15_11
HOJE QUERIA
Hoje queria ser aquilo tudo
Que na vida não fui e podia ser.
Era aquele sonho que mesmo mudo,
Seria eterno, mas deixei morrer...
Hoje queria pedir, que sobretudo,
Aquela ilusão de eu merecer
Aquela esperança como escudo,
Essa que sonhei, um dia receber.
Hoje queria amor sem ser reclame,
Qu' o povo vivesse uma dor menor,
Sem o sofrimento e que tanto foi!...
Mas só queria amor que não desame.
Uma solidariedade maior
E sem pobreza que tanto lhe dói!
Modesto
O OLHAR DOS GIRASSÓIS
Quero viver neste mar de encanto,
Não junto da flor que tenha passado,
Mas da flor que ainda faça pranto
P'la paixão dum poema acabado.
A vida cruza muito desencanto
Como um sonho que foi sepultado.
Mas desse luto faz-se um canto
Ao fim do dia qu' está terminado.
Não se esquecem certos pesadelos
Que fazem esbranquiçar os cabelos
Ficando entre dobras de lençóis.
Mas é aqui que sonho docemente
Admirando o belo sol poente:
Beleza do olhar dos girassóis.
Modesto
ENSINA-ME A VIVER, JESUS
Ensina-m' a voar nas Tuas asas leves,
Fica perto de mim como flor bem tratada,
Sede suave como notas semibreves,
Conduz-me por jardins na minha caminhada.
Que eu viva com meus sentidos acordados,
Como cantos de aves dentro de mim.
Que meus calvários sejam por Ti guardados
Como cravos de luz no meio do jardim.
Não Te afastes de mim nem Te vás embora.
Perdoa-me, ajuda-m' a toda a hora:
De junto de mim não Te vás jamais.
Minha vida seja canção de bem-querer,
Protege minha vida até eu morrer...
Que meus passos vão p'los caminhos que Tu vais.
Modesto
LIBERDADE
Liberdade é mar que beija areia,
O céu limpo num espaço triunfal,
Noite plena de estrelas, lua cheia,
Dia de luz com um toque divinal.
Liberdade é um sonho sem barreiras,
Um coração que pulsa de emoção
Dum amor intenso que rompe fronteiras
E vence os limites do coração.
Liberdade é amor que renuncia,
Pra bem do outro que ama igual.
É egoísmo que deixa alegria
Apagar ódios, perdoar o mal.
Liberdade vê para além dos olhos,
Vê os outros com fé e compreensão,
Vive a vida, arruma os escolhos,
Não faz os irmãos viver na ' scravidão.
Modesto
NÃO SOU O QUE QUERO SER
Não sei o que n' alma tenho
Porque tanta vez mudei.
E acho isto estranho:
Em mim pecados achei!
Mas eu tenho uma alma
Que quer viver santa, calma...
O que vejo, bom não é:
Só é bom amor e fé.
Aquilo que sou e vejo
Neste pecador, sou eu!
É meu sonho, meu desejo
Nada disto seja meu.
Quero ser uma paisagem
Que me mostre a passagem
P'lo mundo de que não sou
E que para outro vou.
Assim certo, eu vou lendo
As páginas do meu ser.
E da vida vou prevendo
Qu' o mal devo esquecer.
Mas tud' o que de mim li,
O que julguei e senti,
Penso: Terei sido eu?...
Senhor, a vida doeu!
Modesto
PARA EDIFICAR A NOVA EUROPA
O IDEAL CRISTÃO
Para edificar a nova Europa sobre bases sólidas, não é decerto suficiente apelar apenas aos interesses económicos, que se em certas ocasiões unem, noutras, em contrapartida, dividem; antes, é necessário incidir sobre os valores autênticos, que têm o seu fundamento na lei moral universal, inscrita no coração de cada homem. Uma Europa que confundisse o valor da tolerância e do respeito universal com o indiferentismo ético e o cepticismo acerca dos valores irrenunciáveis abrir-se-ia às mais arriscadas aventuras e, mais cedo ou mais tarde, veria reaparecer sob novas formas os espectros mais tremendos da sua história.
Para evitar esta ameaça, torna-se mais uma vez vital o papel do cristianismo, que está a indicar de forma infatigável o horizonte ideal. À luz dos inúmeros pontos de encontro com as outras religiões, que o Concílio Vaticano II prospectou (cf. Decreto «Nostra aetate»), é necessário ressaltar com vigor que a abertura ao Transcendente é uma dimensão vital para a existência. É essencial, portanto, um renovado compromisso de testemunho por parte de todos os cristãos, presentes nas várias nações do continente. A eles cabe alimentar a esperança da plena salvação com o anúncio do Evangelho que lhes compete isto é, da «Boa Nova» com a qual Deus Se encontrou connosco, e em seu Filho Jesus Cristo nos ofereceu a redenção e a plenitude da vida divina. Graças ao Espírito que nos foi dado, podemos elevar a Deus o nosso olhar e invocá-lo com o doce nome de «Abba», Pai (cf Rom 8,15; Gal 4,6).
