segunda-feira, 30 de junho de 2014
UM QUASE PIC-NIC
Foi uma tarde bem à portuguesa,
Com uma coisa simplesmente bela.
Havia história de grandeza
E uma pintura a aguarela.
Fazia parte um bom homem rico
A colher frutos, sem posturas tolas,
Com uns sacos azuis de grão-de bico...
Cortava aos pedaços as cebolas.
Havia, mais acima uns penhascos...
Era tarde, mas 'ind' o sol se via,
Passamos por um pomar de damascos
Madurinhos... E que bem sabia!
A menina de avental de renda
Encheu-o... lembravam ovos de rolas...
Foi supremo encanto a merenda:
Grão-de bico, damascos e cebolas!
Modesto
domingo, 29 de junho de 2014
A TARDE NO CAMPO
Ver a tarde no fim da hora das novenas,
Com belas meninas, cantando em surdina...
Põem trémulos de dor, de saudades terrenas,
No crepúsculo da tristeza vespertina.
Dorido langor de agrestes cantilenas,
A lâmpada do acaso nos ilumina.
O claro-escuro deixa-nos ver as bermas,
Sentindo em nós, uma estrela divina.
Longe, a tarde cai , em violeta agonia!
São as horas dumas doces melancolias...
Pena a rapaziada não entendê-las!
Nestas noites, sem luz, ir pelos ermos campos,
Cabelos ao luar, olhos de pirilampos...
Desce a bela noite, aparecem estrelas!
Modesto
sábado, 28 de junho de 2014
IMACULADA
Maria, sou eu... Aqui me tens, bem perto
De Ti, fiel ao doce amor já antigo.
Casto eflúvio do céu, vem comigo,
Minha luz, no meu destino incerto!
Aqui me tens, em pranto, a sós contigo,
Dando-Te o meu coração, hoje deserto...
Fui feliz! Ah! Sonho bom de que desperto,
Para cobrir de rosas o Teu abrigo!
Aqui, nesta humildade d' abertura,
Ajoelho-me sentindo a loucura
Da vida, peço: Junto de mim ecoa
A Tua súplica, piedosa prece,
Virgem, com Tua protecção aparece
A pedir por mim ao Bom Deus que perdoa!
Modesto
sexta-feira, 27 de junho de 2014
VINDE! SOU MANSO E HUMILDE DE CORAÇÃO!
Salvé, Coração Misericordioso de Jesus,
Fonte de todas as graças, amor e seu vivo nexo,
És nossa protecção e refúgio, única luz,
Pois é por Vós que tenho, da esperança, o reflexo.
Salvé, ó coração tão compassivo do meu Senhor,
Inesgotável fonte de água viva, de ternura,
Do Teu coração brota a vida pró pecador,
És a fonte e a origem de toda a doçura.
Salvé, ó Sagrado Coração com a aberta chaga,
Donde saíram os raios da Tua Misericórdia
E da qual nos foi dada toda a nossa vida paga,
Tu és o Vaso único de confiança e concórdia.
Salvé, nossa divina e inconcebível bondade,
Que nunca se conseguiu medir nem foi aprofundada,
É amor misericórdia, plena de santidade
E é também, como terna mãe, para nós inclinada.
Salvé, Trono de Misericórdia, de Deus Cordeiro,
Que foi por mim que Vós destes a vida em sacrifício,
Minh' alma se humilha até ao dia derradeiro,
Porque de viver em fé profunda, é o meu ofício.
Modesto
( adaptado de Santa Faustina)
quinta-feira, 26 de junho de 2014
COMO TE AMO!
Sei que tu não conheces, mas existe
Um bosque de folhagem permanente.
Lá, eu não te encontro e fico triste:
Ele é com' o amor, fico contente.
Oh meu amor,quem sabe se tu sabes
S' em ti existe ou apenas mora
Aquela canção em que lindas aves
Cantam o teu nome a toda a hora!?
Será que não sabes que eu te amo,
Construo bem-estar em nossa casa?
Por ti pergunto e por ti chamo
Se, à noite, não vejo tua asa!
Podes não compreender, mas o vento
Vai espalhando em ti meus recados
Que têm no pôr do sol pensamento
Para os dias azuis, perfumados!
