segunda-feira, 29 de junho de 2026

TARDE PLANGENTE

Quando do campo as vadias ovelhas
Voltam, à tarde, joviais, balando...
Com elas o pastor volta cantando
E fulge o ocaso em convulsões vermelhas.

Nos beirais das casas ou sob as telhas,
As andorinhas esvoaçam em bando...
E o mar, tranquilo, fica cintilando
Ao sol que morre às últimas centelhas.

O azul dos montes altos à distância... 
Nos bosques, no ar, a cândida fragância
Dos aromas vitais que a tarde exala.

Ás vezes, longe, solta, na esplanada,
A ovelha errante, tonta e desgarrada,
Perdida e triste, pelas outras bala...

Modesto

quarta-feira, 17 de junho de 2026

NA MINHA FORJA

Estão aqui meus versos fabricados
Nesta forja subtil, do coração:
Verdes, roxos, azuis ou encarnados,
Lembram a dor ou são uma canção.

São meu luar nas noites de invernia,
São as velas acesas na caverna,
A caverna onde vivo noite e dia,
A caneta vem a ser minha lanterna.

São deste coração, seu alimento,
São contas dum rosário doloroso,
Mas dão vitalidade ao pensamento,
Perfumam meu caminho sinuoso.

Podes me ler com alma de criança,
Ou com alma de gente já crescida,
E podes encontrar uma esperança,
Ou encher de amargura a tua vida.

Modesto

domingo, 7 de junho de 2026

PARA MEUS FILHOS

Jesus, Deus Filho, o encanto das crianças,
Quando na Cruz, de angústia espedaçado,
Em Sangue casto e límpido banhado,
Manso, tão manso como as pombas mansas;

Embora as duras e afiadas lanças 
Com que os Judeus, tinham, de lado a lado,
Seu Coração puríssimo trespassado,
Inda no olhar Lhe raiavam esperanças.

Por isso, ó filhos, meus amores - se a esmola
De algum conforto essencial não joga
Por nós - é forçoso conduzir a Cruz!...

Eu, meus filhos, pesaroso e triste:
Se, vossa vida só pra este mundo existe,
Ah! Meu Deus, para que morreu Jesus?...

Modesto

CELESTE ABRIGO

Estrela triste a reflectir na lama, Raio de luz a cintilar na poeira, Tens a graça subtil e feiticeira, A doçura das curvas e da chama Do te...