S. João Paulo II
Para edificar a nova Europa sobre bases sólidas, não é decerto suficiente apelar apenas aos interesses económicos, que se em certas ocasiões unem, noutras, em contrapartida, dividem; antes, é necessário incidir sobre os valores autênticos, que têm o seu fundamento na lei moral universal, inscrita no coração de cada homem. Uma Europa que confundisse o valor da tolerância e do respeito universal com o indiferentismo ético e o cepticismo acerca dos valores irrenunciáveis abrir-se-ia às mais arriscadas aventuras e, mais cedo ou mais tarde, veria reaparecer sob novas formas os espectros mais tremendos da sua história.
Para evitar esta ameaça, torna-se mais uma vez vital o papel do cristianismo, que está a indicar de forma infatigável o horizonte ideal. À luz dos inúmeros pontos de encontro com as outras religiões, que o Concílio Vaticano II prospectou (cf. Decreto «Nostra aetate»), é necessário ressaltar com vigor que a abertura ao Transcendente é uma dimensão vital para a existência. É essencial, portanto, um renovado compromisso de testemunho por parte de todos os cristãos, presentes nas várias nações do continente. A eles cabe alimentar a esperança da plena salvação com o anúncio do Evangelho que lhes compete isto é, da «Boa Nova» com a qual Deus Se encontrou connosco, e em seu Filho Jesus Cristo nos ofereceu a redenção e a plenitude da vida divina. Graças ao Espírito que nos foi dado, podemos elevar a Deus o nosso olhar e invocá-lo com o doce nome de «Abba», Pai (cf Rom 8,15; Gal 4,6).
S. João Paulo II
CONFIEMOS NA NOSSA RESSURREIÇÃO
«Baptizados em Jesus Cristo, foi na sua morte que todos fomos baptizados:
fomos sepultados com Ele no baptismo da morte a fim de que, tal como Cristo
ressuscitou dos mortos para glória do Pai, assim também nós vivamos numa
vida nova. Se, por uma morte semelhante à dele, nos tornámos um só com Ele,
sê-lo-emos também por uma ressurreição semelhante à sua» (Rom 6,3-5). S.
Paulo mostra-nos assim claramente que o nosso novo nascimento pelo baptismo é
o símbolo da nossa ressurreição após a morte. Esta realizar-se-á para
nós pelo poder do Espírito, segundo esta palavra: «O que é semeado na
terra morre, o que ressuscita é imortal; o que é semeado já não tem valor,
o que ressuscita está cheio de glória; o que é semeado é fraco, o que
ressuscita é poderoso; o que é semeado é um corpo humano, o que ressuscita
é um corpo espiritual» (1Cor 15,42s). O que significa: da mesma forma que,
aqui na terra, o nosso corpo goza de uma vida visível enquanto a alma está
presente, de igual forma receberá a vida eterna e incorruptível pelo poder
do Espírito.
Também assim é no que se refere ao nascimento que nos é dado pelo baptismo e que é o símbolo da nossa ressurreição: recebemos nele a graça pelo mesmo Espírito, mas com limites e à maneira de um penhor. Recebê-la-emos em plenitude quando ressuscitarmos realmente e quando a incorruptibilidade nos for efectivamente comunicada. Por isso, quando fala da vida futura, o apóstolo Paulo confirma os seus leitores com estas palavras: «Não só a criação, mas também nós, que temos as primícias do Espírito, gememos esperando a redenção do nosso corpo» (Rom 8,23). Porque, se recebemos desde já as primícias da graça, esperamos acolhê-la em plenitude quando nos for dada a felicidade da ressurreição.
(Teodoro de Mopsuesto)
Também assim é no que se refere ao nascimento que nos é dado pelo baptismo e que é o símbolo da nossa ressurreição: recebemos nele a graça pelo mesmo Espírito, mas com limites e à maneira de um penhor. Recebê-la-emos em plenitude quando ressuscitarmos realmente e quando a incorruptibilidade nos for efectivamente comunicada. Por isso, quando fala da vida futura, o apóstolo Paulo confirma os seus leitores com estas palavras: «Não só a criação, mas também nós, que temos as primícias do Espírito, gememos esperando a redenção do nosso corpo» (Rom 8,23). Porque, se recebemos desde já as primícias da graça, esperamos acolhê-la em plenitude quando nos for dada a felicidade da ressurreição.
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