NO TRONCO DA ÁRVORE



















Quando eu morrer, procur' árvore florida,
Cava-lhe no tronco, querida, meu caixão.
Quero aí repousar meu corpo sem vida,
Longe dos olhares, dentro da solidão.

Canta-m' o "requiem" com tua voz ferida,
Reza por mim, ao vento, tua oração.
Sej' o silêncio a lápide 'scolhida,
Pra este mundo, não há melhor inscrição.

E, um dia, quando a saudade, querida,
Vier, procura a árvore preferida,
Visita-me - talvez o troco 'steja são!

Farei cair , das alturas, flor colorida
Que ao parar na tua palma comovida,
Irá tomar a forma do meu coração!

Modesto

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