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segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

POEMA À MINHA MUSA



















Ela é bonita e é gostosa,
Gestos de anjo, corpo sensual.
É como a Cinderela formosa...
Deixa-me louco com seu avental.

Eu tremo quando me dá um abraço
Vigoroso, ao jeito de donzela,
Fico doido e apresso o passo,
Só para ir respirar à janela.

Ela é suave, fruta madura,
Tão doce que se derrete na boca,
Quando a pego, ninguém me segura...
Fico louco quando põe sua touca!

E gosto das coisas que ela faz:
Mexe comigo, põem-me no chão.
Pra ond' ela vai, eu vou sempr' atrás...
Abre-m' as portas do coração!

Modesto

domingo, 28 de fevereiro de 2016

QUE EU DÊ BONS FFRUTOS







                      «Talvez venha a dar frutos»
Não me amaldiçoes como à figueira (cf Mt 21,19)
Ainda que eu me assemelhe a uma árvore estéril,
Para que a folhagem da fé
Não seque com o fruto das minhas obras.

Antes, fixa-me no bem,
Como o sarmento na vinha sagrada
De que teu Pai celeste cuida (Jo 15,2)
E que o Espírito faz frutificar pelo crescimento.

E à árvore que eu sou, estéril em frutos saborosos,
Mas fecunda em frutos amargos,
Não a arranques da tua vinha,
Mas muda-a, cavando-lhe em volta. 

sábado, 27 de fevereiro de 2016

O MAR COM POESIA
















Tarde escura com vento e frio,
Mar bramindo em tom de arrepio,
Vem-se juntar à minha solidão.

Este mar bravo e a ventania
Levam longe a minha agonia,
Até me causar grande aflição.

Na branca espuma das suas vagas,
Dançam as minhas lembranças e mágoas
Que se riem da minha solidão.

E depois a revolta as embala,
Eu mostro-lhes a minha dor que fala
Bem cá dentro... dor de coração.

Eu bem vos ouço, vagas passageiras...
Na verdade, sois minhas mensageiras:
Levais, p'lo mundo, minha solidão.

Modesto

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

UMA CASA NO PLANALTO

















Vou fazer uma casa lá no alto
Onde as estrelas passam pertinho,
Junto ao céu e longe do asfalto...
Entre as nuvens vou fazer meu ninho.

Quero ver o vento em burburinho
E fazer canções como um incauto,
Mesmo tendo meu coração sozinho,
Vou ver o sol ao longo do planalto.

Uma casa simples feita de terra,
Minha luz será o luar da serra,
Cozinho com lenha em velha rede.

Tenho esp'rança na noite que vem,
Naquela porta vai entrar alguém
Cheio d' amor, matar minha sede.

Modesto

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

É BOM AMAR OS OUTROS






















Não olhes para mim com esse olhar:
Admira o belo, critica o feio,
Aprecia a vida... até o ar,
Mesmo sem saber de onde ele veio!

Um simples gesto ou acto de amor,
Um sorriso, um afago, um carinho,,,
Valem mais do que ouro ou o fulgor,
Pois vão-nos iluminando o caminho.

Na escala do bem, a todos bem faz,
Seja pobre, humilde ou o voraz...
Tu podes tirar deles a cara lição:

Teu próximo são todos seres humanos,
Os que crêem e até os mais profanos,
S' os amas, enobreces o coração!

Modesto

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

SUSPIRO DE LIBERDADE

 

Um suspiro solitário
À luz frouxa de um círio,
Vem o gosto literário
Colado à flor do lírio.

Será amor ou mistério
Sofrer assim voluntário:
É sonho ou é delírio,
Ou minha cruz e calvário?

Assim o céu é inferno
E não pode ser eterno
À luz da minha razão.

'Stou preso, mas me liberto,
Encontro caminho certo
no amor do coração.

Modesto

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

CANÇÃO MELANCÓLICA


















Eu canto porque o tempo existe
E a minha vida está repleta
De alegria. Por vezes 'stou triste...
Escrevo poemas... por ser poeta.

Vejo que as coisas são fugidias.
Nisso, nem sinto gozo nem tormento.
Atravesso as noites e os dias
A fazer versos que lanço ao vento.

Se desanimo, logo edifico,
Se permaneço, também me desfaço,
E nunca sei se vou ou se fico...
Vou passando tempo com o que faço.

