O IDEAL CRISTÃO
Para edificar a nova Europa sobre bases sólidas, não é decerto suficiente
apelar apenas aos interesses económicos, que se em certas ocasiões unem,
noutras, em contrapartida, dividem; antes, é necessário incidir sobre os
valores autênticos, que têm o seu fundamento na lei moral universal,
inscrita no coração de cada homem. Uma Europa que confundisse o valor da
tolerância e do respeito universal com o indiferentismo ético e o cepticismo
acerca dos valores irrenunciáveis abrir-se-ia às mais arriscadas aventuras
e, mais cedo ou mais tarde, veria reaparecer sob novas formas os espectros
mais tremendos da sua história.
Para evitar esta ameaça, torna-se mais uma vez vital o papel do
cristianismo, que está a indicar de forma infatigável o horizonte ideal. À
luz dos inúmeros pontos de encontro com as outras religiões, que o Concílio
Vaticano II prospectou (cf. Decreto «Nostra aetate»), é necessário
ressaltar com vigor que a abertura ao Transcendente é uma dimensão vital
para a existência. É essencial, portanto, um renovado compromisso de
testemunho por parte de todos os cristãos, presentes nas várias nações do
continente. A eles cabe alimentar a esperança da plena salvação com o
anúncio do Evangelho que lhes compete isto é, da «Boa Nova» com a qual
Deus Se encontrou connosco, e em seu Filho Jesus Cristo nos ofereceu a
redenção e a plenitude da vida divina. Graças ao Espírito que nos foi
dado, podemos elevar a Deus o nosso olhar e invocá-lo com o doce nome de
«Abba», Pai (cf Rom 8,15; Gal 4,6).
S. João Paulo II
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