sábado, 5 de setembro de 2026

O SONETO

 Nas formas voluptuosas, o soneto
Tem fascinante, cálida fragância
E as leves, langue curvas de elegância
De extravagante e mórbido esqueleto.

A graça nobre e grave do quarteto
Recebe a original intolerância,
Toda a subtil, secreta extravagância,
Que transporta terceto por terceto.

E, como singular polichinelo,
Ondula, ondeia, curioso e belo,
O soneto, nas formas caprichosas;

As rimas dão-lhe a púrpura vestuta
E, na mais rara procissão augusta,
Surge o sonho das almas dolorosas...

Modesto

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