quarta-feira, 29 de junho de 2016
JUNTO AO DOURO
Aqui, no meu crepúsculo, compaz-m' ainda
O Douro entoando cântico de mágoas.
E das mais belas sensações é a mais linda
A lamuria que vai embora c'oas águas.
Aqui vivi amores qu' 'inda me desmágoam,
Entre sussurros de saudade que se finda.
O Douro persiste em arrastar a mágoa
Num desfecho final da paixão qu' era linda.
Quantas vezes à sombra deste estribilho,
O amor fazia de mim um andarilho
Da solidão dos amantes em bom sonhar.
Amor que fazes que nos percamos na vida,
Sussurrando uma canção desconhecida
Como o Douro e nós morremos num mar.
Modesto
terça-feira, 28 de junho de 2016
A LINDA FLOR
Ó bela flor do campo tão singela,
Para quem guardas as tuas cores?
Foi Deus que te criou entre verdeores
E só para os campos enfeitar?
Desconhecem-te a beleza, ó bela!
E, há outras flores que te invejam,
Mas as brisas é a ti que beijam
E só sabem teu nome revelar.
Há tanto que eu corro pelos campos,
Que passei sobre viçosas relvas,
Aprecio tantas flores pelas selvas
E tantas que no monte encontrei!
Há tanto! É porque só hoje m' 'spanto
Ao ver a flor alva na campina?
Foi o que quis a minh' ingrata sina
Que isto acontecesse? Não sei!
Porque fiquei de peito agitado,
Vendo o teu segredo que não revelas,
Saber que foram as minhas estrelas
Que fizeram,viess' até aqui?
Pensei que tinha ânimo domado,
Que seguisse os campos incessantes,
Qu' encontrasse só flores vicejantes...
Afinal, vim aqui porque te vi!
Vem a noite... Vou pelos arvoredos
Rodeados de formas vaporosas
Que vão vagueando misteriosas
E que me irão encontrar a sós!
De manhã, vou conhecer teus segredos
E ver nascer a chama matutina
Que vai chamar teu nome, Rosalina
E ouvirás, então, a minha voz!
Modesto
quarta-feira, 22 de junho de 2016
CREPÚSCULO NO CAMPO
O vento and' à volta dos pinheiros
E entra pelos galhos sem quebrá-los.
Espantam-se os bichos sorrateiros,
Correm para o poleiro os galos.
As flores retorcem-se nos canteiros,
Os pássaros revoam nos seus talos,
Do Douro levantam-se nevoeiros,
O vento pela costa vai levá-los.
A tarde cai n' amena solidão,
Trevas fazem da lua seu bordão
Qual tinta clara numa tela suja.
A noite vem perto: É Verão!
Já dormem os perus e o pavão,
Coaxam as rãs, pia a coruja.
Modesto
terça-feira, 21 de junho de 2016
PRIMEIRO DIA DE VERÃO
Já contei muitos verãos de braços abertos,
Inaugurei na alma tuas primaveras
Revividas nas flores dos jardins desertos,
Restos de verãos como lírios ent' heras.
Aqui estou, guardando teus afectos
Como pastor ao sol no vale das esperas.
Conduzo flores por jardins abertos
Para os vales verdejantes de quimeras.
Verão é página escrita com carinho,
Escrita nas pétalas com seu espinho
Lá, no meu discreto caminho da paixão.
O verão vive pelo dom da claridade.
O primeiro dia é dia de saudade...
Fim da primavera, traga melhor verão!
Modesto
segunda-feira, 20 de junho de 2016
PRIMEIRA NOITE DE VERÃO
Faz calor, vou tirar o agasalho.
Há lágrimas mas luto por vencê-las.
Caminho e minha mágoa espalho,
Olho o céu, procurando estrelas.
As flores choram lágrimas d' orvalho,
Lágrimas trémula e, ao vê-las,
Balanço meus olhos pelo galho
Do ramo que, sedento, quer bebê-las.
E vou tristonho,,, Baila plo espaço
O lamento das horas que ficaram
Na Primavera - queria prendê-las...
Deixo a minha dor por onde passo,,,
Olho o céu...As mágoas debandaram
Ant' o 'splendor da lua, das estrelas!
Modesto
domingo, 19 de junho de 2016
QUEM É JESUS PARA TI?
