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NO ENTARDECER DO ANO




















Bom... Ancorados os sonhos
E perdidas as viagens,
Passando tempos medonhos,
O ano foi uma aragem!

Agora, aqui estamos,
Hospital da decadência
É o tempo em que vamos
Sentindo a advertência!

Sim... Ancorados os dias
Em aragens de magias,
Mas com dias bem tristonhos.

Um ano com muitas rotas
E leis nem sempre devotas...
'Stão ancorados os sonhos!

Modesto

A FLOR E O POETA

















Se teu ramo verde fosse a porta
Do amor de um coração perdido,
A paixão seria a rosa morta,
Teu talo seria o bem sentido.

Se a pétala versejar suporta
Palavras belas com ardor vivido...
É perfume doce que me conforta
No teu jardim assim tão florido.

Os campos contam a nossa história:
Tu, ao renascer, trazes na memória
Tempos benditos de sonhos bonitos.

Esperança dum grand' amor floral,
Nossos caminhos são um bom ideal
Da florescência que já tem mitos!

Modesto

MANHÃ DE NATAL

















O dia em penumbra, 'inda cedo,
O sol já espreita no meu beiral,
Ainda havia cinzas do brasido,
Jesus abriu os olhos - é Natal!

No lar da casa há corações nobres:
Painel de alegria, seu costume,
Preparam uma refeição aos pobres
Qu' ouviam versos Bíblicos ao lume.

Árvores com luz, figuras em barro,
No meio do braseiro - tom bizarro,
Presépio feito por pais e irmãos...

Junto às brasas os meus olhos postos
Naquela bela expressão de rostos,
Dou graças a Deus, ergo minhas mãos.

Modesto

NOITE DE NATAL



















Noite de Natal, cidade iluminada,
Brilham 'strelas , o mundo enche-se de luz!
Mil canções soam no ar, Paz desejada,
Noite de festa, nasceu o Menino Jesus!

Noite de Natal: Renascem as esperanças.
As tristezas fogem, tornam-se velhos vultos!
Sorrimos inocentes, como as crianças
E esquecemos os problemas de adultos...

Chama d' amor, nossos corações incendeia:
Com fé, rezamos a Deus - Ele nos medeia.
Em surdina ouvem-se canções de Natal!

Feliz, senta-s' à mesa o pai que medeia,
Pede ao Menino que venha par' a ceia.
Todos estão felizes, - É Noite de Natal!

Modesto

PALAVRAS
























As palavras que eu pressinto
A encher a minha mente,
Pra te expressar o que sinto
E falar-te docemente...

Há no mundo o necessário
Pró sentimento que tenho
E fazer-te um comentário
Pra te dizer ao que venho.

Quero dizer o bastante,
Pra te agradar num instante
Com expressões de antanho.

Quero dizer que te amo
Com as palavras em ramo
Que no meu jardim amanho!

Modesto

BOA AMIZADE

















Não há nada melhor do que a amizade:
Estar ao lado, acompanhar, tolerar,
E, não se empolgando na sua vaidade,
Ouvir o choro, dar conselhos, avisar!

Não há nada melhor do que a amizade:
Dar um ombro amigo a um desprezado,
Sendo apoio com empenho e lealdade,
Seguir em frente - Importa é ser doado!

É tão bonita assim esta amizade
Que, à distância, prospera com saudade,
Se, por perto, estiver um amigo pobre!

É tão sábia assim esta amizade:
Velhos e novos todos em fraternidade,
Como vinho velho em carvalho nobre!

Modesto

HÁ VALORES PARA SEGUIR















Ó pobre humanidade,
Porque sofre pra crescer?
Se já sabe a verdade
Do que é o florescer!

A ciência vai à frente,
Só usa a teoria...
Sabedoria? Pois tente
Porque há outra valia!

Mas tranca-se no escuro,
Vai errando mais e mais,
Vive só entre um muro
E não aprende jamais!

Queres mudar pra crescer?
Mas tens que pagar bom preço,
S' o outro te parecer
Que não faz coro ao começo!

Ah! pobre humanidade,
S' escutasses teus excêntricos,
Aprenderias com a idade
A ter valores autênticos!

Modesto


POEMA MODERNO, SAUDADE

Que saudade do menino que eu era... Ouvia o riso das flores,  Das borboletas no jardim! Até o orvalho tinha cor, O céu sorria de amor! Caía ...