19_09
ESTEJAS ONDE ESTIVERES
Se tu estiveres lá,
Eu também 'starei aí.
Se nas sombras da manhã
Ou ao escurecer do dia
E no silêncio da noite...
Tu não sentirás alegria.
Nessa moldura do tempo,
Estás no meu pensamento!
Se estiveres além,
Eu estarei lá também,
Fascinado, fascinante,
À espera do instante
Em que chegam as saudades
Das tuas habilidades
Tão ternas e tão intensas,
Adivinhand' o que pensas!
E se estiveres só,
Eu sentirei muito dó
E corro pra t' ajudar
A encontrar o lugar,
Nem que seja à distância,
Que tenha a circunstância
Dos dias de emoção
Em que damos coração,
Lá no meio do jardim
E te lembraste de mim.
Modesto
REVENDO NOSSO AMOR
Vamos tão abraçados, tão juntinhos,
Em tarde de calor e sol ardente.
Somos com' um casal de passarinhos
Trocando mimos dum amor nascente.
Tão devagar, em passos miudinhos...
Ficava a olhar-nos tod' a gente!
Nós, absortos, sempre aos segredinhos,
Sem a ver, à volta, atrás, à frente!
Só nós... o nosso mundo! Mão na mão,
Mil sonhos a brotar do coração
Qu' a vida construiria ou não...
Há quanto tempo foi!... E a saudade
Entra na alma, subjuga, invade,
Revendo nosso amor naquel' idade!
Modesto
ACALMA-ME
Junto de Deus, velando... Sonho e afago
Imagens belas, sonhos, versos, comovido...
Vejo-O olhar-me... Meu olhar é um lago
Em qu' um lírio alvorece reflectido...
Vejo-O olhar-me... E sonho! Só de vê-Lo
Meu olhar se perfuma e, à minha vista,
Há um céu de Amor a estremecê-lo
Com a devoção ansiosa dum artista...
Sol a nascer brilhante, aquece o vento
Das montanhas do céu - ó meu doce alento!
Plantas de jasmim, lírios, rosas, luar...
Perfume de flores, doçura, boa prece...
- Ó rouxinóis, calai-vos! Fonte, adormece,
Senão a minha alma pode acordar!...
Modesto
POESIA QUENTE E FRIA
Dizem, por aí, que ninguém lê poesia,
Preferindo a ficção ou até ensaios.
Por ventura ou uma mera cortesia,
Olham pró poema apenas de soslaio...
Mas, livros de poemas são uma razia,
À laia de mercado, 'stilo papagaio...
É a que se faz em tarde de maresia!
Poesia séria? Dela eu não saio!
Poesia fria? Não! - Poesia quente!
Esta que me dá empenho incandescente,
Aquela a quem dou vida e coração!
As hodiernas tendência, por aí:
Frases curtas que dão dinheiro, alíbil...
Eu serei poético, mesmo d' ilusão!
Modesto
19_08
LÍRIOS QUE NÃO MURCHAM
Numa bela manhã de sol ardente,
Cantam melros, perto, num limoeiro.
Que pena tu não estares presente:
Há lírios nas águas do ribeiro!
Colhi uns, pla saudade que me deste,
E dei-tos numa linda jarra d' ouro.
Pelo bem que na vida me fizeste,
Quero que fiques com este tesouro!
E quando, na nossa casa, os vejo
Dou-lhes sempre um demorado beijo
E fico em ti sempre a pensar...
É qu' adivinham os lírios do rio
Que te dei minha vida - sentem brio!
Beijo-os sempre, sem nunca murchar!
Modesto
PAISAGENS DO DOURO
Plas margens do meu Douro de águas claras,
Ando em viagem constante, sem descanso.
Vejo as paisagens que me são tão caras,
Admiro-as com prazer, nunca me canso!
É por elas qu' eu gosto de escrever:
Troco meus afectos e felicidade,
Até esqueço qu' um dia vou morrer...
Mas sei que nunca morrerei de saudade!
Tem flores, tem sol... e aves a voar!
Lá, Hinos de amor costumo entoar,
Consagrando meu tempo qu' é sempre novo.
Por lá, há luz, inspiração sem medida,
Perfume que dá vida à minha vida...
Agradeço a Deus - Aqui me renovo!
Modesto
PAISAGENS DE AGOSTO
Paira o silêncio na folhagem,
As árvores tecem amor antigo,
Sobressalto vindo duma aragem
Qu' ao dia solarengo dá abrigo.
O coração, qu' é sombra na paisagem,
Dá às palavras vãs outro sentido:
Um murmúrio feito de passagem...
Ao entardecer, procura abrigo.
Ares assim fazem-se duma luz
Qu' o coração ao extremo reduz,
Com´o dia se dissolve, ausente.
Acolhem-se as palavras devagar,
Num dia, em fulgor, que nos vai dar
Vermelho crepúsculo no poente!
Modesto
Subscrever:
Mensagens (Atom)
POEMA MODERNO, SAUDADE
Que saudade do menino que eu era... Ouvia o riso das flores, Das borboletas no jardim! Até o orvalho tinha cor, O céu sorria de amor! Caía ...
-
Pedro traiu a fé a Cristo dado. Madalena chorou de arrependida; E nessa mágoa triste e indefinida Havia ainda uns laivos de pecado. Tudo o q...
-
No silêncio doce da lembrança, Ecoa um tempo que não volta mais, Sussurros suaves, pura esperança, Em versos tristes, sonhos tão banais. Põe...
-
Lembra alvuras de cisne sobre um lago A minha vida imaculada e honesta... Ouço bater meu coração em festa, Pela bondade e amor que nele trag...






