito
Uma canção bela e pura
Que não é só de ternura
Mas que te chama bonita.

Quero coração aberto
Como s' está num deserto
Sem sonho de conflito.
Não chores de alegria
P'la simples sinfonia
Cantando amor em mim.
Eis rosa enluarada!
Foi no meu quintal plantada,
Lá no meio do jardim.

E a vida nos ensina
Qu' ao fim do dia termina
O sol e a ilusão.
Se gostas de canção fina,
Canta comigo, ensina
A domar meu coração.

Modesto

terça-feira, 10 de maio de 2016

PROCUREI E ENCONTREI

























Desde menino, busco não sei o quê,
Busco-o com uma sede. impaciente.
Então, diz-me, Senhor, como e porquê
Há tanto tempo o desejo ardentemente?

Ainda não consegui compreendê-lo,
Contudo atrais meu coração e alma!
Mas, sem Ti, não consegui apreendê-lo
E sei que só em Ti encontrarei calma!

Andei a procurar a felicidade.
Procurava sem Ti e não encontrava
E afastava-me da Tua verdade,
Mas sem saber aquilo que procurava.

Então disseste: "É a Mim que procuras!"
E eu distante de Ti todo o tempo...
Ó Meu Enlevo, vivi às escuras!
Tu puxavas pra Ti meu pensamento!

Por quantos caminhos Te procurei,
Extenuado, caí e m' atolei...
Só fui feliz quando Te encontrei,
Não me deixaste até qu' em Ti fiquei!

Modesto

segunda-feira, 9 de maio de 2016

VIOLÊNCIA AMOROSA

















Hoje ouvi um triste chorar sentido
Dum coração que geme e s' estertora.
Perdeu assim algo que lhe era querido                                                          ...
Por isso a dor a mata e devora.

Ouvi, senti, chorei p'lo amor ferido.
Esse meu crer que alimentei outrora
Veio à tona pelo amor dorido  
E rolam-me lágrimas densas agora.

Como a luz do sol s' ia apagando,
Aquele transeunte foi caminhando,
Deixando a menina como uma fera.

Revoltado com esta cena, agora
Vejo o mundo sombrio da senhora
Em que se tornou, com amor quimera.

Modesto
                                  

domingo, 8 de maio de 2016

DE ASAS ABERTAS






















Queria ser pomba ou ser açor.
Tivesse eu asas para poder voar...
Correria o céu buscando Amor,
Aquele que pouca gente quer gostar!

D' asas abertas, louco, no esplendor
Do sol nascente ou junto do luar...
Entrar na fonte do Perfeito Amor
E, com Ele...Deixar-me abandonar!

Vem a noite e eu 'inda a sonhar
Que havia de alcançar o lugar
Que queria nos meus sonhos de menino.

Então, surpreendi-me a meditar
Que Esse Amor me chamava p'lo sino
Fui, voando, encontrei o meu destino!

Modesto

sábado, 7 de maio de 2016

ANIVERSÁRIO DE CASAMENTO

















Passaram as horas, dias, meses, anos,
Amadureceu, amor, a nossa vida,
Entre compensações e desenganos...
Prossiga a nossa vida bem unida!

A carne tornou-se mais envelhecida,
Diminuíram os bens, cresceram danos.
Mas, em vez de levar tudo de vencida,
Avance o ideal dos nossos planos!

Quisemos ventura, mais que aventura.
Esqueçamos a fibra tenra, ora dura,
À medida que a têmpora embranquece.

É grande noss' amor, bela Criatura!
Se algo correu mal, peço-te, esquece...
Eu sei que nosso amor não envelhece!

Modesto

sexta-feira, 6 de maio de 2016

MAIO CINZENTO






















Coroada de nuvens vem a aurora
Por detrás dos montes do oriente,
Vem com rosto de sono 'inda agora,
A meus olhos fantástica, indolente.

Enche os lados dos montes d' ornamento,
O dia vai ficar cinzento e duro.
Mas a aurora vem no seu momento,
O sol perece estar ao dependuro...

O sol a custo rompe, a cust' invade
Um espaço branco e com luz brilhante
Fulge através da força de vontade...
Vem refulgente com véu de diamante.

