sexta-feira, 13 de novembro de 2015
LUGARES BUCÓLICOS
Há muitos lugares bonitos, bucólicos
Que são bordados por finíssimas tramas,
Com'os pensamentos voando insólitos,
Opostos em dias, meses e semanas.
Têm textura de incerto valor
Aquele que meu pensamento alcança...
Hora de silêncio arrasador,
Mas que me anuncia a esperança.
Na saída, há sentimento de paz
E a verdura traz esperança crua,
Onde mergulho com minha alma nua.
Deixo para trás o anseio fugaz,
Trago comigo odor e perfume...
Vejo o crepúsculo com sol em lume.
Modesto
quinta-feira, 12 de novembro de 2015
NO CAMPO, AO CAIR DA TARDE
Sobre os montes e campos perfumados
Estendam-se véus de sombras e palores
E os verdejantes cerros escalvados
Cingem, no entanto, vividos fulgores.
Trabalhadores em cismas mergulhados
Voltam do campo os pobres lavradores,
Entoando os seus cantos magoados
E soam no ar bucólicos rumores.
E o sino, em doloroso acento,
Toca para prece, o povo suspira,
Ao ritmo do sino, canta seu lamento.
Tocand' à janela com gigante lira,
'Stá a menina entoando ao vento
E à luz do sol que no poente expira.
Modesto
quarta-feira, 11 de novembro de 2015
LUA CHEIA
A tarde está tão serena que parece
Que vem do hálito que sobe do teu sono,
Enfeitiçada de calma, a tarde desce
E vejo-te ir nas nuvens abandonada.
Vais já longe, no mar, mas lenta e leve
A exalar belos sonhos desse sono.
E é do teu brilhar que minha mão escreve
Tudo o que revejo do teu abandono.
Dormes como o voo duma ave leve
E vejo-te em pleno mar de luz e céu,
Linda e absorvida no teu sono leve.
Vais abandonada nesse pó de estrela.
Quem me dera poder voar assim p'lo céu!
Só te posso observar da minha janela...
Modesto
terça-feira, 10 de novembro de 2015
DESEJO DE AMAR
Amo-te desde o primeiro momento,
Sem saber se estou certo ou errado.
Tenho apenas um grande sentimento:
Ver o teu corpo sempre mais desejado.
Amo-te ao ritmo do meu coração.
Gosto dos momentos passados contigo.
Eu vivo abraçado a esta paixão,
Cada segundo penso ser teu amigo.
Vivo um sonho quase concretizado.
E serei feliz nos dias que viver
Em plenitude, se por ti for amado.
E é a grande razão que me faz crer
Que não poderás deixar de me querer...
Só espero vir o tempo ajustado.
Modesto
sábado, 7 de novembro de 2015
Somos administradores dos bens doados
«Quem
é fiel no pouco também é fiel no muito»
Tens de saber de onde te vem a existência,
o sopro de vida, a inteligência e aquilo que há de mais precioso, o
conhecimento de Deus, de onde te vem a esperança do Reino dos céus e a de
contemplar a glória que hoje vês de maneira obscura, como num espelho, mas que
verás amanhã em toda a sua pureza e brilho (1Cor 13, 12). De onde te vem o
facto de seres filho de Deus, herdeiro com Cristo (Rom 8, 16-17) e, se ouso
dizê-lo, o facto de seres tu próprio um deus? De onde te vem tudo isto e
através de quem?
Ou ainda, falando de coisas menos importantes, as que se vêem: quem te deu a beleza do céu, o curso do sol, o ciclo da lua, as incontáveis estrelas e a harmonia e a ordem que as regem? [...] Quem te deu a chuva, a agricultura, os alimentos, as artes, as leis, a cidade, uma vida civilizada, relações familiares com os teus semelhantes?
Não foi Aquele que, antes de mais nada e em paga de todas as suas dádivas, te pede que ames os homens? [...] Se Ele, o nosso Deus e nosso Senhor, não tem vergonha de ser chamado nosso Pai, podemos nós renegar os nossos irmãos? Não, meus irmãos e meus amigos, não sejamos administradores infiéis dos bens que nos são confiados.
Ou ainda, falando de coisas menos importantes, as que se vêem: quem te deu a beleza do céu, o curso do sol, o ciclo da lua, as incontáveis estrelas e a harmonia e a ordem que as regem? [...] Quem te deu a chuva, a agricultura, os alimentos, as artes, as leis, a cidade, uma vida civilizada, relações familiares com os teus semelhantes?
Não foi Aquele que, antes de mais nada e em paga de todas as suas dádivas, te pede que ames os homens? [...] Se Ele, o nosso Deus e nosso Senhor, não tem vergonha de ser chamado nosso Pai, podemos nós renegar os nossos irmãos? Não, meus irmãos e meus amigos, não sejamos administradores infiéis dos bens que nos são confiados.
(S. Gregório N.)
sexta-feira, 6 de novembro de 2015
MÁGOAS RESTAURADAS
Hoje quero escrever
Sobre páginas de mágoas,
Para que voltes a ler
A história das lágrimas.
'Stou no banco da memória
- Que nunca me falt' a tinta -
Pra 'screver tod' a história
Do amor-mágoa sucinta.
Entre folhas espalhadas
Qu' inundam meu coração,
Há mágoas derramadas
Com sabor d' expiação.
Dor em flor restauradas
Todas vieram verter
As lágrimas já passadas
Pr' em amor se converter.
Então, quero escrever
Em flores as minhas mágoas.
Vem ver, ao amanhecer,
Meus olhos secos de lágrimas!
Modesto
quarta-feira, 4 de novembro de 2015
TRISTEZA COM ESPERANÇA
Trago uma tristeza indefinida
Que prematuramente me envelhece,
Dando à vida a sombra de outra Vida,
Ajudando-m' a ser contrição e prece.
Este dia dos defuntos me intimida.
O meu corpo quente quase arrefece,
Bate sempre na mesma velha ferida,
Faz-me recolher com lágrimas e prece.
É condição da essência humana
Que sente a vida num curso incerto...
Existência falaz que nos engana.
Mas sinto que vibra em mim Alguém perto
Que me dá certeza desta caravana
Atingir a Vida que não é deserto.
Modesto
Subscrever:
Mensagens (Atom)
AQUELA FONTE
A fonte é um cometa prateado, Uma flauta suave e cristalina, Enche o monte de música divina Dá um tapete verde a todo o prado. Até a ave rús...
-
Horas de sombra, de silêncio amigo Quando há o encanto da humildade E que o Anjo branco e belo da saudade Roga por mim no seu perfil antigo....
-
Devagar que 'inda agora era Setembro De areias tocadas de sol e vento!... Desse odor a mar, ainda me lembro, Vem Outubro tão calmo e ter...
-
Ó tu do grande amor fiel traslado Mariposa, entre as chamas consumida, Pois se à força do ardor perdes a vida, A violência do fogo me há pro...