Oh meu amor, quem sabe se tu sabes
Onde fazem ninho as andorinhas
Que anunciam bons frutos? Mas sabes:
Amo-t' em pequenas coisas só minhas!
Modesto
quarta-feira, 25 de junho de 2014
GOSTO MUITO DOS SONETOS
Duas rimas procuro e. em quarteto
As vou dispondo, em versos bem medidos.
A seguir, repito-os e os entremeto
Aos pares e uns nos outros envolvidos.
Novos elos de sons ponho em terceto
E, depois, em seguida, repartidos,
Dão-me a medida e a forma de soneto,
O mais terno dos poemas preferidos.
E... Ele fala: «àquele que não gosta
De mim e julga falsas as minhas leis,
Dou silêncio, apenas, em resposta:
E vós que em poucos versos penetrastes,
Meu encanto secreto alcançareis
Na harmonia serena dos contrastes»!
Modesto
terça-feira, 24 de junho de 2014
ADOLESCENTE AMOR AO VENTO
Vento, que na sua sinfonia, entoa
Doces acordes que, soando, vão p'lo céu,
Fazem linda cantiga que, sem rumo, voa,
Encantando até o ofuscado breu.
E, com ânsia, buscam os apaixonados,
De mansinho, acariciar corações.
Também, sem querer, ficam aprisionados
Quando levam por diante suas paixões.
Em doce brisa leve se tonou o vento,
Dando liberdade de sonhar ao luar,
Afagando seus corpos a todo o tempo...
Permite devaneios e fá-los dançar.
E o vento vai-se tornar mensageiro
De recadinhos par'a musa encantada...
Como ele se sente feliz por inteiro,
Quer que ela continue a ser amada...
Modesto
segunda-feira, 23 de junho de 2014
ESTÁS SEMPRE COMIGO
És presença em cada alvorecer,
Ao meio dia, estás-me na lembrança,
Recordo teu olhar ao anoitecer,
És, no crepúsculo, minha esperança.
Sonho que habitas dentro da minh' alma,
Pareces-me linda com teu belo olhar.
És a atracção e infundes-me calma,
És o meu rio em busca do mar.
És o sonho que tive eternamente
Que 'stá escondido com minha saudade...
Sinto que te procurei antigamente:
Eco que ficou da nossa mocidade.
Como o espaço é infinito,
Também meu sonho jamais irá passar...
Tens reflectido teu sorriso bonito,
No brilho das 'strelas e luz do luar.
És doce companhia todos os dias,
O maior tesouro do meu coração...
És o "GPS" pra todas as vias,
És a minha melhor orientação.
Modesto
domingo, 22 de junho de 2014
CAI A TARDE SOBRE O DOURO
Num prado verde da fresca margem do Douro,
Vi as águas serenas, fitei meu reflexo,
Olhei as colinas cobertas de sol d' ouro,
Vi montanhas reflectidas no rio fresco.
Deslizava silencioso, 'stava terno,
Vi que não tinha pressa de chegar ao mar:
Qu'ria contemplar beleza, solo materno,
Enamorado da ribeira a desaguar!
Raios de sol exaltavam a Natureza,
O mundo era um sonho de paz dourada!
Repouso o olhar no encant' e beleza
E mergulho, sereno, na água parada.
Um poente de sonho com certa pureza
Eterniza a profunda brisa do amor!
O horizonte azul transfigura beleza,
O cair da tarde traz um certo torpor!
O vento atravessa manso, sopra vago,
Melodiando a tarde e coração.
As estrelas já 'stão pinceladas no "lago"
E meus sonhos são sentimentos de paixão!
Modesto
sábado, 21 de junho de 2014
SONHOS CONSEGUIDOS
Ao lembrar-me dos tempos já distantes,
Sinto, às vezes, alguma saudade:
Aquela nostalgia galopante
Do tempo que vivi na mocidade.
Procurei sonhos... Era constante!
Vivi loucuras e senti vaidade...
Corri montanhas... fui mais adiante,
Era um rapaz com tenacidade!
«Querer é poder», foi o qu' aprendi.
Poder nunca quis, nem me int'ressei,
Mas sonhos que tive, não os perdi!
