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CRER - NÃO CRER




















- Há vontade de gritar:
Quem entende o desespero?
- Corres sem nunca parar,
Percebes isso primeiro!

A mente não te responde?
- Pois, tudo é ilusório...
- Mas sabes quando e onde
Há um sofrer compulsório!

Dizes que nada existe!
Fugir de tudo é triste,
Mas a mente não engana!

Deixa o mal que persiste,
Ouve Deus que não desiste
De ti e não te engana!

Modesto

EU SÓ TENHO UM DESEJO


















Eu só tenho um desejo par' o mundo:
Que houvesse igualdade social.
Eu só tenho um desejo - EU profundo:
Paz d' espírito pra aliviar o mal.

Só tenho um desejo pra com os outros:
Pô-los a consertar todos os seus erros
E a serem receptivos com os outros
E a demonstrar como é bom ter zelos.

Acabava o egoísmo passivo,
Porque só ele nos traz perdição.
Ensinava sentimento perceptivo
E sem se ficar apenas na razão.

Mesmo que eu me tornasse irreal,
Não quereria ser um Ser que só finge,
Pois eu quero que tudo seja igual:
Abandono dos enigmas da Esfinge.

Começar do zero, ressair do ovo,
Fugir dos erros - o maior dos anseios
E, sem erros, refazer um mundo novo,
Com forte carácter - o maior dos desejos.

Modesto


DILACERADO














Ó corpo que amei sofregamente,
Volúpias, carnes deliciosas,
Essência morna, tropical, quente,
Ausência de submissões rigorosas...

Corpo, procuras teu oriente
E sonhas com estrelas fabulosas
Tentadoras de ti intensamente
Nas carnes livres, sempre ansiosas!

Ó alma, dilacerada plos zelos,
Através de profundos pesadelos
Que t' apunhalam com mortais horrores...

Agora, vais desfeita em lamentos,
Em lágrimas, em prantos, em tormentos,
Em ais, em dilacerações e dores...

Modesto

FALAR DE SAUDADE
























Só por falar um pouco de saudade,
Escrevo, nesta folha, um poema,
Pois, já não domino a ansiedade...
Preciso desenvolver este tema.

Quando o silêncio me invade
E me faz refém de longa espera,
Aperta-me no peito a saudade
Tanto quanto cantava a Severa!

Saudade que aconchego ao peito,
Mas ela expande-se de tal jeito
Que já não cabe mais dentro de mim...

Repito-me ao repisar o tema
Que faz brotar de mim este poema
E o extravasá-lo não tem fim!

Modesto


PADROEIRA DE PORTUGAL
























Em Alcobaça a memória
Chama-te Mãe da Vitória,
Ao relembrar Santarém;
E, mais além, na Batalha,
Que o Mestre quis por mortalha,
És da Vitória também.

Mas foi em Vila Viçosa
Que, Virgem Mãe Poderosa
Senhora da Conceição,
Abriste porta à coragem,
Abençoando a linhagem
Que resgatou a Nação.

És, Santa Mãe, Padroeira,
Entre as rainhas , primeira,
Das terras de Portugal,
D. João o decretou
E o povo todo aclamou.
És devoção nacional.

A PALAVRA DE DEUS É CRISTO



















Não me quis deitar para descansar,
Sei que estás aqui. É bom saber!
Estou aqui para Te adorar,
Sei que nenhum mal m' irá abater!

No Teu agir posso acreditar,
Todos os maus fogem ao Teu poder!
Tua Palavra tenho qu' estudar,
Estou a Teus Pés par' a perceber.

Fico aqui até amanhecer,
Ao raiar do dia, faz-m' entender
O que a Tua palavra me diz.

'Stou aqui até ao brilhar do dia,
Esquecendo a madrugada fria...
Faz-me conhecer tudo de raiz!

Modesto

ADVENTO - À ESPERA DE JESUS

















Quem espera Jesus neste Advento,
Com o coração cheio de fervor,
Tem que escutar, trazido plo vento,
O cântico d' hossanas ao Senhor.

Quem espera Jesus neste momento,
Não sente tristeza, angústia, dor...
Pois que tudo é beleza, Sacramento!
Val' a pena 'sperar o Deus d' Amor!

O tempo do Advento se traduz
Na 'spera do Deus Menino Jesus,
A grande Luz, das trevas vencedor!

A oração, conversão, penitência...
São armas que nos dá a Providência,
Pró Encontro-Luz com o Salvador!

Modesto

POEMA MODERNO, SAUDADE

Que saudade do menino que eu era... Ouvia o riso das flores,  Das borboletas no jardim! Até o orvalho tinha cor, O céu sorria de amor! Caía ...