Quando canto, ponho no canto tudo.
Mas minha canção tem asa ritmada.
Sei que um dia deito fora tudo,
Porqu' em meu sangue, já não ferve nada.

Modesto

domingo, 21 de fevereiro de 2016

ARRANJANDO O JARDIM



















Jardim de tanta verdura,
Planto-te minhas sementes,
Compondo tua 'strutura
Para dar flores divergentes.

Geometria ritmada,
À 'spera da primavera,
Vais-me dar flor azulada
Para dar... Ai quem me dera!

Em ti, sinto-me sereno,
Felicidade no ar.
Aqui há clima ameno
E há perfum' a voar.

Não preciso dizer nada,
Pois vais dar bonitas rosas
Qu' eu darei à minh' amada
Em jarrinhas perfumosas.

Modesto

sábado, 20 de fevereiro de 2016

NO BRILHO DA NOITE

















À noite, o infinito se levanta,
Há luz do luar, pelos caminhos quedos,
A minha sensibilidade é tanta
Que até sinto o cosmos nos meus dedos.

Quebro a prisão dos meus sentidos tredos,
Ponha a minha mão, por fim, na garganta,
Estrangulo o mundo com os seus segredos
Que todas as coisa íntimas suplanta.

Ausculto, agarro, prendo e invado
O infinito e indeterminado
Nos paroxismos de super estesia.

E ouso transpor o átomo  mais rude,
Encho o espaço com plenitude...
Bela a noite fulgurante, mas fria!

Modesto

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

SERENIDADE



















Quando valorizamos o outro irmão,
Fazemos feliz a pessoa humana,
Damos prazer ao magoado coração,
Fazemos da tristeza alegria sana.

E imaginamos coisas que já vivemos,
Se nos sentimos a sós com o nosso Deus...
Chega-nos o enlevo do bem que fizemos
E não gostamos da hora de um adeus.

Aquele adeus que muitas vezes já demos
Que nos mostra a forma como vivemos
E o valor da nossa ação tão pequena.

E, se esse adeus é pra quem já partiu,
Vemos que na sua vida bem resistiu:
'Stá em espiritualidade serena!

Modesto

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

POEMA QUE TRAGO NO MEU PEITO






















Trago um poema dentro do meu peito,
Mas quem o sabe ler tem amor calado.
Em papel branco ele foi bem feito,
Mas só o sabe ler quem ama o fado.

Vergado pela própria dimensão,
Em mim, por timidez, fica omitido.
E, ao ritmo da mais solene paixão,
O meu amor vai ficar enfraquecido.

Implora amor e busca recompensa:
É poema da minha eloquência...
O meu coração vai quebrar-s' em temor.

Sou como um actor muito imperfeito,
Eu vou guardá-lo bem dentro do meu peito
E assim fortalecerei meu amor.

Modesto

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

ABRA-NOS A PORTA, PELA TUA MISERICÓRDIA

Abre, Senhor, abre-me a porta da tua misericórdia antes da minha hora de partir (Mt 25,11). Porque eu tenho de partir, de ir até Ti e de me justificar de tudo o que digo em palavras, do que faço em acções e dos pensamentos que guardo no meu coração. «Nem o rumor das murmurações escapará ao teu ouvido» (Sb 1,10). David diz-Te no seu salmo: «Os teus olhos viram-me em embrião, no teu livro está tudo escrito« (Sl 138, 13.16). Ao leres nele as marcas das minhas más acções, grava-as na tua cruz, pois é nela que eu me glorifico (Gal 6,14), gritando-Te: «Abre-nos a porta» […]

O espírito endureceu-se-nos a tal ponto que, quando ouvimos falar das calamidades que aconteceram a alguém, em nada nos corrigimos (Lc 13,1s). «Não há quem seja sensato, quem procure a Deus; estamos extraviados, estamos pervertidos» (Sl 13,2-3). Os ninivitas, naquele tempo, arrependeram-se ao apelo do profeta. Nós, porém, não compreendemos apelo nem ameaça. Com suas lágrimas, Ezequias pôs em fuga os assírios suscitando contra eles a justiça do alto (2Rs 19). Ora eis que os assírios […] nos fizeram cativos, e não chorámos nem gritámos: «Abre-nos a porta».