Foram muitos os anos já vividos,
Neles tive sonhos que agarrei...
Mas recordo melhor os conseguidos!
Modesto
sexta-feira, 20 de junho de 2014
SONHOS PERDIDOS
As lágrimas secam no rosto sujo
Daquela criança só, a sofrer,
Abandonada como um sabujo...
Determinado a não morrer!
Pobre criança, já perdeu os sonhos!
Já nem aprecia a alvorada...
Os seus olhos estão sempre tristonhos,
O seu estômago nunca tem nada!
Não tem futuro, não tem esperança...
Quem são os culpados, pobre criança?
Não são seus pais: é a sociedade!
Não é culpado, infeliz infante!
Será um desgraçado militante?
Tirou-lh'os sonhos e felicidade!
Modesto
quinta-feira, 19 de junho de 2014
FOI-SE O TEMPO DE TER SAUDADES
Porque me lembras as horas já vividas,
Neste momento, para me recordar
Que houve muitas lágrimas caídas
E essas não voltaremos a chorar?
Não vale a pena páginas relidas:
Na vida tudo tem de se renovar!
É que já somos as folhas ressequidas
Dum poema qu' o Outono vai rasgar!
Esqueçamos a nossa vida passada,
Deixemos que ela fique sossegada,
Não interessa levantar ventanias!
O melhor fim é o do esquecimento,
Onde tudo é arrastado pelo vento,
Àquele pôr do sol de melancolia!
Modesto
quarta-feira, 18 de junho de 2014
VIVÊNCIA DE UM HOMEM SÓ
Quando a angústia me pegar
E a solidão me fizer viver,
Do meu desespero, vou-te chamar.
Pró teu brioso amor me trazer.
Que no deserto do meu coração,
Ansioso por te poder amar,
Não viva só a minha ilusão,
Mas no teu amor me faças entrar.
O que me impulsiona viver
É o amor que me podes trazer
E, sem ti, vivo vida solitária.
Com ansiedade t' espero amar,
Do meu deserto, me podes chamar...
Tira-me desta vid' imaginária!
Modesto
terça-feira, 17 de junho de 2014
ANDORINHA
Andorinha, leva pra longe a desgraça,
Traz-me pensamentos de amor, nesta hora
Em que o delírio não quer ir embora...
É como uma nuvem negra que não passa!
Diz ao meu amor, que meu coração abraça,
Que o anseio de minh' alma me devora
E qu' o meu coração sangra, nele vigora
A ansiedade que m' impele à sua taça!
Não deixes que meu sonho perca a esp'rança,
Enquant' a nuvem, escarnecendo, assiste...
Que meu amor não me deixe na desventura!
Se a nuvem me faz sofrer por vingança...
Andorinha, leva-lh'a minha alma triste
E traz-me de lá esperança e ventura!
Modesto
segunda-feira, 16 de junho de 2014
JOVENS, ACREDITAI!
A esperança não acaba nem cansa.
Como ela, também não morre a crença.
Meus sonhos corrupiam sempre em dança
E riem-se dos que voam na descrença.
O mundo é uma ilusão completa,
(Há muita gent' infeliz qu' assim não pensa!)
As asas da esperança manieta
Sem dar razões de viver... Só dá sentença!
Jovens, portanto, erguei o vosso grito,
Acreditai no vosso sonho bendito,
Atirai-vos pró futuro - Avançai!
Eu, que poderia pensar em tormento,
Ainda não me guio p'lo desalento...
Jovens, (tenho que dizer) - Acreditai!
Modesto
domingo, 15 de junho de 2014
A FLOR DE LOTOS
A flor de lotos é transformação.
É simbólico por crescer no lodo.
Se o lodo é putrificação,
Lotos simboliza perfume a rodo.
Da mesma forma a vida é lodo,
Pode servir de transformação.
Ela nasce a podridão do lodo,
Pode transformar-se em compaixão.
Do sofrimento nasce o amor.
O negativo pode ter valor,
S' a nossa mente se esvaziar.
Vida é música celestial!
Do lodo pode nascer o sinal:
O lotos em amor se transformar!
