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HORAS DE REFLEXÃO



















Nas madrugadas de silêncio amigo,
São horas do encanto da humildade.
E vem a nós o nosso perfil antigo:
O anjo branco e belo da bondade.

Horas em qu' o coração não vê perigo
De amar e de sentir a liberdade:
Toma o Manto de Proteção com' abrigo,
Sob asas imortais da Eternidade.

São horas da reflexão de excelência,
Nos segredos fechados da existência,
Com as bênçãos do perdão sempre benditas.

São horas profundas de mistério casto,
Já que do céu desce profundo e vasto
O descanso das nossas almas contritas.

Modesto

SEMPRE COM DEUS














Deus Eterno, dá-me a consciência
De depender de Ti continuamente.
Não m' abandone a Tua clemência,
Ensina-me a viver humildemente.

Não quero ser carro abandonado,
Sem piloto e perdeu sua rota...
Não me deixes, Senhor, abandonado,
Sem Ti, a vida é uma derrota!

Sei qu' há dias sublimes nas montanhas,
Que há desertos que só nos dão manhas,
Que há momentos tranquilos nos vales...

Qu' eu saiba também, Deus, que m´acompanhas,
Não deixes o mal vir-me às entranhas!
Ó minh' alma, qu' a Deus bem alto fales!

Modesto

AMANHECER MELANCÓLICO
















Eu preciso de voltar para trás.
Onde vou a correr desatinado?
O sol a nascer, um dia de paz...
Porque tenho que lembrar meu passado?

Já cantam, nos campos, os passarinhos.
Foi-se a noite... Há céu luzido!
Mas meus olhos cismam que são velhinhos...
E cá vivo nesta terra transido!

Vinde velhas primaveras! Chamai-as,
Para enfeitar o meu ser com maias
E eu ver o florir das macieiras!

Esfriai minh' alma d´ olhos febris,
De pensamentos assim tão senis...
Qu' eu volt' a cantar as canções primeiras!

Modesto

O TEMPO PASSA SEM MEDIDA




















Tempo passa sem medida,
Sem retorno e sem fim
E leva a minha vida,
Deixando marcas em mim.

S' ele levasse as quimeras
Na passagem infalível,
Levava as coisas beras,
Minha beleza visível.

Vão os dias, meses, anos,
Segundos, minutos, horas...
Passa tempo sem enganos,
Sem delongas nem demoras.

E agora, ó meu tempo,
Que mais poderei dizer?
Vida não é passa-tempo,
Aprendamos a viver!

Modesto

LINDA FLOR DA SERRA

























Numa serra, avisto, com certa surpresa,
Uma linda flor num tronco velho adusto.
Atraiu-me a meiga rústica beleza!
Esforcei-me para a colher, mas a custo.

Era uma bela flor com cor de turquesa,
Pétalas iriadas, pezinho venusto,
Coisa formosa- ideal da Natureza!
Quis guarda-la, mas apanhei um grande susto:

Um ramo vem e arrebata-a já morta!
Efémera visão qu' em seda se recorta,
Flor azul, minha linda flor desconhecida!

Ficarás em mim como grata lembrança
Daquilo que se perde e não mais s' alcança,
Como o que se vê uma só vez na vida!

Modesto

ACREDITA

























Vê com' a dor te transcendentaliza!
Tu, no fundo da dor, crê nobremente.
O que faz a beleza, diviniza,
Transfigura teu ser em força crente!

Tua crença seja celeste brisa
E o brilho que vem do oriente.
Então o astro do céu cristaliza
Teu sonho supremo n' Omnipotente.

Alma e coração ficam mais graves,
Inspirados por carinhos suaves,
 Na doçur' imortal, sorrindo, crendo...

Tod' a alma humana necessita
De uma esfera de luz bendita
Par' acreditar sem andar gemendo!

Modesto

AMO A VIDA

























Tenho muito pouco tempo
Para dizer que te amo,
Ó vida, meu sentimento
Cada momento te chama.

E amo-te com ternura,
Sem ti não posso viver,
Ó minha doce ventura,
Razão do meu bem querer.

Eu amo-te como vida,
Quero-te como a mim.
Tu és a minha querida,
Meu começo, meio, fim.

Já não sei o que dizer...
Viver nunca foi um sonho!
Sem ti eu não sei viver
No poema que componho...

Modesto

POEMA MODERNO, SAUDADE

Que saudade do menino que eu era... Ouvia o riso das flores,  Das borboletas no jardim! Até o orvalho tinha cor, O céu sorria de amor! Caía ...