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POESIA

 Dormem versos nos rubros corações,
Como sonhos vividos de quimera...
Depois, ao longe, ouvem-se as canções:
A andorinha, a rola, a Primavera...

Dentro do cofre deste coração
Há pérolas, rubis, jaspes, safiras,
Um rouxinol feliz traz a canção
Acompanhada de suaves liras.

A minha seara está madura
À espera do Ceifeiro Diligente.
A mesa do poeta tem fartura
Daquele pão que mata a fome à gente.

Os meus versos são ramos de oliveira
Que alguém num alto mastro colocou...
Quem viu esta pacífica bandeira,
Sorriu e de alegria até cantou!

Modesto

VIDA SIMPLES

 Dá-me, Senhor, a alma simples, pura
Para Te amar e para Te servir;
Que o meu olhar vestido de candura
Na luz do sol Te possa descobrir.

Dá-me a tranquilidade segura
E a promessa das flores a abrir;
Que descubra nos outros coisa pura
Através do chorar e do sorrir.

Enche o meu coração de amor perfeito,
Põe uma rosa dentro do meu peito
Pra perfumar a minha humildade.

Que voe pelo céu meu pensamento
Que no sol, na lua, em todo o firmamento...
Veja imagens de simplicidade.

Modesto


VIVA O SILÊNCIO

 O meu silêncio, às vezes, faz-me bem! 
Preciso de pensar um pouco em mim.
Certos silêncios fazem-nos tão bem...
O Inverno é um repouso no jardim!

Gosto de estar sozinho na montanha,
Aprecio o sossego da paisagem,
Vejo o rio feliz que as margens banha
Levando até à foz uma mensagem.

E no silêncio crescem as maçãs,
E no silêncio brilham as estrelas,
E em silêncio formam-se as manhãs
Vestidas como noivas todas belas!

Falta silêncio nesta sociedade
Que vive e se desloca em burburinho...
A agitação constante na cidade
Faz a gente perder-se no caminho!

Modesto

ATENÇÃO

 Tu que sofres na vida, não me leias,
Podes, talvez, sentir desilusão;
Antes pensa na vida das colmeias,
Terás no peito mel e uma canção.

Li e reli meus versos e pensei:
Quem irá entender o que escrevi?
Uma alegria e dor neles deixei,
Em todos ri, chorei, amei, sofri.

Tu não queiras seguir os meus caminhos,
Não te iludas com sonhos de poetas:
São roseiras que só têm espinhos
E a vida nada tem de borboletas.

Talvez um dia, alguém descobrirá
Que também tinham alma e sentimento,
Que foram para muitos um maná
E às almas tristes deram alimento.

Modesto

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ROSAS E ESPINHOS

 Numas roseiras viçosas,
Há uma santa amizade,
Uma perfeita irmandade
Entre os espinhos e as rosas.

Elas sentem-se seguras,
Eles são os seguranças,
Elas são como as crianças,
Ingénuas, dóceis e puras.

Há carícias de donzelas
E há crianças singelas,
Hã beijos das joaninhas.

Há aspirações bondosas
Que pensam mudar-se em rosas
E fazem doces festinhas...

Modesto

SUBIDA

 Subia alegre pelo monte acima
Vestido de verdura e de perfume,
Iam meus lábios cantando com rima
E a encosta espalhava a cor que une.

Causa sempre alegria uma ascensão
Em busca de horizontes dilatados...
Fica mais longe a negra escuridão
E os olhos mais azuis, iluminados.

Toda a semente quer sair do chão
Toda a planta procura a luz do dia,
Voa o fumo no ar, com ilusão,
Sobe às alturas toda a melodia.

Elevo para o céu o meu olhar,
Ponho no espaço azul uma canção:
Porque a lua tem alto o seu lugar,
Melhor dissipa à volta a escuridão.

Modesto



MEUS VERSOS

 De dia ou noites gerados,
Com sol ou lua presentes,
Recordam os meus achados
E as virtudes das gentes.

Lembram jardins perfumados
Ou selvagens matagais;
Quem os ler mais demorados.
Neles verá meus sinais.

Os sinais duma alegria
Que brotou em profusão;
Ou a dor como sangria
Que me rasga o coração.

Quem me ler há-de encontrar, 
Nestes meus versos escritos,
Uma noite de luar
Ou uns ásperos granitos.

E talvez encontre ainda
Uma luz abençoada
Que torna a vida mais linda,
Desde a noite à madrugada.

Modesto

POEMA MODERNO, SAUDADE

Que saudade do menino que eu era... Ouvia o riso das flores,  Das borboletas no jardim! Até o orvalho tinha cor, O céu sorria de amor! Caía ...