Modesto
sábado, 14 de junho de 2014
DESPEDIDO AOS 11 ANOS
Era criança e foi a despedida
E foi um instante que me marcou tanto!
Uma lágrima no canto escondida
Nos meus olhares perdidos pelo campo!
Tive um sonho a meio do caminho,
Na angústia dessa separação:
Esta dor profunda e este espinho,
Vão mudar o rumo da vida então!
Fui, então, viver solidão desmedida,
Novo demais neste distanciamento,
Deus deu-me a força e a resistência!
Minh' alma tinha semente escondida!
Agora, trabalho para meu sustento:
Estudar... será, depois, a doc' ausência!
Modesto
sexta-feira, 13 de junho de 2014
SOZINHOS NÃO TEMOS FORÇAS
Quando pedes mais tempo do que queremos gastar,
Quando pedes mais decisão da que podemos ter,
Nesta vida não estamos predispostos a dar
S' o Teu Espírito não nos inspira pra fazer.
Quand' atitudes cristãs podem escandalizar,
E nós somos a causa de tanta tribulação!...
As forças das trevas erguem-se par' apregoar
Qu' os nossos actos de fé merecem perseguição!
Nossas orações encontram silêncio total,
Sentimos que não nos ajudas a não fazer mal...
Abre os Teus braços e vem socorrer-nos, Senhor!
Abre nossos corações pra que se liguem a Ti;
Nós que somos ingratos e não lutamos aqui,
Dá-nos Teu Espírito, inspira-nos Teu Amor!
Modesto
quinta-feira, 12 de junho de 2014
ESPERANDO A MADRUGADA
Comovo-me ao ver o céu estrelado,
Invade-me a vontade de gritar!
O sol mantém-se ao longe e calado,
Embalado pelo brilho do luar.
A fada desperta do son' encantado,
Pega na harpa e pões-se a tocar!
O sol, dormindo, sonha deleitado,
Pensando já no seu novo acordar.
Surge, então, novo céu a clarear:
Vai-se a noite e vem a madrugada!
O sol vai despertando do seu sonhar
Com estrelas e sua lua amada.
E já se ouve um galo a cantar,
A ad'vinhar o nascer do novo dia!
A lua esconde-se a resmungar...
E já o sol desperta com alegria.
A lua, triste, adormece, por fim,
O sol levanta-se cheio de vigor!
Faz brilhar as flores do meu jardim,
Traz consigo novo sonho de amor.
Modesto
domingo, 8 de junho de 2014
POEMA NO PENTECOSTES
Quem és tu, doce luz que me cumulas
De delícias no meu coração?
Tua mão me guia: Não me anulas!
Se me largares, eu caio no chão!
És o espaço qu' envolve meu ser,
Me abrigas e me dás Tua luz.
Junto a ti, quero sempre crescer,
Conduz minha alma até Jesus!
Espírito Santo, Amor Eterno,
Tu és alimento doce e terno,
Caminha comigo prá vida nova!
Plenitude de vida inefável,
Guarda o meu coração intocável
E continuamente me renova!
Modesto
sábado, 7 de junho de 2014
POR DO SOL NOSTÁLGICO
Gosto da paz da Natureza,
Se vivo nela sem gente:
Sento-m' a ver a beleza
Ninguém me perturb' a mente!
Vem tristeza ao por do sol
E há desconsolação,
Quando esfria o arrebol,
Aquece o coração!
Ao sentir a noite entrada,
Vê-s´ao long' uma 'strela:
Via Láctea 'strelada,
Borboleta à janela!
Mas tristeza é sossego,
Porqu' é natural e justa,
Eu na minha alma pego
E a noite não m' assusta!
Quando penso que existem
Lá fora as minhas flores...
Eu sonho, elas insistem
Ser doadas aos amores!
Modesto
sexta-feira, 6 de junho de 2014
NATUREZA PERFEITA
A perfeição existe, agora sei!
Basta par'a Natureza olhar,
Ver a beleza com' eu a olhei,
Sente-s' a magia do verb' amar!
Todos os corpos têm subtis curvas,
Convidam a um toque sensual!
S' olhares assim o mundo te turvas,
Porqu' é melhor qu' o mundo virtual.
