25_02

TENTANDO FLORESCER

 Floresço! Vivo para a Natureza,
Para o Amor Imortal, largo e profundo!
O Bem Supremo de esquecer o mundo 
Reside nesta límpida grandeza.

Floresço para a Fé, para a Beleza
Da Luz, qu' é como um vasto mar sem fundo,
Amplo, inflamado, mágico, fecundo,
De ondas de resplendor e de pureza.

Ando em vão na Terra, a apodrecer
À toa das trevas, a esquecer
A Natureza e os seus aspectos calmos.

Diante da Luz que a Natureza encerra
Ando a apodrecer por sobre a Terra,
Antes de apodrecer nos sete palmos...

Modesto

SOZINHO NA MONTANHA

 De alma doce, triste e palpitante...
Que guitarras soluçam solitárias
Pelas montanhas ingremes, visionárias
E com sonho secreto e fascinante?

Quantas fontes de água purificante,
Quantos silêncios, quantas pedras várias,
Esféricas, imortais imaginárias
Falam contigo, ó alma cativante?

Uma chama acende os faróis noturnos
E veste os meus segredos taciturnos
Dos esplendores do arco da aliança!

Por que sou assim, melancolicamente,
Como um arcanjo infante, adolescente,
Esquecido nos altos da esperança?!

Modesto

SAUDADES DAQUELE CAMPO

 Quando cheio de gosto e alegria,
Este campo avisto florescente,
Então vem-me uma lágrima ardente
Com mais ânsia, mais dor, mais aginia.

Aquele mesmo campo que desvia
Do humano peito a mágoa inclemente,
Este mesmo em  imagem diferente
Toda a minha tristeza desafia.

E, das flores a bela contextura
Esmalta o campo na melhor fragrância,
Para dar uma ideia de ventura...

Como, ó Céus, para o ver terei constância
Se cada flor me lembra a formosura
Da bela causadora da minha ânsia?

Modesto

ESPERAR A HORA...

 Queria repousar desta vida de agora
E esquecer, no silêncio, a dor que me lacera:
Não posso ter em mim o ardor da Primavera,
E dentro do meu peito uma saudade mora...

Há sempre uma lembrança a recordar de outrora
Que me faz sonhador e há sempre uma quimera
Que ainda vive em minh'alma à semelhança da hera
Pregada sobre o muro em ruínas que a vigora...

Queria afastar-me do mundo e a alma selvagem
Repousar bem distante... à beira de um remanso
Entre o beijo do vento e o choro da folhagem,

E esperar, sem ninguém, o prosseguir da vida.
Depois... Chegando a morte, em preito ao meu descanso,
Deixar a minha cruz na solidão perdida!...

Modesto

POEMA MODERNO, SAUDADE

Que saudade do menino que eu era... Ouvia o riso das flores,  Das borboletas no jardim! Até o orvalho tinha cor, O céu sorria de amor! Caía ...