quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
OLÁ, TRISTEZA!
Vem, ó tristeza! Novamente m'acalenta.
És meu socorro nos momentos d'aflição.
Por enquanto, meu coração 'ind'aguenta
E minh'alma encontra em ti seu bordão!
Já muitas vezes tua visita m'embala
E vens transformar-te no ritmo do meu pranto.
Por enquanto, a minha boca não tem fala,
Mas a alma encontra em ti seu encanto!
Já outrora me ajudaste a viver
E ensinaste-me o caminho da verdade.
Mas quando vinha, à noite, a luz me ver,
A alma encontrava sua claridade!
Só a poesia a vida me faz amar,
Abranda com veemência a minha dor!
E quando meus olhos não podem mais chorar,
A alma encontra nela escudo protector!
Na tristeza, a poesia me conforta,
Transforma em júbilo o meu sofrimento!
E, quando a 'strada da vida parece torta,
A alma encontra nela entendimento!
É a poesia que minh'alma consola,
Mitiga o meu sofrimento desta vida.
E, quando tudo ao meu redor se isola,
A alma encontra nela sua guarida!
A poesia é da alma a liberdade,
S'o corpo do sofrimento se libertar...
Minh'alma quer ter alento, capacidade,
Meu corpo só tem motivos para chorar.
Modesto
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