terça-feira, 25 de novembro de 2025

SONETO NOSTÁLGICO, DOCE E MELANCÓLICO

No silêncio doce da lembrança,
Ecoa um tempo que não volta mais,
Sussurros suaves, pura esperança,
Em versos tristes, sonhos tão banais.

Põe-se o sol em tons de melancolia,
No peito arde a chama do passado,
Um doce pranto, doce agonia,
No coração, um amor guardado.

As horas passam, lentas, sem perdão,
Na alma vive a sombra do que foi, 
Um doce adeus, uma canção.

E assim se vai a dor da nostalgia,
Entre suspiros, a alma se desfaz,
No doce pranto de melancolia.

Modesto

sexta-feira, 14 de novembro de 2025

EMBALA-ME NO TEU REGAÇO, MÃE

Lembra alvuras de cisne sobre um lago
A minha vida imaculada e honesta...
Ouço bater meu coração em festa,
Pela bondade e amor que nele trago!

Do meu orgulho olímpico de mago
Só o desdém aos inimigos resta,
Maior que às folhas mortas da floresta,
Que nos meus dedos pálidos esmago.

Mas a piedade enche o meu peito e vem,
Em vez de tão humano e vil desdém,
Ungir meus lábios de um perdão divino...

Julguei ser deus! E choro de cansaço...
Oh, Mãe Piedosa, embala no regaço
Meu coração exausto de menino!...

Modesto

sexta-feira, 7 de novembro de 2025

HORAS SOMBRIAS

Horas de sombra, de silêncio amigo
Quando há o encanto da humildade
E que o Anjo branco e belo da saudade
Roga por mim no seu perfil antigo.

Horas em qu´o coração não vê perigo
De gozar, de sentir com liberdade...
Horas da asa imortal da Eternidade
Aberta sobre o tumular jazido.

Horas da compaixão e da clemência,
Dos segredos sagrados da existência,
De sombras de perdão sempre benditas.

Horas fecundas de mistério casto,
Quando do céu desce, profundo e vasto,
O repouso das almas redimidas.

Modesto

quinta-feira, 23 de outubro de 2025

Ó ALMAS INDECISAS!

Almas ansiosas, trémulas, inquietas,
Fugitivas abelhas delicadas
Das colmeias de luz das alvoradas,
Almas de melancólicos poetas.

Que dor fatal e que emoções secretas
Vos tornam sempre assim desconsoladas,
Na pungência de todas as espadas,
Na dolência de todos os ascetas?!

Nesta esfera em que andais, sempre indecisa,
Que tormento cruel vos nirvaniza,
Que agonias titânicas são estas?!

Porque não vindes, almas imprevistas,
Para a Missão das Límpidas Conquistas
E das Augustas, Imortais Promessas?!

Modesto

terça-feira, 14 de outubro de 2025

MARIPOSA FIEL À CHAMA

Ó tu do grande amor fiel traslado
Mariposa, entre as chamas consumida,
Pois se à força do ardor perdes a vida,
A violência do fogo me há prostrado.

Tu de amante o teu fim hás encontrado,
Essa flama gigante apetecida,
Eu girando uma pinha endurecida
No fogo que exalou, morro abrasado.

Ambos, de firmes, anelando chamas,
Tu a vida deixas, eu a morte imploro,
Nas constâncias iguais, iguais nas famas.

Mas, ai!, que a diferença entre nós choro!
Pois acabando tu ao fogo, que amas,
Eu morro sem chegar à Luz, que adoro!

Modesto

quarta-feira, 8 de outubro de 2025

OUTUBRO

Devagar que 'inda agora era Setembro
De areias tocadas de sol e vento!...
Desse odor a mar, ainda me lembro,
Vem Outubro tão calmo e ternurento...

Caminha misterioso e dourado,
Deixando no ar a melancolia;
O seu passo envolvente e pausado
Escreve em mim mais amor, mais poesia.

Doce Outubro, vindimas e colheitas,
Entre os homens patrões contas são feitas:
Quem bem semeia, bastante há-de colher.

Em tela orvalhado de beleza
Com mil cores vai pintando a Natureza
E meu peito num doce enternecer!

Modesto

segunda-feira, 29 de setembro de 2025

ÁGUIA, LEVA-ME CONTIGO

Vou contigo por estas cordilheiras!
Põe teu manto e bordão e vem comigo,
Atravessa as montanhas sobranceiras
E nada temas do mortal perigo!

Sigamos para as terras condoreiras!
Vem resoluto, que eu irei contigo
Dentre as águias e as damas feiticeiras,
Só tendo a Natureza por abrigo.

Rasga florestas, bebe o sangue todo
Da terra e transfigura em astro lodo,
O próprio lodo torna mais fecundo.

Basta trazer um coração perfeito,
Alma de prefeito, sentimento eleito,
Para voar de lado a lado o mundo!

Modesto

VEM VISITAR-ME

Já é tempo, Senhor, de visitar-me Neste casebre do meu coração; A porta está aberta, vem escutar-me, Ouvirás esta humana confissão: Há muito...