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sábado, 18 de junho de 2016
APETITE MATINAL
Só me basta olhar pela janela
E abraçar a manhã no jardim
Para ver a claridade da estrela
Que já traz a fome dentro de mim.
Deixo qu' a brisa toque minha face
Com a ave que me vem visitar,
Vejo o brilho do sol que renasce...
É mágico instante a chegar.
Converso com o vento no telhado
Qu' há tempos costumo esperar,
Com belo enlevo antecipado
De um melro que me vem cantar.
Num canteiro há flores de jacinto
Com o odor de uma flor que quer
Inflamar-me desejos e instintos
Dum bom pequeno almoço comer.
Modesto
quinta-feira, 16 de junho de 2016
SABER VIVER
Viver com amor é o segredo da vida,
É ter esperança e razões pra sonhar
E é ter paixão pela alma possuída,
É sentir com o coração o qu' é o amor.
É ter cada dia uma chama erguida,
É ajudar quem não se pode ajudar,
É ver árvore seca mas também florida,
É servir sem o contrário esperar.
É ser luz e não ter medo da 'scuridão,
É ter a verdade, deixar a ilusão,
É enxergar sem medo do que se vai ver.
Porque a cada um foi dada a razão
Pra que tudo possa ver e compreender
Que só com o amor é que se pode viver.
Modesto
quarta-feira, 15 de junho de 2016
Ó TEMPO, VOLTA PRA TRÁS
Quand' era pequeno, toda agente cavava
E removia montanhas a lhos frios,
Os alicerces da terra fundo lavrava,
Aplanava serras, entulhando os rios.
Era gente de ambições, terna, escrava...
Até lavravam montes, antes vazios!
Este solo que, plantado, tudo dava,
Reviravam bosque que eram baldios...
A terra transformou-se, 'stamos noutra era!
Não são só as marés, ciclones e os sismos...
Mudaram a nossa terra... Há cataclismos!
E é a acção humana que a altera!
Tudo por causa da praga dos milhões.
Deixaram campos por outras explorações!
Modesto
segunda-feira, 13 de junho de 2016
QUERO A MINHA TERRA
É a ti que eu quero, Terra minha,
Teu sol que queima, chuva que renova,
Pássaro cantor qu' ao ver-me s' aninha
E a flor dos campos qu' é sempre nova.
As tuas árvores falam de mim,
Os teus riachos conhecem-me bem,
E tudo canta saudades de mim:
A folha que cai, o ramo que vem.
Amo teu solo que me viu nascer,
Tuas colinas me viram crescer...
Em ti está entranhada minh' alma.
Saí daqui, dei a volta ao mundo.
Mas por ond' andei, nada foi profundo
Porque só aqui encontro a calma.
Modesto
domingo, 12 de junho de 2016
BELEZA PRIMAVERIL
Campos floridos, relva verde, vida nova!
A Natureza faz de festa nas manhãs,
O sol chega atrevido, tudo renova,
O vento tomba belas flores temporãs.
Esvoaçam os passarinhos das manhãs,
Campos coloridos com gestos de bonança,
Riachos murmuram e coaxam as rãs...
Tudo bem enfeitado, dá-nos esperança!
Tudo se agita e há cores amigas,
Há o trabalho incansável das formigas,
Ouvem-se os gorjeios da passarinhada...
O ventos traz-nos o perfume das montanhas,
As borboletas nascem com asas tamanhas...
A lua namora o sol pla madrugada.
Modesto
sábado, 11 de junho de 2016
A VIDA
A vida é algo real
É viver com coração
E a ninguém fazer mal,
Viver com muita paixão.
É o nosso maior bem
Temos de a respeitar,
Pois quem não a vive bem,
Não a sabe' avaliar.
Tem frutos de alegria...
Pra muitos com "podridão".
Ajuda a simpatia
Faz cantar linda canção.
Deleite, afirmação...
É boa experiência.
A vida não tem função
Se não for de excelência.
E, na poétic' Aurora,
Entre princípio e fim,
Cria glória agora,
Mas só se julga no fim:
Vida, és tudo pra mim,
Enlevo, vitalidade...
Eu quero viver assim
Sem ter nenhuma maldade.
Dedico-t' este poema
Porque és pra mim querida.
Faço de ti meu emblema,
Em mim não andas perdida.