Belos insectos a passar por mim,
A fauna com sedutor caminhar,
Lírios tintos ou cor de carmim...
É sufoco o desejo de beijar!
Vej' o horizonte, fic' o a pensar
Neste belo mundo com seus desejos!
Tímido, me acanho ao sonhar...
Existe igualdade nos ensejos!
Modesto
quinta-feira, 5 de junho de 2014
QUANDO A NOITE DESCER FRIA
Quando tudo for saudade,
O sol for dormir à tarde
E descer a noite fria,
Dor apertará meu peito
Na solidão do meu leito...
Será a noite vazia!
Eu vou ver passar o tempo,
Ouvir o soar do vento,
Recordar o que perdi,
Não 'stando ao pé de ti!
Então, ficarei tristonho
A sentir-te no meu sonho,
Quando a noite descer fria!
Vou ter a noite perdida,
S' ela vier envolvida
No desejo que inflama...
Irei mal dizer a vida,
Chamando por quem me ama!
A hora será perdida
E a noite mal dormida!
Mas... Quando o sol avistar,
A saudade foi frustrada
E correrá na estrada,
Deixando a f''rida sarar!
Modesto
quarta-feira, 4 de junho de 2014
SOMOS ROMÂNTICOS
Somos ainda românticos,
Ao entra na densa mata
A ouvir mui belos cânticos,
Procurando flor de prata!
E nesta sombra sentados,
Respiramos a frescura
Destes bosque encantados
De choupos e fonte pura.
Mais românticos seremos,
Nas asas do romantismo,
Se subirmos aos supremos,
Sem cairmos no abismo.
Deixaremos prá memória
As borboletas caídas,
Pra que fiquem na história
Resumos de nossas vidas.
Romantismo amoroso
És perfeição dos desejos,
Sonho bom e saboroso,
És um poema de beijos!
Modesto
terça-feira, 3 de junho de 2014
AMANTES NA MONTANHA
Do alto da montanha, que beleza:
Paisagens a encher-nos de prazer!
Fauna, flora...unem a Natureza,
Fazem-nos sonhar e estremecer!
Frescura afagante, com certeza,
É convite a amar, a viver!
E estremecemos nesta beleza:
Homem e mulher a enternecer!
E nós dois, abraçados nest' espaço,
Embalamos os corpos num abraço,
Sentimos uma volúpia 'stranha!...
Falamos baixinho e com ternura,
Sorvemos nossos beijos na frescura
Do amor palpitante da montanha!...
Modesto
segunda-feira, 2 de junho de 2014
OS AIS DA VIDA
Num crepúsculo de gaze,
Anda alguém a cantar
Uma canção que é quase
Eco que passa no ar.
Fico a pensar e sonho
Que na vida amor ponho,
Mas ela rápida vai...
'Star de pé, logo se cai!
A juventude é linda,
Mas tudo desaparece
E não se viveu ainda
Mas o que foi bom esquece!
E o destino avança...
Vai-s' o mundo d' esperança!
E... num soluço, num ai,
Bem depress' a vida vai!
A velhice bat' à porta
E traz a desilusão...
O tempo dos sonhos corta
E embala-os no chão!
É a saudade da alma
Que vive cheia de calma
E, s' a gente se distrai,
Há sempr' um sonho que cai!
P'lo sonho é que se vai!
Caiem as folhas... Eu choro
Por cada folha que cai...
Ou rio... até adoro:
Crepúsculo indeciso,
Na vida me martirizo...
Mais um poema que vai,
Na saudade e num ai...
Modesto
domingo, 1 de junho de 2014
JUNHO
Ardente e bela manhã que calcina,
Como em quadrante a sombra decora,
Junho, mês do Verão, o calor domina,
Com um sol que sobr' as serras se demora!
Inunda a terra com a chuva fina,
Água de sonho, que é ouro que chora!
Olha, irado, o sol que já declina
Sobre os montes do horizonte, implora!
Solstício de fogo, a tard' abrasa
Em tempo de Verão qu' o olhar esmalta
Lindo jardim de flor e odor vaza
Nele a sombra sem dor, qu' em nós começa
E sobe, galga, monta, vive, exala...
A lua suave noite recomeça!
Modesto
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HORA DAS TRINDADES
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