quinta-feira, 28 de maio de 2026

ERMIDA

Morava na Capela esbranquiçada,
Com Seu Manto de Luz, a Virgem pura;
Tinha o rosto vestido de alvorada,
Irradiava o Seu olhar, doçura.

Na Sua festa vinham os romeiros
Com cânticos, com flores e orações...
E mostravam nos trajes domingueiros
A alegria e o amor dos corações.

Depois da festa, a Virgem de Luar,
Tinha férias na Sua Capelinha;
E resolveu, então, pra se ocupar,
Voar do Seu altar, como andorinha.

E ia pela aldeia e povoado
Visitar os doentes, os vizinhos...
E levava-lhes o Bálsamo sagrado,
Mudava em rosas, todos os espinhos.

Entrava nos casebres, moradias,
Abençoava velhos e crianças,
Espalhava calor nas noites frias, 
Dava aos desanimados esperanças.

Modesto

segunda-feira, 18 de maio de 2026

A LUZ DA AURORA

Põe a tua alma francamente aberta
Ao sol que pela campina faísca,
Que o sol para a tua alma velha e prisca
Deve ser como um clarim de alerta.

Desperta, pois, por entre o sol, desperta
Como de um ninho a pomba quente e arisca
À luz da aurora que dos altos risca
De listrões de ouro a vastidão deserta.

Vai por Maio em flores gorgolejando
Como pássaro azul com canção leve 
Que os ventos vão nas árvores deixando. 

E tira da tua alma doce e amiga,
Almas serenas, puras como a neve, 
Almas mais novas do que a aurora antiga!

Modesto

sábado, 9 de maio de 2026

MARIANA

Vi-te crescer! Tu eras uma criança
Mais linda, mais gentil, mais delicada:
Tinhas no rosto as cores da alvorada
E o sol disperso pela loira trança.

Asas tinhas também, as da esperança...
E de tal sorte eras subtil e alada
Que parecias ave arrebatada
Na Luz do Espaço onde a razão descansa!

Depois, então, fizeste-te menina,
Visão de amor, puríssima, divina,
Perante a qual ainda hoje me ajoelho.

Cresceste mais! És bela e moça agora...
Mas eu, que acompanhei toda essa aurora,
Sinto bem quanto estou a ficar velho.

Modesto

segunda-feira, 4 de maio de 2026

POSSO DAR-TE UM CONSELHO?

Não passes a correr pela campina,
Desce mais devagar por esse monte...
Pára, e descobrirás em cada esquina
Sorrisos perfumados e uma fonte.

Há alados orféus à tua espera,
Assobios e gritos que não vês;
Mesmo que em ti não haja primavera,
Surgirá, com certeza, em qualquer mês.

Expande a tua alma atribulada,
Nela, poemas põe, mesmo sem rima;
Sentirás que ela está purificada,
Com um fogo que aquece e que te anima.

Notarás que tens um novo coração,
Mais próximo de ti verás o Céu;
Alguém verá em ti uma canção,
E pensará que Deus te apareceu.

Modesto


NA MINHA FORJA

Estão aqui meus versos fabricados Nesta forja subtil, do coração: Verdes, roxos, azuis ou encarnados, Lembram a dor ou são uma canção. São m...