quarta-feira, 29 de julho de 2015

A CAMINHO DUM BELO EXPIRAR

























Prá vida vivida me volto expectante,
Prá sua raiz, eu me enredo a fundo.
Vida é amor, amor português radiante,
É ele que dá a explicação do mundo.

Minha carn' é senil, mas vibra satisfeita,
Revela-se com o amor da minh' amada...
Quero invadir toda a vereda estreita,
Por onde andou a minha vida passada.

Hoje ou amanhã, mais um pouco, quem sabe?
Enregela-se-me o corpo, sem viver
A delícia da vida que tão bem sabe...

Tudo vai correndo pró instante do termo:
É assim que acaba o terreno ser,
Envolto na paisagem de um belo ermo.

Modesto

terça-feira, 28 de julho de 2015

SER



















Se não podes ser pinheiro
No alto duma colina,
Sê um arbusto rasteiro
Na escarpa da ravina.

Se não puderes ser planta,
Sê, se quiseres, um ramo.
A relva é verde e tanto
Boa pra corar o pano.

Sê passagem num caminho
Se não puderes ser 'strada.
Ou sê senda do carinho,
Afecto da tua amada.

Se não puderes ser o sol
Sê apenas uma 'strela.
À tarde, no arrebol
Abre-lh' a tua janela.

Não é o brilho que tens
Qu' é êxito ou fracasso.
É partilhando teus bens,
 dar aos outros o teu braço.

Modesto

segunda-feira, 27 de julho de 2015

A VOZ DA CONSCIÊNCIA



















Cala-te voz, não duvida:
És sonho que me aquece
E dizes-me que na vida
Essa voz não adormece.

És a voz que insinua
Que é sempre Primavera.
Mas a vida continua...
Eu já não sou o que era.

Também és voz sedução,
És sempre voz que me diz:
Deixa imaginação,
Vai ao fundo da raiz.

Tu és a voz que me grita:
Qu' o sol, a luz e o vento...
São daquele qu' acredita
Ter Deus no seu pensamento.

Canta, ó voz, animada,
Arrepende-te e cede:
Esta vida não é nada,
Só Deus mata tua sede.

Modesto


sábado, 25 de julho de 2015

O NOSSO ADN NATURAL



















Temos uma voz interior que ouvimos
Dizer que nunca queremos ser o que somos:
Tudo aquilo que pensamos e ouvimos
É sempre a antítese do que supomos.

Do interior do barro de onde vimos
Há também árvores que dão flores e pomos,
Há ervas com sementes, musgos e limos...
Todos têm igual vida à que dispomos.

Não adianta pensar que muito sabemos:
Somos névoas volantes, ilusões... fumos,
Não passamos de ideias: É o que temos!

Nascemos da mesma essência: Do húmus,
Somos contrastes e vivemos de extremos...
Sem a alma, teríamos os mesmos rumos!

Modesto

sexta-feira, 24 de julho de 2015

VOU SEGUIR OS TEUS CONSELHOS



















Os conselhos que me deste. meus amigo,
Têm poemas de amor e alento,
São palavras que trago sempre comigo
E são, da minha alma, o alimento.

Eu lembro-me sempre delas, quando paro.
Encontro nelas ternura, por acaso.
E, da ferida aberta, logo saro,
Porque,de tanto doer, passou do prazo.

A ferida que sangrava lá no fundo,
Deixou nos meus olhos nevoeiro baço.
E, ao ler teus versos, até me confundo....

Vou juntando nossas mágoas num abraço
E preparar-me pra enfrentar o mundo,
Quando puser meus poemas no espaço!

Modesto

quinta-feira, 23 de julho de 2015

PASTORA, MUSA DOS MEUS VERSOS




















Ó Pastora,, umas palavras, eis um verso:
Doze sílabas a dizer coisa nenhuma!
Esforço-me no devaneio?  Não impeço
Qu' o quarteto sej' inútil como 'spuma.

Está na hora de ter mais serenidade,
Senão a Musa me dará um não eterno.
Chamo a rima que lhe dá eternidade
E juro-te, ó Pastora, uma amor terno.

Falar-te d' amor, Pastora, é qu' eu queria,
Mas as Fadas já não perseguem teu poeta:
Deixam apenas promessas de poesia!

Matéria bruta não cabe no terceto.
Se Cupido me lançasse sua seta,
Tinha a chave pra trancar este soneto!

Modesto

quarta-feira, 22 de julho de 2015

DESTINO















Sou um homem de nobres emoções,
Sinto necessidade de amar.
Tenho coração e aspirações,
Quando há céu azul, ou há luar.

Também sou um cavaleiro andante,
Um dom Quixote, por terras sem fim,
Homem de paz, caminheiro amante
Da rubra flor que brota no jardim.

Contemplo o sol na sua nascente,
Esperança a triunfar luzente
E as colinas são o meu emblema.

Sou observador de alma ciente
E das paisagens faço o tema
E trabalho, com a fé como lema.

Modesto

VEM VISITAR-ME

Já é tempo, Senhor, de visitar-me Neste casebre do meu coração; A porta está aberta, vem escutar-me, Ouvirás esta humana confissão: Há muito...