25_06

NOITES DE JUNHO

 Noite belas, o luar me seduz,
Reflecte nos meus olhos, cai no peito,
Pois, antes que me conduza ao leito,
Viajo no tempo que me reluz.

Noites belas, asas do pensamento
Voam, de par em par, rumo ao passado...
Cavalgo como cavaleiro alado
E paro no dia do nascimento.

Mas rápido volto ao meu futuro,
Para na alvorada renascer
E aterrar no meu porto seguro.

Qual estrela maior no alvorecer,
Noites silenciosas, noites prateadas...
Noites de Junho com manhas douradas!

Modesto

25_05

DUAS ROSAS

São duas flores unidas,
São duas rosas nascidas
Talvez do mesmo arrebol,
A viver no mesmo galho,
Da mesma gota de orvalho, 
Do mesmo raio de sol.

Unidas bem como as penas,
Em duas asas pequenas
De um passarinho do céu...
Como um casal de rolinhas,
Como um bando de andorinhas,
Na tarde dum lindo Véu.

Unidas... Ai quem me dera,
Numa eterna Primavera,
Viver como vive a flor.
Juntar as rosas da vida
Na rama verde e florida,
Na verde rama do amor!

Modesto

TUDO PASSA

Nasce o sol e não dura mais que um dia,
Depois da Luz segue-se a noite escura,
Em tristes sombras morre a formosura,
Em contínuas tristezas, a alegria.

Se se apaga o sol, porque nasceria?
Se é tão formosa a Luz, porque não dura?
Como a beleza assim se transfigura?
Como a juventude... logo se envelhecia...!

Se ao sol e à luz falta a firmeza,
Na formosura não se vê constância,
E na alegria sente-se a tristeza...

Começa-se o mundo pela ignorância,
E tem qualquer dos bens por Natureza...
Ter firmeza, somente na constância!

Modesto

SOL E JARDIM DE MAIO

O sol ostenta a graça luminosa,
Jardim por luzidio se pondera;
O sol é brilho na quarta esfera,
Brilham flores na esfera formosa.

Fomenta o sol a chama calorosa,
Com flor ao peito, viva chama altera
O jasmim, cravo e rosa ao sol se esmera,
Nasce a flor do jasmim, do cravo e da rosa.

O sol à sombra dá belos desmaios,
Com olhos de floresta a sombra é clara,
Pinta maios de sol -  Flores de Maios.

Mas, desiguais só nisto, se repara:
O sol brilha sempre com seus raios,
A flor de seus raios está sempre avara.

Modesto

TEOREMA

Loucura ou ambição,
Eu vivia procurando
O ser, causa e razão
O como, porquê e quando.

O infinito no zero
E o zero a crescer...
No expoente o quero
Na exactidão do ser.

E fui a multiplicar
Este mundo negativo,
Frente ao espelho mirar
As contas no positivo.

Ao teorema de Tor
Cheguei lá por tal mestria...
E agora sei de cor
Esta lei da simetria!

Modesto

INEFÁVEIS FLORES DE MAIO

Nada há que me domine e que me vença
Quando minh'alma mudamente acorda...
Ela rebenta em flor, ela transborda
Nos alvoroços da emoção imensa.

Sou como um réu de celestial sentença,
Condensado do Amor, que se recorda
Do Amor que sempre no silêncio borda
D' estrelas todo o Céu em que erra e pensa.

Claros, meus olhos tornam-se mais claros
E tudo vejo dos encantos raros
E de outras mais serenas madrugadas!

Todas as flores que procuro e chamo
Ouço-as dentro de mim, porque as amo
Na minh'alma volteando arrebatadas!

Modesto

25_04

O NOSSO MUNDO

Lá vem a bomba de fogo,
Vai a terra destruir!
-Vai avisar todo o Povo
E defesas construir.

Telefona já à NASA,
Pergunta se é verdade,
Se aquele impacto arrasa
Os montes e a cidade!...

E vem a França dizer:
Monsier, como está?
- Mas que havemos de fazer
Ao Planeta e por cá?

- Junta todas as Nações
Num escudo rutilante
E de amor nos corações
Pára esta guerra errante!

Modesto

POEMA MODERNO, SAUDADE

Que saudade do menino que eu era... Ouvia o riso das flores,  Das borboletas no jardim! Até o orvalho tinha cor, O céu sorria de amor! Caía ...