25_03

SONETO NO DIA DA POESIA

De bom humor e pensamento claro
Um poema feliz se acaricia...
Com rima, métrica e harmonia
Pró dia não ficar ao desamparo.

O sentimento, quando é nobre e raro,
Veste tudo de cândida poesia...
Um bem celestial dele irradia,
Um soneto não é parco nem avaro.

Um doce bem que se derrama em tudo,
Um segredo imortal, risonho e mudo
Levam-nos a uma grata alegria.

E nossos olhos ficam rasos d' água
Quando rebentos de uma oculta mágoa
Nos trazem o sentido da harmonia.

Modesto

AMO-TE COM HUMILDADE

 Amo-Te, Maria, eu amo-Te tanto
Que meu peito dói-me como em doença
E quanto mais me vem a dor intensa
Mais cresce na minha alma Teu encanto!

Ante o mistério da amplidão suspensa,
Como criança que vagueia o canto,
Meu coração é um vaso de acalanto:
Põe em verso uma humildade imensa.

Não é maior o coração que a alma,
Nem melhor a presença que a saudade...
Amar-Te é Divino e sinto calma.

Uma calma tão feita de humildade...
Quão mais Te soubesse pretendida
Mais seria terna a minha vida!

Modesto

Ó LUZ DA FÉ

Ó Luz que eu adoro, ó Luz que eu amo,
Movimento vital da Natureza, 
Ensina-me os segredos da Beleza
E de todas as vozes por quem chamo.

Mostra-me a força, o pequenino ramo
Dos fortes e dos justos da Grandeza,
Ilumina e suaviza esta rudeza
Da vida humana, onde combato e clamo.

Esta minha alma é solidão de prantos!
Cerca com Teus Anjos de brava crença,
Defende com Teus Guerreiros Sacrossantos.

Dá-me enlevos, deslumbra-me na imensa
Porta esferal, dos constelados mantos
Onde a Fé no Meu Senhor se condensa!

Modesto

25_02

TENTANDO FLORESCER

 Floresço! Vivo para a Natureza,
Para o Amor Imortal, largo e profundo!
O Bem Supremo de esquecer o mundo 
Reside nesta límpida grandeza.

Floresço para a Fé, para a Beleza
Da Luz, qu' é como um vasto mar sem fundo,
Amplo, inflamado, mágico, fecundo,
De ondas de resplendor e de pureza.

Ando em vão na Terra, a apodrecer
À toa das trevas, a esquecer
A Natureza e os seus aspectos calmos.

Diante da Luz que a Natureza encerra
Ando a apodrecer por sobre a Terra,
Antes de apodrecer nos sete palmos...

Modesto

SOZINHO NA MONTANHA

 De alma doce, triste e palpitante...
Que guitarras soluçam solitárias
Pelas montanhas ingremes, visionárias
E com sonho secreto e fascinante?

Quantas fontes de água purificante,
Quantos silêncios, quantas pedras várias,
Esféricas, imortais imaginárias
Falam contigo, ó alma cativante?

Uma chama acende os faróis noturnos
E veste os meus segredos taciturnos
Dos esplendores do arco da aliança!

Por que sou assim, melancolicamente,
Como um arcanjo infante, adolescente,
Esquecido nos altos da esperança?!

Modesto

SAUDADES DAQUELE CAMPO

 Quando cheio de gosto e alegria,
Este campo avisto florescente,
Então vem-me uma lágrima ardente
Com mais ânsia, mais dor, mais aginia.

Aquele mesmo campo que desvia
Do humano peito a mágoa inclemente,
Este mesmo em  imagem diferente
Toda a minha tristeza desafia.

E, das flores a bela contextura
Esmalta o campo na melhor fragrância,
Para dar uma ideia de ventura...

Como, ó Céus, para o ver terei constância
Se cada flor me lembra a formosura
Da bela causadora da minha ânsia?

Modesto

ESPERAR A HORA...

 Queria repousar desta vida de agora
E esquecer, no silêncio, a dor que me lacera:
Não posso ter em mim o ardor da Primavera,
E dentro do meu peito uma saudade mora...

Há sempre uma lembrança a recordar de outrora
Que me faz sonhador e há sempre uma quimera
Que ainda vive em minh'alma à semelhança da hera
Pregada sobre o muro em ruínas que a vigora...

Queria afastar-me do mundo e a alma selvagem
Repousar bem distante... à beira de um remanso
Entre o beijo do vento e o choro da folhagem,

E esperar, sem ninguém, o prosseguir da vida.
Depois... Chegando a morte, em preito ao meu descanso,
Deixar a minha cruz na solidão perdida!...

Modesto

POEMA MODERNO, SAUDADE

Que saudade do menino que eu era... Ouvia o riso das flores,  Das borboletas no jardim! Até o orvalho tinha cor, O céu sorria de amor! Caía ...