quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
PELO ESPAÇO A NAVEGAR
Viajante cansado, frio, desolado,
Entrei no meu barco e repousei da dor.
Procurei refúgio, me vi amparado,
Pelo suave aconchego do teu amor.
Pelos furos do telhado, via as estrelas
Maravilhosas, impossíveis de contar.
Nelas, o meu barco estendeu suas velas
E lá fui pelo espaço a navegar.
Entrei nas fortes e remoinhas correntes,
Voando, à procura de qualquer cais,
Puxando o meu leme com unhas e dentes...
Quis ficar ali, sem voltar nunca mais.
Mas, procurei, pelo céu, com tod'o furor,
Encontrand'um cais e nele quis entrar,
Quando te vi, corpo esbelto, bela flor,
Meu coração logo pediu pra m'amparar.
Aquele rico cais mitigou minha dor,
Fiquei feliz de pelo céu ir navegar:
Recebi os melhores abraços d'amor...
No 'spaço 'strelado, ficámos a morar!
Modesto
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