24_04

DOCE EMOÇÃO

 Bate, bate, coração...
Bate devagarinho...
É amor ou paixão,
Isto aqui no cantinho?

Bate, bate, coração...
Bate de mansinho...
É muita a tentação
De te dar um beijinho!

Bate, bate, coração,
Já bates de pequenino...
É bonita a razão
E doce o carinho!

Modesto

24_03

VONTADE DE TE BEIJAR

 Estava no meu quarto
A pensar na minha vida...
A minha vida sem ti, 
Minha querida, percebi
O valor do meu amor,
Do meu amor por ti.

É a ti que eu quero,
É a ti que eu amo,
É por ti que espero,
É por ti que eu chamo.

Onde estive este tempo?
Há muito que te queria beijar
E desejo te abraçar
Ao meu peito e te amar.

Modesto

O RIO VOUGA

 Sabes, mãe: - Porque do rio a corrente,
No seu leito azul, nem sempre é igual?
Que causa existe às vezes, pela qual
Se torna caudaloso e triste à gente?

- Que ingénua pergunta... Angelical!...
Não sabes, filho, que na Beira ardente,
Lá, onde o rio nasce, mesmo em frente,
Habita a doce Mãe de Portugal?

A Virgem, pelo Estio, menos chora
O desprezo dos homens, por quem ora,
Por ver os seus romeiros criancinhas!

O Inverno é-lhe mais triste, é muito frio...
E não sabes que as águas deste rio
São o pranto da Virgem da Lapinha?!...

Modesto

SÊ FELIZ SUBINDO

 Ser de beleza, de melancolia,
Espírito de graça e de quebranto,
Deus te bendiga o doloroso pranto,
Enxugue as tuas lágrimas um dia.

Se tua alma é de estrelas e de harmonia,
Se o que vem dela tem divino encanto,
Deus a proteja no sagrado manto,
No céu que é o vale azul da nostalgia.

Deus te proteja na felicidade
Do sonho, do mistério, da saudade,
De cânticos, de aroma e luz ardente.

E sê feliz! Sê feliz subindo!
Subindo na perfeição, a alma sentindo
Florir e alvorecer libertamente!

Modesto

24_02

ONTEM E HOJE

 Aqui, nas Terras de Entre -Douro -e -Minho 
A Cruz de Cristo precedeu a espada,
Lançou raízes nossa Pátria amada
E ganhou forças para abrir caminho.

Da Santa Igreja o maternal carinho
Tornou-a forte, intemerata, ousada:
Da Pátria, independência foi sagrada,
Às mãos episcopais de São Martinho!

Bem livre e firme, após tantos perigos,
A Pátria volta a ter por inimigos
Bárbaros novos de alma mais pagã?

Vossa presença ali na Catedral
Firme a Pátria no rumo essencial:
Tanto mais Livre quanto mais Cristã!

Modesto

EU SEI O NOME...

 - Não sei quem mora no meu peito inquieto,
Forjando, noite e dia, o meu tormento.
É fogo que requeima, violento,
Lembrando carne ao lume num espeto!

No coração me crava, duro aleto,
Tenazes que mo cortam, verruguento;
E quanto mais eu grito e me impaciento,
Mais este abutre esgrime, irrequieto.

- Eu sei, amigo, eu sei a causa toda
Do mal que há tanto tempo te incomoda
E fez de ti nauseabundo absorto...

Se mo permites, dir-te-ei o nome
Do mal que assim te rói e te consome:
Verme ou abutre, chama-se... REMORSO!

Modesto

CONTIGO, SENHOR

 Contigo, meu Senhor, a minha vida
Tem um pouco de luz celestial,
Contigo, os meus espinhos da partida
São rosas perfumadas no final.

Contigo, os dias têm claridade
E as noites são vestidas de luar,
Contigo, o Inverno tem suavidade
E a Primavera tem outro brilhar.

Contigo, os matagais são transformados
Em jardins inundados de perfume,
Contigo, os meus desertos são já prados
E este meu gelo é transformado em lume.

Contigo, é mais feliz a humanidade
E a Terra vem a ser nossa mansão,
Contigo, existe mais fraternidade
E aquele que me ofende é meu irmão.

Modesto

POEMA MODERNO, SAUDADE

Que saudade do menino que eu era... Ouvia o riso das flores,  Das borboletas no jardim! Até o orvalho tinha cor, O céu sorria de amor! Caía ...