12_09
AQUI NADA HÁ DE NOVO
Se nada há de novo, é tudo o que há...
Já antes era como agora é,
Só ilusão! A Criação será:
Criar o já criado que já é?!
Mostrai-me sobre um livro antigo
Como quinhentas translações astrais,
A tua imagem, na inscrição, no abrigo
do espírito em seus signos iniciais...
Se eu soubesse o que diria o velho mundo
Deste milagre que é a tua forma:
Ou te viram melhor, ou me confundo,
Se as translações seguem a mesma norma.
Mas disto estou seguro: Antigos textos
Louvaram mais com bem menos pretextos.
Modesto
A VERDADE DO ESPELHO
O tempo passou tão depressa!
Hoje, olhando-me ao espelho,
Vejo alguma rugas
E muito cabelo branco.
Até agora, culpava o gene
Por estes estragos no meu corpo
E pelos estragos maiores na minha alma.
Mas, hoje o espelho me revela a verdade:
Minhas dores não são culpa de ninguém,
Apenas dores que trago no peito
Pela ausência de alguém perfeito
Que perdi com uma parte de mim.
E... andei perdido!
Culpava as minhas dores...
Hoje vi no espelho que é hora de parar:
Amanhã não vou acordar com os mesmos pesadelos,
Amanhã eu quero sonhar,
E as minhas dores, para sempre as matar,
Porque são somente minhas
E a vida doutros andam a estragar.
O espelho ensinou-me a dura realidade,
Devo aprender a andar com a minha verdade.
Hoje vou deixar a minha alma em paz,
Não volto mais a fazer como se faz...
E, em liberdade,
Vou ser feliz!
Modesto
AURORA DE FANTASIA
Voa, meu amor,
Com a força do meu coração
Que esta força te conduz
Ao brilho do rubor,
Vai furar a escuridãoE a noite esconder a luz...
O sol do amor vai brilhar
Clarear o teu caminho,
Acender o teu olhar.
Vai! Não te percas no caminho,
Vai onde mora a aurora
Que esconde um lindo dia
E antes de vires embora,
Traz-me esse grande amor,
Colhe a mais bela flor
Que alguém já viu nascer
E não t'esqueças de trazer
A força e a magia,
O sonho, a fantasia
E a alegria de viver.
Modesto
VERGONHOSO BURLÃO
À beira do caos por razões do mercado,
Estás longe da Terra que te deu o berço...
Sugaste até à alma, ficou um trocado.
Deixaste-a a valer menos dum terço!
Nua como o devedor de Pelourinho,
Sofre a Terra com que devias falar,
À pobreza condenada, pobrezinho
Povo que te deveria enforcar!

Os que tiveram força pra te derrubar
O Grande País lhe chama abençoado!
Foste tolerado para governar...
Ao contrário: ficaste governado!
Os Sósias 'inda fazem Procissão
A entesourar Fundações com o ouro.
E havia tanto ao cair da Nação!...
Esta Corja diz lhes ser dado p'lo Tesouro!?
Os deuses amaldiçoaram em coro,
O que tens e qu'a tua vaidade sente...
Não queres ir, agora, pra Nino de coro?
Metamorfose que te fica lindamente!
Modesto
CABELO AO VENTO
Vai passar!
Só não passará quem o vir passar!
- Não te pertenço,
Rapaz a desabrochar:
Não tenho corpo que sente
Nem uma mente que invente...
- És a viagem que me vai levar
E que tento controlar.
- Eu viajo sem saber
Os caminhos que vou percorrer...
Vejo-me a viver e a passar
No tempo que me fará chegar,
Onde? Onde vou morrer!
- Não tens assento
Nem pra descansar?
Partirei contigo,
Se a tua força me deixar:
Falarei contigo
Conhecerei os teus segredos
E... posso-te ajudar!
Mas tens que me carregar
Nos teus braços de vento,
Com o meu cabelo ao vento!
Modesto
NASCESTE PARA MIM

Tenho uma confissão a fazer
Às fadas e a ti:
Que o mundo quis-me receber,
Ficando com o melhor de mim!
Criança que nasceu ao luar,
Num sítio perdido em mim,
Sempre com sonhos, sempre com luzes,
De que queria ser diferente,
Diferente dos diferentes...E, ao crescer comecei a sonhar
A sonhar contigo...
Sem imagem, sem vida, sem pintura:
Lá estavas tu!...
E a criança cresceu,
Romântica, apaixonada,
Por uma saga de Romeu e Julieta,
Desenhadas para mim,
Num lustro de marfim
E amor sem fim!...
Mas a vida quis mudar o meu caminho,
Destruir o trovador,
Colocar uma pedra no poeta
E perdê-lo pela vida.
E... um dia morri e voltei a morrer
Para renascer e ser diferente...
Perdi-me para me eternizar.
E o coração começou a pensar
Na verdade de um amor
E sonhou...
Que se pode ser trovador,
Numa vida de dor
de sagas escritas,
de sagas vividas,
Numa vida de procuras...
Andar pelos cantos do mundo,
Andar pelos sonhos do mundo
A declamar o meu sonho,
A declamar o sonho de Romeu
E fazê-lo teu e meu,
Meu e teu,
Nosso e vosso,
Vosso e nosso,
Até que as escritas perdidas,
Que vou colocando nas entrelinhas,
Possam escrever sagas sem fim,
No coração daquela que nasceu para mim!
Modesto
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