Fulge sem cobrir o cume das montanhas,
Com brilho nas folhas trémulas com neve.
Parece o inverno com suas manhas,
Já na primavera, seu curso escreve.

Pouc' a pouco dissipa-se no espaço.
As nuvens da manhã subiram os montes,
Vão cobrindo o céu de um negro baço,
Já não se vão vislumbrar os horizontes!

Modesto

quinta-feira, 5 de maio de 2016

CAMINHOS...



















Sinto saudades do tempo que perdi
No amanhecer do tempo de sonhar!
Era tempo das paixões que não vivi,,
Foi tempo adiado para amar!

E, nesse tempo, eu tanto padeci!
Era feliz com vontade de chorar
P'las feridas de amor qu' então senti,
Pensando qu' essa paixão ia passar!

Sim! Vivi algum tempo num bom inferno!
Pensando qu' esse sonho não er' eterno...
Algo me seduzia prá liberdade!

Mas não podia separar-me de mim!
Passav' então muito tempo no jardim,
Pensando quem era, com seriedade!

Modesto

quarta-feira, 4 de maio de 2016

NO MEU QUINTAL



















Não gosto de caminhar pelas ruas,
Pois não vejo flores que lacrimejam,
Só flores despetaladas e nuas,
Longe daqueles sonhos que desejam.

Minhas mãos tiram ervas espinhentas,
Abrolhos donde vem o meu sustento.
Quintal árido, não me apascentas,
Inútil prosseguir... Porém, eu tento.

Eu hoje consegui fazer a lavra,
Mesmo com falsa luz que a tez grava,
Custando tatuados pesadelos.

De tanto pedregulho recolhido,
As farpas invadem meu sentido,
Com suores caindo sem desvelos.

Modesto

terça-feira, 3 de maio de 2016

O BAILE DA VIDA

















O vento sopra sem parar,
Ao compasso do pensamento...
Bailam as folhas, sol e mar...
Nuvens do céu ao mesmo tempo.

Sempre prontas a rodopiar
Estão a lua, as estrelas,
Flores também querem dançar
E os passarinho, ao vê-las:

Dizem uns aos outros baixinho:
Vamos trocar o nosso par                                                                                                                            E num balanço bem certinho
Lá vão com as flores dançar.                                                                                                                                                          .
E com um encanto sem fim,
Baila toda a Natureza
E neste imenso jardim,
Há harmonia e beleza.

Esta é a dança da vida
Onde bailamos todos nós.
Só juntos dançamos o vira
Mas, sem um par, dançamos sós!

Modesto

segunda-feira, 2 de maio de 2016

UM POEMA DA PRAIA


















É a hora de voltar,
A brisa acalmou o mar
E vai acalmar o vento
Nos sonhos do pensamento
Que não deixa de gritar,
Nesta noite ruidosa
Desta onda sinuosa
Dos caminhos do luar.

Se não fossem os rochedos,
Mistérios e segredos...
De novo ia voltar.
É quase amanhecer
A noit' a desap'racer...
Sonho enquanto há tempo
Sonho mesmo ao relento,
Que o sol já vai nascer.

A aurora já vem no mar...
Começa a nostalgia,
Ao ver de novo o dia,
Vão-se os sonhos, ilusão!
Praia, sinal de Verão
E há sereias no mar...
Já levantei a esteira,
Saiu areia derradeira,
No fim da minha ' stação.

Modesto
                                

domingo, 1 de maio de 2016

CORAÇÃO DE MÃE























Ser mãe é desdobrar fibra,
Coração seu e alheio,
Na vida, seu amor vibra
No pedestal do seu seio!

Ser mãe, anjo que nos libra,
Desde o berço, o receio,
Força que nos equilibra
No amor e no anseio.

O bem da mãe é o filho,
Luz dos olhos, novo brilho...
Sente-se afortunada!

Seu chorar é um sorriso,
Já vive no paraíso...
Do mundo não quer mais nada!

Modesto

VENDO-NOS AO ESPELHO

O espelho não me diz que envelheço, Enquanto andar junto da mocidade. Mas as rugas vêem meu rosto impresso... J...