O ARCO-ÍRIS VAI E VEM

















Senhor, como fazes prá acender o céu,
Para este belo entardecer de cobre?
Alegria tirou-me dos olhos o véu
E vejo a tarde com' uma coisa nobre!

Nas chamas coloridas de vermelho e verde...
Ilumina-se a lâmpada d'um outro sol
Qu'o prazer do cantar dos pássaros se perde
No negócio que tem cores d'arrebol.

E vêm os ventos que silvam em lufadas,
Deixando as belas flores amarfanhadas
E tudo destoa, nada fica igual!

Há vislumbres que me deixam menos perdido,
Mas... voltamos a desperdiçar o florido...
Dizei-me: Até quando vai sofrer Portugal?

Modesto

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