Modesto
sexta-feira, 10 de junho de 2016
SOU FOLHA TREMULANTE
De alma fremente como folha viva,
Sento-me sobre a terra perguntando
À força da Natureza criativa
Quando serei folha velha, me quedando.
Sem resposta ou outra alternativa,
Única solução é ir caminhando
Em passada segura e defensiva
'Sperando um outono amigo brando.
Já sou folha tremulante, mal segura,
Como a cor já desbotada na paleta
Da vida, qu' interrogo e não responde.
Mas meu filosofar ainda perdura,
Como estigma na alma dum poeta:
Desvendar o porquê, o quando, o onde...
Modesto
segunda-feira, 6 de junho de 2016
LOUCURA DE DEUS, MISÉRIA HUMANA
Bom Jesus, amador das almas puras,
Bom Jesus, amador das almas mansas,
De Ti vêm angélicas doçuras,
De Ti Vêm serenas esperanças.
Por toda a parte vejo que procuras
O pecador ingrato, não descansas
Sem qu' os espíritos ganhem altura
Para lhes dar as bem-aventuranças.
A mim, pois, ao meu grave desvio,
Vem abrandar o meu cruel destino:
Noite e dia, em lágrimas me banho.
Tem compaixão de mim, Pastor Divino,
Ao terminar este degredo estranho,
Esta ovelha não falte ao Teu rebanho.
Modesto
domingo, 5 de junho de 2016
UM DIA IREI PARTIR
Quão belos são os jardins a florir,
Todos s' embelezam na lua cheia.
Quando o meu fim estiver pra vir,
Até a erva do monte ondeia!
Um dia eu serei pó ou areia,
Ao que existe, me hei-de unir,
O meu sangue paralisa na veia,
Os meus braços ao mundo vou abrir.
Então, virá a mim o meu desejo
Que vem a mim como se foss' um beijo...
E lá irei habitar na floresta!
Então irei ao ritmo das paisagens
Que eu sonhava nas minhas imagens
E haverá aí bonita festa!
Modesto
sábado, 4 de junho de 2016
IMACULADO CORAÇÃO DE MARIA
SOMBRA COM ESPERANÇA
Na sombra vive-se reflexos de esperança,
Entre os raios solares da incerteza.
Há cantos d' adoração, preces de criança
Com pausas de prenúncio d' alva beleza.
Ouve-s' uma voz celeste melodiosa
Junto com anúncios de grand' amor
E vêm crianças com paz harmoniosa
Cantando com doce voz e suav' ardor.
No meio da sombra há pétalas de flores,
Repetem-se cânticos que falam d' amores...
À volta, resiste a luz do meio-dia.
Na vida há caminhos sombrios, estranho!
Semeiam-se pungentes musgos de antanho...
Mas, com humor e coragem, vem alegria.
Modesto
sexta-feira, 3 de junho de 2016
SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS
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quinta-feira, 2 de junho de 2016
A LOUCURA DO POETA
O poeta é um louco inconcebível,
É um mago com sua quântica loucura
E nele o eterno pode ser possível,
Naquela dimensão possível da ternura.
Bem aventurada esta insanidade!
Toda a ferida se cura pela dor,
Por ela conquistará a eternidade
A gloriar-se da reposição d' amor.
Ninguém pode evitar que seja assim:
Ele vive pelas veredas do jardim
A implementar a memória das rosas.
Só tem um ser d´amor: Sua alma repleta!
Cativ' a alma de todos como poeta:
Ardoroso coração pra mulher formosa.
Modesto
quarta-feira, 1 de junho de 2016
O CÉU AZUL
Querer ver o céu azul, nem sempre é puro.
Será melhor ir vê-lo entre ramadas
Ou entre os frutos dum pomar escuro,
Azul ténue com cores debutadas.
Ou então ir sonhá-lo nas madrugadas,
Fresco inquieto azul sempr' imaturo,
Um azul de claridades sufocadas
E a latejar nas flores nascituras.
É est' azul que eu acho dolorido,
Recuperou-se depois d' o ter perdido...
Ficou um azul sombra envelhecida.
Eu quero azul da manhã orvalhada,
Quero azul com verdade encantada
Que se esvai, à noite, por ter vivido!
Modesto
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HORA DAS TRINDADES
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