segunda-feira, 18 de novembro de 2013

ENTARDECER NA MONTANHA




















Na tarde fria, pelo céu em festa,
Pássaros gritam e ouvem-se longe.
Há mil perfumes de tomilho e giesta...
Silêncio e já reza o monge!

Devagarinho vêm as estrelas,
Abrem no alto seus olhitos piscos.
Ouço cantigas, pelo ar, singelas...
O gado manso volta aos seus apriscos.

P'la minha janela sempre aberta,
Ouço vozes, rezas de humildades...
Há o perfume das urzes em flor.

Tudo se cala: O amor desperta,
Quando da Torre soam as Trindades:
Hora doce de saudade e amor!

Modesto

2 comentários:

  1. Nada acontece por acaso!!! Ausente, semanas, meses até...só este Entardecer na Montanha para despertar uma transmontana de gema...
    Quem é de Trás os Montes recorda e revê-se neste poema de fim de dia : as Trindades, a oração, a família, as vozes dos caminhos que facilmente identificamos, o canto dos passarinhos, o perfume das giestas e das urzes, o silêncio, o lusco- fusco, as estrelas...são ícones que marcaram o nosso passado, que foi passado...mas nunca ido!!! Continua a acalentar a nossa alma e a adoçar a saudade de quem teve o privilégio de nascer entre as fragas!!!
    Obrigada, Modesto, pela singeleza deste filme, que é a minha joia da coroa!!!

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  2. A Quem poderei agradecer tão grande dádiva? Irmanados na mesma saudade e numa vivência que dá vida às nossas recordações, cuja memória nos leva àquele tempo de crianças em que subíamos os altaneiros montes para desfrutar de horizontas a que ansiávamos e, neles, víamos objectivos que se concretizaram ao longo de vida.
    Obrigado por me compreender, Raiana!

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