segunda-feira, 24 de março de 2014
DOS ANSIÃOS REFORMADOS
Senhor Deus dos desprezados,
Dizei-me Vós, Senhor Deus:
É loucura... É verdade
Tant' horror perant' os céus?!
Senhor, porque não apagas,
Cá, na terra, estas pragas,
Acabas co' a podridão?
Astros, noites, tempestades...
Rolai das imensidades,
Varrei esta corrupção!
São velhos e rejeitados,
Roubados por não ter voz!
Povo que sofre e se cala
E vota no seu algoz!...
Mas...Pobreza, não se cala:
Vem depressa e resvala
Por um Governo fugaz!
E... nesta vida confusa,
Diz-me tu, severa musa:
Quem virá ser mais audaz?
Trabalharam tempo certo,
Descontos fizeram jus,
Lutaram de peito aberto...
Agora deixam-nos nus!...
Foram guerreiros ousados!
Mas agora, são roubados
E vivem na solidão...
Ontem trabalharam: Bravos!
Hoje, míseros escravos
E não vêem solução!
Prometem a liberdade,
Pra chegarem ao poder...
Mas - cúmulo da maldade -
Sem dinheiro pra comer...
Vão aumentand' a torrente
Dos que morrem tão sós, gente,
Nas casas em solidão!...
E vós, zombando da morte,
Dançais na 'splêndida corte:
Mas... Viveis de ilusão!
Modesto
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