17_04

A CAMINHO DE EMAÚS



















Iam falando a respeito de Jesus.
Ele apareceu e sentiram alegria!
Iam desiludidos a caminho de Emaús,
Falavam das Suas Obras, Aleluia,,
Tal como hoje, Este Jesus nos conduz!
Ardia-lhes o coração às Palavras de Jesus.
Pediram-Lhe que com eles ficasse.
Sentados à mesa, Jesus repartiu o Pão,
Deu-Lho e seus olhos se abriram!
Reconheceram-No e não mais o viram...
Voltaram convertidos à fé ardente no coração!

Acompanha nossos caminhos, Bom Jesus,
Fica connosco, pelo Teu imenso amor,
Como Te pediram a caminho de Emaús,
Fica connosco, Nosso Amado Bom Jesus!

Modesto

SAUDADES DE TI, SANDE!















Regada és tu, por águas de Montedeiras,
Ensolarada por um sol exuberante,
Mãe d' emigrantes que deixaram suas leiras,
Não te esquecem, mesmo em terras distantes!

Orgulho de quem nasceu das tuas entranhas:
Ver-te forte, alimentar quem te trabalha.
Mas... as ambições do homem são tão estranhas
Que te feriram como corte de navalha...

Cada esquina dos caminhos tem magias,
Nos teus largos, vê-se nascer novos amores!
Teu mavioso encanto das melodias...
És a flor mais bela entre todas as flores!

Enamorado, apaixonado, declaro:
- O teu lindo horizonte vê-se tão grande! -
Como poeta, nos meus versos deixo claro
Todo o amor por ti, minha bela Sande!

Modesto

UM CREPÚSCULO NA MINHA TERRA

























Gosto do vento da noite sussurrante,
Daquele que faz tremer bem os pinheiros
E da cantiga do pobre caminhante
Que leva o rancho para os tropeiros.

Gosto dos monótonos sons da viola
E seu tocar, numa tarde de Verão
E da cantiga que lá se desenrola...
Faz-me sonhar até vir a ´scuridão.

Odor das flores, doce ar cheiroso,
A lua no céu, com manto nubloso
Levam-me a olhar pró cimo da serra.

Ao longo do vale a névoa desceu,
Nela resplandecem estrelas do céu,
Aquele que é o céu da minha terra!

Modesto

VISITA À MINHA TERRA



















Vim aqui matar saudades
Do lugar em que nasci.
Passar umas boas tardes,
Ver o que deixei aqui!

Escutar os passarinhos,
O que com eles cantei.
Correr nos mesmos caminhos
Em qu' em criança andei.

E por aqui ficarei,
Pelo menos alguns dias.
Rever o qu' aqui deixei
E renovar energias!

Depois... terei de voltar
Prà minha terra d' exílio
E novament' enfrentar
Tod' aquele correrio.

"O que é bom dura pouco"
Diz ditado popular.
Já estou a ficar louco
Por deixar este lugar!

Eu bem queria ficar:
Irei partir sem vontade!
Fica, querido lugar,
Que de ti vou ter saudade!

Modesto

DORMIR AO LUAR



















Aconchegado num raio de lua,
Ouvia cantigas de embalar...
Par'cia qu' era filho da rua,
A lua estava-me a mimar.

As estrelas fiquei a admirar!
Refletiam mil cores ao luar,
Vinham aquela noite enfeitar
Um belo quadro, com seu cintilar!

Na rua um poeta versejava
Pra encantar a sua namorada.
Na janela, a moça suspirava
Feliz, escutava apaixonada!

O frio agarrou-se ao meu rosto,
Na madrugada 'stava a gelar.
Mesmo assim, senti aquele gosto
Duma noite ao relento ficar.

Modesto

CONTANDO PELOS DEDOS

















Faço soneto a contar plos dedos
As sílabas da sua construção.
Catorze versos líricos enredos...
Catorze 'spinhos no meu coração!

Ponho nele o cetim dos arvoredos,
A cor das lindas tardes de Verão,
Faço dele a caixinha de segredos...
Tudo trancado pela minha mão!

Catorze lindas Catedrais vazias,
O silêncio 'smaga harmonias
Dos meus desejos vãos de perfeição...

Faço um soneto, oh! mãos esguias
A contar estrelas plas noites frias,
Nas minhas noites de meditação!

Modesto

SONETO DOS MEUS UNIVERSOS

























Quando escrevo meus silêncios, mastigo
As angústias que deslizam nos meus versos,
Espalhando diversos - o que é ambíguo -
E descubro cada face dos meus anversos.

Há paz e inquietação nalguns reversos,
Há escuridão, se lhe chamo meu amigo,
Há penares e dores no viver, dispersos
Naquela solidão que conversa comigo.

A poesia é a flor que eu bendigo,
Metamorfoseando-me num doc' abrigo
Naquele descampado dos sonhos submersos.

Quietud' é constância como castigo,
Ferindo a musa com soneto amigo,
Naquela plenitude dos meus universos.

Modesto

POEMA MODERNO, SAUDADE

Que saudade do menino que eu era... Ouvia o riso das flores,  Das borboletas no jardim! Até o orvalho tinha cor, O céu sorria de amor! Caía ...