Divino Senhor, de todos juiz, não esperes que mudemos de atitude; Tu não precisas das nossas boas acções, pois cada um de nós se dedica a más acções pelo pensamento e pela vontade. Porque é assim, Salvador, governa os nossos dias segundo a tua vontade, sem esperares a nossa conversão, pois talvez ela não se dê. E, ainda que ela venha a acontecer, será por pouco tempo, não persistirá até ao fim. Como a semente que cai entre as pedras, como a erva nos telhados, ela secará sem chegar a crescer (Mc 4,5; Sl 128,6). Estende pois a tua misericórdia sobre nós e todos os que pedem: «Abre-nos a porta».

S. Romano

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

GOSTO DA NATUREZA















Desde que existo, gostei da Natureza:
Tudo vive, palpita , canta em festa
De tão rico esplendor, tão rara beleza:
Montanha, rios, as fontes e a floresta!...

Tudo gorjeia e reverdece e canta,
Tudo freme, ondeia, corre ou desliza:
Os ninhos, as flores, as feras e a planta,
A água, a vida, a cor, som e brisa.

Tudo no espaço ilumina risonho,
Tudo corre prá luz, voa para o sonho...
Tudo procura sol, miraculosamente.

As árvores em flor, os pássaros em ramos,
Também os rebanhos que todos amamos...
Enlevo sem fim, num êxtase inocente!

Modesto

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

O AMANHECER NO CAMPO
















Abro os olhos, vejo p'lo prado fora
Verdura, flores... tud' o que avista alcança...
Quanta saudade do meu passado chora,
Bendito campo ond' o olhar descansa!

Ouço, ao longe, uma canção sonora.
É voz de mulher, ou será de criança?
Canta um hino ao nascer da Aurora,
Entoa hino branco de esperança!

Por tod' a parte, risos e fulgores,
Tod' a Natureza desabroch' em flores,
Bem iluminada pelo sol risonho!

Com minha alma diluída em prece,
Meu coração, feliz, 'inda estremece
À luz sagrada do primeiro sonho!

Modesto

domingo, 14 de fevereiro de 2016

DIA DOS NAMORADOS



















Oh! Quando se tem amor a alma canta,
Os pulmões vibram para dar som ao riso,
O coração puls' em alegria santa
Como s' o peito fosse o paraíso!

Quand' o amor vem a tristeza espanta,
A gente salta e dança d' improviso,
O desejo corre com loucura tanta...
É como um raio que vem sem aviso!

Quedam-se os passos de quem o procura,
Como onda do mar que ninguém segura...
Quand' o amor vem há caminhos cruzados!

Lua e estrelas no céu infinito
Dizem coisas lindas... Aparece 'scrito:
O amor vem no dia dos namorados!

Modesto

sábado, 13 de fevereiro de 2016

A POESIA É AMOR

























Canta, neste teu mundo de magia,
Faz tom da paixão, alma inquieta!
Ecoa, p'lo céu, trovões d' alegria,
Canta o amor, como um profeta!

Ergue o teu pensar em linha recta,
Canta da tua vid' a mais valia!
E se alguém s' esquece qu' és poeta,
Lembra-lhe, escrevendo poesia!

Revela, num poema feito a esmo,
Que quem ama não se fech' em si mesmo
E nem o amor traz o que ilude.

Nas tuas folhas é assim que lavras,
Constróis o teu castelo de palavras:
Amor é poema da plenitude!

Modesto

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

NÃO VIVAS DE BANALIDADES

















Tira da tua mente as coisas tolas,
Não têm valor e entram por acaso.
Levá-las pra longe, é lugar de pô-las.
Quando elas vêm só trazem atraso.

Se são fúteis, deixa-as ao desacato!
As boas ideias podes sobrepô-las.
Inútil pensar que te dás ao recato,
Se vives de tolices e te atolas!

Se a sensatez faz parte da pessoa,
As tolices não nascem no coração:
Tu dizes-lhes sim em vez de dizer não!

A juventude não se perde à toa!
Não queiras pra ti o que sabes qu' e mal
Nem dês valor a uma vida banal!

Modesto

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

A LOIRA ABELHA



















Há aromas que na veiga espalha
A mansa brisa. Suga a abelha
O cálice de uma flor vermelha
Qu' o início da manhã orvalha.

A abelha, do vento, s´ agasalha,
Espera o sol que na flor espelha.
Ouve o balir da branca ovelha
E a sua campainha chocalha.

