sábado, 21 de novembro de 2015

CONFIEMOS NA NOSSA RESSURREIÇÃO



Nascer para a nova criação


«Baptizados em Jesus Cristo, foi na sua morte que todos fomos baptizados: fomos sepultados com Ele no baptismo da morte a fim de que, tal como Cristo ressuscitou dos mortos para glória do Pai, assim também nós vivamos numa vida nova. Se, por uma morte semelhante à dele, nos tornámos um só com Ele, sê-lo-emos também por uma ressurreição semelhante à sua» (Rom 6,3-5). S. Paulo mostra-nos assim claramente que o nosso novo nascimento pelo baptismo é o símbolo da nossa ressurreição após a morte. Esta realizar-se-á para nós pelo poder do Espírito, segundo esta palavra: «O que é semeado na terra morre, o que ressuscita é imortal; o que é semeado já não tem valor, o que ressuscita está cheio de glória; o que é semeado é fraco, o que ressuscita é poderoso; o que é semeado é um corpo humano, o que ressuscita é um corpo espiritual» (1Cor 15,42s). O que significa: da mesma forma que, aqui na terra, o nosso corpo goza de uma vida visível enquanto a alma está presente, de igual forma receberá a vida eterna e incorruptível pelo poder do Espírito.
 
Também assim é no que se refere ao nascimento que nos é dado pelo baptismo e que é o símbolo da nossa ressurreição: recebemos nele a graça pelo mesmo Espírito, mas com limites e à maneira de um penhor. Recebê-la-emos em plenitude quando ressuscitarmos realmente e quando a incorruptibilidade nos for efectivamente comunicada. Por isso, quando fala da vida futura, o apóstolo Paulo confirma os seus leitores com estas palavras: «Não só a criação, mas também nós, que temos as primícias do Espírito, gememos esperando a redenção do nosso corpo» (Rom 8,23). Porque, se recebemos desde já as primícias da graça, esperamos acolhê-la em plenitude quando nos for dada a felicidade da ressurreição.
(Teodoro de Mopsuesto)

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

AQUELA BRISA SERRANA



















Senti a brisa no campo
Que se transformou em vento
Fazendo meu desencanto,
Aumentando meu tormento.

Era a brisa soprada
Que fez árvore partida.
A serra er' encantada,
Mas d' ilusão abatida.

Já o sol se escondia,
N' horizonte de desvelo.
No meu desejo havia
A admiração ao vê-lo.

A sombra no horizonte
Era a nuvem sombria.
Quase como numa fonte,
Veio água bem fria.

Fui ao alto ver o mundo,
Ver os vales asseados,
Mas a chuva calou fundo,
Deixou montes alagados.

Modesto

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

AMO A TERRA MÃE

















Sentado à sombra de um cipreste,
No muro da rua, estou exposto
A que me tirem tudo o que me reste
Menos a lembrança d' antigo posto.

Se voltar à Terra me for proposto,
Ficarei bem mesm' em solo agreste,
Porque o Senhor me tem recomposto
Da saudade que ainda me reste.

É esperança, talvez, derradeira
De marcar agor' a minha fronteira
Onde minha Terra Mãe me estreita.

A tua paz calará meus protestos
De não ir só deixar meus restos...
Quero ver tua luz que me deleita.

Modesto

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

HISTÓRIA

















Pode ser comum o meu curso de História.
Corriqueiro e até mesmo banal.
Mas a vida faz a sua trajectória:
Deixou-me na alma um profundo sinal.

E não digo isto por nenhuma glória.
Sou humilde, mas não sou como cristal.
Reforcei com ela a minha vitória,
Refiz a vida, sou mais sentimental.

Já muitas vezes enfrentei o desdém.
Mas sei tudo o qu' a História risca:
Não é o mesmo do que dela se diz.

História é memória que vem
Ensinar-me a viver hoje - é isca
Que me ajuda também a ser feliz.

Modesto

terça-feira, 17 de novembro de 2015

ESPERA CONFIANTE

















Fica alma de criança,
Sonho do amanhecer,
Pra qu' eu tenha confiança
Na espera pra te ver.

Tens contigo tod' o tempo
Pró amor acontecer.
Chega-t´ao contentamento:
Sonho do amanhecer.

Deix' o coração à porta,
Porta que dá pró jardim.
A esp'rança se comporta
Como a flor do jasmim.

É suave minh' espera
Pra ver teu amanhecer.
Quando vens, é Primavera,
Estás sempr' a renascer.

Modesto




sábado, 14 de novembro de 2015

VAGUEANDO PELO JARDIM



















No jardim sinto perfumes
Qu' andam à volta de mim,
Aliviam meus queixumes
Num silêncio sem fim.

Meus pensamentos vagueiam
Pelos meus íntimos segredos
E as flores me nomeiam:
"Afagador com seus dedos".

No meu jardim sou amado
E sinto tranquilidade,
Calço-as com cuidado,
Trato-as com bondade.

Mas... vivem em cativeiro
Triste e descompensado!
Tenho-lh' amor verdadeiro,
Como no tempo passado.

É um sonhar acordado,
Beijo-as enternecido.
Sei que é sonho amado,
Ou sonho adormecido?

Modesto

AQUELA FONTE

A fonte é um cometa prateado, Uma flauta suave e cristalina, Enche o monte de música divina Dá um tapete verde a todo o prado. Até a ave rús...