Loira abelha procura a trilha,
Trazendo nas patas a sua bilha
Que enche de pólen e agasalha.

E no viço da flor que se abrolha,
Das mais belas pétalas que escolha,
Traz o mel que na colmeia espalha.

Modesto


quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

POEMA EM FOLHA D' ÁGUA

























Hoje queria 'screver
Nas minhas folhas de água,
Se tinta pudesse ter
Igual à minha mágoa.

Nunca me faltou a tinta,
Que eu tenha na memória...
Minha mágoa é distinta
Das penas da minh' história.

Tenho as folhas viradas,
Que ferem  meu coração
Com lágrimas derramadas
Por amor, uma paixão...

Quantas lágrimas caíram
Nas folhas amarrotadas
Que dos meus olhos saíram,
Pelo amor, derramadas!

Minha mão quer escrever
Nas finas folhas de água.
Mas, só ao alvorecer,
Descrevo a minha mágoa.

A brisa vem-m' acalmar
Daquele ressentimento.
Coração 'ind' a chorar
Sem nenhum contentamento.

Deixo alma repousada,
Como uma flor em mim
E a saudade encostada
No rebordo do jardim.

Modesto

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

VIDA FUGIDIA



















Vivi as ilusões da mocidade,
Constelações de grande refulgência,
Iludi-me na branda claridade...
O céu apelava à consciência.

E foi-se o tempo sem piedade,
Dia após dia - brutal violência -
Com desenganos da senilidade...
Fiquei sem luz, sem qualquer influência.

Agora, fiz na vida a ruptura,
Mudei as penas e fugaz ventura
Desses momentos belos e risonhos.

Agora... tenho mais sabedoria,
Vivo bem mais calmo noite e dia:
Ponho nas estrelas e sol meus sonhos.

Modesto

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

COMO VAI A VIDA



















Pergunto como anda a minha vida:
Quando sou eu, como tenho vivido,
Sou uma verdade por mim possuída?
Fazer perguntas é um acto sentido!

A Quem pergunto e o que Ele pensa?
É hereditária consequência?
A vida nasceu de uma luz imensa
Qu' envolve o âmago da consciência!

Sei que nasci para a eternidade:
A Natureza dá-me esta verdade,
Até as flores me dão este desejo.

Apresso o amor, porqu' amanhã morro.
Com este amor, peço a Deus socorro
E a fé diz-me que amanhã O vejo.

Modesto

sábado, 6 de fevereiro de 2016

O MAR COMPADECIDO



















Eu, confuso, fui chorar as minhas penas
Ao velho mar e às ondas buliçosas,
Pensando que diria coisas pequenas:
As comuns mágoas e queixas amorosas.

E não mais acabavam as cantilenas
Que ecoavam nas praias arenosas...
As ondas ficaram imóveis, serenas,
Pra ouvir as minha coisas ansiosas.

E, acabada a narração de tudo
Qu' o mar nunc' ouvira, pôs-se carrancudo,
Meditando no que nunca tinh' ouvido.

Fazendo rolar as gemedoras águas,
Viu minhas fundas e dolorosas mágoas...
Pôs-se também a chorar, compadecido!

Modesto

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

SENHORA E MÃE

























Ó flor do céu, flor cândida e pura,
És na terra símbolo de vigor!
 Criada na mais bela formosura,
Dás bondade, carinho e amor.

Singela, vemos-Te alva figura,
Como bela flor do maior odor!
Na terra, venerada Criatura,
Nos jardins, o máximo esplendor!

Tu és a protectora dos viventes,
És o auxílio dos mortais crentes,
Guia-nos ao vestirmos a mortalha.

Não deixes sofrer os sobreviventes
Que junto de nós estarão presentes...
Fim da vida... ganhemos a batalha!

Modesto


quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

CAMPOS ONDE TANTO PASSEEI



















Campos por onde tanto passeei,
Sob o céu azulado de Agosto...
Não me importo já o que serei,
Se o meu ser é um sol quase posto!

Agora, nos campos é tudo branco,
Envoltos em terra, escuro mosto!
Onde imaginar - quero ser franco -
Só há limpeza do próprio rosto?

Foi-se Agosto, veio outro tempo
Que segue mutável como o vento...
Campos, pra mim sois sempre um encanto!

Vejo-vos degradados, no momento,
Campos que éreis meu contentamento...
Hoje só me ofereceis espanto!

Modesto